A violação duma abrantina por um possesso transmontano que queria capturar uma Virgem para assegurar a vida eterna
no Correio da Manhã (2004) com a devida vénia::
''TERROR EM RITUAL SATÂNICO
A PSP de Chaves encontrou em casa do indivíduo que na segunda-feira - como o CM ontem noticiou - esfaqueou e violou uma jovem de 17 anos, um verdadeiro santuário satânico. No quarto onde dormia, com paredes pejadas de inscrições a sangue, foram apreendidas dezenas de cassetes de vídeo celebrando rituais de adoração ao Diabo e um punhal simbolizando o demónio.
O homem, Joaquim Mauro, de 27 anos, estofador de sofás, já em prisão preventiva decretada pelo Tribunal de Chaves, vestia-se sempre de preto e usava um porta-chaves com uma bola de ‘snooker’ com o número 13, número que, aliás, está estampado por todo o quarto.
O Bairro do Alto da Trindade, em Chaves, está em alvoroço após serem conhecidos os pormenores em que uma jovem estudante de 17 anos, sob a ameaça de uma faca, foi obrigada a entrar para uma casa onde se viu envolvida num ritual satânico, esfaqueada na cabeça e nas costas e posteriormente violada. No bairro corre um abaixo-assinado para solicitar que a família do detido saia daquela zona da cidade.
O drama aconteceu no Domingo de Páscoa quando, a meio da tarde, a vítima saiu de casa para despejar o lixo num contentor localizado em frente à casa do agressor. “Enrolado numa manta, ele trazia uma faca de matar porcos com a qual me obrigou a entrar em casa dele”, explicou a jovem ao CM. “Fechou as portas à chave, atirou-me para cima da cama, deu-me facadas nas costas e na cabeça, despiu-me e violou-me. No final, quis ser ele a vestir-me, e foi quando dei conta que o sítio onde tinha estado deitada na cama estava cheio de sangue”.
Segundo a jovem estudante, o agressor confrontou-a com o facto de ela já não ser virgem, “porque queria uma mulher em estado de pureza para conseguir a vida eterna. Perguntou-me se eu tinha uma irmã mais nova e se ela seria virgem, dizendo que telefonava ao meu pai para a trocar por mim, ao que eu disse que preferia morrer do que lhe entregar a minha irmã”, conta, emocionada com a recordação.
“Disse-lhe que estava a perder muito sangue ao que ele retorquiu que estava a pensar se me havia de matar ou não. Supliquei-lhe para ligar para o 112, o que ele fez, dando a localização da casa e relatando o que tinha acontecido”, conta.
Quando a PSP chegou, o agressor entregou-se sem resistência.
'PEDI-LHE QUE NÃO ME MATASSE'
A jovem, natural de Abrantes, está com a família em Chaves há quatro anos e frequenta actualmente um curso de formação profissional do Instituto de Emprego. A estudante está ainda em estado de choque e confessa que ainda não conseguiu dormir desde que tudo aconteceu. Recorda que o agressor tinha no quarto diluente com o qual lhe ameaçou queimar a cara e super-cola para lhe fechar os olhos.
“Disse-me que para além de mim iria matar mais duas raparigas do bairro. Pedi-lhe por tudo para me deixar ir embora ao que ele respondeu: “Está muito caladinha, já te dei duas facadas e não me custa nada dar-te mais três ou quatro”.
A rapariga estava aterrorizada porque, conforme disse ao Correio da Manhã, sentiu que o agressor estava capaz de tudo. Uma pequena faísca no seu humor e poderia ter-se desencadeado um drama de ainda maiores proporções. “Tentei nunca me calar, prometi-lhe que estava disposta a tudo desde que me poupasse a vida, pressentia que se quebrasse todos os elos de comunicação ele perderia completamente o controlo”, recorda. ''