Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2016

'' 

«Os Capitães de Abril... e todos os participantes nas várias negociatas sobre a independência que por aí tiveram lugar, em Lusaca, no Sal como na Argélia e sabe Deus onde mais, ao alienarem ilegalmente a maior parte do que era, legitimamente, território português, deviam ter sido sentados no banco dos réus. Não o foram, mas serão julgados pelo tribunal da História porque Portugal, um País com mais de oito séculos, com a descolonização que lhe impuseram os fautores do 25 de Abril de 1974 e às suas mãos, como todos temos doloroso conhecimento e Adriano Moreira escreveu, sofreu aí "o pior desastre da História portuguesa".»''

 

Major General Fernando Paula Vicente, natural e educado nas Mouriscas

 

do CV '' Em Luanda, foi contemporâneo do cap pilav José Borges Ervedosa e do alf mil inf Manuel Alegre de Melo Duarte; ambos posteriormente foragidos e activistas, em Argel, no programa radiofónico "Voz da Liberdade", emitido pela FPLN.''

manuel alegre.jpg

 

Já falei do livro

Angola_Colonizacao_Descolonizacao_capa.jpg

mas foi não lançado em Abrantes, desafia-se o ex-Reitor da Escola Oliveira Salazar do Úige  para mais os Adimos, o lançarem na António Botto, com a presença de Manuel Alegre.

Gostaríamos de saber se o sr. General é capaz de dizer ao Poeta que ele é um'' ''foragido.''

 

paula vicente.jpg

O bravo Major General das Mouriscas

 

devida vénia a Ultramar Terra Web

 

Na nossa opinião, Manuel Alegre é um resistente e não um ''foragido''. Nunca o vimos fugir de coisa nenhuma.

Trova do Vento que Passa

Para António Portugal

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio - é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi meu poema na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(Portugal à flor das águas)
vi minha trova florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre, in 'Praça da Canção'

 

a redacção

 



publicado por porabrantes às 19:28 | link do post | comentar

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