Sábado, 2 de Outubro de 2021

Arquivando apontamentos sai isto:

1243 história de s.domingos.JPG

Ou de como o erudito Frei Bento da Cruz conta como usaram o Santissímo Senhor Jesus do Capítulo, que agora está em S.João, para debelar a pandemia (peste de 1598).

E que o Senhor Jesus foi escolhido por sorteio, entre 20 santos que havia na Igreja, como Advogado contra a peste.

E a debelou.

E depois fundaram a Confraria do mesmo nome, em S.Domingos.

Eduardo Campos anota que o frade escreveu a ''História do Convento de S.Domingos'', que jaz inédita na Torre do Tombo e da qual o malogrado Historiador preparava edição crítica e donde extrai o texto.

Se o Eduardo a completou, urgia que a autarquia diligenciasse junto da família para que ela saísse impressa, porque diz EC que é a mais completa história do cenóbio que existiu.

Também anota que um conhecido ignorante tentou chamar plagiador ao frade, ''insinuando'' que ele copiara Frei Luís de Sousa. O mesmo descarado que chamou plagiador a Diogo Oleiro.

Não tenho anotação da origem e data do texto do EC, mas deve ser a Nova Aliança.

Agradeço ao Paulo Falcão Tavares, que tratou do frade na sua monografia sobre o convento, ter-nos facultado o texto.

mn 

      

 



publicado por porabrantes às 18:45 | link do post | comentar

Escritor e humanista Sam Levy
esquecido em Constância
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Escritor e humanista Sam Levy (1912-1997)
 
 
A instalação de órgãos autárquicos anunciada para o "auditório da Casa de Camões" vem levantar duas questões oportunas. Por um lado, o aproveitamento político da associação (não bastava a câmara, como também, agora, a Junta de Freguesia, sócia feita à pressa em cima das recentes eleições autárquicas...) e, por outro lado, a omissão do nome do escritor Sam Levy, benemérito da associação, omissão que começa a ser prática e que nos deve preocupar a todos.
Sobre a colagem dos autarcas socialistas ao trabalho e património da Casa de Camões já muito se escreveu. Quem quiser entender, que entenda. A estratégia já vem do tempo de Jorge Lacão e está agora a colher os seus frutos... após o desaparecimento da fundadora e grande obreira, a escritora e jornalista Manuela de Azevedo.
De Sam Levy, deixem-me "roubar" um citação que lhe é atribuída por DaCosta e que respeita ao grande Camões: "Poucos homens tiveram a cultura de Camões, ele é um dos maiores génios da humanidade. Dominava a história, a mitologia, o cristianismo, o islamismo, a bíblia, o Corão, a geografia, atingindo uma sabedoria invulgar".
Este amor camoniano do antigo presidente honorário da Comunidade Judaica em Portugal ficou registado na vila de Constância, quando se pretendeu perpetuar o nome do escritor na própria sede da Casa do Vate.
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Casa-Memória de Camões em Constância cujo auditório tem atribuído o nome do escritor e humanista Sam Levy.
 
Na verdade, o auditório da associação tem o seu nome, Sam Levy e é propriedade da Casa-Memória de Camões em Constância. Isto serve para avivar a memória dos autarcas que desconhecem a nossa história local.
Uma das edições dos fóruns camonianos, do Centro Internacional de Estudos Camonianos, em Constância.
 
Sam Levy, personalidade que tive a honra de conhecer, extremamente culto e simpático, traduziu "Os Lusíadas" para francês numa edição criteriosa, prefaciada pelo meu saudoso amigo Professor Doutor Justino Mendes de Almeida.
É também o tradutor de hebraico para português do "Cântico dos Cânticos".
Embora o seu nome esteja a ser apagado na memória local, será por mim sempre lembrado.
Não posso esquecer este grande amigo e benemérito da Associação da Casa-Memória de Camões em Constância.
Jamais!
José Saramago, por exemplo, nos "Cadernos de Lanzarote",  reconheceu ter entrado nos meandros da mentalidade judaica com a ajuda de "acertos psicológicos" de Sam Levi por quem tinha estima e consideração.  Digo isto porque ajuda a perceber que é um erro apagar da nossa memória local o nome de Sam Levi.  Não podemos ser ingratos nem ignorantes.
Aquando do VI fórum promovido pelo Centro Internacional de Estudos Camonianos (2000?), debaixo do tema
"Os mares de Camões", Justino Mendes de Almeida  realçou na altura os méritos literários de Sam Levy,  associando-se à homenagem de então a este ilustre escritor. dando  a conhecer na ocasião, as palavras que escolheu para o prefácio da edição de "Os Lusíadas"  cuja tradução criteriosa Sam Levi iniciara havia mais de uma década.
 Sam Levy  levou a cabo uma criteriosa tradução da nossa epopeia, para francês, respeitando os decassílabos e o seu classicismo, numa edição prefaciada pelo Prof. Justino Mendes de Almeida.  Traduziu ainda do hebraico para português o célebre "Cântico dos Cânticos", com prefácio de David-Mourão Ferreira  e ilustrações de António Duarte e de Lima de Freitas, numa edição de Lyon de Castro.  Num artigo do
ABC, edição internacional, sob o título "Los judíos ilustres de Portugal", de 25  de Janeiro de 2014, destacava-se então:
Sam Levy, figura ilustre de Lisboa que tradujo para el francés la epopeya de Camões y fundó el Lionismo en la Península Ibérica".
No dia em que Maluda convenceu Amália a irem a casa de Sam Levy comprar tapetes persas, foram as duas a pé de São Bento à Rua Castilho onde forem recebidas como princesas. Amália quis perceber o interesse da tradução de "Os Lusíadas", conta DaCosta. Levy respondeu sobre a necessidade de "entender Camões". Sabia português arcaico. Começara desde criança a falar português e espanhol, dito ladino. A sua família havia sido expulsa por Dom Manuel I. Sam Levy nasceu mesmo em Esmirna, na Turquia. Viveu em Marselha (França), em Espanha, esteve em Milão onde colaborou com o Cônsul honorário para salvar judeus durante a II Guerra Mundial. 
É considerado um humanista pela crítica literária. 
Foi condecorado por diversas vezes pela Cruz Vermelha Portuguesa. Fundou o movimento Lyon. Tem o título de Cavaleiro da Ordem de Mérito francesa. Foi condecorado pela Universidade Autónoma Luís de Camões.
Só a título de exemplos.
Tive o prazer de o conhecer e de o entrevistar. Quantas vezes não conversámos sobre os temas camonianos. Também conheci o seu filho André.
Sam Levy foi um grande impulsionador e benemérito da nossa Associação da Casa-Memória de Camões em Constância.
Fico especialmente triste e indignado quando vejo o seu nome esquecido.
 
 
José Luz (Constância)
PS- não uso o dito AOLP.


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