Sexta-feira, 12.02.21

Publica-se uma evocação nostálgica do comércio perdido da vila de Constância, do amigo Zé Luz:

 

Lembram-se? Dos cartuchos? Do papel pardo (desperdício da velha reciclagem)? Eram usados nas mercearias da vila de Constância e um pouco por todo o lado.   Na vila,  podiam ser encontrados  no «João Costa», na «Mari Lopes», na «Marineta», no «Zé Rebimbas»,  no Sr Raimundo, na Drogaria do Sr Aurélio e, depois de usados, fazíamos “gatos” na escola com eles, consumidas as especiarias  que os mesmos acondicionavam.

Antiga mercearia do Isidoro Burguete nos anos 20 ou 30 do século XX, cujo edifício perdeu recentemente a sua trapeira típica e bem assim, perdeu um fresco do pintor Joaquim Santos agraciado por dois chefes de Estado. Tudo no centro histórico protegido por lei.

Nas compras,  gostava de sentir o cheiro do colorau, da pimenta, da canela,  da erva doce, eu sei lá.   Era uma verdadeira miscelânea dos sabores que emanava dos armários da Mari Lopes, ali,  a meio da Rua de São Pedro, junto à casa do O’ Neill. Eu gostava das texturas e adorava «sentir o som» do papel vegetal com que se embrulhava a marmelada.. Açúcar ao peso, era ao peso. Agora… já não há  aromas. Vem tudo embalado, selado, cerrado, escondido, aprazado e legalizado. Pronto!  Estamos integrados na União. E o sabão? Aquelas barras imensas azuis e cor-de-rosa que eram cortadas na lâmina, na medida que se pedia e queria. «Quem está a seguir, por favor?!», apelava a minha prima Lurdes, funcionária exemplar da loja do «João Costa» (lá em casa assim  se continuava a chamar a loja do primo . O pai dele,  foi um dia ao Coliseu ver a revista «O fim do Mundo» e… morreu de ataque cardíaco, não sei bem se em 1934). Os clientes eram tratados com gentileza, com fineza, em todas as lojas do burgo.  Sempre. Sim!, a vila era habitada na maioria das casas. Vivia-se a «Primavera marcelista» e depois. despontava a Revolução.  Essa foi a minha infância.  Uma infância em que o meu pai andava na guerra além mar. Mas o açúcar – as crianças adoram açúcar – era mascavado e amarelo.   As sombrinhas da Dona Beatriz, ali dependuradas na montra verde da papelaria. Os armários de parede da Mari Lopes, aqueles armários com gaveta aberta e folgada em baixo,  eram um mimo. Aquele sobrado, um espelho. O atendimento, esmerado. Até o timbre da voz da Mari Lopes era o adequado para a função (a voz é o retrato da pessoa, da sua alma) Era assim na vila. Descia-se o Arco e, lá em baixo, quase defronte da antiga mercearia do século XVIII , entrava-se na loja do «Zé Rebimdas e da mulher a Dona Mariana. O trato antigo  que dispensavam e a conta no papel pardo com a prova dos nove, o «deve e haver» cheio de páginas… esse ambiente, essa «película do tempo parado». Anteriormente havia ali, paredes meias, a loja do Zé Baptista e da mulher, a Dona Elisa, dos célebres queijinhos do céu. Mais tarde foi pronto-a-vestir. Ah! E havia a fabrica das camisas. E a Dona Teresa do «Cação»? Onde mais tarde morou o escritor Baptista Bastos, pegado com a casa onde no despontar do século tinha nascido o grande Poeta Tomaz Vieira da Cruz – olvidado localmente pela estupidez e ignorância dos homens e da inveja que sempre acompanhou os patrícios de toda a terra. Maldito pecado de Caim. O bacalhau do Natal da Dona Teresa era uma obrigação. Que maravilha!