Domingo, 24 de Março de 2019

afonso baptista coelho

 

O então major Alfredo Baptista Coelho comandava interinamente, no Castelo, a Artilharia. Teve de se enfrentar ao golpe de Machado Santos (1916). Oficial de dilatada carreira colonial, distinguiu-se em campanhas em Moçambique no início do século XX e finais do dezanove . Foi um dos companheiros de armas do lendário Mouzinho de Albuquerque e seu amigo.  Desempenhara o cargo de Governador Geral dessa colónia. Foi ainda Ministro das Colónias (1919) , já coronel, depois da queda de Sidónio. 

O site Santo Tirso com História, que o biografa, relata a acção em Abrantes:''(...) Quando regressou de vez do Ultramar, e antes de partir para França, foi colocado no regimento de Artilharia aquartelado em Abrantes. Dirigiu-se para ali. Não estando o comandante, e como não havia oficial de patente superior (era major), teve de assumir o comando do regimento.
Atravessava-se uma época de agitação política, com graves reflexos na disciplina militar.
No próprio dia da chegada, foi chamado ao telefone pelo comandante do regimento de Infantaria aquartelado na mesma povoação. Esse oficial queria sondá-lo sobre a atitude que tomaria na hipótese de se dar certo movimento de que se falava. Baptista Coelho, mostrando estranheza pela pergunta, respondeu que em qualquer circunstância, a sua atitude, como certamente a do seu interlocutor, seria o cumprimento dos regulamentos militares. E desligou o telefone. Mas ficou apreensivo, receando alguma surpresa. Caiu a noite. Não se deitou, e manteve-se de ouvido à escuta. Em certa altura, ouviu um estranho ruído, que era o do arrastar de peças de artilharia. Desceu, de pistola em punho. Ordenou que as peças voltassem ao seu lugar. E foi obedecido. Deu voz de prisão aos sargentos que dirigiam o movimento. E foi obedecido também. A sua voz e a sua atitude mais uma vez fascinavam os seus subordinados.
De madrugada, soube que o almirante Machado Santos chegara de noite a Abrantes, à frente dum regimento que sublevara, e se acolhera ao quartel de Infantaria, cujo regimento aderira também ao movimento.
Apareceu pouco depois o coronel comandante do regimento de Artilharia, a quem relatou o acontecido.
Esse oficial, que conhecia o valor de Baptista Coelho, procurou convencê-lo a ir prender Machado Santos!
A ideia parecia de louco. Mas o coronel insistia e converteu o pedido em ordem. Baptista Coelho, embora julgasse ser esse o último dia da sua vida, não hesitou.
Dirigiu-se ao quartel de Infantaria e fez-se anunciar ao almirante, que pouco depois o recebia.
As primeiras palavras travadas deviam ter sido verdadeiramente dramáticas. Baptista Coelho nem tinha força material, nem autoridade legal para prender um oficial que era de patente mais elevada. O almirante, estupefacto, ao ouvir-lhe que vinha ali, em obediência a ordem superior, para o prender, sentiu o impulso, como logo anunciou, de lhe dar um tiro na cabeça. Mas, em face da heróica serenidade de Baptista Coelho, conteve-se e convidou-o a entrar numa sala. Conversaram demoradamente, a sós. E, por mais inverosímil que o facto pareça, daí a pouco Machado Santos acatava a ordem de prisão e entravam os dois no quartel de Artilharia.
O movimento revolucionário estava gorado e o Almirante mostrava-se agradecido pela maneira correctíssima e nobre como tinha sido tratado por Baptista Coelho.
Apesar das instâncias deste, a atitude do coronel para com o almirante foi diferente. Telegrafou comunicando a grande nova (sem falar de Baptista Coelho!), de que tinha sob prisão Machado Santos e de que partia com ele para Lisboa. Ali tiveram os dois a recepção que era de esperar: o coronel, pouco depois general, foi recebido como herói; e o fundador da República, exposto à fúria da populaça, que fora prevenida da sua chegada, sofreu os maiores vexames e enxovalhos.(...)''

