Tudo se resumiu ao Padre Raposo?
Vivia-se em 1914 em paz religiosa nesta terra?
Isso perguntava o Governador Civil.....numa orientação que vinha de Lisboa, que mandava inquirir em todos os concelhos....

O chefe local da política democrática ,Justo Rosa da Paixão, respondia

Ou seja as freguesias mais renitentes em abandonar as práticas católicas eram o Pego e Alvega.
Sabemos que na Aldeia do Mato parece não ter havido problemas (ver blogue do amigo Maça, com as respostas do padre , a inquérito do Bispo).
E a freguesia onde o anti-clericalismo tinha maior base social de apoio era o Rossio.
Esta é a versão dum cacique democrático, porque a versão católica era outra, o povo armado com chuços tinha no Pego posto em debandada os amigos do Justo, e obrigara a fazer a procissão.
Houve expulsões de padres? Anseia-se pelo regresso da fradalhada ?, perguntavam.....

Dizia que não, o Justo, isento de paixão jacobina, isto é terra liberal, e no raio das freguesias em que o beatério queria missas, lá estou eu para dar a autorizaçãozinha.....
Diminuiu a prática religiosa, graças à acção benfazeja da República?

Dizia que sim....
E os padres aceitavam as pensões?
Mas o clero reaccionário e o Padre Raposo tramavam alguma....
De mais de catorze, só quatro tinham aceitado....
Isto é, os padres recusavam ser assalariados do sr. dr. Afonso Costa e permaneciam fiéis ao Bispo, que era D.António Moutinho....


O Justo diz que havia quatro padres pensionistas e que estes eram mal vistos pelos colegas e que um deles tinha sido substituído numa freguesia (Mouriscas) por um colega fiel à ortodoxia.
Quais eram os que traíram Roma?
Em 11-7-1911, foi concedida uma pensão provisória ao padre colado do Tramagal, Manuel Brás da Rosa , ao colado de S.Miguel, José Martins da Conceição, e ainda ao padre encomendado de lá, Luís de Andrade Sequeira.
Mas o principal padre pensionista foi Henrique Neves, que protagonizou um cisma nas Mouriscas.
Também foram dadas pensões aos empregados da Igreja que eram os sacristães: S.Vicente-António Rego da Silva; S.João-Manuel Vicente Valente, do Rossio, Pascoal Francisco das Chagas, de S.Facundo, Bernardo Ricardo da Natividade, de S.Miguel, José da Oliveira Costa, do Tramagal, Pedro Alves de Jesus Lobato, de Rio de Moinhos, Francisco Esteves Machado e das Mouriscas, António Marques Fernandes.
Finalmente ia o povo aceitar as administrações das Igrejas dominadas pelo partido democrático (as célebres cultuais), perguntavam?

O Justo achava que sim. Mas contra ele tramava Guilherme Henrique Moura Neves, o chefe local do partido católico....
Por volta de 1916 a única Igreja aberta era a da Santa Casa e os católicos que iam à missa eram enxovalhados pela populaça, testemunho de D.Maria Luísa Almada Albuquerque Moura Neves....
mn
sobre o assunto : Humorista Justo da Paixão aplica Lei da Separação no Pego
Em nome da Liberdade Religiosa
Padre do Rocio de Abrantes resiste ao saque republicano
Salazar e as oliveiras da Paróquia de Rio de Moinhos
Fonte: arquivo António Farinha Pereira; Arquivo dum sacerdote abrantino; Arquivos públicos
a situação no Sardoal: ver o blogue Sardoal com Memória
etc
in O Século
O assalto ao dono das Fundições do Rocio de Abrantes foi em Dezembro de 1914.
imagem da Frasam
.
Não se pode fazer história sem ver a vida quotidiana.
mn
Depois de preso o burlão Antunes, o chauffeur Bento estampou-se. Havia poucos carros. O correspondente do Entrocamento cantou vitória, já tenho notícia. Saiu no Século. Outubro de 1914.
mn
O Século, 28 de Outubro de 1914
O que não se percebe na notícia é a razão que levou o Administrador do Concelho a confundir o Antunes, que traficava em colecções de cromos, com um conspirador monárquico. Embora se suponha, o jornal está cheio de notícias duma revolta monárquica e em Cardigos tinham dinamitado os postes de TSF, estando cortadas as comunicações via telegráfo entre a vila abrantina e várias localidades.
Mas o administrador era um cromo, via monárquicos em cada esquina.
Vigaristas abrantinos -1
ma
Neste recorte da revista humorística o Thalassa, de filiação monárquica, ironiza-se sobre o problema do casamento civil da professora primária de Cardigos que deu o nó sem passar pelo altar.
O padre lá da terra organizou uma greve às aulas e a ''registada'' ficou quase sem alunos.
O pintor Campas seria um grande professor de desenho na EICA e por isso também merece sair na notícia. Era 1914 e Cardigos fazia parte do distrito escolar de Abrantes
ma
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