Terça-feira, 26 de Janeiro de 2021

''O caso das empresas instaladas no parque industrial de Abrantes (zonas norte e sul) e nas zonas do Pego e Tramagal, é paradigmático. Atraídas por preços de instalação, condições de acesso e benefícios fiscais (que já não se diferenciam dos oferecidos por parques e zonas industriais de outros municípios), estas empresas têm visto as suas expetativas goradas por uma gestão amadorística destas infraestruturas, onde sobra em indisponibilidade, negligência e desinteresse o que falta em diálogo, conservação e melhoramentos''

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ALTERNATIVAcom



Comunicado | 26 de janeiro de 2021



O NOSSO COMPROMISSO PARA COM AS EMPRESAS E O EMPREGO



Aos municípios compete fomentar o desenvolvimento, promovendo e apoiando atividades económicas de interesse local. Só o desenvolvimento sustentável – baseado numa forte capacidade empreendedora e empresarial, de investimento e formação, de incentivo à fixação de pessoas e de baixos custos de contexto – pode gerar emprego, rendimentos e bem-estar. Os cidadãos são os principais atores económicos, sociais e culturais desta obra exigente, competindo aos órgãos locais do Estado abrir caminhos, regular, incentivar, apoiar e fiscalizar.



Todos devemos ter consciência da lamentável situação em que nos encontramos, e de como – e porquê – aqui chegámos. Dos treze municípios do Médio Tejo, Abrantes é responsável por 25,9% dos desempregados inscritos no IEFP (1.498), quase o dobro do município que se lhe segue (Ourém). Estes desempregados representam cerca de 10% da população ativa, a mais alta taxa da região. No mês passado (dezembro de 2020), o número de desempregados aumentou em Abrantes (+11,5%), tendo diminuído no Médio Tejo (-1%). São números arrasadores que nos devem preocupar e indignar.



Estes dados não surpreendem, se tivermos em conta que não há uma promoção séria do empreendedorismo e que os programas de incentivo “Abrantes Invest” e “+ Comércio no Centro” são um fracasso. Em maio do ano passado, o movimento ALTERNATIVAcom questionou o município sobre esta matéria, não tendo havido qualquer resposta. Permanece um manto de opacidade sobre os custos e a eficácia dos instrumentos municipais de desenvolvimento económico, incluindo o parque tecnológico Tagusvalley.



Ainda assim, foi revelado que ao abrigo do programa “+ Comércio no Centro” foram investidos nos últimos seis anos 62.117,13 euros para apoiar o arrendamento e a criação de apenas 46 novos postos de trabalho em 34 novos estabelecimentos (aproximadamente 1 a cada dois meses). Todavia, nada se disse sobre os estabelecimentos encerrados e os postos de trabalho extintos no mesmo período (uma realidade que salta à vista de todos), sendo legítimo assumir que Abrantes tem regredido, não apenas em termos relativos (comparativamente com outros municípios), mas também absolutos.



No entanto, a máquina de propaganda do município reforça-se continuamente e procura fazer crer, sobretudo em vésperas de eleições autárquicas, que são feitos importantes investimentos e criados muitos e bons postos de trabalho. Tal até seria verdade, se as promessas políticas feitas na última década tivessem sido cumpridas, o que não foram. Só os anunciados projetos Tectania, RPP Solar e Ofélia Club teriam criado mais de 2.650 postos de trabalho, absorvendo todo o desemprego de Abrantes e, até, fixando novos habitantes. Como se sabe, tal não aconteceu e nunca foram dados esclarecimentos plausíveis.



É certo que o novo restaurante McDonald's criou postos de trabalho, a maioria deles precário e a tempo parcial, mas quantos estabelecimentos de restauração e bebidas encerraram? Com inusitada pompa e circunstância, foi inaugurado um stand automóvel nas instalações onde outro havia anteriormente soçobrado, mas quantas concessões e oficinas automóveis fecharam em Abrantes, um concelho onde algumas grandes marcas deixaram de estar representadas? O mesmo se passou em muitos outros ramos de atividade…



O município esconde estes números, mas basta consultar as estatísticas do INE para se ficar a saber que, entre 2015 e 2018, Abrantes perdeu peso (ou quota) empresarial no conjunto dos treze municípios do Médio Tejo, tanto no que se refere a grandes empresas, como a PME. Assim, enquanto o número de empresas na região cresceu 5,5%, em Abrantes cresceu menos de metade (2,6%), passando de uma quota de 13,2% para 12,8%. Esta quebra foi particularmente notória no sector das atividades administrativas e serviços de apoio, em que Abrantes decresceu 40,7%, contra um acréscimo de 11,8% no Médio Tejo.



