Segunda-feira, 14.12.15

Um bom texto no Aventar (só agora dei com ele)

 

A véspera (rutilante) do futuro

(ainda) adiado

 
(...) 

Um dia, encontro Marques Júnior a jantar na Tubuci com oficiais do meu Regimento. Estranho! Seria mesmo?

Tudo se precipitou na semana anterior. Sabíamos que ia acontecer, como ia acontecer, o que faríamos todos e cada um. Quem controlaria o Calado, quem prenderia o Piçarra, quem…, quem… Quando?! Estava tudo controlado, em cima, ou o “velho” não tivesse escrito “o livro”. Atenção aos sinais, à rádio, ao Paulo de Carvalho, ao Zeca… mas essa do Paulo e do Zeca só nos foi transmitida depois do jantar de 24, todos no quartel, hoje ninguém namora, em nome da nação e do futuro.

E começámos a conhecer paulatinamente os rostos escondidos do golpe. Eu percebi, então, a razão da substituição do capitão Salavessa pelo tenente Marques Júnior, em Mafra. E comecei a perceber outras movimentações, sobretudo as que iam acontecendo no segundo ciclo de instrução.(...)

 

Ler tudo

 

a redacção

 
 
 

 

 



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Quarta-feira, 25.11.15

Tinha prometido publicar aqui a versão do dr.Ferro Rodrigues, na ''Sábado'', sobre o que se passou em Abrantes, durante as suas aventuras no PREC.

 

ferro rodrigues 25-n 19-25 novembro 2015.jpg

 

ferro rodrigues 2 25-n 19-25 novembro 2015.jpg

Já está publicada

 

Comentários:

Durante anos o dr. Ferro Rodrigues omitiu aparentemente esta passagem pelo extinto Regimento de Infantaria de Abrantes. O assunto foi abordado no Relatório do 25 de Novembro e em algum artigo disperso pela Imprensa Regional. Falta-me publicar um recorte que evoca essa presença, saído no ''Ribatejo''.

A coisa chegou a tanto que a jornalista Judite França, da TVI, 

judite frança.png

descreveu assim o testemunho de Joaquim Aguiar, prestigiado politicólogo e académico, ex-assessor de Eanes, enquanto Presidente, num julgamento :

judite frança aguiar.png

Por acaso o julgamento era daquela miserável história da Casa Pia em 2008.

Diz o dr.Ferro Rodrigues que o relatório do 25-N

ferro recorte.png

era muito mau......e que não tinha ponta por onde se lhe pegasse....

Ora não é isso que dizem as actas do Conselho da Revolução, onde inclusivamente Eanes tentou que o documento fosse publicado sem nomes, para não penalizar ninguém. A posição de Eanes (que já tinha visto o nome do cunhado, Neto Portugal ser penalizado no relatório do 11 de Março, ao lado de alguns abrantinos) não venceu no CR como as actas o demonstram. 

Ora que diga o Ferro Rodrigues que o relatório é mau, é contrariado pela Acta do Conselho da Revolução, onde fala o General Costa Gomes (então PR) e o General Eanes (então CEMFA)

acta do cr  2.png

O dr. Ferro Rodrigues argumenta que não sabe quem foi o responsável pelo Relatório do 25 de Novembro.

O homem anda desmemoriado.

O relatório foi da responsabilidade de Marques Júnior, militar de Abril, depois deputado do PRD e do .......PS!!!!!

marques júnior joao henriques.jpg

foto João Henriques/Público

 

Pode haver lapsos no relatório, mas Ramalho Eanes e Costa Gomes não mandavam prender Otelo, com base nele, se o relatório não fosse sério.

Sobre o tenente-coronel Pulguinhas, volto a dizer que o homem parece que assinou o documento dos Nove.

Escrever a história ao contrário é impossível, foi o que explicou Vasco Lourenço ao Tomé, nesta edição da Sábado.

