Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011

Já se tinha visto aqui a relação privilegiada do benemérito Pimenta com a Ditadura, concretizada na escolha do pide Lázaro Viegas para o Conselho de Administração e em múltiplos anúncios no boletim da DGS.

 

 a barca

 

Agora faltava a descrição do benemérito a actuar como mecenas , feita no isento Notícias da Amadora que, com a devida vénia, transcrevemos :

 

POIS... POIS...
J. Pimenta e a «cultura...»


Dum grupo de professores e alunos da Secção Cultural do Clube de Futebol Estrela da Amadora recebemos o artigo que passamos a publicar. Trata-se duma segunda via dum artigo anteriormente enviado à redacção do «N.A.» que, por motivos totalmente alheios ao jornal, não nos foi possível publicar.

 

O industrial sr. João Pimenta tomou posse do cargo de presidente da direcção do Clube de Futebol Estrela da Amadora, «assim noticiava o «Diário de Lisboa», como fizeram muitos outros jornais. Sobre o que se passou depois no Estrela da Amadora, nada mais se soube e é sobre tudo isso, que aqui estamos a informar.
«Venho com o pensamento de engrandecer mais o Amadora» (1), disse o sr. J. Pimenta no discurso de tomada de posse.
Quando o sr. Pimenta subiu à direcção do clube, existia, «no aspecto cultural, um sector escolar» (2). «Nesse sector escolar, ministravam-se aulas do 1.º e 2.º ciclos a que podiam assistir graciosamente, indivíduos de ambos os sexos e de quaisquer idades quer fossem ou não sócios do clube» (2). E a quem se devia essa secção? «Devia-se à carolice de gente nova e já com uma certa cultura, que, até com prejuízo das funções da sua própria vida particular, sem direito a receberem quaisquer proventos, se ofereceram prontamente para darem aulas a todos os que queriam enriquecer a sua cultura» (2).
E, conforme entenderam as pessoas, que trabalhavam nessa secção, este enriquecimento cultural não se deveria circunscrever apenas às aulas e respectivos programas; para tal:
a) Criou-se um jornal de parede constituído por recortes de jornais e informação interna;
b) Desenvolveu-se a biblioteca do clube;
c) Pensou-se em sessões de cinema para crianças;
d) A criação dum grupo de teatro estava em discussão;
e) E ainda seria feito um boletim interno para todos os sócios do clube, que seria duma grande importância no acordar dos sócios para o seu clube.
No entanto, passado algum tempo do sr. J. Pimenta ter encabeçado a nova direcção, soube-se, que a secção de ensino, mais propriamente as salas do ciclo preparatório e letras, tinham sido fechadas a cadeado. E porquê? Por causa do jornal de parede. E já agora quais os recortes que o constituíam?:
— Problemas dos Índios nos E.U.A. (ponto crítico do «República»)
— 1.º de Maio («Notícias da Amadora»)
— A questão da fábrica da Abelheira («República»)
— Julgamentos («República» e «Diário de Lisboa»)
— Sobre a Liberdade de Imprensa («Diário de Lisboa»)
— Camões na U.R.S.S, («Notícias da Amadora»)
— Sobre livros apreendidos («Diário de Lisboa»)
— Actividades da I.T.T. («Comércio do Funchal» e «República»)
— Ghettos de Varsóvia («República»)
Foi então dito aos membros da direcção que não havia razão alguma para proibir o jornal de parede uma vez que este era constituído por recortes devidamente oficializados pelos serviços de censura, à excepção dum pequeno texto extraído do livro «Esteiros», de Soeiro  Pereira Gomes, que era vendido para auxílio da biblioteca e ainda como forma de incentivar o interesse pela leitura desse livro.
E embora os membros da direcção tenham concordado que talvez não houvesse ali nada de alarmante, não deixaram de levar alguns recortes para exame do sr. J. Pimenta e de nos avisar que a nossa actividade ali dentro teria de ser submetida a um estatuto que, conforme disse o sr. Pimenta, nos legalizaria. Passámos portanto a ter no Estrela da Amadora uma secção de ensino ilegal.
Os recortes levados ao exame do conhecido industrial, foram: 
— 1.º de Maio (nota histórica do «N. A.»)
— I.T.T. («Comércio do Funchal»)
— Camões no U.R.S.S. (apenas o título)
Poderemos ainda acrescentar e esclarecer que:
1.º) Enquanto para a anterior direcção a secção de ensino era perfeitamente legal, para o sr. J. Pimenta já não o era. Pelos vistos isto de ser ou não legal depende de quem manda.
Parece-nos que o Estrela da Amadora tem sócios que são eles quem, em última análise, devem pôr e dispor do seu clube e não um director ou uma direcção.
Se alguma vez alguém pode encerrar qualquer secção dum clube, mesmo temporariamente, são os sócios por vontade democraticamente expressa na sua assembleia máxima.
2.º) Da vontade expressa pelo sr. J. Pimenta de unificar «todos os clubes que proliferam na zona» (1) da Amadora e daquilo, que sucedeu no Estrela, antevê-se para que servirá tal unificação.
3.º) Já agora: alguma vez os estatutos a que ia ser submetida a secção escolar teriam a participação dos membros desta e até de todos os sócios? Serviriam alguma vez, eles o clube?
É evidente que não.
4.º) Embora muitos dos alunos fossem sócios, apenas souberam que havia uma nova direcção quando lhes foi informado, à hora em que se dirigiam para as aulas, que o sr. J. Pimenta ia fazer o seu discurso de tomada de posse.
Todos estes factos são extremamente reveladores e mais do que nunca é imperioso que o «Notícias da Amadora» se debruce sobre o problema dos clubes recreativos e muitos outros que prementemente se põem aos habitantes da Amadora; esta portanto uma proposta concreta que fazemos. A carta que agora enviamos é meramente informativa, mas pode ser utilizada como trampolim para uma análise mais funda dos factos que apresenta e que esperamos seja feita pelo «N. A.» como órgão principal da imprensa da Amadora.
Adiantaremos que nos parecem estar aqui em jogo não os interesses colectivos mas antes os interesses particulares, o que muito provavelmente fez com que o sr. J. Pimenta pusesse em prática aquele ditado que diz: Mais vale prevenir que remediar.
E, por ironia, quando os alunos da secção escolar foram fazer exames à Escola Roque Gameiro, verificaram que lá existia um jornal de parede com recortes de jornais e tudo.
Que pena o sr. Pimenta não ter visto! Entraria de certeza pela sala, tal como fez no Estrela, e diria, fixando o jornal:
— Isto vai mal, muito mal! Este jornal tem de acabar, ou o jornal ou o ensino. A vossa actividade tem de ser devidamente legalizada. Só quero aqui os livros de estudo e mesmo assim os oficializados. (3).

