Domingo, 11 de Abril de 2010

No dia 5 de Junho de 2009, o Abrantes Popular, órgão da candidatura do CDS-PP anunciava isto:

 

‘’João Luís Rosa, natural do Souto, pároco no Pego e desde 1967 pároco nas paróquias de Souto, Fontes e extensão de Carvalhal, aceitou será o candidato nº 10 na lista à Câmara de Abrantes, em sinal de apoio e admiração pela acção que João Pico, que ele muito bem conheceu durante os seus 37 anos de pároco no Souto - sempre praticou em prole do bem estar e do progresso da sua terra.’’

 

 

Padre Rosa, o candidato nonagenário do CDS

 

 

A identificação que temos do sacerdote segundo os dados da Diocese é esta:

 

Padre João Luís Rosa

Data de Nascimento:05 Outubro 1916

Data Ordenação:29 Junho 1940

Morada:Casa de S. José, Casal do Besteiro, Rua 19 de Março, Portela das Padeiras

Código Postal:2000-646 Santarém

Títulos e cargos:Jubilado

Tipo:Diocesano a Residir Fora

 

A 4 de Agosto, o Padre começou a campanha

Padre João Rosa deu-me uma grande lição de vida e de cidadania

No sábado, como havíamos combinado previamente, transportei-o da sua actual residência em Santarém, até ao Santuário de Nª Srª do Tôjo onde foi co-celebrar a Missa, por gentileza do Padre Pedro Tropa.

Estava ele e sua irmã à nossa espera, pois ia comigo a minha mulher, que não podia faltar a esse lugar, pois foi lá que nos conhecemos há 38 anos ( estamos casados há 33 anos).

Ao chegarmos ao Souto, fomos logo direitos à Igreja Matriz, que o Padre João percorreu com notória saudade. Os primeiros soutenses logo ocorreram junto de si. Uma paroquiana admirada com a sua presença logo perguntou, quem é que o trouxe. Imediatamente lhe respondi: quem é que podia ser senão eu, que já tantas vezes o trouxe para substituir na celebração da Missa, o seu sucessor ,enquanto esteve doente. Isto é para desmentir alguma voz que possa por aí apregoar, de que se trata de oportunismo político da minha parte. O convite e a aceitação nasceram da contestatação mútua de quem convidou e de quem aceitou espontaneamente, pois sabia pelos longos anos passados no concelho (Pego, Souto, Carvalhal e Fontes) como havia terras muito esquecidas e gentes delas que lhe chamavam as gentes do "Mato Grosso"... Uma expressão que ficou novidade em mim próprio...

No Cimo das Vinhas, Bioucas, Atalaia, Sentieiras, Bairrada, Fontes e Carvalhal foram locais onde a sua presença era aguardada com grande expectativa, pois tinha aí pessoas mais chegadas desejosas de o verem.

Percorremos todos esses locais, em horário apertado. A todos deixava uma palavra de esperança e de conforto.

Almoçámos em Carvalhal, no Cintonel, num almoço que fez questão de nos pagar e que incluiu os donos da casa, a D. Matilde e o José Jacinto. Não podíamos ser melhor servidos. A única conversa que abordou as autárquicas partiu da D. Matilde que questionou o Padre João, pela singularidade daquele local ali no meio da Charneca, onde agora se serviam refeições. Ao que eu rematei com aquela ideia que defendo de uma estrada dali perto via Vale da Cerejeira e Paúl, até à cidade.

Depois da celebração da Missa e da Procissão que apesar de amparado na sua bengala não deixou de percorrer o Santuário e de receber os cumprimentos dos fiéis ali presentes

rumámos a Santarém.

Foi um dia memorável, que me deu imenso prazer proporcionar ao Padre Rosa e a sua irmã. A minha mulher também adorou aquele dia tão descontraído e ao mesmo tempo cheio de amor e de encanto: uma grande lição de vida.

Nem tudo é mau na vida...

Ao outro dia telefonei a saber do seu estado de saúde e se recuperam bem do cansaço de véspera. O Padre estava radiante. E já na despedida, ainda encontrou vontade para me dizer que estava na minha lista à Câmara porque fazia muito gosto em apoiar a minha luta por melhorar as condições daquelas terras tão desprezadas e ao mesmo tempo tão ricas nas suas belezas naturais. E ele como soutense e fontense, não podia ficar indiferente à minha luta, e ao meu empenho, se bem que nada soubesse de política. Deus haveria de o compreender, arrematou.