Falta-me contar a intervenção do Zé Bioucas no desarmamento dos golpistas cá no concelho, mas fica para depois. Também tenho amigos à espera no Tonho Paulos.

Porra, e agora que arranjei as Actas do Conselho da Revolução tenho leitura para meses.

 

ma

Acta do Conselho da Revolução de 19 de Janeiro de 1976   

  

 



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Sexta-feira, 13.11.15

O jornal oficioso da Diocese presta reverência a Ramalho Eanes no facebook

recordando números históricos

reconquista.jpg

Mas não recorda as palavras históricas do Primaz de Braga aconselhando o voto nele

 

''Ramalho Eanes é um homem duma só mulher''......

 

Como sabemos que o Senhor General é homem da Igreja, doutorado pela Universidade da Opus Dei, em Pamplona, oferecemos ao Senhor Bispo a imagem pia de Frei Ramalho de Alcains

freir amalho

Para a canonização de Frei Ramalho juntam-se alguns factos objectivos

 

a)

''  (...) Apenas havia um senão: não participara no 25 de Abril. Recordo-me muito bem de que eu próprio levantei a objecção e de que foi Otelo Saraiva de Carvalho quem avalisou o major Eanes. Ora como Otelo era, digamos, o porta-voz do 25 de Abril, dei por encerrada a questão. A incompatibilidade de se nomear um oficial que não tinha participado objectivamente na revolta militar desapareceu em face do aval de Otelo... (...)

 

b) (...)  facto de ter sido o seu cunhado César Neto de Portugal quem bombardeou o Ralis pode justificar, no entanto, muitas das hesitações que ensombraram a sua actuação. Eanes tomou conhecimento do bombardeamento do Ralis por Neto de Portugal que imprevidentemente lho revelou? Ou soube-o por intermédio de quem encenara todo o espectáculo e armadilhara o golpe spinolista?(...)

 

c)(...) 6.13.2 - Posso aqui informar que o "pioneiro" das "comissões de soldados" na gestão dos quartéis foi Ramalho Eanes quando, ainda capitão em Macau, as promoveu com a ajuda de Arnaldo Matos, então miliciano na Guarnição Militar de Macau e, depois do 25 de Abril, Secretário-Geral do MRPP.(...)

 

d) (...)  Entretanto houve uma reunião militar em Belém, a que estiveram presentes o major Ramalho Eanes (que sempre estivera ligado a Costa Gomes desde o caso da RTP no 11 de Março) e Jaime Neves, o comandante dos Comandos. Não fui convidado directamente para essa reunião, mas à qual, evidentemente, podia ter assistido. Porém a minha posição de primeiro-ministro e simultaneamente Conselheiro da Revolução teriam dificultado a designação da cadeia de comando, pelo que resolvi não comparecer, deixando ao Presidente da República o encargo de estabelecer a cadeia hierárquica e definir as missões militares a executar.(...)

 

(...)6.8 - Soube posteriormente que Vasco Lourenço não quis assumir a chefia hierárquica. Porquê? Nunca percebi. Como nunca soube porque essa chefia foi transferida para o major Ramalho Eanes, que não passava de um oficial subalterno da sala de operações, chefiando o posto da Amadora. Pelo menos aparentemente era assim. E isto é tão inexplicável como a sua escolha para Presidente da República. A menos que em toda esta maquiavélica estratégia que domina a vida portuguesa e que perturba os espíritos mais lúcidos, a lógica seja uma componente para desprezar sistematicamente, por desnecessária. O homem a promover ou a abater, o ponto de ruptura ou de consolidação, estão escolhidos prévia e secretamente, razão porque acontecem as coisas mais extraordinárias só possíveis num hipotético país surrealista. Mas a verdade é que acontecem e é forçoso, imperativo, arrumar o puzzle da política portuguesa... enquanto houver tempo.

7.6.9 - Há que salientar, no entanto e mais uma vez, a misteriosa ascensão de Eanes e cronometrar os acontecimentos.

