Terça-feira, 10.06.14

 

(Em memória e louvor do Tenente-Coronel MAGGIOLO GOUVEIA e de mais sessenta Portugueses, fuzilados em Timor pelos facínoras comunistas da FRETILIN) (1)

 

 

 

 

 

Tu viste, do céu? … 
Assististe, Senhor, 
à chacina de Aileu 
(algures, em Timor) ?! …


Viste a morte cruenta 
e sangrenta 
- tal como aquela que se dá às rezes…- 
que sofreram 50 ou 60 
Portugueses?!


Viste como esses perseguidos 
se persignaram, em português,
por môr de Dili 
- e à hora da morte, unidos, 
ali ajoelharam 
uma última vez 
diante de Ti? …

 

 


E viste, viste também 
(à flor da ilha que lhes foi berço 
e lhes foi cova duradoura), 
a Tua Santa Mãe, 
Nossa Senhora?! …


Não deixaste sequer de reparar 
que, mal a oração final 3/5
por ali se pronuncia - 
eles todos, em coral, 
desataram a cantar 
ao Coração Virginal 
de Maria
! …


Finalmente, 
puseram-se de pé.


E à frente 
de tão nobre gente, 
há então quem dê 
um último e ardente 
testemunho de fé.


É o Tenente-Coronel 
MAGGIOLO GOUVEIA 
- que não cura de salvar a pele, 
Mas a epopeia!

 

 

 


Em nome de todos, disse isto, 
Senhor!, 
às fardas cruéis 
que os iam matar:


Morremos por CRISTO 
e por TIMOR 
podeis 
disparar
”.

 

Rodrigo Emílio

 

 

Nota (1):

 

 

 

(1). Segundo indícios recolhidos por D. Ximenes Belo, estes fuzilamentos terão ocorrido em 23-12-1975.

 

Os restos mortais de Maggiolo Gouveia seriam trasladados para Portugal/Mação, em 18-8-2003, com a presença do Ministro da Defesa Nacional. Tal resultou depois das diligências feitas por uma comissão de apoio à família, constituída pelos Coronéis José Pais, Morais da Silva, Manuel Bernardo e Nuno Roque e da ida do seu filho Dr. Rui Maggiolo, a Aileu/Timor, para identificação do corpo.

 

com a devida vénia de http://ultramar.terraweb.biz/06livros_RodrigoEmilio_Reuniao_de_Ruinas.htm

 

um dia depois de terem caiado os nomes dos mortos de Portugal, no Jardim da República desta cidade 

 



publicado por porabrantes às 09:32 | link do post | comentar

Sábado, 19.04.14

 

 

Era possível governar Timor sem montar uma guerra civil? Era! O coronel Alberty Correia (na foto, em 1970) governou Timor sem a montar. Era possível descolonizar Timor sem montar uma guerra civil? Era, mas um grupo de MFAS irresponsáveis ajudou a montá-la. E durante anos enquanto o implacável governo indonésio fazia um genocídio, Portugal de Abril olhava para o lado e um dos poucos que se preocupava com o assunto era D.Duarte de Bragança que criou as condições para ajudar os timorenses refugiados no Vale do Jamor. E o Luís Moita que através do CIDAC dizia que havia uns heróis que resistiam nas montanhas mauberes aos genocidas.

Os timorenses são agradecidos, D.Duarte foi o único português a quem foi dada a nacionalidade timorense por decisão unânime do Parlamento Timorense.

O General Alberty Correia era Ministro do Exército a 25 de Abril de 1974.

O tipo que governava Timor e que fugiu para Ataúro chegou a um altíssimo cargo militar quando regressou. É a ética de Abril, não responsabilizar ninguém por coisa nenhuma. Por isso estamos como estamos. 

   

 

 

A segunda foto mostra um deportado português, o sr.Manuel Viegas Carrascalão, de São Brás de Alportel, da CGT, dirigente anarco-sindicalista, enviado para Timor, pela Ditadura. Está com a mulher,a Dona Marcelina que aí conheceu. Transformou-se num próspero plantador e é o pai dos numerosos manos Carrascalão, que animaram a política local, alguns na UDT e que terminaram aliados ao Xanana, na luta pela libertação de Timor, actualmente a única ex-colónia, juntamente com Cabo-Verde, que tem um regime político decente.

 

 

Um dos manos Carrascalão casou com uma abrantina e a Dona Marcelina  teve netos de sangue abrantino. São as malhas que o Império, Salazar e Abril teceram.

 

Créditos: Fotos roubadas a um site do facebook sobre Timor



publicado por porabrantes às 18:04 | link do post | comentar

Sexta-feira, 17.02.12

João Carrascalão  (à esquerda) tinha 65 anos  Público

 

Faleceu hoje o político e dirigente nacionalista timorense João Carrascalão que se encontrava ligado por laços familiares próximos a algumas famílias abrantinas. Para pormenores procurar na Net.

