A petição não procura obviamente um enfrentamento com o clero católico, dado que a maioria dos peticionários são católicos.
Coisa que não significa que os redactores deste blogue assumam todos essa posição.
Mas este blogue assume o conflito entre os interesses da cidade e os interesses agrupados em torno ao clérigo Graça.
Há um conflito e isso não é mau, da mesma forma que assumimos que a petição ao opor-se à carrilhada, contraria o grupo de interesses a que o Cónego Graça e que algum outro sacerdote local está ligado e que querem impor a destruição do tecido urbano abrantino contra a vontade de Abrantes.
Já dissemos que o Graça participou alegadamente na escolha do Carrilho da Graça porque segundo a CMA o arquitecto foi escolhido pela administração da Fundação e o Graça, enquanto sacerdote, faz parte como membro vitalício do Conselho de Administração dessa instância.
E para isso tem de ter o aval da hierarquia de quem depende, ou teve aparentemente o apoio de
Sanches Alves, ao tempo Bispo de Portalegre e Castelo Branco, depois Administrador Apostólico desta diocese em acumulação com o cargo que sempre desejou de Arcebispo de Évora.
O Reverendo Alves (desculpem a descortesia mas não o trato por Dom, porque isso implica outorgar-lhe a categoria de Grande de Portugal e não vejo grandeza nenhuma neste Prelado), a quem as gazetas apontam como um dos candidatos prováveis a Cardeal Patriarca, acumula neste momento a sua qualidade episcopal com a mais mundana de boss da Fundação Eugénio de Almeida, fundada pelo benemérito Conde de Vilalva, senhora de vastos latifúndios e grandes interesses económicos.
O Arcebispo tem delegado os seus poderes terrenais no senhor Cónego Dr. Eduardo Pereira da Silva, acto cuja legalidade é discutível em termos de Direito e que causou conflitos com a Condessa de Vilalva.
Cá para mim e para muitos observadores, o Sanches Alves mais que Arcebispo queria ser boss da Fundação.
Não é a mesma coisa reger os destinos duma Diocese pobre como Portalegre e com problemas financeiros (segundo a minha fonte na Cúria) que pastorear a Fundação Eugénio de Almeida.
Não sei se D.Antonino tem acompanhado as beneméritas actividades do grupo ligado ao Graça, mas se não o faz com atenção, está a cometer um erro pastoral imperdoável.
Dado ser Quinta-Feira Santa não vou (a não ser noutro post, se tiver tempo) criticar mais o clero nem a Hierarquia.
Vou-lhes pedir que orem e peçam perdão pelos seus pecados.
E que escutem estas palavras sábias de D.Manuel Clemente, Bispo do Porto:
No fundo a questão da demolição de São Domingos tem a ver com a do casamento gay. É preciso discutir e estudar. E ouvir o povo. Além de cumprir as leis.
Ao pedirmos um referendo local, fazemos o mesmo que boa parte da Igreja Católica fez (para mim com demasiada tibieza) aquando da votação parlamentar desse diploma.
Não se pode pregar moral e não a praticar.
Não se pode exigir que respeitem a Igreja, quando ela está atada por compromissos económicos e políticos, que a impedem de ser livre.
Não se pode exigir que respeitem a Igreja, quando o corporativismo eclesiástico esconde a verdade ao rebanho e tem tendência a proteger os clérigos prevericadores em vez de aplicar justiça.
Espero que a acção meritória de Bento XVI neste campo ilumine o nosso Episcopado.
E termino citando Pessoa:
''O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca''

Marcello de Noronha
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