7.6.9.1 - Costa Gomes só adere ao Grupo dos Nove depois de ter consultado uma alta personalidade do Partido Comunista.

7.6.9.2 - Depois disso estabelece uma cadeia de comando onde o quarto lugar pertence a Ramalho Eanes.

7.6.9.3 - A seguir, contra todas as regras, e aparentemente sem o terem consultado, altera-se a ordem da cadeia de comando - e aparece a chefiar as operações Ramalho Eanes.(...)

 

 

(..) .6 - É surpreendente mas foi assim. Quem era, de facto, Ramalho Eanes para enviar um ultimato a Sá Carneiro ?(...)

 

10.9 - Finalmente em recente entrevista ao "Diário de Notícias", publicada em 5 de Maio, Ramalho Eanes afirmou: "Se uma dissolução da Assembleia da República justificada pelo Presidente da República em função de dificuldades políticas for seguida de eleições que reproduzam o mesmo quadro parlamentar ou outro idêntico, constituirá uma demonstração de que os eleitores não estarão de acordo com a dissolução". Meditando sobre este texto, conclui-se tratar-se de uma dialética inteligentemente defensora da "maioria da esquerda" no Parlamento. Com efeito, se após eleições o quadro parlamentar se mantivesse, isso não significaria que os eleitores não estavam de acordo com a dissolução, mas sim que os eleitores reconfirmavam a maioria de esquerda, o que representaria uma grande vitória para o Partido Comunista. Então porque não se fazem eleições? Porque esta "maioria de esquerda" já existe, e a outra, após eleições, seria uma incógnita... "Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar", reza a sabedoria popular.(..)

 

Assina

O Advogado do Diabo

Almirante Pinheiro de Azevedo

Da Junta de Salvação Nacional

Do Conselho da Revolução

Primeiro-Ministro de Portugal no VI Governo Provisório

Presidente do Movimento da Reconquista de Olivença

a redacção  

 

 

  



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Segunda-feira, 09.11.15

van uden.jpg

D.Francisco de Bragança Van Uden, herói da guerra de África e da luta anti-comunista, onde militou no ELP -Exército de Libertação de Portugal esteve presente em Abrantes, na missa em memória do seu antepassado, Nuno de Santa Maria.

Francisco Van Uden é um velho conhecido da nossa cidade, dado que é antigo aluno do Colégio La Salle.

van uden 2.png

D.Francisco com o Presidente da Tubucci, Paulo Falcão Tavares

 

 

Van Uden distinguiu-se como comando em África

Declarações do capitão comando miliciano  Van Uden

A gesta do comando que combateu em Angola e Moçambique está em livros como este

van uden 4.jpg

 Sobre a Guerra disse Francisco Van Uden:

(..)<<Um dia fui chamado pelo comandante-chefe (Moçambique) e o adjunto dele disse-me: ‘Sabe porque é que o comandante o mandou chamar? Ele vai pedir para fazer outra comissão. Não se meta nisso, vá para casa’.

Era o Major Tomé da UDP.

O comandante falou comigo e disse que estávamos a ganhar a guerra no mato e que tínhamos o apoio da população. Disse que precisava de tropas especiais e convidou-me para ir para o Dondo apoiar o grupo de pára-quedistas especiais africanos. Pedi-lhe 15 dias de férias para visitar a família em Portugal e voltei para lá. Fiz o curso de pára-quedista e fui coordenar as companhias de GEPs [Grupos Especiais de Pára-quedistas] de toda a zona de Tete>>

<< No dia 25 de Abril fui ao bar às 10 da manhã, no comando das ZOT [Zona Operacional de Tete]. A rádio BBC estava a dar a notícia do golpe de Estado em Lisboa. Na sequência do 25 de Abril, o comandante do CIGE [Centro de Instrução de Grupos Especiais] convidou um comissário para dar aulas, onde se dizia que a Frelimo é que eram os bons e nós os maus. Foi um choque terrível. Com um grupo de oficiais da Beira definimos que manteríamos o combate para defender a população de Moçambique. As pessoas não falam nisso, mas 40% do orçamento militar do Ultramar era dedicado à acção de apoio às populações>>.(...)