« Embrulhado à antiga».  «Vai lá à Marineta!» (a Maria Neto tinha sido a sogra da Dona Teresa,  com loja no Olival, e o nome ficou na memória dos locais). Natal! O presépio da Dona Teresa, minha primeira catequista, era um primor. As suas figuras de barro faziam o encanto das crianças que por lá passavam várias vezes ao dia.  Os caminhos eram feitos com farinha (lá em casa também era assim).  A cabana do Menino Jesus, um encanto. No «Santos Costa» («Vai lá abaixo ao João Costa!» dizia a minha mãe), era um mundo de gente de todo o lado.  Ia lá também ao petróleo, num piso inferior (o meu primo João Costa, filho do fundador, Manoel, tinha sido o empresário das antigas bombas onde havia um depósito de água que a minha avó Flora (sobrinha do fundador da grande empresa) enchia com cântaros, num eterno e pesado labor, mal pago. Ficou essa memória para herança. Na loja, passava pelo escritório dos meus primos Galiano e Angelina, onde se faziam as “letras” e todos os contratos da grande indústria secular das redes de pesca. Vinha gente do Minho encomendar as alvitanas, as narsas, os tresmalhos, Também fiz muitas alvitanas em criança. Aquele escritório… ficou-me gravado o  «som do seu silêncio».  Os meus primos… falava um de cada vez.  Com uma fluência e cadência coordenadas.  Recebiam-nos (a minha e à minha mãe). Primeiro tocávamos uma campainha  no rés-de-chão e a ordem era logo para subir. A loja era um verdadeiro «centro de comércio». A mercearia, as roupas do pronto-a-vestir, o armeiro (vinha gente de todo o país comprar armas), a secção baixa das loiças, quanta oferta no «Santos Costa» – o «João Costa» -, passo o quase pleonasmo. Até a velha cadeia onde metiam os caixões. E quando a cheia ameaçava a loja, os seus funcionários accionavam um plano de emergência caseiro, habituados àquela rotina.  Há registos das cheias desde pelo menos o tempo de Camões.  É ver a «Miscelânia».  Camões teria estado preso na Torre, da Ordem, rodeado de água, esse cenário é potencial! Alguns investigadores do século XIX não viram o filme todo…  À indústria das redes aderiu a  Drogaria (mercearia, drogaria, papelaria). A vila oferecia um   quadro pitoresco aos visitantes, desde a Olaria ao Olival.  Era ver as mulheres da vila sentadas à soleira da porta.  No Olival, a Dona Olívia ensinou gerações, diziam-me.  Ainda  vi durante vários anos,  as artesãs Zulmira, a Jaquina da Ana Bogas, a Maria Morais, a mulher do «Cacilhas», a Isabel da condução,  a Luci Barreiro, a minha mãe, a Dona Adelaide do «Santos» taxista, a Mari Lena, a Manuela do Alfredo, tanta gente nessa indústria.  Falava-se que o mestre das redes tinha sido o «Tonho Casca» que foi e veio da Grande Guerra . O nylon (dantes era algodão)  cortava-nos os dedos, pois os nós das malhas tinham de ser firmes. Quanto maior a malha, maior a dor produzida, dada a frequência  dos movimentos  dos dedos.  Recordo-me de um dia ter feito carreiras para uma cabeça de 750 malhas.   Ainda tenho as agulhas e as palhetas da malhas.

Antiga mercearia do século XVIII, cujos armários de parede foram destruídos recentemente aquando das obras de reconstrução, apesar dos meus sucessivos apelos na net. Desejo que o projecto, contudo, tenha o maior sucesso.

