Transcrevemos a notícia:
2Nov2010
A autarquia anunciou que vai proceder ao lançamento do concurso público internacional para a construção do futuro Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes (MIAA), após a versão definitiva do projeto ter dado entrada na Câmara.
Com um investimento estimado de 13 milhões de euros, o MIAA vai acolher o espólio arqueológico da Fundação Ernesto Estrada, uma coleção de peças arqueológicas referentes ao período anterior à fundação da nacionalidade e relacionadas com a Lusitânia, tendo sido recolhidas pelo abrantino João Estrada (presidente da Fundação) ao longo de meio século.
O projeto, da autoria do arquiteto Carrilho da Graça, tem motivado celeuma na cidade, com a opinião pública dividida devido ao impacto visual que a obra vai causar no centro histórico e que prevê a construção de um edifício em forma de paralelepípedo com 30 metros de altura junto ao Convento de São Domingos.
O futuro museu teve origem num protocolo estabelecido entre a Câmara de Abrantes e a Fundação Ernesto Estrada e vai abarcar coleções de ourivesaria, numismática, arquitetura romana, medieval e moderna, arte sacra dos séculos XVI a XVIII, relógios de várias épocas e uma exposição de arqueologia e história local, tendo sido já considerada pelos especialistas como de “valor incalculável”.
Em declarações à agência Lusa, Maria do Céu Albuquerque, presidente da autarquia (PS), disse que a aposta neste investimento visa “criar uma marca do território em pleno centro histórico de Abrantes”, tendo acrescentado que pretende também constituir-se como “um estímulo decisivo” para a sua reanimação.
“Para além do valor incalculável das peças de arqueologia, de ourivesaria e outras, os investigadores de todo o espólio da Fundação atestaram a sua qualidade e autenticidade e revelaram que, em muitos casos, para além do valor incalculável das peças, estamos perante coleções únicas no mundo”, observou.
Segundo precisou, o MIAA vai “albergar, proteger e divulgar um património pertença de toda a Humanidade”, tendo acrescentado que o mesmo se configura como “uma aposta estratégica e qualificante que gerará mais valias ao nível dos fluxos turísticos, científicos e pedagógicos”.
“O MIAA não vai ser só um Museu de Abrantes e da região, vai ser um equipamento cultural e de preservação da memória do país”, sublinhou, tendo assegurado que o estudo das coleções de arqueologia de João Estada “vai obrigar a reescrever a história”.
Maria do Céu Albuquerque disse ainda que o MIAA é “um projeto de primeira linha”, tendo sublinhado que o executivo que lidera “está a criar todas as condições para a sua execução”, nomeadamente através de candidatura a fundos comunitários.
Além do espólio da Fundação, o futuro Museu irá também albergar as obras doadas ao município pela pintora Maria Lucília Moita e pelo escultor Charters de Almeida.
in Rádio Pernes
E agora a a pergunta:
Declarou Maria do Céu Albuquerque ( não sei o nome de solteira, mas não devia meter o nome do marido, digno dentista, nestras trapalhadas)
guerra à cidade????
E agora os primeiros comentários:
Terá a resposta que merece!!!!
Nos sítios adequados e não só aqui!!!!
Ela, a Chefa e o resto da Vereação que a apoia.
Ela, e o partido e os interesses que a sustentam.
E alguma oposição, a começar pelo medíocre Arês, que trilha os mesmos caminhos
E o licenciado de Portalegre, a criatura que cobardemente em vez de discutir na praça pública, tentou calar o aristocrata António Castel-Branco com um processo miserável, medíocre e inquisitorial na Ordem dos Arquitectos, de que daremos em breve notícia.
Uma atitude plebeia, própria dum inimigo da liberdade, auto-convencido que a sua alegada genialidade lhe dá patente de corso, para destruir o património de Abrantes.
Para já algumas coisas que este blogue tem publicado sobre outros temas, serão inevitavelmente prejudicadas.