 

devida vénia a Rio dos Bons Sinais

comandos.png

van uden 5.png

General Jaime Neves

 

Sobre o envolvimento de D.Francisco no 28 de Setembro procurem uma tese da Nova.

 

van uden 8.png

castro.jpg

devida vénia a Nuno Castro neste livro.

 

Francisco Van Uden é filho do Dr.Van Uden e de SAR a Infanta D.Adelaide, neta d'El Rei D.Miguel I.

 

Onde está o Graça das seringas, devia estar o Cónego Melo das bombas,

melo bombas

31 da Armada

mas já morreu o tipo que pôs o Norte a ferro e fogo, como digno herdeiro do Padre Casimiro, que escreveu isto : resolvemos (…) atacar a tropa a Guimarães (…). Reparti-lhes a pólvora que tinha recebido (…) e depois de ouvirmos missa por ser dia santificado, marchamos pelas onze horas para Guimarães. Determinei que os [povos] de Fafe descessem pelo convento da Costa e atacassem primeiro, principiando a bater fogo pelo sul, os de S. Torcato, que estavam postados na Madre Deus, em seguida pelo norte, os das Taipas que vinham por Santa Luzia, pelo poente e eu marchei pelo centro (…) direito ao Cano. (…) Os guerreiros de Fafe meteram-se dentro do convento da Costa (…) e de lá começaram a fazer fogo pelas janelas, contra as ordens que eu havia dado e, por mais que lhes fizesse sinal para descerem a Guimarães, não fui capaz de os desentocar dali (…) tal era a coragem destes valentes!! E o mesmo aconteceu com os [homens] de S. Torcato! Vi-me obrigado a [disparar] contra o castelo [mas] como a posição em que me [pus] estava a descoberto, começaram a cruzar ali as balas sobre nós (…). Terminado o fogo retiramos para S. Torcato (…)».  devida vénia a Coisas do Minho

 

mn 



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Sexta-feira, 06.11.15

coronel alves morgado.jpg

Coronel Morgado, comandante da EPC, 1974-1975, devida vénia à EPC

(...)

P: Como considera o sucedido no 11 de Março ? Foi uma armadilha montada ao General Spínola ?

R: Pode ter sido, mas não o creio. Mas não queria falar sobre isso, pois não acompanhei os antecedentes. Como referi, regressei de Angola em 17 de Dezembro de 1974, trazendo, de lá, determinada marca. Já tinha vaga na Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém e até fora convidado e proposto atempadamente pelo Coronel Alves Morgado. Mas a colocação demorou. Fiquei apresentado no Depósito Geral de Adidos (DGA), até ao dia 7 de Março, sexta-feira. Nesse dia telefonaram-me do DGA e disseram: Foi colocado na EPC, tem a sua guia de marcha pronta e pode vir buscá-la. A minha resposta foi: Para quem está quase há três meses em casa, pode ficar mais dois dias. Assim, vou aí na 3.ª feira, receber a guia de marcha, mas quero a data de apresentação na Escola, apenas para o dia 12...

P: Foi uma grande coincidência...

R: Sim. Se eu já estivesse na Escola, talvez tivesse sido cilindrado, tal como foi o Comandante e o 2.º Comandante, respectivamente, Coronel Alves Morgado e o então Ten-Coronel Ricardo Durão...

Por acaso estava em Alvalade, na casa de um familiar e ouvi os disparos... Disse para comigo, se não há aqui nenhuma carreira de tiro, deve ser algum tipo com stress de guerra...

Saí de Lisboa às 18H00 e apenas cheguei a Santarém, pelas 24H00, pois eu e a minha mulher estivemos sujeitos às barricadas de civis, com braçadeira vermelha, ao longo de todo o itinerário, incluindo a auto-estrada, até Vila Franca de Xira.