Normalmente  as alvitanas eram de 12 vinténs, 250 malhas e doze carreiras. Aos pares e  entrançadas. Voltando à loja… as enormes peças de fazenda,  as montras. A vila do meu tempo de criança e de juventude.  Constância era assim!  Vista Por Dentro! As tabernas, da Conceição Coimbra, do meu primo Mário Barbisco, da Mari Dona – o cheiro do peixe e das favas fritas era um chamaril na praça.  A barraca do Cuchinho, de canas, junto ao Tejo. A praça, de semana. E ao Domingo? Cheia de gente.  Levantava-me cedíssimo  pois às sete de matina  os suspiros e as ferraduras já quase se esgotavam. E os vendedores ambulantes? Vinham de Martinchel, das Limeiras, de Montalvo, das Amoreiras, eu sei lá. A nossa vila era tão diferente. Está pior! Ah! E havia a loja do primo Raimundo com os amendoins e o aniz. Havia comércio. A loja do João Pereira , que montava as antenas e vendia televisões. O saudoso Ercílio que tudo resolvia. A Dona Elvira, com a sua paciência para dar conta de tanta variedade de produtos. O Talho da Salcheiro na praça, o do Manel do Café,  o do casal dos porcos construído junto às ruínas da antiga praça de toiros de que há registo escrito no século XIX.   E o restaurante da Arroçada- sA padaria da dona Luísa.  Ah! A padeira ambulante que vinha duas vezes por semana do Alentejo.  O pão, de quatro canto, vinha quentinho.  Qu delícia logo que  barrado da geleia, ou do doce de tomate, ou do doce de pedaços de marmelo. Tudo acompanhado com uma grande caneca de café.  Bem composto no estômago lá voltava às minhas recolhas das antigas tradições, de porta a porta. Guardo zelosamente esses cadernos. O café da Ponte, perto da antiga «taberna» das velhas Burguetes, tias das velhas Burguetes que conheci,, o café do bairro dos bailes tradicionais onde a minha família foi ver a ida do homem à lua (bebé incluído). O café «Estrela» na praça que nos anos 20 e 30 era a mercearia do Isidoro Burguete, pai do escritor Meira Burguete autor do «Caso de Rio Maior», da família do escritor  Elviro da Rocha Gomes. O Clube Estrela Verde, tão concorrido à noite para as cartas, para o orfeão, para o teatro, para a biblioteca, para o ping pong, para o bilhar, para a sala da televisão, para o bar. A Casa da Sopa, com as aulas de música do padre João, com o pingo pong (onde havia antigamente a  Associação de São José. As lojas do Salgueiro, com muitas novidades.  As barbearias do «Cação» e do Lino. E a Nanda cabeleileira. A Mimi cabeleileira. A dona Beatriz Gouveia cabeleileira.. As vendedoras de ovos., de galinhas e de coelhos. A Mari do Peixe do Cagaréu, gente muito honesta, trabalhadora e humilde. A taberna da Ti Cesaltina, onde ia ao carvão. A Júlia do Sapateiro que tinha também pronto-a-vestir. A oficina dos mecânicos na João Chagas onde o Elias tinha em tempos o armazém, ao lado do velho e desaparecido «Sport Club Strêla Verde». O fotográfo na Luís de Camões defronte da antiga câmara.   Na farmácia, o Godinho (que não passava sem a sua aguardente purificadora) e o sr Henrique da farmácia, irmão do poeta Tomaz. O relojoeiro Ramos. A oficina do Zé David que em tempos recuados teria sido um celeito. E os antigos celeiros do Dr Godinho. Os tendeiros. A venda de arraiolos, particular.

Antiga Loja «Manoel dos Santos Costa», do tio da minha avó Flora da Luz. As pedras seculares partiram numa camioneta. Desejo que regressem e que o projecto tenha o maior sucesso, enquanto requalificação inevitável da baixa da vila, zona de protecção histórica.

