A oportunidade cria-se e destrói-se...
A Igreja da Misericórdia foi classificada pelo Estado português como de «interesse público» segundo o artigo 2º do Decreto-lei nº 95/78, de 12 de Setembro.
O conjunto e o pormenor do painel degradado do altar-mor da Igreja da Irmandade, de inspiração renascentista, pintado inicialmente de verde e amarelo, é de Domingos Vieira Serrão, pintor de Filipe I I que tem obra no Convento de Cristo e no Louvre.
Desde o início dos anos 90 que a Santa Casa procurou recuperar e conservar em especial o seu altar-mor. Sem sucesso! Nos anos 80 já tinha havido uma obra de recuperação da sacristia, do tecto e do interior do trono, parte de trás, era Provedor o sr Aurélio Nogueira.
O município de Constância deve contribuir para a recuperação deste património de uma vez por todas. Não adiando mais esse apoio. Cumprindo assim com uma das suas atribuições (Lei 75/2013, na sua versão actual).
É o que se espera dos autarcas pois apenas são gestores da coisa pública e bem pagos.
É lamentável que a actual força municipal maioritária tenha bloqueado uma proposta da Santa Casa quando eram força minoritária, em que a Irmandade propôs por exemplo a salvaguarda de património arquivístico, muito relevante e raro sobre o Concelho.
Quem exerce o poder público não deve seleccionar o calendário político mais propício para dar apoios.
A Dra Manuela de Azevedo, a Doutora Manuela Mendonça, eu próprio, o antigo Provedor Vasco Botelho de Souza, procurámos a defesa do património arquivístico a que atrás me refiro. A proposta de protocolo foi aprovada pela assembleia geral a que eu presidia. Mas o PS, na câmara, com os seus jogos de bastidores fez abortar os contactos que então tínhamos desenvolvido com o executivo, acaso da CDU. Fosse o que fosse, não importa.
Quem ama Constância de verdade, olha primeiro para o interesse público.
Nos últimos quatro anos várias vezes tenho alertado para a urgência da recuperação da Igreja da Irmandade. na linha do que sempre fiz. Não é demais recordar que o actual Provedor integrou os corpos gerentes no mandato em que nos anos 90 tentámos, sob iniciativa do seu pai, o antigo Provedor António da Silva Teixeira, levar a bom porto uma candidatura oficial de recuperação do altar-mor.
À Mesa Administrativa só posso desejar sucesso nos projectos que estão a desenvolver neste âmbito.
Aos autarcas fica uma palavra para que não sejam oportunistas. A Igreja está cada vez mais degradada porque os senhores querem. Quem tem o poder de gerir não tem desculpas eternas.
Sei muito, muito bem do que falo.
Boicotam umas e aprovam outras. Estimulam umas e desincentivam outras...

título e sublinhado nosso