Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2013

Publicamos com o máximo prazer a homilia (grande homilia!!!!) do Rev. Padre Gonçalo Portocarrero de Almeida, Visconde da Macieira, peticionário, grande humanista  e editorialista da ''Nova Aliança'' (quando a Srª Drª Ana Soares Mendes está a trabalhar pela Fé), dita na missa que celebrou por alma de SMF el-Rei Dom Carlos e por seu filho, o herdeiro da Coroa, SAR. o Príncipe D.Luís Felipe. A missa foi celebrada em São Vicente de Fora, Panteão da Casa Real Portuguesa.

 

 

 

 

1. Introdução. «Naquele tempo, disse Jesus à multidão: “Oreino de Deus é como um homem que lançou a semente á terra. Dorme e levanta-se,noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. A terraproduz por si, primeiro, a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro naespiga. E quando o trigo o permite, logo se mete a foice, porque já chegou otempo da colheita”» (Mc 4, 26-34).

 

Nosso Senhor serve-se do ciclo da vida natural para nos infundir a certeza da esperança, virtude que, com a fé e a caridade, alimenta toda a vidacristã. Depois de lançada a semente à terra e nela enterrada, só seria expectável a sua morte mas, por paradoxal que possa parecer, é esse seu enterramento o princípio da vida que, a seu tempo, brotará.

 

Também as vidas que tombaram por um ideal nobre são sementes de novos valores: o sangue dos mártires é sementeira de novos cristãos, como o generoso sangue de El-Rei D. Carlos I e do Príncipe Real, assassinados no dia 1 deFevereiro de 1908, no Terreiro do Paço, é penhor de uma renovada esperança deum tão desejado e urgente renascimento nacional.

 

Esta comemoração oficial da nefasta efeméride não pretende ser apenas uma sentida e justa evocação de Sua Majestade Fidelíssima e de Sua Alteza Real, mas também uma afirmação de fé cristã e de fervor patriótico, na expectativa de umanova era na multissecular história de Portugal.

 

A esta sentida homenagem não se pode deixar de associar, por imperativo evangélico – «não separe o homem os que Deus uniu» – Sua Majestade Fidelíssima a Rainha Dona Amélia, bem como seu augusto filho, El-Rei D. Manuel II, cujos corpos descansam também no Panteão da Casa Real, anexo a esta Igreja de São Vicente de Fora, a cujo Reitor muito agradeço a cedência do espaço sagrado para esta celebração. Nestes últimos membros do ramo primogénito da Família Real, cumpre também saudar todos os Rei se Rainhas, Infantas e Infantes da Casa de Bragança, a todos unindo numa mesma prece de gratidão e de piedoso sufrágio pelas suas almas.    

 

2. Cumprimentos. Antes de prosseguir com o comentário dos textos agora proclamados, é minha obrigação saudar muito especialmente Suas Altezas Reais os Senhores Duques de Bragança,não só nas suas insignes pessoas, mas também nas inúmeras gerações dos seus augustos Avós, e de Avós dos seus Avós, que, enquanto Chefes da Casa Real, tão dignamente representam.

 

Cumprimento também, com toda a deferência, a Causa Real, aquire presentada pelo seu Vice-Presidente e pelo Presidente do se Conselho Superior,a Real Associação de Lisboa, a quem agradeço a gentileza do convite para presidir a esta celebração eucarística, o Instituto da Nobreza Portuguesa, a Associação da Nobreza Histórica de Portugal, os dignitários das Ordens dinásticas de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e de Santa Isabel, e ainda uma expressiva representação das ordens pontifícias do Santo Sepulcro de Jerusalém, na pessoa do seu Lugar-Tenente, e da Ordem Soberana e Militar de Malta, representada peloPresidente da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses.

 

Uma menção particular é ainda devida aos numerosos membros das diversas Reais Associações e da Juventude Monárquica que, pela sua entusiástica presença,permite crer na perenidade destes seus generosos ideais.

 

Saúdo também quantos fiéis quiseram participar nesta Santa Missa,quaisquer que sejam as suas convicções políticas, porque a celebração eucarística, máxima expressão da liturgia eclesial, a todos une na fé católicae apostólica, abraça na mesma caridade e alenta na mesma e única esperançasobrenatural.    

 

3. Uma questão de identidade nacional. Une-nos a este altar a fé cristã, que a Igreja professa, e que éa razão deste invisível reino de Jesus Cristo Nosso Senhor, Rei de Reis e Senhor de Senhores.

