Sábado, 10 de Abril de 2010

Com a devida vénia retirámos do Pinhal Digital a seguinte notícia:

 

Património Arqueológico Esta A Ser Destruído- Proença-a-Nova

escrito por PM

 

 

O Centro Ciência Viva da Floresta recebeu mais uma edição de café-ciência, desta vez dedicado à floresta e património arqueológico.

 

Francisco Henriques e Jorge Gouveia, da Associação de Estudos do Alto Tejo foram os oradores da noite. Henriques começou por dizer que dezenas de mo monumentos foram severamente danificados pela abertura de caminhos florestais; a plantação de eucaliptos, ao remover o solo, também contribuiu para a sua destruição.

A apresentação dos dois técnicos da Associação dividiu-se em três assuntos: A floresta e o património arqueológico nas últimas décadas; instrumentos de política florestal e impacte da actividade florestal.

Em relação ao primeiro item, disseram que a actividade florestal e o património cultural têm convivido de forma quase pacífica devido à utilização de meios e técnicas pouco destrutivas. Mas nos últimos anos houve uma destruição maciça de património arqueológico provocada pelos projectos de florestação industrial. A causa foi a mobilização do solo em grande escala e profundidade.
Entretanto, salientaram que neste período deram conta de alguns pontos positivos, onde se destaca a assinatura de um protocolo entre o IPPAR e as empresas de pasta de papel; a formação a técnicos florestais prestada pelo Serviço Regional de Arqueologia do Norte e os pareceres solicitados pelas autarquias às entidades da tutela ou às ONG's.
No entanto, Francisco Henriques, destacou que saíram por exemplo livros sobre o eucalipto e sua cultura, em que não há qualquer preocupação pelo património cultural.

A assistência manteve-se interessada sobre esta questão da floresta e património arqueológico e houve diversas questões, sendo a sessão muito participada e de grande qualidade. Não esquecendo que o assunto a tratar era deveras importante. Vítor Bairrada sugeriu que os operadores florestais deveriam ter formação sobre o património, ter um código de conduta ao intervir, caso contrário seriam penalizados.
Francisco Henriques realçou, a este propósito, que é necessário informar as pessoas da importância cultural dos monumentos, destacando que muitas vezes os proprietários florestais têm falta de conhecimento sobre a importância dos monumentos que têm nos seus terrenos. Destacou, assim, que é possível articular a nossa vocação florestal com o património cultural e arqueológico, é possível conjugá-los.

Um dos presentes sugeriu que esses locais devem ser marcados para não serem destruídos.

Francisco Henriques sublinhou ainda que o ministério do mbiente tem-se desvinculado das preocupações com o património cultural, embora a situação seja atenuada nas áreas protegidas.


Na questão dos instrumentos de política florestal, foram enumerados alguns documentos : a Lei de Bases da Política Florestal; o Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios; o Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios. Mas realçou que nestes documentos não se faz referencia ao património cultural.

No ponto do impacte da actividade florestal sobre o património arqueológico, foi dito que os projectos florestais perderam expressão na avaliação do impacte ambiental nos últimos anos, e houve um alheamento do sector público e privado em relação à preservação do património construído em áreas florestais.


Francisco Henriques apresentou depois algumas das infra-estruturas abertas na floresta, que têm afectado os sítios arqueológocos, nomeadamente a instalação de aceiros, estradões, pontos de vigia e pontos de água. Os três primeiros, por se situarem em cumeadas, portelas, coincidem muitas vezes com os locais onde se situam os momunentos. E têm sido destruídos para dar lugar àquelas infra-estruturas.

Outros factores que contribuem para destruir os monumentos são a instalação de povoamentos florestais; remoção de vegetação; mobilização do solo/subsolo com armação do terreno em socalcos. Os incêndios florestais também têm a sua quota-parte de responsabilidade. A circulação de maquinaria pesada, o lançamento de água pelos bombeiros provoca choque térmico e estalamento dos monumentos.
O abate e transporte de madeira tem igualmente contribuído para degradar o património, com a circulação e maquinaria, arrasto e empilhamento da madeira.

Como medidas preconizadas para combater a destruição do património, os técnicos da associação falam da prospecção extensiva das áreas florestais que permite prevenir futuras destruições; apreciação de propostas de florestação em fase de licenciamento, ou seja generalizar esta prática de submeter à apreciação; acompanhamento arqueológico das acções de mobilização do solo, plantio, corte e transporte da madeira ou outras; informação e responsabilização dos proprietários; uso social e sinalização dos sítios; instalar áreas de segurança a monumentos e sítios arqueológicos; actualização dos inventários arqueológicos e sua utilização na fase de planeamento e licenciamento da obra; identificação e notificação dos proprietários dos terrenos como bens culturais com o objectivo o seu estado de conservação; integrar os monumentos em roteiros turísticos, como é exemplo passeios pedestres e melhoria das práticas florestais de mobilização do solo em faixas em alternativa ao modo contínuo.

O técnico, juntamente com os colegas da associação, já fizeram o levantamento dos locais arqueológicos do concelho de Proença. Identificaram 214, em que uma grande quantidade são antas e mamoas.


Os presidentes da Junta de Freguesia do concelho foram convidados uma vez que conhecem os locais arqueológicos das suas freguesias e podem contribuir para a sua preservação.''

 

 

Nota: As condições ecológicas do Norte do Concelho e do Mação são semelhantes às da Proença. A florestação intensiva com eucaliptos tem sido autorizada pela CMA tanto a Norte como a Sul do Tejo (em deliberações aprovadas por unanimidade recentemente).

 

A pergunta é: que medidas têm sido exigidas aos promotores para identificar e preservar o património arqueológico?

 

As estações identificadas na Carta Arqueológica do Concelho têm sido objecto de medidas de protecção?

 

Faz-se a pergunta porque não vimos nas actas camarárias nada acerca disso.

 

 

Marcello de Ataíde



publicado por porabrantes às 17:36 | link do post | comentar

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