Para já, Maria do Céu pelo casamento Albuquerque, acaba de se revelar o que é,
UMA CONTINUADORA RELAPSA E CONTUMAZ DA POLÍTICA
DA TRALHA CARVALHISTA
tenho dito,
Miguel Abrantes
PS- faltava aqui um nome e uma foto: RUI SERRANO

cujos pelouros são:
Áreas de Responsabilidade
• Serviço de Polícia e Fiscalização Municipal
• Departamento de Obras e Urbanismo
Divisão de Projectos e Empreitadas
Divisão de Ordenamento e Gestão Urbanística
Divisão de Serviços Urbanos
O arq. Serrano é o responsável directo por este anúncio. Fez desde há bastante tempo, nos bastidores, parte do núcleo política da tralha carvalhista ou seja da esquerda dos interesses.....
A partir de agora S.Exa pode contar connosco
Marcello de Noronha
Terminamos a publicação do texto da queixa-crime apresentada contra Santos Costa pela viúva do General Marques Godinho
Hoje é dia de finados e ao iniciarmos os posts evocámos outro militar abrantino, também assassinado em situação dramática em Timor, Maggiolo de Gouveia. Este oficial estava nas antípodas ideológicas de Marques Godinho, mas ambos compartilhavam uma brilhante folha de serviços, uma valentia sem par e morreram por aquilo em que acreditavam.
Os criminosos ficaram impunes.
Ficarão impunes aqueles que querem destruir o património da nossa cidade.????
O exemplo heróico de D.Palmira Godinho ao exigir justiça, faz-nos perguntar há agora um Estado de Direito em Portugal???
Fernando Santos Costa morreu rico e tranquilo, depois do 25 de Abril, gozando de todas as honras devidas a um oficial-general.
Entretanto tipos da arraia-miúda como Rosa Casaco eram perseguidos e acusados de todos os crimes.
No caso da morte do General Godinho a Pide não interferiu.
D.Palmira Godinho e outros familiares, o seu advogado Adriano Moreira conheceram a cadeia pelo ''crime'' de pedirem justiça!!!!!
É de alguns conhecida a intervenção polémica de Marcello Caetano e Adriano Moreira neste caso.
Esperamos ter tempo e pachorra para elucidar alguma coisa.
Para os interessados recomendamos o clássico de Mário Soares, Portugal Baillonée, na sua tradução lusa, Portugal Oprimido.
É um bom começo.
Um dia destes divulgaremos talvez mais documentos e donde retirámos o texto da queixa.
Mas quando vejo homenagear uma criatura da ditadura, a beata da D.Lurdes Pintasilgo e esquecer a D. Palmira Marques Godinho, provavelmente a mais valente das mulheres abrantinas do século XX, só me apetece enviar os pintasilguistas a pé para Fátima para rezarem uma novena para que Salazar e Che Guevara ressuscitem e formem uma Santíssima Trindade com o fantasma da virgem Lurdinhas
Bolas, hoje deu-me para a heresia, pareço o meu amigo Miguel Abrantes.
Laos Deos
Marcello de Noronha
Mataram-lhe o marido. E resolveu fazer o que lhe pedia a sua alma fidalga. Pedir justiça. Exigir punição do matador.
É utopia pedir agora justiça em Portugal? Deve a petição sentar no banco dos acusados quem viola a Lei?
No Portugal de Salazar, 1947, Marques Godinho morre numa enxovia segundo a acusação por vingança pessoal e chantagem pessoal do Ministro da Guerra Fernando Santos Costa.

A Conspiração do "10 de Abril" de 1947. O almirante Mendes Cabeçadas (A) presidia à Junta Militar da qual faziam parte, entre outros, o general Marques Godinho (B), o brigadeiro Vasco de Carvalho (D) e o coronel Carlos Selvagem (E). João Soares (C) era um dos líderes civis do movimento. |
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in Fundação Mário Soares- os conspiradores da Abrilada de 1947
A viúva, D. Palmira Pimenta Marques Godinho recusou-se a ouvir o conselho dos prudentes, a contemplar impune o matador. Levou-o aos tribunais.