 

O povo cristão não se define principalmente por uma terra, porque até a pátria terrena do Filho de Deus conta apenas, infelizmente, com uma exígua presença católica. Não se estabelece em virtude de uma língua oficial, pois os cristãos não comunicam entre si através de nenhum idioma comum, nem falam segundo o modo humano em que se expressava aqui na terra o seu divino Fundador. Não decorre de uma determinada organização política ou administrativa, porque são muitas e muito variadas as sociedades que se filiam no espírito cristão, sem outro condicionalismo que o imposto pelos princípios éticos naturais e peloscritérios morais do Evangelho.

 

Então, que povo é este que não tem uma terra própria, nem uma língua comum, nem uma específica organização jurídica?! Onde radica a sua identidade?Na fidelidade a Alguém que sendo, perfeito homem, é também Deus perfeito, na comunhão do Pai e do Espírito Santo. É Jesus Cristo, Nosso Senhor, a razão de ser do povo que somos e da história que é d’Ele, porque a Igreja mais não é do que a sua real presença no espaço e no tempo.   

 

Se a personalidade se afere pela memória, enquanto registo cronológico deuma existência que, não obstante as diversas fases da vida, se afirma sempre a mesma, porque referida a um mesmo e único sujeito, a história pátria é o factor mais determinante da identidade de uma nação. Mais do que os acidentes geográficos, as riquezas naturais, a língua ou as especificidades jurídico-constitucionais, é o nosso passado comum que dá razão da nossa condição de portugueses. Por isso não somos apenas mais um povo peninsular, nem muito menos um mero Estado europeu, no concerto cada vez mais desconcertado deum continente à deriva, mas uma unidade de destino no universal. E, se o somos,aos nossos Reis, mais do que ao território ou à nossa língua, o devemos.

 

Foi a vontade de D. Afonso I que desgarrou este torrão à monarquia leonesa e lhe deu uma individualidade muito própria e específica. Foi a coragem de D. João I que, com o imprescindível auxílio do Santo Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, em religião São Nuno de Santa Maria, fez possível a ousadia deAljubarrota, quando o exército castelhano ameaçava a independência nacional.Foi a audácia de El-Rei D. João IV que, com a destemida colaboração dos quarenta conjurados, deu à nação portuguesa a força de que carecia para se libertar do jugo filipino.

 

Queremos crer que quem hoje representa tão insignes exemplos de patriotismo,é também a bandeira que une todos os verdadeiros portugueses que, conscientes do dom da sua identidade, amam e defendem a independência e a soberania nacional.Queira Deus que aos patriotas de agora não falte, como não faltou em 1385 e em 1640, a coragem de arremeter contra os inimigos da nação, nem a liderança firme do seu Chefe natural, que é quem, por ser o representante do fundador da nacionalidade e de todos os seus sucessores na chefia do Reino, é também o indiscutível herdeiro do património histórico da nação. Se se pretende ar efundação do Estado, pois que seja na fonte inesgotável da nossa tradição,porque só assim se poderá garantir que essa nova configuração nacional corresponderá, efectivamente, à identidade do povo que somos.

 

4. Uma monarquia cristã. Se alguma nota caracteriza, desde os seus primórdios, a monarquia lusitana é, precisamente, a sua estreita vinculação à religião cristã. Por este motivo, epela ininterrupta vassalagem dos nossos monarcas à cátedra de Pedro, mereceram o tratamento de Fidelíssimas Majestades, ao jeito de como também o soberano castelhano se diz Católico, ou Cristianíssimo o rei francês.

 

É certo que a monarquia há-de ser, como sempre foi, um regime inclusivo eque, portanto, não seria de propor um anacrónico regresso a uma hipotética confessionalidade do Estado. Mas a abrangência da mais alta magistratura não pode ser óbice para o cumprimento da sua iniludível função moral. O carácter partidário de qualquer candidatura presidencial vincula necessariamente o Chefe de Estado que, por mais que se invoque como sendo de todos os portugueses,nunca perde a sua especial conotação com as forças políticas de que procede e aque deve a sua eleição. Não assim com a chefia natural do soberano, cuja legitimidade não procede de uma força partidária, mas da tradição nacional que,por isso, não conhece outro compromisso que não seja com os valores morais queinformam a nossa identidade histórica. Ora a expressão ética mais elevada euniversal é a que decorre dos princípios evangélicos, pelo que a condição cristã do monarca não só não é um impedimento para a sua universal aceitação como, pelo contrário, é garantia de que exercerá os seus deveres constitucionais com aquela exemplaridade em que se funda a verdadeiraautoridade pública.