A política pode dar-nos muitos desgostos e suscitar muitas recriminações. Todavia, aquele grande prazer tão comovente, expresso pelo Pároco que guardou espiritualmente durante 34 anos a minha terra, é um momento demasiado grato, que não vou esquecer nunca.

Era mesmo de alguém como o Padre Rosa que precisava de ouvir isto mesmo... Já vou com outro alento recolher as últimas certidões de eleitor para apresentar as candidaturas...

 

http://picozezerabt.blogspot.com/2009_08_04_archive.html

 

(Nota: a sintaxe e a ortografia são da responsabilidade do blogue citado. Os destaques a vermelho são nossos).

 

Estes são os factos ‘’oficiais’’ divulgados pelos porta-vozes oficiosos do Candidato –Sacerdote.

 

Os factos não oficiais são por nós desconhecidos.

 

Mas aquilo que se verifica é simples : um sacerdote católico, que ainda exerce, diz missa, participa numa procissão e apela ao voto tudo ao mesmo tempo.

 

E para melhorar a façanha apela ao voto em si próprio.

 

Na diocese já havia antecedentes, caso do Padre Belo que foi Presidente da Câmara do Crato pelo PS, supomos com autorização do Ordinário Diocesano.

 

Vamos ver o que diz a Lei eleitoral em vigor para trapalhadas destas:

 

Lei eleitoral dos Órgãos das Autarquias Locais
Lei Orgânica 1/2001 de 14 de Agosto
(Edição Anotada e Comentada, Maria de Fátima Abrantes Mendes e Jorge Miguéis, ano 2001) :

 

Art 7º

Inelegibilidades especiais

1 - Não são elegíveis para os órgãos das autarquias locais dos círculos eleitorais onde exercem funções

ou jurisdição:

 

a) Os directores de finanças e chefes de repartição de finanças;

b) Os secretários de justiça;

c) Os ministros de qualquer religião ou culto; (…)

 

 

Podia o Padre Rosa ser candidato face à lei eleitoral?

 

A nossa opinião é que não, porque apesar de não exercer jurisdição no Souto e nas aldeolas vizinhas, os seus próprios textos de propaganda eleitoral confessam que diz lá com certa frequência missas.

 

E voltou a fazê-lo, com a conivência do P.Tropa, pároco da freguesia, a 4 de Agosto de 2009.

Rev.Padre Tropa

 

E o Padre Tropa devia saber que o sacerdote tinha anunciado a sua candidatura em Junho  de 2009.

 

E o Reverendo Arcipreste também tinha de o saber.

O Nosso dinâmico Arcipreste

 

Que mais actos de culto católico  praticava o Padre Rosa enquanto candidato: confessou, casou, baptizou?

 

Não sabemos. Apenas sabemos que era  normal, o seu díscipulo espiritual e político João Pico levá-lo ao Souto para dizer missas.

 

Não vamos citar o Código Penal, apesar de haver lá disposições sobre quem abusa do seu poder para influenciar eleitores. Não temos prova de que o artigo do CP sobre isso, seja aplicável a este acto concreto.

 

O que convém saber é que o Código de Direito Canónico proíbe a participação partidária dos padres sem autorização do Ordinário Diocesano. ( Cânone 287, nº2)

 

E apesar deste blogue ter rogado que ela nos seja exibida, não o foi.

 

Mais, o C. de D.Canónico proíbe ‘’ aos clérigos aceitar aqueles cargos públicos, que levem a uma participação no poder civil’’

( Cânone 283, nº2)

 

Por isso para encerrar a questão recomendamos ao Sr. Arcipreste e ao Sr. Padre Tropa a compra de um Código de Direito Canónico e uma reciclagem rápida nestes assuntos.

 

Porque pode haver um maluquinho que resolva apresentar uma queixa num tribunal civil ( o Código de Direito Interno tem alguma relevância na Ordem Interna portuguesa) ou num Tribunal Eclesiástico.

 

Quanto ao Sr.Pico devia ter vergonha de ter misturado missas com política, seja por ordem do Padre ou por qualquer outra razão.

 

Quando ao nosso Ilustre Prelado deve dar mais atenção a estes assuntos, embora o Bispo não possa estar ciente de tudo, se não o informam.

 

 

Marcello de Ataíde



publicado por porabrantes às 17:20 | link do post | comentar

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