Sexta-feira, 6 de Novembro de 2015

coronel alves morgado.jpg

Coronel Morgado, comandante da EPC, 1974-1975, devida vénia à EPC

(...)

P: Como considera o sucedido no 11 de Março ? Foi uma armadilha montada ao General Spínola ?

R: Pode ter sido, mas não o creio. Mas não queria falar sobre isso, pois não acompanhei os antecedentes. Como referi, regressei de Angola em 17 de Dezembro de 1974, trazendo, de lá, determinada marca. Já tinha vaga na Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém e até fora convidado e proposto atempadamente pelo Coronel Alves Morgado. Mas a colocação demorou. Fiquei apresentado no Depósito Geral de Adidos (DGA), até ao dia 7 de Março, sexta-feira. Nesse dia telefonaram-me do DGA e disseram: Foi colocado na EPC, tem a sua guia de marcha pronta e pode vir buscá-la. A minha resposta foi: Para quem está quase há três meses em casa, pode ficar mais dois dias. Assim, vou aí na 3.ª feira, receber a guia de marcha, mas quero a data de apresentação na Escola, apenas para o dia 12...

P: Foi uma grande coincidência...

R: Sim. Se eu já estivesse na Escola, talvez tivesse sido cilindrado, tal como foi o Comandante e o 2.º Comandante, respectivamente, Coronel Alves Morgado e o então Ten-Coronel Ricardo Durão...

Por acaso estava em Alvalade, na casa de um familiar e ouvi os disparos... Disse para comigo, se não há aqui nenhuma carreira de tiro, deve ser algum tipo com stress de guerra...

Saí de Lisboa às 18H00 e apenas cheguei a Santarém, pelas 24H00, pois eu e a minha mulher estivemos sujeitos às barricadas de civis, com braçadeira vermelha, ao longo de todo o itinerário, incluindo a auto-estrada, até Vila Franca de Xira.

No rescaldo do 11 de Março

Como estava previsto, no dia 12 de manhã, apresentei-me ao Coronel Alves Morgado e à tarde houve uma reunião geral, no ginásio da EPC, com um ambiente bastante tenso.

No dia seguinte, quando ia a entrar no Quartel, o então Capitão Correia Bernardo disse-me: Ontem à noite houve uma reunião em casa do Salgueiro Maia, onde estiveram todos os oficiais e furriéis milicianos e alguns oficiais do QP, capitães e subalternos e que decidiram "correr" com o Comandante e 2.º Comandante e nós não vamos permitir que isso aconteça. Peço, ao meu Major, que diga ao nosso Comandante para fazer uma reunião do Conselho Escolar, esta manhã e com urgência.

Fui ao Comandante e contei-lhe o sucedido. Realizada a reunião e postos ao corrente do que se preparava, ambos se retiraram, com guia de marcha, para Lisboa.

P: Qual foi o motivo para a referida reunião, em casa do Capitão Salgueiro Maia ?

R: Aconteceu algo no dia 11, que nunca esclareci bem. O Esquadrão de Carros, nesse dia, esteve formado na Parada, para ir para o campo e foi sustada a sua saída. Disseram posteriormente que era para ir para a Atalaia, mas, entretanto, houve aquele movimento de helicópteros entre Lisboa e Tancos, mas passando pela EPC... Num deles seguiram, para Tancos, o Ten-Coronel Ricardo Durão e o Capitão Salgueiro Maia. Estou por fora, de facto, do que se passou, mas creio que há literatura relativa ao 11 de Março e o assunto estará esclarecido.

P Existiam mais subunidades militares dentro da Escola, além do Esquadrão de Carros de Combate (ECC)...

R: Sim. Havia o Esquadrão de Reconhecimento.

P: Como analisa, sinteticamente o período ocorrido no País, entre o 11 de Março e princípios de Agosto de 1975 ?

R: Como parte de um filme de terror, produzido e projectado pelo PCP, Governo gonçalvista e respectivos apaniguados oportunistas e consumistas do que não lhes pertencia.

Este filme colorido só de vermelho já era conhecido dos portugueses na versão a preto e branco, na guerra das Províncias Ultramarinas e também do Leste da Europa... Checolosváquia, Hungria, Polónia, Bulgária, Roménia, Estónia..., onde imperava o último modelo da URSS. (...)

 

Entrevista ao Sr Tenente General Alves Ribeiro com a devida vénia, aqui

 

No D'aqui e D'ali

 

ma

 

 



publicado por porabrantes às 13:55 | link do post | comentar

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