Para o movimento ALTERNATIVAcom, o investimento e o progresso económico devem ser social, ambiental e financeiramente sustentáveis. E as transições para novos modelos económicos e novas formas de comércio devem ser adequadamente planeadas e compensadas. Consideramos um desastre o abandono do comércio tradicional em favor de uma pseudo-modernidade jactante, em especial os estabelecimentos dos centros históricos da cidade, onde se inclui um dos ex-líbris da cidade, o maltratado Mercado Municipal, cujo edifício histórico se insiste em demolir, extirpando a nossa memória e identidade.



É também motivo de grande preocupação o futuro das nossas empresas, se nada for feito para assegurar a sua expansão, ou mesmo sobrevivência e continuidade. As empresas instaladas merecem outra atenção e consideração, exatamente a que têm necessitado e justamente reivindicado, mas não têm encontrado da parte do município. Com o movimento ALTERNATIVAcom, outra era se abrirá na qualidade deste relacionamento mútuo, com ganhos objetivos e ímpares para as empresas e a comunidade.



O caso das empresas instaladas no parque industrial de Abrantes (zonas norte e sul) e nas zonas do Pego e Tramagal, é paradigmático. Atraídas por preços de instalação, condições de acesso e benefícios fiscais (que já não se diferenciam dos oferecidos por parques e zonas industriais de outros municípios), estas empresas têm visto as suas expetativas goradas por uma gestão amadorística destas infraestruturas, onde sobra em indisponibilidade, negligência e desinteresse o que falta em diálogo, conservação e melhoramentos. Sendo Abrantes um território industrial, a falta de investimento e promoção das zonas industriais explica muito da debilidade económica do concelho.



Os exemplos são inúmeros, uns mais visíveis do que outros. Entre os primeiros, estão problemas de acessos, manobrabilidade, pavimentação, drenagem, sinalização horizontal e vertical, estacionamento, limpeza, eliminação de ervas, etc. Nos segundos, estão dificuldades com comunicação e negociação, burocracia e demoras injustificadas, planeamento e captação de investidores, serviços partilhados de apoio, estudos de impacto social e ambiental, etc. Para que o parque e zonas industriais de Abrantes, Pego e Tramagal não sejam meros “depósitos” de empresas, importa que se assuma uma efetiva orientação para o mercado e capacidade de resposta às necessidades dos investidores.



Como já alertámos, estamos também apreensivos quanto ao futuro da central termoelétrica do Pego e dos cerca de 300 trabalhadores permanentes e 500 ocasionais que lá trabalham, assim como dos 80 trabalhadores da insolvente FRASAM - Fundições do Rossio de Abrantes. No conjunto, estes trabalhadores diretos representam cerca de 12,5% do emprego por conta de outrem do concelho, devendo também ser tidos em conta os impactos indiretos. Esta é uma realidade que o município não pode ignorar ou apenas simular empenho, devendo pôr os interesses de Abrantes antes e acima dos interesses partidários ou outros.



O movimento ALTERNATIVAcom tem perfeita consciência da importância dos agentes económicos, grandes e pequenos, na recuperação e relançamento económico do concelho, bem como da responsabilidade e do papel do município na prossecução deste objetivo primordial. A missão é difícil, mas possível. Connosco, a iniciativa e o empreendedorismo serão uma realidade sociocultural, as empresas e os empresários serão parceiros estratégicos e singulares, os artífices e pequenos produtores/comercializadores serão acarinhados e estimulados, o desemprego será debelado e Abrantes atrairá novos trabalhadores e empreendedores.



Contem connosco, nós contaremos sempre convosco.



Movimento ALTERNATIVAcom



publicado por porabrantes às 09:45 | link do post | comentar

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