Domingo, 6 de Dezembro de 2009

Que destino a dar ao edificado do antigo Convento de S. Domingos?

Plataforma cívica de apoio à salvaguarda e valorização do local histórico do antigo Convento das Donas em Santarém

Declaração de princípios

Os cidadãos de Santarém, abaixo identificados, constituíram-se em plataforma cívica de apoio à salvaguarda e valorização do local do antigo Convento de S. Domingos das Donas de Santarém, após tomarem conhecimento de um documento distribuído aos senhores deputados municipais na sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Santarém, reunida no dia 18 de Dezembro de 2008, nas instalações do Governo Civil.

Na referida sessão da A. Municipal, foi aprovada a minuta do contrato-promessa em que a Câmara de Santarém se comprometeu a comprar à empresa Estamo, Participações Imobiliárias, S.A., os quartéis de S. Francisco (ex-EPC) e das Donas (PSP) respectivamente, e mais dois terrenos.

No mencionado documento distribuído e de apoio à tomada de decisão dos senhores deputados municipais, é defendido no seu Artigo 6º, sobre o Quartel das Donas, que “…o objectivo é a sua a demolição…”.
Como é do conhecimento público as antigas instalações do Convento das Donas, estão a ser usufruídas desde 1975 pelos serviços da PSP, da nossa cidade.

Os argumentos do autor do documento são de que se trata de “…um edifício do século passado, sem qualquer relevância arquitectónica, já muito adulterado…,…completamente desajustado à malha urbana, sendo um obstáculo ao seu desenvolvimento natural, por isso o objectivo é a sua demolição, de forma a desanuviar o estrangulamento no jardim da liberdade, e permitir o remate da malha urbana.
As futuras construções deverão criar as condições necessárias à manutenção do quartel da PSP.”

Entendemos que, tal como a aquisição do terreno e dos edifícios do Quartel da ex-EPC, com ocupação conventual desde o século XIII, não é argumento para a sua destruição pura e simples, também o edificado num outro local, da mesma época com contornos arquitectónicos notórios e espaços históricos, inserido no perímetro definido como centro histórico, como é o caso do Quartel das Donas, deverá ter uma avaliação semelhante.

O Convento das Donas, quer se queira ou quer não, é um marco da história de Santarém, representando um dos raros conventos femininos aqui construídos.
Se deixar de existir o presente edifício, apaga-se também mais um pouco da memória de Santarém, já tão mal tratada. O edifício actual descaracterizado ou não, bonito ou não, é o que de mais próximo temos dessa memória.
Se criticamos os erros cometidos nos séculos XIX e XX, à luz do que sabemos hoje é cometer um erro, no mínimo grosseiro e injustificável.

A plataforma, deseja divulgar a sua acção cívica em prol da salvaguarda e valorização do local histórico, junto da comunidade da cidade e do seu concelho, de autarcas, de deputados da Assembleia da República, de responsáveis por organismos da administração central, em sessões públicas, etc.

Compõem a plataforma cívica os seguintes cidadãos: Vera Duarte (Guia – Intérprete), Luís Romão (Engenheiro), Isabel da Guia (Lic. em História), António José Monteiro (Responsável de Arquivo Histórico).

Santarém, 24 de Janeiro de 2008

 

 


Vera Duarte
(Porta-voz 912 914 118 )

 

Artigo de Sofia Meneses no Correio do Ribatejo

Em causa documento da autarquia que defende demolição do edifício

Cidadãos constituem “plataforma cívica”

