Segunda-feira, 28 de Agosto de 2017

Casa Memória de Camões - Projecto de Vitor Consi

 

 

 

 

Roteiro de Camões para Constância

e o turismo de proximidade por discutir

 

O turismo cultural é um dos potenciais eixos do desenvolvimento económico da vila de Constância. Camões (e a sua obra) é, por conseguinte, um nome incontornável!

Nos anos 90 afluíam a Constância participantes nos fóruns camonianos promovidos pelo Centro internacional de Estudos Camonianos, presidido então pelo saudoso amigo Prof Doutor Justino Mendes de Almeida. As iniciativas eram da presidente da Associação da Casa Memória de Camões, a saudosa jornalista e escritora Manuela de Azevedo. À vila ocorriam ciclicamente dezenas de formandos por uma semana.

Não é de hoje que defendo a institucionalização formal do Centro internacional de Estudos Camonianos . O segundo passo deverá ser a criação do roteiro internacional de Camões. Em todas as áreas que requeiram uma organização devem estar presentes os conceitos. O mundo actual já não funciona só com «boas vontades» nem anda ao sabor de iniciativas filantrópicas dispersas que só funcionam porque existe um amigo influente numa determinada área do Estado. Herdámos essa cultura do salazarismo e mantêmo-la, não raro. É o telefonema para o «amigo» ou «amiga» é a cunha. O português funciona com «cunhas».

O turismo tem sido classificado pela organização mundial do trabalho como uma actividade em que existe um deslocamento superior a 24 horas, não motivado por questões laborais. Para o caso de Constância a visão que proponho deve abarcar o turismo de proximidade não restrito: questões económicas e comerciais, mas também as questões motivacionais, culturais e das inter-relações humanas.

É impossível e inviável ser compreendido se expusermos muitas ideias e conceitos de uma só vez. Daí ter seleccionado o roteiro de Camões. Nesta fase inicial de debate de ideias não posso ir mais além. Vou passar aos objectivos gerais que preconizei como essenciais para a criação do roteiro:

- criação de equipas de investigação, a partir de instituições existentes, repartidas por linhas de acção, da responsabilidade de académicos qualificados. Uma dessas linhas deverá passar pela edição crítica de textos camonianos em particular da lírica de Camões que os camonistas reputam para a nossa região. Continuando-se desta feita o trabalho do anterior CIEC.

- A constituição do centro internacional de estudos camonianos em «meeting place», forum permanente, para todos os académicos, formandos que tenham como objectivo o estudo da obra camoniana e da presença contínua do poeta na cultura lusófona. Nem toda a gente passa as férias de barriga para o ar a apanhar sol e a comer e a beber.

- A difusão/divulgação das iniciativas do trabalho do futuro CIEC juntos dos mercados de público-alvo.

A CRIAÇÃO E LANÇAMENTO DO FILME «CAMÕES NO RIBATEJO» ENVOLVENDO OS CONCELHOS DE CONSTÂNCIA E VILA NOVA DA BARQUINHA QUE FORAM OS CENÁRIOS DA OBRA «LUSITÂNIA TRANSFORMADA» EDITADA EM 1608 QUE TEM COMO PERSONAGEM «URBANO» O QUAL ESTÁ IDENTIFICADO COMO CAMÕES PELOS ERUDITOS.

- O apoio protocolado da missão da Associação da Casa Memória de Camões de zelar pelo aprofundamento da relação de Camões com Constância e a região em particular. Uma parceria com o município de Constância, a Associação da Casa Memória de Camões em Constância, os municípios de Vila Nova da Barquinha e de Pedrogão Grande (atenta a relação do poeta com esta última localidade) e com a Universidade de Macau por forma à criaçáo de um «cluster» organizativo. Vivemos numa aldeia global. Investimos hoje para colher frutos amanhã. Não podemos adiar mais o futuro. Temos de nos organizar em rede.

Quem pretende gerir os destinos de um concelho só pode projectar de forma organizada e mediante conceitos. Mas tem de ter ideias e opções que respeitem o património material e imaterial. Ter projectos válidos não é ter um monte de listas e uns textos com generalidades que se podem copiar da internet ou do programa anterior feito pelas comissões políticas. Também defendo que não podemos, de quatro em quatro anos, andar a saltar de lista em lista. E nada discutir profundamente. Só se vive uma vez. Não há muitas oportunidades para recuperar atrasos de monta.

Há um obstáculo sério à realização de qualquer projecto que vise o desenvolvimento do turismo de proximidade. As questões ideológicas. São fatais quando têm na génese a ortodoxia. Posições moderadas, mais democráticas terão de partir sempre da sociedade organizada e de maior abertura.

Post scriptum – Em vez de investir no provimento de dois juristas o município de Constância deveria apostar no provimento de técnicos superiores de turismo, continuando a apostar na figura da avença com um advogado de prestígio e carreira firmada. Sendo uma polémica que está a agitar o debate não político local não quero pronunciar-me sobre a inserção de um jurista recentemente provido em lista camarária elegível. Uma coisa eu sei: o desenvolvimento de Constância não passa pela criação de um pelotão de novéis juristas. A não ser que haja insegurança em tudo o que se faz. Não vou por aí. Não discuto pessoas mas sim ideias e acções.

 

José Luz (Constância)



publicado por porabrantes às 15:47 | link do post

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