No rescaldo do 11 de Março

Como estava previsto, no dia 12 de manhã, apresentei-me ao Coronel Alves Morgado e à tarde houve uma reunião geral, no ginásio da EPC, com um ambiente bastante tenso.

No dia seguinte, quando ia a entrar no Quartel, o então Capitão Correia Bernardo disse-me: Ontem à noite houve uma reunião em casa do Salgueiro Maia, onde estiveram todos os oficiais e furriéis milicianos e alguns oficiais do QP, capitães e subalternos e que decidiram "correr" com o Comandante e 2.º Comandante e nós não vamos permitir que isso aconteça. Peço, ao meu Major, que diga ao nosso Comandante para fazer uma reunião do Conselho Escolar, esta manhã e com urgência.

Fui ao Comandante e contei-lhe o sucedido. Realizada a reunião e postos ao corrente do que se preparava, ambos se retiraram, com guia de marcha, para Lisboa.

P: Qual foi o motivo para a referida reunião, em casa do Capitão Salgueiro Maia ?

R: Aconteceu algo no dia 11, que nunca esclareci bem. O Esquadrão de Carros, nesse dia, esteve formado na Parada, para ir para o campo e foi sustada a sua saída. Disseram posteriormente que era para ir para a Atalaia, mas, entretanto, houve aquele movimento de helicópteros entre Lisboa e Tancos, mas passando pela EPC... Num deles seguiram, para Tancos, o Ten-Coronel Ricardo Durão e o Capitão Salgueiro Maia. Estou por fora, de facto, do que se passou, mas creio que há literatura relativa ao 11 de Março e o assunto estará esclarecido.

P Existiam mais subunidades militares dentro da Escola, além do Esquadrão de Carros de Combate (ECC)...

R: Sim. Havia o Esquadrão de Reconhecimento.

P: Como analisa, sinteticamente o período ocorrido no País, entre o 11 de Março e princípios de Agosto de 1975 ?

R: Como parte de um filme de terror, produzido e projectado pelo PCP, Governo gonçalvista e respectivos apaniguados oportunistas e consumistas do que não lhes pertencia.

Este filme colorido só de vermelho já era conhecido dos portugueses na versão a preto e branco, na guerra das Províncias Ultramarinas e também do Leste da Europa... Checolosváquia, Hungria, Polónia, Bulgária, Roménia, Estónia..., onde imperava o último modelo da URSS. (...)

 

Entrevista ao Sr Tenente General Alves Ribeiro com a devida vénia, aqui

 

No D'aqui e D'ali

 

ma

 

 



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Quinta-feira, 29.10.15

juca soares mendes antónio bairrão.jpg

 Um bloguer evoca a presença do Féfé neste café, o histórico Pelicano (...) ''

Verão quente

 
Muitas histórias haveria para contar do meu verão quente. Uma tripulação seleccionada enchia o R4: o Cabral (a quem, imprevidente, emprestei uma noite o carro), o Varela e o Pinheiro (depois substituído por se ter baldado) andava entre a Nazaré (o Varela tinha lá casa) e Évora (os ”esquemas” do Varela, que tinha que ir aos ensaios), com passagem em muitos bailes daquele fim de verão, do Pego até Mação. Havia também as professoras e o padre não sei de onde. As discussões políticas no Pelicano, do Ferro com o Alcobia (um tipo excepcional, que se suicidou anos depois por não suportar a impossibilidade de ver concretizados seus ideais).
Os fins de tarde no hotel de turismo, as madrugadas de serviço na guarita (ou dentro do carro), os dias de plantão à unidade, de serviço à porta de armas, de faxina, tentando resolver uma rotura e acabando a varrer a parada. Rio de Moinhos, Mouriscas, Penhascoso. De blusão camuflado voava baixinho à noite, também ao meio da semana, para Lisboa, regressando de madrugada. Foram só três meses?!... E a situação política, as confusas manifestações dos SUV (Soldados Unidos Vencerão eramos nós?). Estava tão por dentro e via tão pouco televisão que durante muito tempo me escapou o significado da sigla PREC.(...)''
 