Paz à alma da Dona Etelvina, a grande mestre na vila dessa arte difícil só para alguns, do ponto dois e três. As mulheres que faziam colchas de renda e não só. Saudades da vila de Constância. de uma vila feita de famílias conhecidas e de parentes. Saudades de gente que se respeitava. Saudades das idas à quinta de Santa Bárbara ao lagar, na minha bicicleta,  apeado, pelos antigos caminhos, transportando no velocípede  as saca sde azeitonas. Na quinta, havia venda farta de fruta variada, a saber,  ameixas, pêros (não são maçãs), e outras maravilhas. Saudades da apanha da azeitona. De ver lavar no «rio». De ver vender o peixe à porta, de ver vender os queijos que, depois se secavam e punham «de azeite».  Saudades de ouvir esses quase pregões: «Teeenho fataaaça!», «Teeenho «boooga». Saudades de ver esses fogareiros pela vila a ser acesos para a grelha do peixe. Saudades das noites de convívio no Clube, no cine-teatro histórico (que substituíram pelo mamarracho inútil). Saudades dos ensaios permanentes, do rancho, do teatro, do orfeão eu sei lá, Saudades da Constância que perdemos!  Saudades de tantas marchas populares.

Memória de ouvir falar da carvoaria defronte da Casa da Dona Adelaide Sommer, da loja da Nazaré nas escadas da São Pedro, do forno da Paralva, na Rua de São Pedro confinada com o Avelar Machado, das duas casas comerciais da Etelvina Gil, na praça, da taberna do primo Eduardo e do Talho do Leitão de Abrantes, da loja da Sara, da Pensão da Rebolas (Pensão Central), da Pensão da Jaquina Ferreira, pensão Ribatejo, (a sobrinha que me disse que levava as refeições à cabeça para a base, para os militares.) Memória ainda de tantas e memórias sem fim…

José Luz (Constância)

PS – não uso o dito AOLP. este texto é telegráfico. Assim deve ser lido…

 

 



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Terça-feira, 12.01.21
 



São Julião em Punhete?

Uma hipótese a explorarPré-visualização da imagem

 

 

Nem todos os santos constarão da lista do calendário romano. Será o caso de alguns santos denominados de «São Julião». Sabemos que o Concílio mandou que só constassem no calendário apenas as festas com inegável importância universal, remetendo-se assim para o direito particular as restantes celebrações. Segundo o martirológio romano (últimos ajustes) celebra-se a 6 de Janeiro o dia de São Julião e Santa Basilissa. São estes santos que se veneram na igreja matriz da vila de Constância. Na minha opinião não é certo que este casal tenha sido sempre aqui venerado. Há um outro São Julião que poderá ter sido casado com Ireneia, nome depois contraído em Iria, opinião publicada por gente entendida na matéria. Em Punhete, actual vila de Constância, há efectivamente memórias escritas de São Gião, contracção de São Julião, e de Santa Iria (oratório do Palácio da Torre, antigo Castelo templário). E, à semelhança de outras localidades, haverá eventual confusão com outro São Julião como já referi.



Uma questão preliminar se coloca então: quem foi este orago, São Julião, da paróquia de Constância? Há vários santos com este nome.



No que concerne a São Julião e Santa Basilissa (século III), estes terão feito voto de castidade porém, Julião, terá sido forçado pela família a casar-se com Basilissa. O casal transformou a sua casa num hospital, onde chegaram a atender mais de mil pessoas. Durante as perseguições de Diocleciano, Julião foi decapitado após ter sido preso pelo governador de Antioquia, no Egipto. Basilissa morreu pacificamente. (1)



São Julião é o padroeiro de várias freguesias como São Gião. Essa denominação aparece em Constância, por exemplo, em 1536. (2)



Curiosamente,. em 27 de Março de 1822, a propósito da trasladação da paróquia para o actual templo (na sequência das invasões francesas), somente existe referência oficial à trasladação da imagem de São Julião: «continuando como orago da paróquia» (3)



As actuais imagens existentes na Igreja Matriz (São Julião e Santa Basilissa) terão sido oferecidas no século XIX por uma família do Alentejo, por via de uma promessa. A encomenda a Lisboa terá resultado no envio por barco de duas imagens? (4)



Por todos estes motivos terá sido o nosso São Julião originário confundido com um dos seus homónimos? O problema é intrincado, tem solução canónica, mas a história tem outros desígnios e motivações.