Eis a queixa:
(continua)
Marcello de Noronha
O Doutor Candeias é um conhecido historiador abrantino mas apesar da sua sabedoria às vezes mete o pé na argola. A sua formação (seminário mais curso de história e doutoramento dirigido por Veríssimo Serrão) impedem-no de ter uma das qualidades fundamentais para passar de vulto mediano da nossa historiografia a ser uma grande vedeta mediática da história como o Prof. Hermano Saraiva.
Escutem-no e vão descobrir porque afirmamos isto:
Diz Saraiva que se ser um grande Historiador como ele (embora em altura física seja o mais pequeno) é preciso ter sido advogado criminalista. E dar-se bem com os criminosos. Essa formação jurídico-detectivesca leva Saraiva a dizer que nunca fala dum sítio onde não tenha ido. Primeiro vai lá observar, estudar as pistas, depois relê os livros e formula hipóteses.
Algumas são polémicas, como se sabe.
Ora, o Doutor Candeias é para nós demasiado amigo dos arquivos, confia demasiado na papelada velha e dá-nos ideia que não foi a todos os locais sobre os quais opina. Por exemplo, aquele lapso que lhe apontámos aqui sobre a identificação de D.Lopo de Almeida num fresco de Siena, teria sido evitado com uma estadia prolongada na bonita cidade italiana e uns agradáveis passeios pela Toscana.
Da mesma forma, a sua biografia canónica de D.Francisco de Almeida devia ter sido acompanhada por uma longa peregrinação pelo Oriente, estudando in loco onde o terrível abrantino degolou turcos.
C.R.Boxer conhecia todos os sítios dos quais falava. E além do mais falava japonês.....
De maneira que vimos sugerir ao Sr.Dr.Candeias que aplique o método Saraiva, estude Direito, abra durante uns anos banca de advogado criminalista em Abrantes (onde a clientela está a aumentar exponencialmente) e quando o seu escritório for assaltado, publique na folha gratuita um anúncio queixando-se.
No dia seguinte, acontecerá como ao Advogado Hermano Saraiva, os ladrões vão lá devolver o roubo e deixar um cartão a pedir desculpa.
Nesse momento, já possuidor dum sério instinto dedutivo-criminalístico, o Doutor Candeias poderá regressar à História e quem sabe substituir Saraiva (que infelizmente não é eterno) como Rei das Audiências na RTP.
Miguel Abrantes
Hoje, apesar de ser dia de Finados e termos de honrar os nossos mortos (coisa que já comecámos a fazer escolhendo como exemplos a honrar 2 ilustres abrantinos Maggiolo Gouveia e D.Palmira Marques Godinho) e sermos dignos deles, temos direito a um humor que é negro dada a quadra.

Que tal esta visão do abrantino médio sufocado pela poluição pegacha enquanto aposta no jardim das borboletas????
Mas é um artista do Mação que damos a palavra para de novo desmascarar a carrilhada com uma salutar carga de dinamite artístico, recheado de sarcasmo e de impiedosa ironia.
Senão adivinharam é o António Colaço com uma proposta de escultura, a exibir (se os censores deixarem)

na galeria municipal, numa colectiva de Novembro, antes que o camartelo a arrase (!!!!).
Somos ricos, podemos construir e depois arrasar...
Os nossos antepassados construíram Abrantes e nós temo-nos dedicado com eficácia militante a destrui-la com o alto patrocínio de gerações de edis incultos e parvenus.
jornal das autarquias
Que nos mostra o Colaço???
A Abrantes carrilhista do futuro. Um arquitecto que não sabe compreender a paisagem. Uma autarquia que não respeita o passado. Edis provincianos que não cumprem as leis da República mas estão sempre prontos a botar discurso para louvar os ''valores republicanos'' que insultam todos os dias.....
A palavra ao António:''
As imagens que se seguem são as de uma peça de que, por ora, nada mais quero adiantar!