 

Assim se verificou na história gloriosa da monarquia lusitana, porque muitos são os que figuram na galeria dos santos da família de Bragança que, por ser a nossa Casa Real, tanto honra Portugal.

 

A este propósito recorde-se que, logo na primeira dinastia, se destacam três Infantas de Portugal, filhas de El-Rei D. Sancho I, que subiram ao saltares: a Beata Mafalda, que foi Rainha de Castela pelo seu casamento, rato enão consumado, com o Rei Henrique I, e depois professou no convento de Arouca;a Beata Teresa, Rainha de Leão, também ius uxoris, que igualmente se consagrou a Deus na vida religiosa, no mosteiro de Lorvão; e a Beata Sancha, que tomouhábito no Convento de Celas, em Coimbra, por ela fundado e onde foi exemplo heróico das virtudes cristãs.

 

Santa Isabel, nascida Infanta de Aragão e que acedeu ao trono de Portugal pelo seu casamento com El-Rei D. Dinis, foi formidável exemplo de rainha, demulher e de mãe. Já nos alvores da dinastia de Aviz, o povo canonizou Dom Fernando, o Infante Santo, decerto pela sua edificante morte no cárcere mouro,em testemunho de amor à pátria e de fidelidade à santa religião.

 

Em plena era de expansão, surge mais uma Infanta santa, a Bem-aventurada Joana, filha de El-Rei D. Afonso V e da Rainha D. Isabel de Portugal, a quem o povo de Aveiro distingue com uma especialíssima devoção e trata, com aaquiescência eclesial, por Santa, pois nunca se deixou seduzir pela glóriapassageira dos reinos deste mundo, porque maior era o seu amor a Cristo e aoReino dos Céus.

 

Muitos outros, decerto, teriam cabimento neste incompleto rol, mas osexemplos referidos chegam para concluir que uma aura de santidade distinguiu a Família de Bragança e que este é, sem dúvida, o principal pergaminho desta Casa Real e uma das mais subidas graças com que foi distinguida, pela divina providência, esta Terra de Santa Maria, Rainha e Padroeira de Portugal.

 

Queira Deus que se mantenha sempre viva, na Casa de Bragança, esta piedosa tradição e que quantos se revêem nesta Família e lhe prestamfidelidade, dela aprendam a honrar os seus compromissos cristãos.

 

A sociedade actual precisa mais de testemunhos do que de testemunhas,porque as obras falam mais alto do que as palavras que o vento leva. A verdadeira fidalguia é a do espírito e, por isso, não pode ser nobre quem nãohonra a sua fé, quem não mantém a sua palavra dada, quem não é fiel aos seus compromissos matrimoniais e familiares, quem não tem uma conduta profissional honrada, nem quem não pauta a sua vida social pela primazia do serviço e da solidariedade, sobretudo com os mais pobres. O marialvismo é apenas uma grosseira caricatura deste ideal de fidalguia, porque quem vê na sua ilustre ascendência apenas um privilégio e não uma renovada e mais exigente responsabilidade social, não é digno da nobreza do seu sangue, nem pode contribuir validamente para a construção de uma sociedade melhor. O exemplo aseguir é sempre o de Cristo, que não veio ao mundo para ser servido, mas paraservir e dar a sua vida pelos homens.

 

 5. Uma monarquia humanista e social. Ao contrário do que sói dizer-se, a monarquia, embora reconhecendo o mérito dos melhores dos melhores,nunca foi nem pode ser elitista. Pelo contrário, o monarca foi sempre o principal aliado do povo, precisamente contra as oligarquias ou as estruturas intermédias que, de algum modo, ameaçavam os seus direitos fundamentais. A esse desvelo dos soberanos pelos seus súbditos mais modestos se deverá seguramente a devota fidelidade destes ao Rei e à Família Real, seus aliados históricos. Com efeito,em qualquer circunstância, o menor dos servos podia recorrer à presença régia,na certeza de que a sua causa, embora julgada com imparcialidade, não seria esquecida.

