O nosso amigo cidadão Abt foi ao pinhal. Dizem que aquilo está deserto mas encontrou muitos rurais, embora não tenha encontrado João Pico nem nenhum dos seus 50 votantes. Também não viu o Vigário, salvando-se portanto do conto que ele tinha para lhe contar.
O nosso amigo cidadão Abt também não encontrou os 50 intelectuais que numa excursão camarária demandaram as conheiras parando na Senhora do Tojo para verem o santuário onde o Padre Batista pediu a a ajuda da Virgem para restaurar a moral no Pinhal porque as campónias andavam doidas com os franceses.
Aquilo era uma rebaldaria e o Padre Batista já não sabia o que fazer desatinado como estava com as coisas que lhe contavam as campónias que tinham aprendido a fazer com os franceses.
Havia duas que até tinham praticado o french kiss (desconhecido dos rurais) com dois marmanjos de Marselha à porta da Igreja quando tocavam as Avés Marias.
Uma delas era a mulher do sacristão, a Elvira dos Bigodes, e o marido a quem os franceses chamavam cocu tinha ficado branco dando-lhe de seguida uma apoplexia que o fez ficar entrevado até ao resto dos seus dias.
O Padre Batista que aproveitava o sacristão para lhe sachar a horta à borla, ficou pior que estragado.
A Virgem do Tojo não funcionava.
O dinheiro das promessas diminuía a olhos vistos enquanto nos anos anteriores lhe dera para comprar três fazendas que pensava deixar aos sobrinhos se não lhes passasse pela cabeça abandonar a terra e irem para trolhas para Lisboa.
Então o Batista resolveu usar os grandes meios, tocou os sinos a rebate, juntou-se o povoléu e o cura arengou:
Vamos já para Abrantes fazer queixa ao juiz de fora e ao Coronel francês que não temos mão nas nossas mulheres. Queremos justiça.....
-Também se meteram com a sua ? perguntou o Xico da Taberna, que andava sempre um bocado toldado.
O Reverendo Batista esteva para lhe disparar o bacamarte porque ainda há três anos ganhara o prémio ao pároco que fizera menos solicitações na Diocese.
Meteram-se a caminho e quando chegaram à mamoa viram a Adélia a dar uma cambalhota com o sargento Dupont que era o chefe de posto da guarnição do Pinhal.
Até a Adélia do moleiro anda perdida- disse o Batista que pelas confissões sabia o rol de pecadoras da freguesia.....
A partir daquele dia o povo do Pinhal considerou maldita a mamoa e sente-se muito ofendido qual lhe perguntam por ela, como o Cidadão Abt pôde ver e escrever. Já agora a excelente foto é dele.
Marcharam a trote para Abrantes e o Padre ia tão indignado que estava disposto a dar uma arcabuzada no Coronel Suchet se este não mandasse o capelão Lucas explicar à soldadesca que as mulheres da sua freguesia não deviam ser pervertidas.
Mas, quando chegaram à Abrançalha ouviram tiros.
E começou a lenda no Pinhal que o Padre Batista conquistara Abrantes aos franceses......
Das rebaldarias nunca mais ninguém falou.....
Texto refundido a partir dum manuscrito os '' Franceses no Pinhal'', encontrado num alfarrabista de Lisboa, e assinado por Alice B. Professora Primária Oficial no Pinhal.
As referências actuais são nossas.
Marcello de Ataíde
Nota: Foto autêntica dos descendentes do sargento Dupont
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