 

Carrascalão tinha estudado Topografia em Luanda juntamente com Ramos Horta (actual  Presidente da República e Prémio Nobel da Paz) com uma bolsa de estudo dada pelo então Governador da Colónia, o General Abrantino Alberty Correia

 

  Liga dos Combatentes

 

que os queria afastados de Dili para não se meterem em política.

 

O Sr.General falecido não há muito tempo era Tio-Avô do nosso amigo e peticionário Zé Alberty e tio-bisavô do conhecido rocker anti-carrilhista dos Kaviar,  Afonso Alberty.

 

Que descanse em paz o  Sr.Carrascalão e que Timor tenha direito à mesma paz.

 

Miguel Abrantes 



publicado por porabrantes às 19:22 | link do post | comentar

Terça-feira, 02.11.10

Carta do Bispo de Dili à Mulher de Maggiolo Gouveia

Pax Christi
Dili, 10 de Março de 1976

 

Exma. Senhora D. Maria Natália Gouveia

 

Há muito que me pesam no coração a dolorosa ansiedade e a cruel angústia de V. Ex.cia e de todos quantos têm estado sem notícias deles. Por S.Excia Rev.ma o Pro-Núncio Apostólico em Jacarta sei, agora, que V.Ex.cia vive mergulhada em grande aflição e tristeza por absoluta falta de notícias e que pediu à Santa Sé informações sobre a situação de seu estremoso marido. É mais uma falta da minha parte. Mas, como compreenderá, nem sempre é possível escrever em pleno fragor da guerra. A vida começa, agora tanto quanto é possível, a normalizar-se na cidade de Dili e nalgumas Vilas da Província e, por isso, apresso-me a escrever-lhe esta carta, através da mesma Nunciatura em Jakarta que, espero, a fará chegar às mãos de V.Ex.cia.

