''MUNICIPIO DA CHAMUSCA DECLARA A TAUROMAQUIA COMO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL DE INTERESSE MUNICIPAL
Car@s amig@s
É com enorme satisfação que vos transmito que... esta semana o município da Chamusca declarou à Tauromaquia como Património Cultural Imaterial de Interesse Municipal.
Deixo-vos aqui o excerto da declaração.
A uma semana da Semana da Ascensão, considero ser uma excelente notícia para maior parte dos Chamusquenses.
“Pega-se um toiro,
pegam-se dois
pega-se o curro
que sair depois.
Amigo vem
Farda a meu lado,
Chamusca é mãe
e noiva do forcado.”
Maria Manuel Cid
Data de 17 de julho de 1785 a primeira informação de que há registo de um espetáculo tauromáquico na Vila da Chamusca, na altura organizado por ocasião das festividades dos casamentos dos Infantes filhos de D. Maria I, D. João e D. Mariana Vitória. Não existia ainda, à data, a Praça de Touros, conforme se pode verificar no seguinte acórdão da Câmara:
«… E logo no mesmo acto se abriu huma Carta regia em q. Sua Magestade era servida participar a esta Camara os Casamentos das Senhoras Infantas para efeito de se fazerem as demonstrações de alegria costumadas e visto esta Camara se achar sem rendimento algum determinão que no dia 5, 16 e 17 do corrente mez se pusessem luminárias, e que no dia 16 se lançasse algum fogo e no dia 17 houvesse Culto Divino com a decência possivel com assistência da Camara e mais Povo e no mesmo dia se corressem touros e houvesse alguma cavalhada o que com mais luzido se pudesse fazer para o que contribuirão os oficiais da Camara e mais pessoas da Governança dela, e que os homens de negocio, tanto os da terra como os marítimos contribuirão a porpoção dos seus cabedais que lhes foram lançados e eles podessem pagar e que os oficiais respectivos e pessoas que tiverem madeiras serão obrigados a emprestarem as madeiras e prepararem a praça e que os oficiais desta Camara… aos Almotacés actuais e correrão por eles e para a Praça pronta para o que se lhes intimaria este acórdão.»
Acórdão de 3 de julho de 1785 – Fls. 50 e 50 v. do L.º n.º 1
– Arq. da Câmara da Chamusca
Existem, no entanto, referências poéticas anteriores que denotam que já muito antes desta data se manifestavam as tradições taurinas no nosso território. A quintilha infra-citada, da autoria de D. Francisco Manuel de Melo, nas suas Obras Métricas, pertence a uma edição que data de 1665:
«Nunca viste no terreiro
Touro bravo da Chamusca
o que passa c’o toureiro?
Que êsse a quem primeiro busca
Esse é quem mata primeiro.»
São, pois, diversos os registos bibliográficos que permitem afirmar que a tauromaquia assume especial relevo no código genético da cultura chamusquense que atravessou já cinco séculos da nossa história.
Parecem até ter existido já várias praças de touros antes daquela que conhecemos atualmente:
Praça João de Deus – meados século XIX (em madeira);
Largo do Arneiro – 1862 (em madeira);
Largo de Camões – 1872 (em madeira);
Arneiro do Cid – 1875 (em madeira);
Arneiro do Cid – 1888 (em alvenaria e madeira).
A atual praça de toiros, quase centenária, foi inaugurada nos dias 3 e 4 de agosto de 1919.
Ao longo dos anos, nas mais diversas datas e festividades, são recorrentes as brincadeiras tauromáquicas, os bravos toureios, as lides gloriosas, imprimindo na identidade da cultura chamusquense a inevitabilidade da presença do toiro e da festa brava. Esta identidade ainda hoje permanece nos costumes da Vila e do Concelho, vivificada pelos 2 grupos de forcados e pelas ganadarias e coudelarias que dão primazia ao nosso território na criação do toiro de lide e do cavalo lusitano.
Afigura-se-nos, assim, por demais relevante que se distinga a cultura tauromáquica enquanto elemento identitário do nosso património.