Na lista dos santos que nos é facultada pela «Legenda Dourada» de Jacques de Voragine (5) surgem-nos vários santos com este nome entre os quais um São Julião, hospitalário.



Este último São Julião num acesso de ciúme terá morto por engano os seus pais . Este parricídio tinha-lhe sido profetizado por um cervo, com cara humana, que ele perseguia e a que não dera valor. Decidiu Julião redimir-se deste crime e, mais a sua mulher (cujo nome Voragine não revela), retiraram-se os dois para as margens de um grande rio, onde muitos perdiam a vida, e aí estabeleceram um grande hospital, onde poderiam fazer penitência. E estavam constantemente ocupados a fazer passar uma ribeira - «a ribeira» - a todos os que ali se apresentavam. E a receber todos os pobres. Um dia Julião acolheu no seu próprio leito um homem que lhe apareceu e que morria de frio. De repente aquele que parecia coberto de lepra levantou-se branco como a neve para o céu e disse ao seu hóspede: «Julião, o Senhor enviou-me para vos advertir que ele aceitou a vossa penitência e que brevemente ambos repousarão no Senhor». O que aconteceu segundo a lenda.



Jorge Campos Tavares informa-nos que os pais deste Julião eram espanhóis. Mais acrescenta o autor que se ignora a época em que ele viveu. (6)



Podemos sempre conjecturar como alguns já o fizeram com propriedade que São Julião e a mulher se fixaram no local onde actualmente existe Constância. Nos textos em latim e em francês atribuídos a Jacques Voragine há uma referência a um grande rio (o Tejo?) e, por outro lado, a uma ribeira (uma ribeira do Tejo, o Zêzere?) referentes ao local onde São Julião se fixou com a esposa. Uma pesquisa aturada sobre a origem das palavras (esse desenvolvimento não é matéria para este artigo) permite-nos esta conjectura última. Quem reproduz e não conhece Constância e deixou no texto duas expressões distintas «grande rio» e «ribeira», dá-nos um indício de autenticidade! Uma ribeira não desagua no mar em princípio...



Certo, certo é que não se pode confundir este casal (que não foi mártir, donde, sem palma) com o outro do Egipto (Julião e Basilissa). Só por aproximação ou semelhança se poderá considerar mártir este casal cujos pais de Julião seriam espanhóis e se fixou onde havia um grande rio e uma ribeira - atenta a tradição da Igreja.

No recorte de uma gravura de Neale surge no tempo das invasões francesas a velhinha igreja paroquial de São Julião que, parece, já existiria no século XIII. A pia baptismal, de oitocentos anos, existe na actual matriz, para onde foi trasladada, segundo me contou o saudoso cónego José Maria d'Oliveira Rodrigues.



José Luz (Constância)



Post Scriptum - Se, efectivamente, os seus pais eram espanhóis e se, o nome de Punhete teve origem na Catalunha (7) e foi importado pelos templários, percebe-se a devoção no Oratório do Palácio da Torre de Punhete, a Santa Iria, contracção de Ireneia mulher de São Gião, Julião? Por sinal o nome da Comenda local e do Adro e Igreja que ali existiam junto ao Palácio. A terra do grande rio e do rio afluente desse grande rio. Não sabemos a verdade. Mas é apaixonante este assunto. Há muitas coincidências. É há dados verossímeis. Ou será que esta capela a Santa Iria de cuja existência temos registo tem a ver com a Santa Iria assassinada em Tomar e que estará na origem da lenda de Punhete sobre a terra do pé torto? (8)



A estalagem de São Julião pode ter existido no sítio do antigo castelo, depois Palácio da torre. E quanto à dificuldade em se passar o rio, na época medieval essa dificuldade deve ter existido. Nós sabemos que esta zona até ao Almourol tem um historial nesse sentido. As barragens do século XX e o assoreamento milenar alteraram a força das águas. Leitão de Andrada falava do ímpeto das águas em.. Punhete.