Um grupo de cidadãos de Santarém constitui uma “Plataforma cívica de apoio à salvaguarda e valorização do local histórico do antigo Convento das Donas em Santarém”. A iniciativa foi desencadeada depois do grupo tomar conhecimento de um documento da autarquia, que defende a demolição daquele edifício. Documento esse distribuído aos deputados municipais na sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Santarém de 18 de Dezembro de 2008, na qual foi aprovada a minuta do contrato-promessa para a compra dos quartéis de S. Francisco (ex-Escola Prática de Cavalaria) e das Donas (quartel da PSP) e mais dois terrenos (ver Correio do Ribatejo, edição de 23 de Dezembro de 2008).
O referido documento – parecer técnico elaborado pela Divisão de Ordenamento do Território, dedica o capítulo II ao Quartel das Donas, ali caracterizado como “um edifício de meados do século passado, sem qualquer relevância arquitectónica, já muito adulterado pelas diferentes utilizações a que tem estado sujeito e que está completamente desajustado à malha urbana, sendo mesmo um obstáculo ao seu desenvolvimento natural”. Por isso, adianta, “o objectivo é a sua demolição, de forma a desanuviar o estrangulamento que provoca no jardim da liberdade, e permitir o remate da malha urbana”. Refere ainda que “as futuras construções deverão criar as condições necessárias à manutenção do quartel da PSP” que usufrui destas instalações desde 1975.
A Plataforma cívica, constituída por Vera Duarte (guia-intérprete), Luís Romão (engenheiro), Isabel da Guia (licenciada em História) e António José Monteiro (responsável de Arquivo Histórico), defende, numa declaração de princípios enviada à comunicação social, que, “tal como a aquisição do terreno e dos edifícios do Quartel da ex-EPC, com ocupação conventual desde o século XIII, não é argumento para a sua destruição pura e simples, também o edificado num outro local, da mesma época com contornos arquitectónicos notórios e espaços históricos, inserido no perímetro definido como centro histórico, como é o caso do Quartel das Donas, deverá ter uma avaliação semelhante”.
Promover debate de ideias Vera Duarte, porta-voz do grupo, adiantou ao Correio do Ribatejo que “é importante dar a conhecer o histórico do edifício para que as pessoas se sintam mais sensibilizadas para o defender”. Acrescentou que há já um grupo significativo de cidadãos preocupado com o futuro daquele património. “Apenas quatro pessoas decidiram ‘dar a cara’, mas há muitas mais que partilham das nossas ideias”, disse.
Vera Duarte realça que, embora até ao momento não tenha sido tomada qualquer medida concreta para a demolição do actual edifício da PSP, existe um parecer técnico, sobre o qual os cidadãos podem e devem pronunciar-se. “O que queremos é debater o assunto, como cidadãos que se interessam pela cidade em que vivem, porque, como cidadãos, temos não só direitos, mas também deveres.
E, o nosso dever é, dentro das nossas possibilidades, contribuir para que a cidade seja cada vez melhor e motivo de orgulho para todos”. “Marco da história de Santarém” O Convento das Donas “é um marco da história de Santarém, representando um dos raros conventos femininos aqui construídos”, sublinha a Plataforma Cívica.
“Se deixar de existir o presente edifício, apaga-se também mais um pouco da memória de Santarém, já tão mal tratada. O edifício actual, descaracterizado ou não, bonito ou não, é o que de mais próximo temos dessa memória”, lemos na declaração de princípios. O grupo pretende divulgar a sua acção cívica e intervir junto de autarcas, deputados da Assembleia da República, responsáveis por organismos da administração central, e população em geral, através de comunicados, sessões públicas e outras iniciativas que considere necessárias.

 

Textos retirados do blogue  http://valorizar-santarem.blogspot.com/2009_02_05_archive.html

 

No mesmo blogue retiramos a lista dos primeiros subscritores da petição scalabitana:

Os primeiros subscritores do abaixo-assinado são Engº. Luís Romão (Técnico do Sector Empresarial do Estado); Dra. Henriqueta Carolo (Vereadora da C.M. de Santarém); Coronel A. Garcia Correia (Provedor da Santa Casa da Misericórdia); Dra. Vera Duarte (Guia – Intérprete Oficial); Carlos Oliveira (Actor); Dra. Luísa Barbosa (Professora/Historiadora); Francisco Morgado (Fotógrafo); Fernanda Narciso (Pintora); Francisco Selqueira (Actor); Maria Elisa Figueiredo (Poetisa); Dr. Luís Rufino (Conservador/Restaurador); Dra. Eunice Marto (Técnica Superior de Turismo); António Fernandes (Técnico do Ministério da Justiça); Dra. Isabel da Guia (Administração Regional de Saúde); António Duarte (Comerciante - C.H.); António Raposo (Barbeiro); Prof. Luís Eugénio Ferreira (Aposentado); António J. Monteiro (Responsável de Arquivo Histórico).

 

Gostamos especialmente da presença do Provedor da Misericórdia de Santarém, que é um distinto oficial das Forças Armadas!!!!

 

O seu interesse reflecte não só a consciência cívica, a cultura, mas também a posição da Misericórdia local enquanto instituição influente dentro da cidade de Santarém.

No caso pessoal do Coronel estará também a memória militar porque o conjunto ameaçado faz parte da memória de Santarém como praça militar, aí estava instalada a EPC.

 

Acontece que o Provedor da Misericórdia de Abrantes também é um oficial das Forças Armadas. E a nossa benemérita Santa Casa tem uma grande projecção social, tradições históricas de defesa do Património, em especial manifestadas durante o consulado do Grande Provedor que foi Solano de Abreu.

 

Que pensa a Mesa da Misericórdia do projecto do Carrilho da Graça?

 

Que pensa o Provedor Sr. Capitão Horácio Mourão de Sousa sabendo-se que São Domingos associa a memória religiosa à memória militar?

 

Que pensa o ex-Vereador Sr. Margarido, hoje um dos homens-fortes da Santa Casa local?

 

E já agora, já pensaram retirar o Arquivo da Misericórdia do Municipal, localizado agora ao lado dumas instalações de resíduos perigosos?

 

Não devia a Misericórdia ter um Arquivo Histórico próprio como tentou organizar Fernando Velez?

Finalmente resta-nos dizer o que pensa dos velhos conventos Moita Flores: diz que são um mamarracho.

 

Começamos a pensar que o dr. Zé Noras nunca devia ter deixado de ser Presidente de Santarém. Pelo menos era um homem culto.

 

E o Moita está enganado. Mamarracho é o projecto do Carrilho....

 

Por Abrantes   

 

 

nota: fotos e textos retirados do blogue citado. Não faz falta dizer que estamos solidários com o Movimento Cívico Scalabitano.

 

   

 

 

 



publicado por porabrantes às 21:08 | link do post | comentar

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