Quarta-feira, 14 de Julho de 2021

Dizem existir nas obras de Paula Rego uma história a ser contada, o suspense, para lá da obra em si – origjnal – que lhe serve de inspiração. As histórias alimentam-na e ela alimenta-as, por sua vez.  Ainda que de forma efémera e subtil, o poder da arte está presente nas criações artísticas, com as suas influências no ser humano.

Capa do catálogo da XI Exposição Primavera, da «Galeria de Constância», 1991.

A criadora Paula Rego, é sabido, tem-se inspirado desde cedo, na literatura oral ou escrita, nas artes pictórica, musical ou mesmo cinematográficas. Em 1990 aceitou ser a primeira artista associada da «National Gallery» londrina.

No ano anterior  a esta sua ascensão esteve exposta na «Galeria de Constância» de boa memória, a sua obra «Ring-a-Ring o’Roses (1989). As imagens, fortemente desenhadas integram o portefólio ‎‎de «Rimas ‎‎do berçário» decorrente dos desenhos que Paula Rego criou para o segundo aniversário da sua neta Carmen.

As rimas inspiradoras…

«Ring a Ring O’ Roses,
A pocketful of posies,
Atishoo! Atishoo!
We all fall down!»

Traduzindo

Ring-a-ring o’Roses

Um bolso cheio de «posies»

A-tishoo! A-tishoo

Todos nós caímos (1)

Acredita-se que esta rima foi uma paródia macabra alusiva à Grande Peste que varreu as Ilhas Britânicas em 1665.

Segundo o sumário da obra «Ring-a-Ring o’Roses (1989)», a autora já em pequena terá sentido um prazer especial em ver as gravuras de Gustave Doré, do «Inferno» de Dante…

''Ring O’ Roses''1( 1989) de Paula Rego, exposto  na «Galeria de Constância» em 1991.

Existem pelo menos três versões diferentes da música para «Ring a Ring o’ Roses». Todas elas construídas numa lógica de quadratura simples, de roda. Melodias simples, assim como letras fáceis e padrões silábicos, ajudam a música a ficar na nossa mente. A imagem daquele quadro também ficou na minha mente, desde o primeiro momento…

A sua autora continua ainda hoje a suscitar tanto a admiração quanto o embaraço.

Desde a sua primeira exposição em Lisboa nos anos 60 na Sociedade Nacional de Belas Artes que se encontram presentes nas suas criações, de forma subjacente, leia-se, alguns princípios de que serão exemplos: desmontar jogos de poder, denunciar o autoritarismo dos políticos, a hipocrisia, expor o sofrimento no amor e a sexualidade encapotada, exaltar o poder feminino, entre outros.

«Se tivesse ficado em Portugal possivelmente teria sido uma bêbada profissional» (sendo homem, claro, teria sido um bêbado importante). Palavras que Paula Rego «desenhou» ´para uma entrevista a Livingstone, então comissário da retrospectiva realizada no Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia, em 2007. Eu acrescentaria até: se tivesse ficado em Portugal e em particular na vila de Constância, onde expôs em 1991 a sua dança macabra, a autora teria sido uma autarca ou, quiçá, consultora cultural municipal.

Ocorre-me aqui citar bem a jeito, algumas sentenças escritas pela saudosa amiga, Manuela de Azevedo, fundadora da Associação da Casa de Camões. (2009), cuja divulgação devemos ao Museu Nacional da Imprensa em particular. É assim que, sem meias palavras e de forma assertiva, a antiga escritora e jornalista, dizendo o que lhe vai na alma sobre a actualidade política da vila de Constância, diz também muito do que é a visão limitada e por vezes corporativa dos meios pequenos em que vigora com alguma facilidade o caciquismo tradicional. Razões de uma outra grande mulher que, ao invés de ter sido acolhida por um país estrangeiro, persistiu em ficar por cá…

Oiçamos:

«O programa cultural da Casa de Camões em Constância merecia que as duras turbulências políticas dos últimos anos o não atingissem. Todavia sempre vai havendo verba para festivais de música «pop», a que ocorrem milhares de festivaleiros, fortalecendo o que de mais minimizante possui a cultura de um povo deixando sem resposta a boa vontade do esforço de quem tenta que Portugal suba a par do conceito das nações civilizadas. Na verdade, valham-nos os cérebros portugueses que no estrangeiro sobem ao grau de classificação dos primeiros».  