(1)Enciclopédia Católica online, publicada por Kevin Knight in «New Advent»



(2) Arquivo da família Themudo de Castro, Livro V, citado em «Casa de Camões em Constância», por Maria Clara Pereira da Costa e outros , 1977.



(3) Livro de «Lançamentos de Pastorais e capítulos de Visita da Vila de Punhete» transcrito por Joaquim dos Mártires Neto Coimbra em 1954.



(4) Contava o cónego José Maria.



(5) La Legende Dorée T.1, de Jacques De Voragine, Editor: FLAMMARION , Edição ou reimpressão: Janeiro de 1999



(6) Jorge Campos Tavares, Dicionário de Santos, Lello & Irmãos, Editores



(7) Catalunha e Punhete.



A documentação escrita sobre o período da nacionalidade regista inúmeros exemplos de importação de topónimos, de lugares homónimos que pertenciam a milícias internacionais. Punhete, lembra o local de um mosteiro templário na Catalunha, Punyalet e é o caso trazido à tona na obra monumental "Castelos Templários" em Portugal, de Nuno Villamariz Oliveira, da Ésquilo, pág 229, obra de dissertação apoiada pela Comissão Portuguesa de História Militar.. O topónimo Punyalet aparece de facto em "L' Arquitectura dels Templers a Catalunha", de Fuguet, S, J, Universidade de Barcelona, departamento de história de arte, 1989.



Sendo uma hipótese académica sobre a origem do nome do povoado de Punhete não pode ser ignorada pois assenta numa investigação séria, com leis próprias desta ciência. É mais do que uma lenda ou uma pura especulação. O professor José Hermano Saraiva, numa das suas vindas a Constância ( 2010) salientava o papel crucial dos Templários no povoamento deste território.



(8) A lenda conhecida em Constância e passada de geração em geração assevera que vinha um «tronco» rio abaixo e que alguém lhe deu um pontapé, tendo ficado com o pé torto.Era a santa ,afinal. e não um tronco.

 

 


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Segunda-feira, 04.01.21


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Terça-feira, 29.12.20


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Domingo, 27.12.20


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Domingo, 13.12.20

José Luz, Presidente do C.Fiscal da Associação da Casa-Memória de Camões,

 impugnou através de um processo cautelar a modificação de Estatutos desta Casa, proprietária do mais importante pólo cultural da Vila.

Como se recordarão (o assunto foi aqui amplamente tratado) a autarquia alterou os Estatutos da Associação, em reunião de Câmara e da Assembleia Municipal, sem ter competências para isso.

O processo andou em bolandas do Tribunal  Comercial de Santarém, para o Tribunal  Cível de Santarém e agora  para  o Tribunal Cível abrantino, onde  houve o chamado julgamento de preceito. Isto é, a juíza de Abrantes anulou a convocação do julgamento em si, causando surpresa.

Convém explicar o que é um procedimento cautelar, é um processo especial, que passa à frente dos outros, por motivos de urgência e onde o Juiz pode decidir se, face  a um perigo eminente, suspende determinadas actuações.

Depois, regra geral, haverá outra acção em que se discute o fundamento da causa.

De novo se recorda, que a Direcção da Casa e a autarquia foram ‘’apanhadas’,’ numa acção de fiscalização, num ‘’negócio’’ ilegal de atribuição de subsídios, cujos contornos são desconhecidos, porque a autarquia não publicou o documento da Inspecção, nem abriu nenhum inquérito para responsabilizar os envolvidos no ‘’negócio’’.

A alteração dos ‘’Estatutos’’ visava legalizar o pagamento de subsídios ilegais  por  parte da Câmara (a associação nunca percepcionou essas transferências como contratos-programa).