Apenas este significativo pormenor:
-A pedra que serve de suporte é uma verdadeira pedra da Calçada da Ajuda, atirada, como tantas outras, para as bordas da dita.Ou seja, não me parece ter cometido um crime - não fui lá arrancá-la!!!- como aquele que ela pretende denunciar e sim contribuir para uma genuína pedrada no charco do deixa andar dos nossos dias e do consagrado amor às nossas cidades, no caso, Abrantes, que " logra do Tejo as águas abundantes", Camões dixit!
TÍTULO DA OBRA:
UMA PEDRA NO SAPATO, PERDÃO, NO CONVENTO
30x24
Acrílico com colagem pedra,caixas madeira e caixa vidro acrílico
(....)




Costumo dizer que não vivo para pintar, pinto porque vivo!
Para além da dimensão estética que uma obra de arte pode e deve cumprir, acredito, cada vez mais, que também pode e deve cumprir uma dimensão de participação activa nacidadania que nos assiste.
Esta peça cumpre esses objectivos.
Os abrantinos que me conhecem sabem o que penso do projecto aprovado para a construção do Museu de Arte Ibérica, da autoria do consagradíssimo Carrilho da Graça, pessoa que não conheço, e cujos méritos da obra enalteço, por exemplo, no projecto de recuperação, exemplar, de um prédio na Calçada do Combro, que durante muitos anos calcorreei.
Nada me move contra a existência do Museu, era o que faltava, e sim contra a mastodôntica opção de Carrilho, a quem, continuadamente, desafio para que nos brinde com um projecto desenvolvido em socalco, desfrutando da soberba paisagem sobre oTejo!
Todos temos os nossos dias, claro, e o professor não terá estado nos seus melhores dias quando nos "prendou" com aquele pedregulho que aí vem.
É o meu despretensioso contributo, como cidadão, não natural de Abrantes, mas com um amor a Abrantes que não consente "pedradas" destas no magoado coração da sua amada cidade!
(...)
E pronto, ala que se faz tarde, a caminho da Galeria Municipal!
Ah!Há mais uma obra, ainda de pequeno fomato: um...abano,artisticamente pintado!!!
Esse é para ver lá na Galeria!!!!
O quê, já chega de abanos?!
Mauzinho!!!!
antónio colaço in ânimo''
Agradecemos ao Colaço mais este gesto militante contra o crime que representa a proposta já aprovada (em condições aparentemente ilegais que investigaremos) e a prova que Arte enquanto provocação deve ser um testemunho militante a favor da decência e da beleza.
O Colaço faz o que fez Picasso com a Guernica, denunciar o crime, através da arte. Em Guernica os criminosos foram fascistas e nazis. Em Abrantes são os que promovem a destruição do velho tecido urbano e da nossa paisagem.
Guernica, Museu Rainha Sofia, Madrid
Marcello de Noronha
Pax Christi
Dili, 10 de Março de 1976
Exma. Senhora D. Maria Natália Gouveia
Há muito que me pesam no coração a dolorosa ansiedade e a cruel angústia de V. Ex.cia e de todos quantos têm estado sem notícias deles. Por S.Excia Rev.ma o Pro-Núncio Apostólico em Jacarta sei, agora, que V.Ex.cia vive mergulhada em grande aflição e tristeza por absoluta falta de notícias e que pediu à Santa Sé informações sobre a situação de seu estremoso marido. É mais uma falta da minha parte. Mas, como compreenderá, nem sempre é possível escrever em pleno fragor da guerra. A vida começa, agora tanto quanto é possível, a normalizar-se na cidade de Dili e nalgumas Vilas da Província e, por isso, apresso-me a escrever-lhe esta carta, através da mesma Nunciatura em Jakarta que, espero, a fará chegar às mãos de V.Ex.cia.