 

 

 

publicado originalmente:

Prof Dr.António Augusto Pires de Lima in O Concelho de Santo Tirso – Boletim Cultural - Vol. II - N.º 1 - 1952
Edição da Câmara Municipal de Santo Tirso

Ou seja o coronel Abel Hipólito puxou para si os galões da vitória que eram de Baptista Coelho.........

 

alfredo bapptista coelho 2

devida vénia Arquivo Histórico Ultramarino

 

 

 

'' No Parlamento: coronel Baptista Coelho o é na pasta das Colónias - the rigth man in the rigiht place - porque, magistrado íntegro, conhecendo há longo tempo toda a engrenagem do sou Ministério, superior às tricas da baixa política, o seu culto fervoroso pela obra de Sidónio País, a sua identificação com a República nova, só são excedidos pelo seu culto pela. lei, pela sua identificação com a idea da justiça.''' (1919)

 

mn

ver Memórias de Gonçalo Pimenta de Castro

 



publicado por porabrantes às 13:43 | link do post | comentar

honra e glória

Um dos soldados mais medalhados que saiu do RI2 era um moçambicano que se cobriu de glória em Angola

imagem do colega  Ultramarhttp://ultramar.terraweb.

que aqui detalha o batalhão abrantino que se bateu na campanha de África.

mn



publicado por porabrantes às 13:30 | link do post | comentar

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Foto autografada do Sr.Professor Oliveira Salazar para oferecer ao palhaço italiano Benito Mussolini.

Como o penduraram numa corda em Milão (foi Sandro Pertini), o insigne estadista não mandou a oferta.

Devida vénia ao Núcleo de Estudos Oliveira Salazar.

ma


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Sábado, 23 de Março de 2019

O grande diário francès ''Canard enchainé'' mete em ridículo Portugal, transformado em colónia chinesa.

canard

 

Assim anda o prestígio da colónia.

Quarta-Feira 20 de Março

Também goza com Macron que coitadinho não pode, nem ele, nem Madame Sarcozy almoçar no Fouquet's porque a cólera dos ''gilets'' lhe deitou fogo.

fouquets

mn

 



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palmela

palmella

palmella 3

 

Palmela prepara a invasão  liberal e refere-se aos soldados e milicianos absolutistas que se agrupam em torno ao Infante Carlos Isidro de Borbón, em Abrantes.

Palmerston é Ministro dos Estrangeiros da coroa de Saint James e Palmela o grande diplomata ao serviço de D. Pedro, o chefe da conspiração liberal.

Em 1832, D.Pedro desembarca no Porto, com apoio (discreto) britânico

Sobre Palmerston -um grande texto de Marx (em espanhol)

mn

 

in  Despachos e  Correspondências do duque de Palmela, coligidos por J.J. dos Reis e Vasconcelos, Tomo IV. Lisboa, Imprensa Nacional, 1878

 

 

 

 



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https://observador.pt/opiniao/o-meu-amigo-augusto-cid/ por  Alexandre Patrício Gouveia 



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burrinhos s. miguel

 



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Sexta-feira, 22 de Março de 2019

O-Pequeno-Almoco-do-Sargento-Beauchamp

pileca

cigano rst

Aletheia Editores, 2008

 

Parte da acção do romance de Vasco da Graça Moura passa-se em Abrantes, durante as invasões francesas.

mn

 

 



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Outubro 1871.

– Deixai vir ter comigo as crianças, abençoadas são elas! elas sabem muitos segredos que os sábios ignoram.

Parece que ultimamente o clero não tem esta consoladora ideia de Jesus. O Sr.Encomendado de Santos-o-Velho, no dia de Finados, depois da missa conventual, paramentado, sobre o degrau do altar, voltou-se para o povo, e repreendeu as mães que levavam consigo as crianças à missa! E aí estão enfim as crianças expulsas da Igreja, não podendo ao menos ir uma vez por semana erguer as suas pequeninas mãos para

Aquele que foi outrora, nas sombras da Galileia, o seu amigo imortal!