Escreve bem o Joaquim, acontece que o Féfé também ia ao Hotel Turismo e se calhar pedia um burguês Vat-69 ao Sr.António

hotel turismo atrio.jpg

(...)'' Onde é que tu estavas no...
 
...no 25 de Novembro (há 30 anos)? Quartel general em Abrantes, éramos quarenta, tinhamos chegado em Julho, fazer o curso de cabo, recambiados por mau comportamento (revolucionário?) em Mafra, no Dezembro anterior. No primeiro dia enchemos o parque de estacionamento do quartel (todos tinham levado carro!). Mau sinal tantos soldados com bom aspecto a comer nos restaurantes e a fazer vida de rico naquele meio pequeno. Ao meu lado na camarata dormia um futuro ex-secretário geral. Durou pouco tanta animação por aqueles lados. Tancos era ali mesmo ao lado e os paraquedistas queriam coboiada. No dia 28 voltámos de mala aviada, passados à “peluda” em tempo recorde, tão ansiosos que estavam de se verem livres de nós (e nós deles!).''(...)
 
Vamos meter o Féfé na lista dos grandes clientes do Hotel Turismo, ao lado do Tareco que apareceu lá com uma namorada, enquanto a Sophia, lírica, se dedicava a fazer poesia
 
 
mn
créditos:Joaquim no Blogue Ponte de Pedra
na foto distribuída no facebook pelo Sr.Bairrão vê-se o meu amigo Dr. Eduardo Ferreira Soares Mendes, já falecido, a foto não é de 1975, nessa altura o Juca estava no Prec lisboeta....combatendo o social-fascismo 
 

 



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Terça-feira, 27.10.15

ferrro jovem.jpg

De militante proletário a parlamentar da burguesia, eis o Féfé

ferro dn.jpg

DN

Enquanto os SUV subvertiam os quartéis para proclamar a democracia popular, sob a égide do ex-legionário Otelo,

mário semedo acb.jpg

o caro Mário Semedo mandava no ISCTE e dava o seu aval à contratação de Vasco Pulido Valente, regressado dum doutoramento em Oxford, por não ter encontrado nada desabonatório no cv anti-fascista e académico do VPV

Depois de longas tertúlias no Flórida, onde aparecia o Marcelo a conspirar,era fundado o GIS. Em 7 de Março de 1976 Sampaio e sus muchachos fundam o GIS e o Mário está no Conselho Fiscal.

Bem mais tarde seguiria o César Oliveira e estaria entre os fundadores da UEDS, porque o António Barreto enxofrara o Lopes Cardoso, que numa sessão de esclarecimento em Abrantes explicara que a sua política agrária era o ''modelo argelino'' como se o sector pecuário local fosse abundante em camélidos.

Também estava lá o Pinto Rodrigues, que do La Salle chegara ao Técnico, e saíra do PS porque achava aquilo ''reformista''

Um pouco antes disto em Coimbra a UEC batia a porta a um candidato abrantino, dissidente do PS local, por falta de porte revolucionário.

E para apimentar a coisa, como a foto é do António Castel-Branco, o cunhado dele, o Júdice andava .....no MDLP e exilara-se em Espanha.

 

ma

   

 



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Sexta-feira, 21.08.15

blindado

casanova 3.png

Joaquim Vieira, Álvaro Cunhal, o Homem e o Mito

 

Não se foi procurar a versão de Mário Soares que também subiu para o tanque. Também foi convidado pelo major Casanova Ferreira?

O general Jaime Neves está no canto superior direito .

ma

 

foto do blogue de Nuno Simas, Portugal Classificado,  também o título dum livro imprescíndivel deste autor

 



publicado por porabrantes às 15:39 | link do post | comentar

Quinta-feira, 20.08.15

 

casanova.jpg

Morreu o Sr.Coronel Casanova Ferreira, oficial destacado quer pela sua ligação ao Movimento dos Capitães, como à ala spinolista do MFA. Foi em Abrantes Comandante do extinto RI2 e chegou a ser convidado por sectores ultra-direitistas do PSD para candidato à CMA contra o Zé Bioucas.