Durante o período de guerra, como V.Ex.cia sabe, tenho acompanhado, mais ou menos de perto, directa ou indirectamente, a sorte dos nossos queridos prisioneiros e, por isso, também, a de S.Ex.mo Marido e meu caríssimo amigo tenente-coronel Maggiolo de Gouveia. Particularmente assisti-lhe com assiduidade quando ele baixou no Hospital, sem gravidade, mas onde se manteve até ao dia 7 de Dezembro de 75. Nessa data, a FRETILIN levou para Aileu todos os doentes-presos, como aliás todos os seus prisioneiros, detidos em Dili, que andaria à volta de uns 800. Foi, então, que perdemos o contacto com os presos. Todos nós sentíamos a sensação de nos encontrarmos num túnel de curva fechada e vivíamos horas densas de angústia, situações de terror e como que de contínuo suspensos sobre o abismo da morte. Deus, e só Deus, era a nossa esperança: ao coração d`ELE fazíamos e continuamos a fazer insistente violência.
Só agora, e já lá vão sete meses de guerra - começa a raiar esquivamente a aurora de possíveis dias de paz: começa a haver tranquilidade e confiança e a vida está a voltar à normalidade. E, também, só agora, estão chegando notícias daqui e dali, do interior da Província, do que por lá se passou. Estão aparecendo em Dili alguns prisioneiros levados pela Fretilin, mas são muito poucos, os suficientes, porém, para por eles se saber os que não voltarão porque foram mortos pelas hordas comunistas. E entre estes que não voltarão, porque seguiram rumo à Casa do Pai do Céu, está o nosso querido tenente-coronel Maggiolo de Gouveia: fez ele parte dos mais de mil prisioneiros executados pela Fretilin no altar do ódio a Deus, à Família e à Pátria. É deveras doloroso esta minha missão de lhe vir anunciar que Seu estremoso marido não pertence já ao número dos vivos «neste vale de lágrimas», deu a sua vida pela fé e pela Pátria, morreu como um autêntico cristão, como um Homem inteiriço, como um militar de têmpera desses militares de antanho que são orgulho e exemplo da vossa gloriosa história. É natural, minha senhora, que o seu coração de esposa sangre de dor e que a sua alma mergulhe na tristeza mais atroz; mas quando um homem morre como o seu marido morreu, herói da fé e da Pátria, é mais motivo para dar graças a Deus e honrar-se em tal morte do que para lamentações e lutos. A certeza que lhe advém da fé, de que um dia encontrá-lo-à na Casa do Pai e o exemplo que ele deu, de testemunho da sua fé e das virtudes humanas, cristãs e militares, afirmadas sempre e, sobretudo, à hora da sua morte e com o sangue, serão o melhor e mais suave linitivo para a sua dor e deverão ser para V.Ex.cia e para seus filhos motivo de santo orgulho, de nobre estímulo na vida e, até, de cantar ao Senhor o «Magnificat».
A execução devia ter sido entre 9 a 15 de Dezembro de 75. Neste momento, ainda não me é possível averiguar a data exacta. Sei apenas algumas circunstâncias que tentarei passar ao papel, somente, para lhas comunicar.
