Domingo, 21 de Fevereiro de 2021

''Todos aqueles que pensaram que nós éramos um bando de mestiços a colonizar negros, que tirem a lição. Todos os anti--mestiços do mundo que fiquem claros. Não é a cor do homem que conta. É a sua ideologia, é a sua vontade de fazer marchar a História, é a sua posição face à História e face aos factos. O povo de Cabo Verde é, na realidade, um povo mestiço. Um povo mestiço no aspeto biológico, resultante do cruzamento de raças. É um povo e um povo como qualquer outro. Com
a sua cultura, com o seu perfil psicológico próprio. É como tal
que nos afirmamos. Àqueles que defendem a “autenticidade das raças”, digo-lhes só uma coisa: que tomem cuidado, porque isso ia levando a
Humanidade à hecatombe.''

Aristides Pereira

Aristide Pereira detail DF-SC-84-10021.jpg



publicado por porabrantes às 21:32 | link do post | comentar

 

 

 

''E esta semana partiu este irmão, Marcelino da Mata, português, africano, nasceu em África, na Guiné, é o português mais condecorado na nossa história , mas que nos últimos anos foi muito mal tratado, e até esta semana como há que gente, infiltrada dentro do governo, que não há outra palavra para explicar, que tem a coragem de dizer, ofende-nos a nós, ofende-nos ao ver os nossos combatentes, ofende os filhos que dos que sofreram,  (...) como é que há políticos que não fizeram nada, não têm experiência nenhuma,  a julgar um homem que foi de uma só vez libertar com outros africanos, soldados, correu todos os riscos, estavam prisioneiros, lá em África e esses homens, que ele foi de noite libertá-los,  mas sobretudo para nós que vivemos aqui,   

Marcelino era um português a tempo inteiro. Amou Portugal. Como é que há gente da nossa época, (...)vendida a interesses internacionais, que sacrificam todos os valores  dum povo, é que a alma não podemos calar e temos de dizer aos combatentes (...) há períodos na história para os heróis que são terríveis,  (...)'' 

marcelino.jpg

 

Our Lady of Fatima Kingston, Canadá 



publicado por porabrantes às 20:49 | link do post | comentar

A PIDE no.jpg

O livro (2017) da académica espanhola Maria José Tíscar relata como um aspirante miliciano do RI2 em 1957, António Fragoso Allas ingressa na PIDE e se tornará num dos agentes secretos mais importantes dos serviços  lusos, no cenário africano.

Allas chegou a ser Conselheiro da Embaixada espanhola no Zaire, uma cobertura acordada entre Lisboa, Madrid e Mobutu para desempenhar missões diplomáticas clandestinas cruciais.

Tendo actuado na Guiné, Angola e Moçambique, colaborou na formação das unidades indígenas, tratou de operações de infiltração nos movimentos nacionalistas, colaborou com Spínola na Operação Mar Verde.

Depois do 25 de Abril, passou à Rodésia, onde desempenhou actividades ''privadas''.

Um grande livro.  



publicado por porabrantes às 11:09 | link do post | comentar

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publicado por porabrantes às 09:06 | link do post | comentar

Com as últimas conquistas no território algarvio em 1253 e a consequente estabilização política do país, o rio Tejo assumia, enquanto eixo de comunicações, uma importância crescente. Este facto acentuou-se pela circunstância de Lisboa se ter tornado a capital do Reino e a sua  principal potência  económica. Dom Dinis ao promover as obras do Tejo e o seu sistema adjuvante, fundou Salva­terra de Magos e Muge, incrementando de alguma forma as navega­ções fluviais, facto a que não deixará de ser alheio  o surto da capital lisbo­nense (1).

 

Dos portos do médio Tejo, San­tarém, Abrantes e Punhete (2) eram sem dúvida os mais importantes. O sal, o peixe (seco, salgado, fumado ou fresco) e os panos, além de outros produtos de uso menos frequente, eram as mercadorias que subiam o Tejo desde Lisboa até aqueles por­tos. Para a capital transportavam-se madeiras, azeite, vinho, coiros, mel, cera, ferro e mesmo peixe do rio (sável, azevias, lampreias) (3).

No ano de 1552, de 1490 barcos de navegação fluvial que existiam em Lisboa e nos restantes portos do Tejo, 180 pertenciam a Abrantes (100 eram de carreira e 80 andavam na pesca), 100 a Tancos, 120 a Punhete, Asseiceira e Carvoeira e 100 a San­tarém, que constituíam os principais portos do Tejo (4).

Os produtos transportados seri­am sensivelmente os mesmos do século anterior com uma novidade: a grande quantidade de melões provenientes das lezírias de Santarém e de Abrantes (5). O vi­nho que chegava a Lisboa por via flu­vial, pelo que se depreende do «Pranto de Maria Parda», deveria ter muita importância e tomava o nome dos portos de embar­que Santarém: Abrantes e Punhete (6).