Teve um papel importante nas negociações com a Frelimo e entrou em confronto com Melo Antunes

Oficial destacado e polémico, nunca pactuou com os abandalhamentos das Forças Armadas na época do PREC.

 

casanova 2.png

 

  

Um discurso que fez no RI2 chegou a provocar uma enorme polémica junto dos círculos eanistas e melo-antunistas, barricados em torno do Conselho da Revolução.

Transcreve-se o recorte disponível na Imprensa Internacional de referência. El País de 5 de Agosto de 1978. Se bem me  lembro, Nicola Guardiola, que assina o texto, sabia bem sobre o que escrevia.

Foi bom amigo do Capitão Ferrão, grande abrantino a quem negaram sepultura cristã nos Cabacinhos.

O seu amigo Sr. Coronel  Joaquim Evónio de Vasconcelos evoca aqui a sua peculiar forma de combater os pirómanos em Abrantes: '

 

'(...)Quando, mais tarde, Casanova Ferreira assumiu o

comando do Regimento de Infantaria de Abrantes,

a região era pasto de incêndios florestais criminosos.

Conta-se que o Comandante terá feito apenas constar

que o primeiro incendiário apanhado seria amarrado

a uma árvore e ninguém o tiraria de lá!

Terá sido por isso? Nesse ano não houve fogos dolosos

na sua zona! Eu só tenho um comentário: o

símbolo da paz não deveria ser uma pomba,

mas sim uma águia!(...)''

 

O funeral é amanhã em Lisboa e era de boa educação que as autoridades municipais e militares abrantinas estivessem presentes.

 

a redacção

 

 



publicado por porabrantes às 22:10 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Quinta-feira, 13.08.15

 

jorge jardim.jpg

Jorge Jardim (macua blogues)

 

''  (...)

A fuga perfeita


Ao longo destas semanas eu tinha estudado meticulosamente, e cronometrado mesmo, os movimentos dos sitiadores. Gastei nisso muitas noites de vigília.

Quem se tinha escapado de Bakwanga (no Congo) e enfrentado a perseguição da polícia indiana (em Bombaim e em Goa) não podia conformar-se em ceder perante um bando inexperiente.

Depois de estabelecer contacto com amigos de confiança (a quem um dia espero poder nomear para lhes prestar a homenagem que merecem) escolhi o ponto de passagem da fronteira. Seleccionei a região de Castelo de Vide por ser a mais fácil de transpor (com as suas serranias e pinhais) e, portanto, a menos propícia à eventual perseguição por gente não afeita à luta no mato. Mesmo no caso de me descobrirem, todas as vantagens, no confronto, seriam a meu favor.

Obtivemos cartas detalhadas do terreno, fizeram-se fotografias paronâmicas da fronteira, prepararam-se viaturas e recebi os meios de orientação indispensáveis. O percurso por estrada foi estudado e reconhecido, com confirmação efectuada menos de 24 horas antes do dia "D".

Como as luzes, fortíssimas, da rua da embaixada eram cortadas exactamente às 5.30 e como a guarda era rendida às 6.30, decidi que a hora precisa da fuga seria às 5.32. Beneficiaria da penumbra matutina, que mal consentia divisar os contornos a duas dezenas de metros, e da fadiga dos vigilantes que, para mais, deviam estar saturados por sucessivas guardas inúteis.

Escolhi a noite de 12 para 13 de Junho (noite de Santo António) que antecedia a celebração do Corpo de Deus, tão respeitada pela província fora.