Como atrás disse, todos os presos haviam sido levados de Dili para Aileu, em condições as mais desumanas. Em dia que ainda não consegui precisar, mandaram reunir todos os presos, como era rotina, e foi feita a chamada de cerca de 50 a 60 homens, incluindo o nome de Maggiolo de Gouveia, que sucessivamente iam alinhando no terraço. A este grupo, escoltado pela milícia armada, como era hábito, foi dada ordem de marcha em direcção à estrada de Aileu-Mausisse. Chegados aqui, e percorridos uns metros de estrada, soou a voz de «alto» e o grupo parou e viu-se próximo de uma grande vala, previamente aberta ao lado da estrada. É-lhes, então dito que todos vão, ali ser fuzilados. Há um momento de consternação e de estremecimento colectivo. As milícias põem a arma à cara: e é então, que o tenente-coronel Maggiolo levanta a voz e diz: Senhores, deixem-nos rezar. E todo o grupo, de joelhos em terra, reza o terço a N.Senhora, dirigido pelo tenente-coronel Maggiolo. Terminado este e estando todos de joelhos, encoraja e anima os seus companheiros «condenados à morte» e termina dizendo: Irmãos, breve vamos comparecer na presença do nosso Deus e Pai: façamos o nosso acto de contrição, o nosso acto de anor. E, em silêncio entrecortado de lágrimas, os corações daqueles homens sobem a Deus para pedir... lembrar... e dizer... aquilo de que, naquela hora derradeira, Deus é o Único testemunha. Depois, o tenente-coronel põe-se de pé, sendo seguido neste gesto pelos seus companheiros, e dirige-se aos soldados-algozes nestes termos: irmãos, nós estamos já preparados para comparecer no Tribunal de Deus, lá vos esperamos também a vós. O meu único crime foi o de não renegar a minha fé e o de amar Timor. Morro por Timor. Morro pela minha Pátria e pela minha fé católica. Podeis disparar. Evidentemente, os soldados timorenses ficam como que petrificados, não se movem, nem se atrevem a pôr a arma à cara. É um estrangeiro que rompe o silêncio destes primeiros instantes e quebra a indecisão daqueles soldados nativos: põe a arma à cara e dispara contra o tenente-coronel Maggiolo. E, logo a seguir, todos os soldados fazem o mesmo, abatendo com rajadas sucessivas todos os presos. (Esta narrativa - quero que o saiba, minha senhora, - ouvi-a da boca de um dos presos de Alieu, o Administrador do Concelho de Mabusse, Lúcio da Encarnação, que a ouviu por sua vez dos próprios soldados-algozes e que, ao fim, foi salvo pelas milícias de Ainaro).

Assim morrem os heróis. Assim morreu o tenente-coronel Alberto Maggiolo de Gouveia. E, quem assim morre, é orgulho para os pais, para a esposa, para os filhos e para a Pátria. Morreu como herói da fé e da Pátria: e, desta forma, não é a morte que coroa a vida, é a glória eterna em Deus que sublima tal morte. E mais vale morrer com glória do que viver com desonra - eram desta têmpera os portugueses de antanho - foi a ideia-força na vida deste Homem, deste Cristão e deste oficial do Exército Português, de Maggiolo de Gouveia. Se, como piedosamente cremos, ele continua a viver no Céu, junto de Deus, também viverá no coração dos timorenses enquanto a memória dos homens não se desvanecer.
Desculpe, minha senhora, fui muito extenso e não disse tudo nem..., é quem tudo conhece. Mas pensei que seria esta a melhor forma de ir mitigar a sua grande dor, de pedir-lhe que tenha coragem na vida para vencer até ao fim, onde o encontrará, e de exortá-la à confiança em Deus que é o melhor dos pais e que, assim, a começa a preparar para «esse encontro» na meta final da vida.
Aqui vão, Senhora D. Maria Natália, para V.Ex.cia, para Seus filhos e para toda a demais família, as minhas profundas condolências e a expressão da minha comunhão de orações de sufrágio, com os meus sentimentos de religiosa estima e muita consideração.
De Vossa Excelência servo inútil em Cristo
José Joaquim Ribeiro - Bispo de Dili
publicado in http://nonas-nonas.blogspot.com
foto em http://ultramar.terraweb.biz/Livros/RodrigoEmilio/MaggioloGouveia_DanielRoxo.pdf
posto por Marcello de Noronha
BREVEMENTE !!!!!
A ARTE CONTRA A CARRILHADA!!!!!
Como vai ser 2011? Vai ser um ano muito mau de grandes dificuldades e perturbações. Este ano vamos ter um défice orçamental de 7,3 por cento do PIB, mas só é alcançado com receitas extraordinárias, porque sem elas ele seria muito superior. Ora, em 2011 o défice previsto é de 4,3 por cento e, neste caso, sem receitas extraordinárias. Não sei como é que vamos conseguir, vai ser muito difícil para todos nós. Só se têm alguma coisa escondida...
Jacinto Nunes
Ex-ministro das Finanças e ex-governador do Banco de Portugal
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