Respeitamos profundamente esta opinião católica do Sr. Encomendado de Santos-o-Velho. sem dúvida mais moral que as mães levem seus filhos à taberna, e lhes ensinem cuidadosamente – mostrando-lhes, em lugar de uma cruz, uma navalha de ponta – esta máxima salutar: esfaquiai-vos uns aos outros! Assim se formam os justos. E seria mesmo conveniente que a opinião do Sr. Encomendado tivesse uma realização prática: que houvesse na Igreja, para as crianças, a mesma polícia que há para os cães: e que, ao lado do respeitável funcionário enxota-cães, se perfilasse do outro lado da porta o meritório empregado enxota-crianças. E o culto alcançaria, definitivamente limpo do ladrar dos cães e do chorar das crianças – o mais alto grau de pureza.

Realmente as crianças que choram à missa cometem um desacato. Segundo afirma a teologia casuística, os manuais de inquisidores, as dissertações dos dominicanos,

(Chicotes, Lanternas, Fustigações, são os títulos destes livros pios) e ainda segundo as profundas obras de Nieder, Sprenger, Spina e Bodin, o ilustre legista de Angers, as crianças trazem dentro de si o demónio, e quando choram nas igrejas é porque Satanás pretende insultar o culto e o sacerdote. De sorte que o Sr. Encomendado de Santos-o-Velho ainda nos parece tolerante; porque deveria talvez, com a sua autoridade de sacerdote e de teólogo, ordenar às mães que quando à missa as criancinhas lhes chorem ao peito – imediatamente lhes esmaguem as cabeças no lajedo, para abafar a voz do

Maligno!

O Sr. Encomendado referia-se apenas às crianças pobres. Às crianças ricas não imporia ele, sacerdote de Jesus, esse aristocrático mestre, uma exclusão irrespeitosa. – E essas mães pobres podem talvez dizer-nos:

Que são pobres; que não têm quem lhes fique em casa a tomar conta dos filhos;

Jesus, quando não sofria ainda aquela áspera melancolia que lhe deu mais tarde a presença de Jerusalém branca e dura, era um meigo rabi, que percorria perpetuamente, no infinito enlevo do seu sonho, a sua tranquila e humana Galileia, ora a pé, ora num desses pequenos burros que têm os olhos tão grandes e tão doces e que vêm da alta Síria. Entrava nas sinagogas; e, comentando os velhos papiros da lei, ensinava o Deus novo. Parava nos casais, sentava-se às portas, sobre os bancos encanastrados de vime, debaixo dos sicômoros. As mulheres davam-lhe mel, vinho de Safed, e diziam: – «fala, rabi, fala!» As crianças tomavam-lhe as mãos, ou puxando-lhe pelas compridas pontas do seu couffie, amarrado por uma corda da pele de camelo, queriam ver o fundo dos seus olhos. Os discípulos afastavam as crianças. Mas o Mestre murmurava sorrindo: que os não querem deixar sós no berço, chorando no isolamento, ou, se são mais crescidos, ao pé do lume, arriscados ainda a caírem, a ferirem-se, a virem para a rua, a serem atropelados; que enfim não se querem separar deles, e que, como são pobres, sem pão farto, desgraçadas neste mundo, só lhes resta na Igreja o sonho consolador de um

Céu que repara! Isto é talvez assim (ainda que se percebe que estas razões são inspiradas por Satanás). – Mas também é verdade que os Srs. Encomendados não podem ser interrompidos na sua missa pelas crianças que rabujam, e que se torna de toda a justiça que sejam excluídas da Igreja, como perturbadoras da ordem, da decência e do respeito – as mães que ousem vir rezar com o seu filho ao colo!

Pobres pequenos! consolai-vos! Jesus, o vosso amigo, também não é mais feliz: há muitos séculos que ele procura erguer a pedra do seu túmulo – e há muitos séculos que o seu clero carrega na pedra para baixo!''

 

Eça de Queiroz, in Uma Campanha Alegre

 


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