
O escritor e jornalista Alfredo Bobela da Motta (Abrantes 1905- Lisboa 1978) era filho dum oficial da Armada, o abrantino Augusto Bobela da M., que fora entre outras coisas Governador Geral da Índia e Senador (1922) por aquele território.
Na sequência da atribuição do prémio Mota Veiga ao romance Luuanda, de Luandino Veira, A.Bobela que fazia parte do júri, renova as suas complicações com o fascismo e com a polícia política. (1965)
Tinha já um amplo curriculum de opositor à Ditadura, tendo sido responsável pela candidatura comunista de Arlindo Vicente em Moçâmedes.
E estava conotado com o grupo de intelectuais brancos, mestiços e pretos, que daria origem ao MPLA.
É-lhe movido um processo para o expulsar de Angola, para o banir do jornalismo profissional e é preso pela PIDE durante 100 dias.

Considerado um dos fundadores da Literatura Angolana, um dos seus melhores livros é este.
Aderente ao MPLA, foi um nacionalista angolano. Como muitos outros dos brancos que ajudaram a causa revolucionária, terminaria em Lisboa.
Quando ouço o Fernando Rosas dizer que Marcelino da Mata era um traidor à Guiné por ter escolhido Portugal, ter-se-ia de perguntar, se se aplicasse o mesmo peculiar critério, se Bobela era um traidor a Portugal.
Para o situar em termos abrantinos, era irmão de D.Maria Amélia Albuquerque Carreiras.
ma
alguns dados e imagens retirados de Angola e Literatura ivrosultramarguerracolonial.blogspot.com/2017/11/angola-literatura-nao-adianta-chorar.html
De Luísa Morais a 3 de Março de 2021 às 15:20
Alfredo Bobela Mota, ainda meu primo, foi um homem exemplar, como jornalista, escritor, cidadão. Viveu em Angola e integrou-se na sociedade em que residia. Tomou o partido que tomam os amantes da paz, da independência e autodeterminação dos povos, defensores dos direitos humanos. Qualquer analogia com Marcelino da Mota, que integrou o exército colonialista, contra o seu povo, um criminoso de guerra, que se gabava dos seus actos hediondos, é de facto de lamentar. Nada têm em comum e é incrível estabelecer um paralelo entre eles. Pena que um texto tão bonito fique manchado com esta comparação.
Cara Luísa,
Obrigado pelo seu comentário. Infelizmente Bobela da Mota tem uma coisa em comum com Marcelino da Mata. Os dois são vítímas das malhas que o império teceu. Comparar um escritor a um operacional pouco-letrado tem riscos. Mas o que tem pouco cabimento é chamar traidor a quem foi vítima das malhas que a história teceu. Suponho que o Fernando Rosas, no ardor duma discussão, disse o que não devia.
Foram traidores os ‘’gendarmes’’ catangueses que primeiro lutaram por Tchombé, depois por Portugal, e depois pelo MPLA?
Ou foram vítimas da história?
ma
De Luísa Morais a 4 de Março de 2021 às 11:54
Não quero entrar em polémica, mas nada tem a ver com o grau de instrução de um e do outro. Discordo em absoluto do vosso argumento. Bobela Mota foi um homem notável, a quem o então presidente da Angola, Agostinho Neto, concedeu a naturalidade a título póstumo. Marcelino da Mata era um criminoso de guerra, gabava-se das acções monstruosas que praticava contra a população guineense, seus irmãos. Eram os seus trofeus. Quis aderir ao exército colonial, outros o fizeram. A guerra é em si mesma violência e morte. Mas não praticaram esses actos de "bravura", que lhe valeu tantas promoções e medalhas.
Cara Luísa,
Também acho que não vale a pena uma polémica. Estou de acordo e foi isso que se sublinhou, que Bobela da Motta foi uma personalidade notável e aliás esquecida na sua terra natal, Abrantes. Foi para o lembrar, que se evocou a sua memória.
E porque anda por aí gente esquecida do que foi o fascismo, cá em Abrantes.
Certamente Marcelino da Mata, um guerreiro, tinha as mãos sujas de sangue. Como diz, ‘’a guerra é em si mema, violência e morte’’.
Mas Agostinho Neto é responsável pela implacável repressão dos nitistas, e pela morte duma angolana, que conheci Sitta Vales. E não foi em guerra.
A história da descolonização é um banho de sangue. Como o foi do da guerra colonial.
Dou por fechada esta amável troca de ideias.
Cumprimentos
Comentar post