Não sabemos se a nossa fundadora estaria a citar a Paula, mas pode depreender-se que não a excluiria do seu pensamento, por certo. A «Galeria de Constância» ficava mesmo ali ao lado da Casa-Memória.  A obra de Paula Rego esteve exposta na Primavera de 1991.  Tratou-se de mais uma exposição colectiva, em que participaram ainda: Cruzeiro Seixas, Raúl Perez, Sérgio Telles, Augusto Barros, Lucília Moita e Santos Lapa. A década de 90 foi uma espécie de período dourado cultural, em que estiveram muito activos quer a «Galeria de Constância» de José Ramôa Ferreira, quer o Centro Internacional de Estudos Camonianos. Foi também a década da emergência e explosão da comunicação social local.

Imagem parcial da vila de Constância, por Ricardo Escada.

Manuela de Azevedo, já no final da sua vida activa cultural, continuava a sonhar com uma comissão de especialistas e mecenas, «capaz de transformar a formosa Constância num grande centro de estudos e turismo como o é hoje Stratford-upon-Avon capaz de envergonhar uma senhora da actual Direcção da Associação da Casa-Memória ao dizer que esta é uma obra do 25 de Abril…». 2009 !

Hoje (!) como ontem, sempre podemos cantar, dançando, para evitar as pragas…

«Ring a Ring O’ Roses,
A pocketful of posies,
Atishoo! Atishoo!
We all fall down!»

José Luz

(Constância)

José Luz

(Constância)

PS – Não uso o dito AOLP.  A Fundação Mário Soares capturou no seu início, a vários bancos, as verbas que poderiam ter sido destinadas à futura Fundação da Casa-Memória de Camões (revelação de M.A nas suas memórias). O conceito cultural e turístico que existe na Casa-museu de Shakespeare, gerida por uma sociedade, foi discutido na associação de Constância por diversas vezes.  Infelizmente, os intentos da Manuela de Azevedo e de outros membros dos órgãos sociais, de se criar um conceito local semelhante para Camões, não chegaram a ser realizados nunca. A Manuela foi substituída e outros já se afastaram, de cansaço. Não há cultura colaborativa. Sem predisposição pessoal para a inovação, nunca haverá mudança.  Nem com influências dominantes ao sabor dos partidos políticos. A cultura não pode estar ao serviço das ideologias. Esse erro paga-se caro.

(1) Há quem afirme que a rima do berçário ‘Ring-a-ring-o’-roses’ é sobre a praga londrina de 1665:

-As “rosas” são as manchas vermelhas na pele.

-Os “posies” são as flores que as pessoas carregavam para tentar afastar a praga.

-“Atishoo” refere-se aos ataques de espirro de pessoas com peste pneumónica.

-“Todos nós caímos” refere-se a pessoas morrendo.

 

 

 


publicado por porabrantes às 20:20 | link do post | comentar


Transcreve-se com a devida vénia, o artigo do dr.Vasco Damas, candidato à autarquia pela Alternativa Com. E sublinha-se que tem toda a razão, as palavras ditas, e a forma como as disse, sobre o dr José Rafael Nascimento, são inqualificáveis....    

 

 

OPINIÃO

por Vasco Damas | 14 de julho de 2021



EM DEFESA DA VERDADE, DA TRANSPARÊNCIA E DA HIGIENE DEMOCRÁTICA



Confesso a minha ingenuidade quando me lancei nesta cruzada em novembro de 2019. Acreditava que estava a contribuir para construir a Alternativa que Abrantes precisava. De facto, Abrantes precisava. De facto, Abrantes precisa, e, apesar de tudo, passado este tempo, tenho a certeza de que Abrantes merece.



Apesar da ingenuidade, estava consciente das dificuldades. Mas volto a confessar que não estava preparado para os obstáculos artificiais, construídos com base na má formação e na baixeza de carácter de algumas personagens da democracia local. As ameaças, as pressões e os condicionamentos, provam a falta de qualidade da têmpera dessas personagens, mas, a verdade mostra-me que cedo me preparei para esta realidade quando afirmei que o grande desafio estava em manter a coerência da minha essência, não me deixando contagiar pelo pior dos outros.