Durante o período de guerra, como V.Ex.cia sabe, tenho acompanhado, mais ou menos de perto, directa ou indirectamente, a sorte dos nossos queridos prisioneiros e, por isso, também, a de S.Ex.mo Marido e meu caríssimo amigo tenente-coronel Maggiolo de Gouveia. Particularmente assisti-lhe com assiduidade quando ele baixou no Hospital, sem gravidade, mas onde se manteve até ao dia 7 de Dezembro de 75. Nessa data, a FRETILIN levou para Aileu todos os doentes-presos, como aliás todos os seus prisioneiros, detidos em Dili, que andaria à volta de uns 800. Foi, então, que perdemos o contacto com os presos. Todos nós sentíamos a sensação de nos encontrarmos num túnel de curva fechada e vivíamos horas densas de angústia, situações de terror e como que de contínuo suspensos sobre o abismo da morte. Deus, e só Deus, era a nossa esperança: ao coração d`ELE fazíamos e continuamos a fazer insistente violência.
Só agora, e já lá vão sete meses de guerra - começa a raiar esquivamente a aurora de possíveis dias de paz: começa a haver tranquilidade e confiança e a vida está a voltar à normalidade. E, também, só agora, estão chegando notícias daqui e dali, do interior da Província, do que por lá se passou. Estão aparecendo em Dili alguns prisioneiros levados pela Fretilin, mas são muito poucos, os suficientes, porém, para por eles se saber os que não voltarão porque foram mortos pelas hordas comunistas. E entre estes que não voltarão, porque seguiram rumo à Casa do Pai do Céu, está o nosso querido tenente-coronel Maggiolo de Gouveia: fez ele parte dos mais de mil prisioneiros executados pela Fretilin no altar do ódio a Deus, à Família e à Pátria. É deveras doloroso esta minha missão de lhe vir anunciar que Seu estremoso marido não pertence já ao número dos vivos «neste vale de lágrimas», deu a sua vida pela fé e pela Pátria, morreu como um autêntico cristão, como um Homem inteiriço, como um militar de têmpera desses militares de antanho que são orgulho e exemplo da vossa gloriosa história. É natural, minha senhora, que o seu coração de esposa sangre de dor e que a sua alma mergulhe na tristeza mais atroz; mas quando um homem morre como o seu marido morreu, herói da fé e da Pátria, é mais motivo para dar graças a Deus e honrar-se em tal morte do que para lamentações e lutos. A certeza que lhe advém da fé, de que um dia encontrá-lo-à na Casa do Pai e o exemplo que ele deu, de testemunho da sua fé e das virtudes humanas, cristãs e militares, afirmadas sempre e, sobretudo, à hora da sua morte e com o sangue, serão o melhor e mais suave linitivo para a sua dor e deverão ser para V.Ex.cia e para seus filhos motivo de santo orgulho, de nobre estímulo na vida e, até, de cantar ao Senhor o «Magnificat».
A execução devia ter sido entre 9 a 15 de Dezembro de 75. Neste momento, ainda não me é possível averiguar a data exacta. Sei apenas algumas circunstâncias que tentarei passar ao papel, somente, para lhas comunicar.
Como atrás disse, todos os presos haviam sido levados de Dili para Aileu, em condições as mais desumanas. Em dia que ainda não consegui precisar, mandaram reunir todos os presos, como era rotina, e foi feita a chamada de cerca de 50 a 60 homens, incluindo o nome de Maggiolo de Gouveia, que sucessivamente iam alinhando no terraço. A este grupo, escoltado pela milícia armada, como era hábito, foi dada ordem de marcha em direcção à estrada de Aileu-Mausisse. Chegados aqui, e percorridos uns metros de estrada, soou a voz de «alto» e o grupo parou e viu-se próximo de uma grande vala, previamente aberta ao lado da estrada. É-lhes, então dito que todos vão, ali ser fuzilados. Há um momento de consternação e de estremecimento colectivo. As milícias põem a arma à cara: e é então, que o tenente-coronel Maggiolo levanta a voz e diz: Senhores, deixem-nos rezar. E todo o grupo, de joelhos em terra, reza o terço a N.Senhora, dirigido pelo tenente-coronel Maggiolo. Terminado este e estando todos de joelhos, encoraja e anima os seus companheiros «condenados à morte» e termina dizendo: Irmãos, breve vamos comparecer na presença do nosso Deus e Pai: façamos o nosso acto de contrição, o nosso acto de anor. E, em silêncio entrecortado de lágrimas, os corações daqueles homens sobem a Deus para pedir... lembrar... e dizer... aquilo de que, naquela hora derradeira, Deus é o Único testemunha. Depois, o tenente-coronel põe-se de pé, sendo seguido neste gesto pelos seus companheiros, e dirige-se aos soldados-algozes nestes termos: irmãos, nós estamos já preparados para comparecer no Tribunal de Deus, lá vos esperamos também a vós. O meu único crime foi o de não renegar a minha fé e o de amar Timor. Morro por Timor. Morro pela minha Pátria e pela minha fé católica. Podeis disparar. Evidentemente, os soldados timorenses ficam como que petrificados, não se movem, nem se atrevem a pôr a arma à cara. É um estrangeiro que rompe o silêncio destes primeiros instantes e quebra a indecisão daqueles soldados nativos: põe a arma à cara e dispara contra o tenente-coronel Maggiolo. E, logo a seguir, todos os soldados fazem o mesmo, abatendo com rajadas sucessivas todos os presos. (Esta narrativa - quero que o saiba, minha senhora, - ouvi-a da boca de um dos presos de Alieu, o Administrador do Concelho de Mabusse, Lúcio da Encarnação, que a ouviu por sua vez dos próprios soldados-algozes e que, ao fim, foi salvo pelas milícias de Ainaro).


Assim morrem os heróis. Assim morreu o tenente-coronel Alberto Maggiolo de Gouveia. E, quem assim morre, é orgulho para os pais, para a esposa, para os filhos e para a Pátria. Morreu como herói da fé e da Pátria: e, desta forma, não é a morte que coroa a vida, é a glória eterna em Deus que sublima tal morte. E mais vale morrer com glória do que viver com desonra - eram desta têmpera os portugueses de antanho - foi a ideia-força na vida deste Homem, deste Cristão e deste oficial do Exército Português, de Maggiolo de Gouveia. Se, como piedosamente cremos, ele continua a viver no Céu, junto de Deus, também viverá no coração dos timorenses enquanto a memória dos homens não se desvanecer.
Desculpe, minha senhora, fui muito extenso e não disse tudo nem..., é quem tudo conhece. Mas pensei que seria esta a melhor forma de ir mitigar a sua grande dor, de pedir-lhe que tenha coragem na vida para vencer até ao fim, onde o encontrará, e de exortá-la à confiança em Deus que é o melhor dos pais e que, assim, a começa a preparar para «esse encontro» na meta final da vida.
Aqui vão, Senhora D. Maria Natália, para V.Ex.cia, para Seus filhos e para toda a demais família, as minhas profundas condolências e a expressão da minha comunhão de orações de sufrágio, com os meus sentimentos de religiosa estima e muita consideração.

 

De Vossa Excelência servo inútil em Cristo

 

José Joaquim Ribeiro - Bispo de Dili

 

publicado in http://nonas-nonas.blogspot.com

 

foto em http://ultramar.terraweb.biz/Livros/RodrigoEmilio/MaggioloGouveia_DanielRoxo.pdf

 

posto por Marcello de Noronha



publicado por porabrantes às 07:27 | link do post | comentar

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