A raiz de todo o desenvolvimento de Punhete esteve sempre, estou cien­te, na sua privilegi­ada posição estraté­gica. Sabe-se, foi objecto de abundan­te legislação régia, sendo de referir que por alvará de D. Pedro I, Punhete era ponto obrigatório de embarque de to­das as mercadorias daquela zona que se destinassem a Lis­boa (7).

Abundante legislação se pode encontrar em seu favor, e mesmo con­tra. Por exemplo, numa carta do rei D. Pedro I, dada em 13 de Abril de 1358 (era de 1396), o monarca, conside­rando que a vila de Santarém, «he huu dos boons e dos mjlhoores lugares do meu senhorio», e estava des­povoada de «companhas» e de mais coisas necessárias para o serviço ré­gio, resolve atalhar a essas carênci­as. O lugar de Punhete era um porto activo, o que causava prejuízo ao crescimento populacional de Santa­rém. Por tal motivo o rei ordena­va: 1) «que nenhuas barca nom pa­sem de santarem pera cima com nenhuas mercadorias saluo com panos e com al que comprir pera mantijmento daqueles que esse mantijmento leuarem pera ssy ou pera outrem» (8)

Num docu­mento encontrado na Chancelaria de D. João I tem-se notícia da atenção da Dinastia de Avis dispensada a Punhete, então Lugar. Veríssimo Serrão dá-nos a conhe­cer uma carta do monarca, dada a 23 de Agosto de 1390 a Afonso Pires, Juiz em Abrantes: «…Sabede que os homes boons e poboradores de punhett nos enviaron dizer antigamente que a memoria  dos homes non era em con­trario per seus pri­vilégios e seu foral que lhes foi dado… pelos rex os que antes nos foram E outrosy per  nos atee o tempo dora ouveram seus juízes e jurdiçam no dicto loguo de todollos feitos crimes…»(9).

Num relatório do espião castelhano Rui Dias de Vega ao rei Dom Fernando I de Aragão em 1415, este faz saber  a Castela dos preparativos que em Portugal se faziam paraaconquista de Ceuta»: «(—) El Prior et los maestres mandan fazer sendas geleotas de sessenta rremos cada uma, salvo el maestre de Santyago. Et fazenlas en el ryo de Sesar, que es cerca de Punhete, et entra en Tajo aquel rio a syete leguas de Santarem (…)». (10)

Punhete, no início do século XVI, a recordar tempos passados, mantinha-se próspera, e continuava a atrair a atenção régia. Em Outubro de 1505, aquando da deslocação de D. Manuel I, de Lisboa para Almeirim, por motivos da peste, parte da sua comitiva instalou-se ali; mais con­cretamente, a 12 de Maio de 1507, quando se assentou a cisa dos vinhos de Lisboa, a corte encontrava-se em Punhete (11).

No ano de 1571, Dom Sebastião concede a Punhete «que seja vila»declarando-se no respectivo docu­mento que no dito lugar já havia «casa e audiencia da camara e cadea e pelourinho com suas argolas e cepo e açougue» (12).

A Casa dos Sandes, senhores e alcaides do burgo e donos de quase todo o comércio no século XVI, crescera e atin­gira um desenvolvimento tal que, em 1620, o filho de D. João, o Dou­tor Francisco de Sande, já instituía, «com cabeça na sua casa da Torre e da Amoreira», o morgado de Punhete. (13)

José Luz

(Constância)

  1. Finisterra, Centro de Estudos Geográficos, Universidade de Lisboa.
  2. Decreto de 7 de Dezembro de 1836.
  3. Documentos para a História da cidade de Lisboa. Vide nota (1).
  4. João Brandão, «Tratado da magestade, grandeza e abastança da cidade de Lisboa, na segunda metade do século XVI (estatística de Lisboa de 1552)», publicado por Braancamp Freire, com notas de Gomes de Brito, Lisboam, 1923.
  5. Vide nota (4).
  6. Gil Vicente, «O Pranto de Maria Parda».
  7. Oliveira Marques, «Introdução à História da Agricultura em Portugal», 1968.
  8. Chancelaria de Dom Pedro I, Instituto Nacional de Investigação Científica, Lisboa, 1984.
  9. Chartularium Universitatis citado em apontamentos inéditos editados em policópia pelo Centro Internacional de Estudos Camonianos da Associação da Casa-Memória de Camões em Constância, então Associação Para a Reconstrução e Instalação da Casa-Memória de Camões em Constância, de autoria do saudoso Professor Doutor Veríssimo Serrão, Julho de 1991.
  10. Arquivo da Coroa de Aragão, «Cartas Reales», in Monumenta Henricina. Vide nota (9).
  11. Vide nota (9)
  12. A.N.T.T., Chancelaria de Dom Sebastião, Privilégios, citada em «Casa de Camões em Constância, maria Clara Pereira da Costa 1977.
  13. A.N.T.T., Registos  vinculares, Santarém, nº 21, vide nota (12).

 

 

 

 


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