Apesar da minha educação e da forma como tenho mantido a elevação na discussão dos assuntos, há limites que, depois de ultrapassados, não posso continuar a tolerar nem a manter sob silêncio.



O episódio de ontem na reunião da Câmara Municipal de Abrantes, que acabou por ser a repetição requentada de vários episódios anteriores, ultrapassou todos os limites do aceitável quando colocou em causa o bom nome de um elemento da minha equipa. Se há alguém que merece respeito e um agradecimento pelos bons exemplos de cidadania ativa e participativa, é o José Rafael Nascimento. Eu sei que as suas interpelações são incómodas, mas elas são algo perfeitamente normal e aceitável em democracias maduras. Tudo aquilo que Abrantes já provou ainda não ser.



Mas Abrantes não tem culpa. A culpa é daqueles que se dizem democratas, mas que não aceitam a democracia se as coisas não forem feitas à sua maneira. Parece-me que fica tudo dito quando um vereador da oposição(?!), com o alto patrocínio do presidente (com letra minúscula) do município, elege como alvo preferencial um movimento que, apesar de não ter ainda elementos eleitos nos vários órgãos da democracia local, tem feito mais por Abrantes do que aquilo que esse alguém alguma vez fará em cem vidas que tenha para viver. Não porque não queira, mas porque não tem, nem nunca terá, um décimo da qualidade daquilo que o movimento ALTERNATIVAcom já mostrou e já produziu em vinte meses de trabalho.



Vasco Damas

Movimento ALTERNATIVAcom



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O episódio referido pode ser escutado aqui: https://drive.google.com/.../1hsrFVKCviqCT2XSTSzw.../view...



publicado por porabrantes às 14:42 | link do post | comentar

O Município na sua famosa acção de embelezar a cidade com árvores, vai cortar esta tília do Jardim da República. Curiosamente não levou ontem o assunto à sessão. Naturalmente seria despropositado consultar os Vereadores oposicionistas sobre isto. A terra (e os jardins) não são deles, são dos caciques

Puede ser una imagen de al aire libre y árbol


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publicado por porabrantes às 10:01 | link do post | comentar

''Não se trabalhou ao almoço, conta fonte do sector. “Foi um momento de descompressão, muitos entornaram-se. Até porque alguns ministros, pouco habituados a beber vinho ao almoço, beberam (e bem). Com o calor e o teor alcoólico dos bons vinhos portugueses que foram servidos... fazia-se a festa.” Num momento caricato, relatado ao NOVO, o ministro da Letónia, Kaspars Gerhards

2.jpg

( o alegre Kaspars à esquerda)

chegou a discursar em letão, sem direito a tradução, e teve direito na mesma a uma salva de palmas. ''

 

 

Isto decorreu durante uma caríssima almoçarada dada pela cacique aos colegas europeus

contenção.png

 


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publicado por porabrantes às 09:49 | link do post | comentar

conego guiherme.png

O dilecto amigo do reverendo das seringas, grande benemérito da Cabeça Gorda, metido até ao pescoço na história das acções da SAD benfiquista que levou à cadeia o Vieira.

Um patriota capaz de vender o Benfica aos chineses, que teve o Costa como nº1 na Comissão de Honra.

Não sabemos se o reverendo está neste momento a organizar uma campanha de mi$$as para levar a CNVM a deixar vender o ''Glorioso''  ao primeiro comuna amarelo que por aí apareça, com uma pasta cheia de dólares.

Esta gente até era capaz de vender a Nossa Senhora de Fátima (a última coisa que resta para vender em Portugal) a Pequim.

Enquanto isso, na Cidade do Santo Nome de Deus de Macau, só as listas apresentadas pelo PCC foram autorizadas a ir às urnas, sendo Portugal garante dos direitos democráticos dos macaenses.

Certamente para não complicar a coisa e não enxofrar o ditador , Marcelo e o MNE estão calados!!!!!

Charlie Hebdo publica caricatura de Xi Jinping con un pangolín en la cama

   



publicado por porabrantes às 07:23 | link do post | comentar

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