Quinta-feira, 3 de Novembro de 2011

Diz a rádio Voz do Betão que hoje é Dia Internacional do Homem.

 

Exerça pois os seus direitos, mande na patroa já que no Jana e no Concelho manda a Chefa,

 

 

e vá celebrar o dia a um sítio decente, mandando à merda a crise....

 

Miguel Abrantes, antes de passar a pasta ao Noronha das Via-Sacras e do caminho marítimo para fátima

 

Time Out Lisboa logo

 

Elefante Branco 


Há anos que o bife do Elefante Branco tem fama de ser o melhor da cidade.


Pedimos ao nosso editor Gay, Bruno Horta, que tirasse a prova dos nove. Para uma avaliação sem distracções.

A russa de olhos azuis que depois do jantar se sentou à nossa esquerda queria que saíssemos de lá com outra impressão. Sabíamos bem onde é que ela queria chegar com o sorriso rasgado e as festinhas na perna. Mas já tínhamos feito conversa que chegasse e estávamos mais interessados em que nos desamparasse a loja. Às três da manhã, o célebre mito, entre heterossexuais desesperados, de que o bife do Elefante Branco é o melhor da cidade, para nós não passava já de um triste trocadilho. Não era a rapariga que nos interessava. O que nos levou à casa de alterne mais conhecida de Lisboa foi mesmo o bife. E deve ter sido por isso que não ficámos convencidos.

Mal nos vê entrar, um empregado cinquentão, percebendo que queremos jantar, põe-nos logo à-vontade. “Espera só um momento, filho, que eu já te arranjo uma mesa no primeiro piso”. Fora o estilo, é simpático. Informa que há três bifes: à casa, à portuguesa e grelhado. Não há lista, portanto. Aconselha o da casa, que leva molho de natas e cogumelos. Mas o bife à portuguesa, com ovo a cavalo, também é muito bom, garante. Queremos experimentar os dois.

Por sugestão dele, vem entretanto um martini, servido em copo de whisky, com gelo e limão. E com a bebida uma imagem tenebrosa de quatro ou cinco mulheres de coxa grossa e com pouca roupa, sentadas no bar. É uma muralha de mau gosto, que nem deixa uma pessoa aproximar-se do balcão como deve ser. Não se metem connosco, o que já é bom.

Como o Elefante Branco fica na reputada Rua Luciano Cordeiro, transversal do Conde Redondo, íamos convencidos de que o que acontecia lá dentro faria corar o mais desinibido travesti da zona. Ideia de principiante. Ao longo da noite, haveríamos de perceber que é isso que faz a diferença do sítio: elas estão disponíveis, mas nunca se oferecem. Esperam que as chamem para a mesa e só então passam ao ataque. Não se vê nada que não se passe em qualquer outro sítio nocturno – aliás, vê-se menos ainda, porque, como é sabido, com estas mulheres não se trocam beijos.

O cinquentão senta-nos. Curta espera. Mas percebemos que não há primeiro piso nenhum. Subimos apenas dois degraus e ficamos 20 centímetros acima do chão. Chegam as entradas. Poderia ter sido queijo da serra e presunto, mas ficámo-nos pelo pão e manteiga. Há torradas e carcaças quentes, semelhantes às que se vendem no hipermercado em sacos de plástico.

Em redor, três árabes de turbante, com uma garrafa de whisky pronta a ser despejada; do outro, chineses e um indiano, em fim de refeição, falando inglês com as raparigas. Mais ao fundo, um célebre dirigente desportivo, muitos amigos entretidos e grupos de mulheres. Andam de um lado para o outro, alternando as mesas. A casa está composta, mas nota-se que a oferta excede a procura. A portuguesa que no fim da noite se veio sentar à nossa esquerda explicou que quarta, quinta e sexta são os dias mais fortes. E hoje é só segunda.

Vem o jantar. Numa mesa de apoio fica a travessa com o bife da casa. Dois empregados servem os pratos e trazem-nos à mesa, juntamente com as batatas fritas. Congeladas. O bife da casa é tenro, apesar de os cogumelos estarem queimados e o molho um pouco salgado. O bife à portuguesa vem quase em sangue, apesar de o termos pedido mais ou menos bem passado. Chama-se o empregado, o bife vai para trás e regressa melhor, com outro ovo. Está bem temperado, é o melhor dos dois. Nesta altura, já os empregados se tinham aproximado da mesa umas duas vezes, para se assegurarem de que estava tudo bem. O resultado é mediano e a experiência chega ao fim. Seria injusto dizer que ficámos mal servidos, mas seria mentira dizer que saímos convencidos. Só o serviço atencioso e o poder-se comer até às três da manhã é que podem justificar os 20 euros por pessoa. Quanto aos dez euros por martini e aos cinco euros por uma sobremesa deslavada, é melhor nem comentar.

Mas, claro, havia as meninas. A executiva (de tailleur), a colegial (de camisa atada pelo umbigo), a amazona (com a roupa dois números abaixo). Vendo a cara de quem as rodeia desfazemos o mistério. Diriam que era a melhor feijoada de lebre de Lisboa se fosse essa a recomendação do chefe.

Bruno Horta



publicado por porabrantes às 15:33 | link do post | comentar

1 comentário:
De Empresas de Consultoria a 3 de Novembro de 2011 às 18:25
lol muito bom sim sra :D


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