 

Não é só o colectivismo totalitário que desrespeita os direitos fundamentais, porque também o liberalismo individualista representa uma gravíssima ameaça social, sobretudo para os cidadãos mais carentes. Hoje, em Portugal, morre-se antes até de nascer e há quem impunemente defenda um inverosímil direito a matar os mais velhos, antes de chegado o termo natural dasua existência terrena, com o pretexto da sua aparente inutilidade em termos económicos. Há filhos abandonados pelos próprios pais, graças ao divórcioe xpresso, e cônjuges reduzidos à miséria, porque a liberdade irresponsável gozado favor das leis e poderes públicos, que não tutelam a parte mais débil da relação, nem os legítimos interesses da indefesa prole.

 

A título de exemplo, permita-se a referência a um dado histórico muitosignificativo do carácter eminentemente personalista da monarquia lusitana.Como é sabido, nem todos os soberanos reinaram até à sua morte, porque alguns houve que, por razões várias, foram excluídos do exercício efectivo da realeza.Assim aconteceu, por exemplo, com os Reis D. Sancho II e D. Afonso VI,afastados do trono ainda em suas vidas e substituídos nas funções reais pelos seus irmãos e imediatos sucessores, que vieram a reinar com os nomes de D.Afonso III e D. Pedro II, respectivamente. Também a Rainha D. Maria I nã oesteve à frente da governação do reino até à sua morte, por incapacidade resultante de doença grave, que obrigou à sua antecipada substituição pelo que, com o título de Príncipe Regente, viria depois a ser El-Rei D. João VI.

 

Pois bem, muito embora estes três monarcas, por diferentes razões, que não interessa ao caso apreciar, tivessem sido depostos, todos mantiveram o título e tratamento correspondente até ao fim dos seus dias. Uma tal atitude,muito embora sem significativas implicações práticas, releva contudo uma enorme consideração pela pessoa e pela sua dignidade, mesmo quando afectada por alguma circunstância inabilitante do exercício do poder.

 

Esta primazia da pessoa, com independência da sua utilidade, afigura-se de um grande valor, sobretudo nestes tempos em que, por exemplo, a prática generalizada da interrupção voluntária da gravidez e da eutanásia, reduziu o ser humano a um mero factor de realização emocional e de produção. A Igreja ensina que a vida humana é sagrada, quaisquer que sejam as modalidades que apresente, e a monarquia portuguesa foi um vivo exemplo deste imenso respeito pelo ser humano e pela sua dignidade, mesmo quando a existência de alguém aindanão tem, ou já deixou de ter, as funcionalidades necessárias para uma vidagratificante, ou economicamente viável.

 

6. O regicídio e a implantação da república. «Lembrai-vos dos primeirosdias – escreve o autor da Carta aos Hebreus – em que, depois de terdes sido iluminados, suportastes tão grandes edolorosos combates, ora expostos publicamente aos insultos e tribulações, oratornando-vos solidários com os que eram assim tratados» (Heb 10, 32-3x).

 

O dramatismo do relato desta epístola parece evocar os tempos difíceisque a pátria sofreu em 1908 e, dois anos depois, com a instauração de um novo regime político. Muito embora a república se tivesse afirmado do povo e para o povo, a sua prática foi elitista, limitando até o número dos eleitores aptos para a participação nos plebiscitos nacionais. Não só a liberdade política foi drasticamente prejudicada com a instauração do regime republicano, como também a liberdade religiosa foi praticamente abolida, com medidas que lembram os piores regimes totalitários. Algo semelhante ocorreu também com a liberdade de imprensa, formalmente reconhecida pelo Estado surgido do golpe de 5 de Outubro de 1910, mas depois de facto abolida pelas sistemáticas investidas contra as publicações patrocinadas por tendências não afectas às forças governamentais.

 

Neste sentido e sem exagero na análise, pode-se dizer que os monárquicos e os cristãos que ousaram enfrentar o opressivo regime republicano foram então os verdadeiros defensores da liberdade. Pelo contrário, quantos se opuseram, às vezes até com violência, à propagação dos ideais monárquicos e dos princípioscristãos, ainda que em nome de uma ideologia supostamente democrática e livre,ficaram objectivamente conotados com uma prática totalitária que não honra a História de Portugal.

 

Mas o valeroso esforço por que tiveram que passar quantos, não obstante a mudança política, se mantiveram firmes na fé e na fidelidade à Pátria e ao Rei,não foi em vão. «De facto – prossegueo inspirado autor da Carta aos Hebreus – compartilhasteso sofrimento dos prisioneiros e aceitastes com alegria a espoliação dos vossosbens, sabendo que possuís riqueza melhor e duradoira» (Hb 10, 32-39).