A elaboração de contratos-programa entre a Câmara e a Direcção da Associação é coisa recente e nunca terá sido apresentada ao Conselho Fiscal e  à Assembleia em termos claros e formais. Até porque o município sempre transferiu verbas através de protocolos. A qualidade de eventual associada da câmara não é matéria clara. Até porque vieram a correr pagar quotas de uma carrada de anos…

O tribunal cá da terra apesar de encontrar múltiplas irregularidades no funcionamento da Assembleia Geral, desestimou a providência cautelar , quanto a nós com um raciocínio errado.

Vejamos algumas das irregularidades apuradas:

Não houve convocação dos sócios regular nem o José Luz foi convocado ou recebeu os documentos da ordem de trabalhos. É o que está provado pelo tribunal.

’ E também se verifica que dois sócios incumbiram outro sócio de exercer o direito daqueles ao voto, sendo que o artigo 181.º, n.º 1, in fine, do Código de Processo Civil, não admite a votação por representação.  Por outro lado, a Assembleia Geral Extraordinária deliberou acerca da alteração aos estatutos da requerida em primeira convocação, não estando presentes metade dos seus associados, uma vez que, das actas juntas, resulta claro que se encontravam presentes apenas 11 associados, sendo o total de associados 49 (cfr. artigo 175.º, n.º 1, do Código de Processo Civil).     ‘’

 

Para alteração dos estatutos duma Associação impõe, cauto, o Código Civil, que 4/5 dos sócios presentes na AG aprovem essa disposição, coisa que não verificou.

 

A qualquer observador salta à vista que o caracteriza um associação,  é que ela é produto do mandato constitucional de liberdade de associação e que a municipalização duma associação independente termina por violar  essa Liberdade,  que a CRP defende.

 

E o que resulta, em termos políticos e práticos das tentativas desastradas da autarquia citada, é  tentar controlar um património que não é seu, comandar uma associação, que passará a navegar ao sabor dos caprichos dos caciques e que isto será mais um passo para asfixiar a Liberdade em Constância.

 

E mais uma forma duma autarquia fugir à fiscalização das suas contas, arranjando uma associação como departamento fantasma da edilidade, para prosseguir as suas actividades.

 

O José Luz diz que está disposto a levar este assunto até ao fim, isto é pelo menos até ao Supremo.

 

Ao fazê-lo, presta-nos a nós e a Constância um serviço inestimável.  Contribui, à sua custa ( as despesas forenses não são brincadeira) , para que a Democracia seja reforçada  e vida local mais sã.

 

Por isso, agradecemos-lhe a coriácea resistência.

 

Precisamos de mais gente com a fibra do Zé e de menos afilhados do caciquismo, sempre prontos a obedecer ao patrão.

 

ma



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Quinta-feira, 19.11.20
Pensar Constância 7
A oportunidade cria-se e destrói-se...
A Igreja da Misericórdia foi classificada pelo Estado português como de «interesse público» segundo o artigo 2º do Decreto-lei nº 95/78, de 12 de Setembro.
O conjunto e o pormenor do painel degradado do altar-mor da Igreja da Irmandade, de inspiração renascentista, pintado inicialmente de verde e amarelo, é de Domingos Vieira Serrão, pintor de Filipe I I que tem obra no Convento de Cristo e no Louvre.
Desde o início dos anos 90 que a Santa Casa procurou recuperar e conservar em especial o seu altar-mor. Sem sucesso! Nos anos 80 já tinha havido uma obra de recuperação da sacristia, do tecto e do interior do trono, parte de trás, era Provedor o sr Aurélio Nogueira.
O município de Constância deve contribuir para a recuperação deste património de uma vez por todas. Não adiando mais esse apoio. Cumprindo assim com uma das suas atribuições (Lei 75/2013, na sua versão actual).
É o que se espera dos autarcas pois apenas são gestores da coisa pública e bem pagos.
Um caso!
É lamentável que a actual força municipal maioritária tenha bloqueado uma proposta da Santa Casa quando eram força minoritária, em que a Irmandade propôs por exemplo a salvaguarda de património arquivístico, muito relevante e raro sobre o Concelho.
Quem exerce o poder público não deve seleccionar o calendário político mais propício para dar apoios.
A Dra Manuela de Azevedo, a Doutora Manuela Mendonça, eu próprio, o antigo Provedor Vasco Botelho de Souza, procurámos a defesa do património arquivístico a que atrás me refiro. A proposta de protocolo foi aprovada pela assembleia geral a que eu presidia. Mas o PS, na câmara, com os seus jogos de bastidores fez abortar os contactos que então tínhamos desenvolvido com o executivo, acaso da CDU. Fosse o que fosse, não importa.
Quem ama Constância de verdade, olha primeiro para o interesse público.