Então, considerando que:
1. A Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, adoptada na 32ª Conferência Geral da UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, em 17 de outubro de 2003, aprovada pela Resolução da Assembleia da República nº 12/2008, de 24 de janeiro, e ratificada pelo Decreto do Presidente da República nº 28/2008, de 26 de março, reconhece, salvaguarda e fomenta o respeito pelo património cultural imaterial das comunidades, dos grupos e dos indivíduos na defesa e valorização do património cultural imaterial, designadamente do património que criam, mantêm e transmitem;
2. A Convenção reconhece que as comunidades, os grupos e os indivíduos desempenham um papel importante na produção, salvaguarda, manutenção e recriação do património cultural imaterial, contribuindo, desse modo, para o enriquecimento da diversidade cultural e da criatividade humana;
Por outro lado, a Constituição da República Portuguesa dispõe, no seu artigo 78º, que incumbe ao Estado promover a salvaguarda e a valorização do património cultural, tornando-o elemento vivificador da identidade cultural comum;
Com efeito, é tarefa mas também dever do poder central e local reconhecer, salvaguardar e valorizar as diferentes expressões culturais existentes por todo o País, não se confundindo tal tarefa ou dever com a criação, por parte do Estado, de novas ou diferentes manifestações culturais, nem com imposições de umas em detrimento de outras;
A Tauromaquia é, indiscutivelmente e nas suas diversas manifestações, parte integrante do património da cultura imaterial portuguesa, remontando as suas origens bem para lá das origens da portugalidade;
Em particular, a Tauromaquia assume, no Município da Chamusca, uma muito relevante importância cultural, social e económica, manifestada sobretudo através de festividades taurinas formais e populares;
Pelo anterior exposto, é inegável que, na Chamusca, a tauromaquia popular e de praça faz parte dos costumes das gentes, assumindo relevante expressão nas festas do concelho, nas quais é indissociável o toiro de lide e tudo o que lhe é inerente, constituindo manifestações de comunidade e de estreitamento dos laços interpessoais e geracionais que a constituem, contribuindo, assim, para a criação e para a manutenção de um element vivificador comum;
A tauromaquia poderá fomenter cada vez mais, de sobremaneira, o desenvolvimento turístico do município da Chamusca, veiculando e difundindo a cultura, promovendo valores, costumes e tradições, afigurando-se de inestimável valor para os munícipes. Com efeito, pretende-se que a tauromaquia possa atrair cada vez mais pessoas ao concelho, consequência do efeito de disseminação das nossas mais-valias;
A tauromaquia poderá gerar, para o município e para os munícipes, importantes benefícios económicos, traduzidos num forte e intenso intercâmbio commercial, que dinamizará toda a região;
A Chamusca está associada à criação de raças taurinas e equídeas, com ganadarias e coudelarias afamadas e de elevada tradição, que têm também contribuido para um desenvolvimento ambiental sustentável, permitindo que nesses espaços se desenvolvam também, e de forma protegida, inúmeras espécies de fauna e flora. Efetivamente, o ecossistema do toiro e do cavalo constitui um exemplo a seguir e um dos últimos redutos onde o interesse do Homem é consonante com o interesse ambiental;
A existência de dois importantes grupos de forcados – Grupo de Forcados Amadores do Aposento da Chamusca e Grupo de Forcados Amadores da Chamusca – constitui um reforço na continuidade da prática e transmissão de uma das manifestações tauromáquicas com quase 200 anos de história – a pega do toiro;
Nas particularidades da nossa cultura local são frequentes as tradicionais largadas de toiros, as quais constituem um fenómeno cultural multidimensional pela sua carga simbólica;
A importância da tauromaquia enquanto fator essencial para a preservação da identidade e memória coletivas da comunidade local, bem como da relevância do papel desempenhado por esta, no processo de representação e transmissão de conhecimento, são fatores determinantes para o seu reconhecimento como Património Cultural Imaterial de Interesse Municipal.
A Câmara Municipal da Chamusca, reunida em 21 de abril de 2015 e em conformidade com o supra exposto, decide aprovar a seguinte declaração:
A Tauromaquia, nas suas diversas manifestações, engloba um conjunto de tradições e expressões orais, de artes do espetáculo, de práticas sociais, rituais e eventos festivos e de conhecimentos e práticas relacionadas com a natureza que se encontram, desde há séculos, presentes e vivos no Município da Chamusca.``
com a devida vénia
a redacção só pode dizer : ''Olé Chamusca'' e que Abrantes aprenda com a Chamusca....
História
grândola- escavação Igreja São Pedro
montalvo e as ciência do nosso tempo
Instituto de História Social (Holanda)
associação de defesa do património santarém
Fontes de História Militar e Diplomática
Dicionário do Império Português
Fontes de História politica portuguesa
história Religiosa de Portugal
histórias de Portugal em Marrocos
centro de estudos históricos unl
Ilhas
abrantes
abrantes (links antigos)