 

Não foram poucos os sofrimentos por que muitos portugueses de boa cepa tiveram que passar, como consequência do advento do regime intolerante nascido no início do quarto trimestre de 1910. Famílias houve que foram espoliadas dos seus bens, não poucos combatentes experimentaram as agruras do cárcere e todos,de uma forma ou outra, foram «expostos publicamente aos insultos e tribulações» (Heb 10, 32-39).

 

Em tempos difíceis, como a hora presente, há que renovar a fé em Deus e em Portugal: «não queirais portanto,perder a vossa confiança, que terá uma grande recompensa. Vós tendes necessidade de perseverança, para cumprir a vontade de Deus e alcançar os bensprometidos. Porque “ainda um pouco e bem pouco tempo, e Aquele que há-de virnão tardará”» (Hb 10. 32-39).

 

7. Conclusão. «Já chegou o tempo da colheita» (Mc 4,26-34), e, portanto, a certeza de que a semente lançada à terra, não há-deficar infecunda, mas produzirá a planta, depois a espiga e, por fim, o trigomaduro na espiga (cfr. Mc 4, 26-34).

 

Ao saudar Maria, a que é bendita porque bendito é o fruto do seu ventre,renovemos a nossa fé e o propósito de uma vida mais autenticamente cristã, paraque cada um de nós, tendo cumprido a sua missão eclesial e patriótica, possadizer com o poeta «que, da obra ousada, éminha a parte feita: o por-fazer é só com Deus».

 

 

pub por MN



publicado por porabrantes às 23:18 | link do post | comentar

 

 

 

Da página no facebook da Tubucci- a respeitada voz da defesa do Património em Abrantes, com a devida vénia retiro:  

 

 

 

 

''As péssimas condições de conservação dum monumento nacional, Igreja de S.João, de propriedade particular (1), desde há pouco, foi ''adquirida'' em circunstâncias duvidosas pela Paróquia, são visíveis nesta foto. É um assunto que tem de preocupar todos os abrantinos! Pergunta-se não são necessárias obras imediatas de restauro? E porque não as faz o pároco que maneja meios financeiros vultuosos?''

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MN

 

(1) amável informação da autarquia-CMA



publicado por porabrantes às 20:29 | link do post | comentar

armando fernandes

 

 

 

O estimadíssimo snr. dr. Armando Fernandes tinha de voltar a  esta página. Estava escrito. Afinal passam poucos dias da efeméride daquela jornada aziaga onde o Buiça disparou à traição sobre el-Rei Dom Carlos e onde um tiro  certeiro, saído do revólver justiceiro do Príncipe Real D.Luís Felipe, já ferido de morte, mas ainda capaz de crivar de chumbo um miserável regicida,  a soldo do Visconde da Ribeira Brava e  dos interesses estrangeiros, e  a prestimosa ajuda da polícia executaram dois traidores no Terreiro do Paço.

Mas é certo que as balas dos lacaios do Ribeira Brava, um tal Herédia, ditaram a morte do Reino de Portugal.

A vingança era um dever patriótico  e os monárquicos, em nome de Portugal,  juraram que o Ribeira Brava teria a sorte que merece quem ordena a morte dum Chefe de Estado português. A polícia tratou dele graças aos cuidados de Sidónio Pais. Não foi um safanão fora de tempo, foi um tiro dado  ainda a tempo pela polícia do Sidónio Pais. Ribeira Brava (1) fora Governador Civil de Santarém.

Terá sido o único Governador Civil scalabitano com problemas com a polícia? Permito-me duvidar.

Tendo o Reino de Portugal já falecido em 1910, o dr.Fernandes faz uma incursão pelo Reino da Galiza. Uma incursão republicana. É uma inversão da história. Normalmente as incursões vinham da Galiza para invadir Portugal. Assim as do Paladino, o valente Paiva Couceiro, que invadia ritualmente Portugal, com a ajuda duma infra-estrutura que se compunha de fidalgotes da raia galega, padrecas ou abades transmontanos agalegados a quem a República confiscara os passais e que tinham ficado sem  cobres para alimentar as amásias e os bastardos, coisa desagradável, e plebe ignara que ''chapurreava' os dialectos raianos, que um ilustre escritor de Ourense, leitor da Senhora de Murguia, a nostálgica Rosália, definia como ''rosnadelas de rafeiro''.