 

 

Montei, então, a farsa mais completa, convencendo mesmo os mais íntimos familiares (como meu irmão e minha filha) de que estava conformado e não tentaria escapar-me. Sob vários pretextos afastei toda a gente da embaixada. O William foi passar uns dias a Braga, com uns amigos. Fiz telefonemas (que sabiam serem escutados) marcando encontros para a semana imediata e até nisso envolvi a minha crédula irmã que se encontrava em Viana do Castelo.

Tive duas preocupações: ninguém poder ser acusado de cúmplice e ninguém conhecer os meus planos de fuga.

O esquema foi executado com precisão matemática e cruzei a porta da embaaixada (com inteira exactidão, às 5.32) apertando na mão uma granada ofensiva a que tinha retirado a cavilha de segurança. Felizmente que a tornei a colocar no engenho. Estava, porém, disposto aos últimos extremos. Sob as roupas levava o armamento de que dispunha e tinha no cinto duas granadas defensivas, mortais num raio de 50 metros.

A conjugação dos movimentos das viaturas foi impecável ao longo do percurso e a nossa tranquilidade era tal que, ao passarmos por Abrantes, não resistimos a tomar um café no estabelecimento que encontrámos abertos. Depois, e por insistência minha, alterámos o percurso previsto e passámos por Portalegre (terra onde me criei e onde muitos julgam haver eu nascido) que não queria deixar de voltar a ver. Encaminhei o itinerário por caminhos que recordava dos descuidados tempos da juventude e fui "largado", ficando entregue a mim próprio, numa estrada que corre paralela às serranias da fronteira.

Por erro de avaliação (o único cometido) os meus amigos lançaram-me a uns três quilómetros do ponto previsto. A partir daí, e por mais fiel que me mantivesse aos azimutes dados, tinha de me enganar no destino. Já havia sofrido erros parecidos nos lançamentos de pára-quedas mas, desta feita e nestas condições, as consequências foram muito duras.

Quase ia tropeçando numa brigada florestal que, apoiada por guardas fiscais, trabalhava na abertura de uma estrada de serviço. Evitei-os por escassas dezenas de metros. Não deram por mim, mas vivi momentos angustiosos. Não tinha dúvidas de que forçaria a passagem sem dificuldade de maior, mas custava-me causar vítimas inocentes. Nem sequer era igual a luta entre esses funcionários fronteiriços e um homem curtido no mato africano. Tivemos muita sorte em não terem dado por mim.

A escalada da serra foi penosa, até atingir a linha da fronteira, e só me aguentei abusando da “coramina” e animado pela vontade de voltar a África.

Atingida a outra vertente da montanha, já em território espanhol, penso que devo ter corrido como um louco. Só parei num riacho junto ao qual inutilizei o material de defesa que levava comigo, enterrando-o cuidadosamente. Não queria ser encontrado com armas e pretendia evitar algum acidente se alguém as descobrisse.

Deambulei quase dez horas, por montes e vales, para encontrar o ponto fixado para o encontro com o carro que me aguardava. Se não tivesse sido o apoio hospitaleiro de boa gente local nunca mais teria lá chegado.

 

 

Nessa noite alcancei Madrid e descansei profundamente numa “suite” do “Hotel Ritz” (tinha o número 530) depois de ter telefonado para Lisboa, a dar conta aos meus, do êxito da fuga. Nem queriam acreditar. Pouco depois, na Beira e em Blantyre, estavam informados da minha nova situação.

Os que me vigiavam, em Lisboa, mantinham a guarda à embaixada. Só se deram conta do meu desaparecimento pelos jornais.

Estava concluída a “operação perfeita”. '' (....) in Moçambique, Terra Queimada'', devida vénia a http://liceu-aristotelico.blogspot.com.es/2010/09/mocambique-terra-queimada-viii.html

 

 

E tomou a bica no Pelicano, aquele que era o inimigo-público nº 1.....enquanto os fogosos revolucionários abrantinos, como o Manuel Dias, estavam a discutir o sexo dos anjos e os tachos a distribuir!!!!

 

ma 

 
 


publicado por porabrantes às 23:23 | link do post | comentar

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