ig pun 2.jpg

 

Nos últimos quatro anos várias vezes tenho alertado para a urgência da recuperação da Igreja da Irmandade. na linha do que sempre fiz. Não é demais recordar que o actual Provedor integrou os corpos gerentes no mandato em que nos anos 90 tentámos, sob iniciativa do seu pai, o antigo Provedor António da Silva Teixeira, levar a bom porto uma candidatura oficial de recuperação do altar-mor.
À Mesa Administrativa só posso desejar sucesso nos projectos que estão a desenvolver neste âmbito.
Aos autarcas fica uma palavra para que não sejam oportunistas. A Igreja está cada vez mais degradada porque os senhores querem. Quem tem o poder de gerir não tem desculpas eternas.
Sei muito, muito bem do que falo.
Boicotam umas e aprovam outras. Estimulam umas e desincentivam outras...

ig pun.jpg

título e sublinhado nosso



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Sexta-feira, 13.11.20

separaçao.jpg

Foto Médio Tejo

Reunião da Câmara de Constância, com comunistas e socialistas sob a égide da Senhora de Fátima, mais um rosário e uma bandeira absurda, que por milagre não é a do Vaticano.

Desde  1911 está consagrada a separação da Igreja e o Estado, mas esta gente não deu por isso.

Ofende pois a moral laica, a democracia,  a neutralidade do Estado face às confissões, os católicos conscientes que se recusam a identificar com a superstição mariana, os Jeovás, os protestantes que não gostam de imagens, os ateus, os agnósticos  e grande parte da população portuguesa que não pratica religião nenhuma.

Esta gente é uma  cambada de beatos. Ámen.

Terão rezado o terço depois de tomarem decisões absurdas?

Resta-me invocar o velho espírito do liberalismo português, o Rei D.Pedro IV, Grão-Mestre da Maçonaria e Afonso Costa.

   

 



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Domingo, 11.10.20

Há demasiados ''acidentes'' na Caima. Agora foi um armazém de eucalipto. Há anos morreram uns operários que limpavam a chaminé. Conforme aqui foi publicado e ilustrado por fotos do José Luz, houve outra explosão, cuja investigação vegeta e apodrece em algum organismo da tutela. Há demasiada complacência dos políticos de Constância e da administração central com esta empresa.bum caima.png

 

E demasiados ''acidentes''. Foto de Tina Joffre,  do fogo actual,com a devida vénia, roubada ao site ''Amigos de Constância''.

Quanto ao PS/CDU de Constância podem formar o grupelho folclórico ''Amigos da Caima'' e montar um rancho onde bailem o vira, ao som e ritmo das explosões quase anuais. 

 



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Sábado, 26.09.20

A Assembleia Municipal de Constância caracterizou-se pela exigência comunista de que se faça uma estátua ao ''Comendador António Mendes'', ex-presidente local e conhecido cavaquista.

150213-PR-000

A coisa vergonhosa de fazer estátuas a tipos vivos, apimenta-se com a conversão proleta ao comendadorismo, que é um dos vícios lusos.

Noutros tempos, o partido do proletariado perguntaria pela estátua do Camarada António Mendes.

Agora pergunta pela estátua do Comendador Cavaquista.

ma

 



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