Fala o dr. Fernandes do cacique Baltar, o rei de Ourense, o fulano que na Deputación punha e dispunha da vida, honra e emprego da gente galega de toda a comarca. O homem era tão poderoso que o galego de Madrid, o conservador de Registo Predial, Rajoy, apesar de ser Caudilho do Partido Popular (o sócio do PSD nas Espanhas) não tinha nem tem mão nele. O Baltar nomeou uns 30 porteiros para um Teatro que só possui duas portas e escolheu o cachopo lá de casa para boss local ou seja para continuar a cacicar e a beber copos de vinho ácido e ordinário, o Ribeiro, que aquela terra desgraçada nem tinto dá, pelas feiras e romarias, acompanhado de polvo à galega, enquanto com o abade, o empreiteiro,o deputado local e mais três ''personalidades'' da mesma galega laia fazem ''política''.     

 

 

Devo dizer que o Baltar não é má pessoa e não fazia as nomeações numa casa de putas. Em Lugo, a cúpula galega do PSOE reunia-se num  bordel, debruado a cubanas gordas, para fazer as negociatas. Não é mau sítio. As vistas são melhores que numa sacristia.

O Baltar pelo menos não é como este:

 

 

 

Se um eleitor tinha problemas às 3 da manhã, telefonava-lhe e o Baltar acordava qualquer médico a esta inóspita hora e mandava o facultativo a casa do ''labrego'' ver se a doença galega era real ou se o indígena era hipocondríaco. Por isto ( e por outras coisas menos confessáveis) tinha votos...

O sr. dr. Fernandes é de Lagarelhos, progressiva aldeia da raia, e por isso sabe muito de política galega, como se nota.  Lagarelhos curiosamente era a terra  da célebre família Buiça, da qual alguns membros partiram para Castela para servirem Reis estrangeiros com  copioso proveito.  

Mas o dr. Fernandes é uma patriota regenerador republicano e quer impedir que perniciosas tendências monárquicas floresçam no seu PSD. Só conheço  dois patriotas da mesma estirpe, um deles o seu compadre Anacleto.

Protesta severo o sr. dr. Fernandes, armando a prosa de palavras recheadas de indignação cívica contra quem no ''caso do PSD'' permite que:  os filhos, enteados, sobrinhos, primos e demais parentela não podem ser prejudicados por causa do patriarca ou matriarca ocuparem cargos políticos durante décadas. ''

Ora acontece estimadíssimo pensador renovador que houve um senhor doutor que estava numa comissão política onde nomearam o cunhado de Sua Excelência para candidato  Vereador.

Por acaso foi em Abrantes.

Por acaso outro pensador, severo e íntegro, da mesma estatura intelectual que V.Exa, o dr. João Pico, também viria a estar nessa Comissão Política.

A vasta obra do dr. João Pico que já alcança 6.000 posts e pelo menos cinco ''maisons'' com janelas tipo ''fenetre'', a sua inquebrantável fidelidade    à coerência política que bebeu nas lições de catequese do Abade Rosa, é pelo menos tão gloriosa e profunda como a de V.Exa.

 

 

Armando-me  ..... 


pois de extrema curiosidade pergunto a V.Exas, nomear um cunhado para um cargo político, para Salvador da Social-democracia.....


é contribuir para criar as estruturas monárquicas que o dr... Armando denuncia?


Finalmente, caro pensador, como é que se traduz em galego, essa nomeação?


Quando o galego Francisco Franco nomeou Ministro o cunhado, o povo traduziu assim:


CUNHADÍSSIMO 


estará correcta a tradução????


Edite Fernandes,especialista em questões indígenas galegas



publicado por porabrantes às 15:40 | link do post | comentar

Um contribuinte, teve sua declaração rejeitada pelas Finanças porque, aparentemente, respondeu a uma das questões incorretamente.

Em resposta à pergunta "Quantos dependentes tem?" o homem escreveu:
"50.000 imigrantes ilegais, 10.000 drogados, milhares de funcionários públicos, 200.000 subsidio-dependentes, 100 generais e almirantes, 13.000 criminosos em nossas prisões, além de uma cambada de políticos em Lisboa e nos municípios espalhados pelo país.”

As Finanças afirmaram que o preenchimento que ele deu era inaceitável e estava incorrecto.

Resposta do homem às Finanças:

- De quem foi que eu me esqueci?


Do Sr....... cónego!!!!!!!



anedota contada pelo Sr.Xerife  ao Zé da Cachoeira.....


amén!!!!!


disse o Monsenhor Rosa, Capelão da Família Pimenta




Suzy



publicado por porabrantes às 12:17 | link do post | comentar

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