(1) «Diário de Lisboa».
(2) Entrevista dada ao «Século» pela direcção anterior à do Sr. J. Pimenta.
(3) Palavra do sr. Pimenta numa aula

   

 

O artigo foi vítima do lápis azul da censura, sabendo nós quem se encarregou de pedir ao coronel de serviço que fizesse o trabalho.

 

Está retratado o benemérito, Mestre do Pico.

 

Já sabemos que faria o Pico, se fosse Presidente, irromper pela Biblioteca e aplicar o pensamento do empreiteiro : só lá podia haver livros de estudo.

 

 

 

 

E naturalmente os saneamentos começariam pelo excelente livro do Sr. Traquina -Souto História de um Povo.

 

 

O único livro que não escolar admitido seria a obra de poesia do Comendador Nelson Carvalho, editada pela CMA, como mostra de gratidão, por este com auxílio de Júlio Bento, ter criado a Rua João Pimenta.

 

Como o Bento não escreveu nenhum livro o Pico mudaria o nome da Biblioteca para self-made-man Júlio Bento, depois de previamente arrancar a placa que diz que foi projectada por Duarte Castel-Branco e de proferir uma homilia contra as ''mariquices'' do Botto, com texto inspirado na alocução histórica do Barão Alves contra os ''maricas.''

 

Adérito Abrantes, com o apoio logístico do Zé Trolha em Massamá 

 



publicado por porabrantes às 19:59 | link do post | comentar

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