Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021

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José Albuquerque Carreiras lança novo livro, agora sobre o Teatro de S.Pedro

José Albuquerque Carreiras é professor do Instituto Politécnico de Tomar e engenheiro civil de formação, mas além disso é também licenciado em História e investigador já conhecido nesta área.

Até aqui as publicações, actividades múltiplas e livros que deu à estampa (como Editor e estudioso) inseriram-se sobretudo na área de estudo do monaquismo de Cister  e das Ordens Militares, como os Templários.

Agora dá-nos a bela surpresa de publicar uma obra sobre historiografia abrantina: ‘’O Teatro São Pedro de Abrantes- Memória (Edição comemorativa dos 75 anos da Sociedade Iniciativas de Abrantes-1946-2021)’’.

O seu interesse pela temática abrantina é já antigo, e pode medir-se por uma intensa colaboração no mais antigo órgão da imprensa regionalista, ‘’O Jornal de Abrantes’’, de que nos anos 80, assegurou a coordenação da redacção.

 Múltiplos artigos, alguns já de carácter histórico,  espelham este interesse pelos assuntos da sua terra e todos primam por uma abordagem crítica e independente da realidade social, cultural e política local e  atestam uma personalidade fortemente empenhada na defesa desses valores.

Assim, foi José Albuquerque Carreiras, o primeiro subscritor duma petição para impedir que o velho  Convento de São Domingos de Abrantes fosse descaracterizado por uma descomunal torre, da autoria de Carrilho da Graça, e activamente participou nesse combate, que deu brado, para preservar a harmonia paisagística de Abrantes, acção que se insere no percurso cívico de que venho fazendo eco.

Trata o seu livro dum cinema e os interesses cinéfilos do Autor são conhecidos, tendo sido um dos fundadores do cineclube local ‘’ Espalhafitas’’, que teve a sua morada inicial no Teatro que estuda e que daí foi afastado por uma ‘’fita’’ montada pela cacique .

Também aborda, ao relatar todos os impedimentos levantados, à construção do Teatro, pela autarquia da altura, dominada pelo grupo ex-integralista de Henrique Augusto da Silva Martins, França Machado e Henrique Martins de Carvalho, e a forma como um polvo caciquista pode tentar esmagar a sociedade civil dum concelho, tudo tentando dominar e sufocando  através dos seus tentáculos, qualquer tentativa de inovação que lhe fuja ao controle.

Assim os impedimentos a construir o S.Pedro não foram inéditos, porque da mesma forma tentaram impedir a construção do Colégio de Nossa Senhora de Fátima ou de um Hotel moderno na Cidade.

Tudo porque os investidores que dinamizavam estas actividades não eram da sua cor política e aliás boa parte deles, começando pelo médico que liderou estas ousadas iniciativas que mudaram a face de Abrantes, o Dr.Manuel Fernandes, eram seus tenazes opositores políticos.

Não estarei aqui a resumir o conteúdo aliciante do livro, que é uma das primeiras análises profundas deste conflito político ( há alguma coisa já, do Eduardo Campos e do dr. João Nuno Serras Pereira, etc e bastante material inédito de vários autores), deixo ao leitor o prazer de  se encarregar disso.

Mas sublinharei a importância desta abordagem para o estudo da história contemporânea da nossa  terra.

Quero ainda realçar o notável trabalho de arqueologia urbana que é feito nesta obra, através do estudo de velhas plantas, que permite aperceber-nos como era o tecido urbano da vila setecentista, quando se implantou a velha Igreja de São Pedro e constatar que a sua demolição foi um erro crasso, porque haveria muitos outros locais para implantar o Teatro.

As sucessivas demolições de imóveis marcantes, foram uma tragédia que empobreceram o património ( a Manuel Fernandes deve-se por exemplo a demolição do mais belo baluarte da cidade, o de Santo António, para fazer o Hotel Turismo, como assinalou o arquitecto Santa Rita Fernandes) e é com estupor que se verifica que querem de novo  reeditar esta política, demolindo o Mercado Diário, apesar dos protestos da sociedade abrantina.

Não aprendemos nada com o passado?

Esta pergunta serve para introduzir uma breve achega sobre a forma como o velho Teatro e a sua sociedade proprietária enfrentaram o desafio de o manter ao serviço da Comunidade, quando as novas tecnologias pareceram tornar estes equipamentos obsoletos.   

José Albuquerque Carreiras retrata-nos esse processo e é de facto a pessoa indicada para o historiar, porque foi pela sua acção que foi possível à Iniciativas celebrar um acordo com o Município, que permitiu a recuperação deste imóvel e a sua colocação ao serviço de Abrantes, durante quase duas décadas, sob gestão autárquica.

Aqui se demonstra o empenhamento da Iniciativas em procurar manter o Teatro ao serviço da população abrantina, objectivo primordial que sempre foi o seu, e que foi o timbre desta  sociedade.

Infelizmente a autarquia não foi capaz de o dinamizar como merecia, de instalar uma companhia de teatro residente, de manter sessões regulares de cinema (nos últimos tempos proibiu-se o cinema e subsidiava-se privados para o fazerem lá para o Vale das Rãs), perseguiu-se o cineclube abrantino.....que agora oferece sessões no Sardoal  e faltou ao seu compromisso de manter em aceitável estado de conservação as fachadas exteriores da sala de espectáculos, que é  uma peça notável da arquitectura moderna lusa.

Coube ainda ao Autor, pilotar o despertar da Iniciativas, que esteve 20 anos adormecida e liderar o processo que levou à aquisição pela autarquia, por metade do valor do preço de avaliação oficial e num pagamento faseado ao longo de 7 anos.

Acompanhei de perto este processo e o relato feito, factualmente correcto, onde se denuncia a acção inqualificável de Maria do Céu Antunes, peca quanto a mim, por excessiva magnanimidade.

Mas se não fosse a acção do Autor (a que dei a ajuda que me foi possível) as Iniciativas teriam continuado adormecidas e suspeito que os restantes sócios nunca veriam um tostão, como aconteceu aos accionistas abrantinos do Hotel Turismo. Por isso a acção de José Albuquerque Carreiras foi de novo aqui crucial.

Encerra-se este escrito, recordando apenas que as famílias que ergueram os investimentos que modernizaram Abrantes, dos anos 40 a finais dos 70, têm sido maltratadas pelas gestões autárquicas abrilistas. Em parte por culpa sua, porque não reagiram no sítio certo, os Tribunais da República, a esse mau trato. Mas especialmente por motivos duma ingratidão, a quem serviu Abrantes,  que ficará na História. E que os maus tratos da Antunes à Iniciativas são fiel reflexo.

HFE 

         

 

 

 

 



publicado por porabrantes às 18:18 | link do post | comentar

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