Domingo, 29.03.20

''(...) No dia 8 saíu El-Rei de Portalegre e foi pernoitar a Alter do
Chão, partindo no dia immediato para Abrantes, aonde chegou
durante a tarde; havendo antes descansado apenas uma hora
no sitio de Longomello, junto de uma lagôa e onde fez uma
ligeira refeição. A jornada d’este dia, por mais de dez horas
a cavallo, feita sem o menor abrigo, através de terreno mais
que suspeito em materia de salubridade, como é o chamado
Valle das Lamas, foi certamente penosa. Pela confissão dos
que acompanharam El-Rei, não dissimulou Sua Magestade o
cansaço que experimentára, e todos o sentiram bastante n'essa
occasião. Já no dia anterior, em digressão que El-Rei fizera de
Portalegre a Cabeço de Vide, havia succedido o cansar-se, re
colhendo-se demais com chuva, e tendo-se conservado no ca
minho, por horas, molhado.
A partida de Abrantes no dia 11 foi ás oito horas da manhã,
desceram o rio até Constancia, Onde se almoçou. Sua Mages
tade depois de visitar os trabalhos da ponte do caminho de
ferro, que ali se construe, continuou embarcado até á Cardiga,
onde chegou ao anoitecer, e d’onde saíu por terra e a cavallo
no dia seguinte, 12 de outubro, para Santarem. (...)

Resultado de imagen de D.PEDRO v

(....)No caminho de ferro do Sul, das Vendas Novas a Evora, as
doenças nos operarios foram tantas e tão graves que a empreza
foi obrigada a suspender os trabalhos, sofrendo mais os indi
viduos menos aclimados, por exemplo os inglezes. Ao sitio de
Cascaes, d’onde procediam muitos d’estes individuos, foram
ter mais de duzentos, afectados de febres palustres de todos
os typos e fórmas, as quaes, diz a informação que obtivemos,
fizeram maiores estragos nas pessoas novas, sendo o maior
numero proporcionalmente, dos que faleceram, rapazes e in
dividuos de constituição robusta. As convalescenças eram mo
rosas, as recaídas frequentes, e os que passaram ao estado de
cachexia paludosa foram numerosos. Ao mesmo tempo appa
receram na povoação de Cascaes muitos casos de remittentes
com phenomenos de enterite, desenvolvendo-se de preferencia
nos individuos de quatro a trinta annos de idade. Estes casos
não foram geralmente fataes, mas eram de moroso restabele
cimento. Acrescenta a informação, que não se observára ali
antes, com similhante extensão e força, a mesma doença. As no
ticias de Elvas tambem dizem que nos sitios de Assumar e de
Santa Eulalia os trabalhos do caminho de ferro produziram
grande numero de casos de febres, especialmente nos opera
rios estrangeiros, sendo algumas d’estas febres, com a fórma
typhoide, graves e mortaes. De Portalegre e Abrantes são si
milhantes as noticias em relação ao caminho de ferro de leste
e aos operarios que n'elle trabalham, com especialidade no si
tio da Bemposta, na ponte de Sor e no Crato. No concelho de
Fronteira, em Elvas e por outras partes, com as febres outo
naes appareceram casos de variola. (...)''

 


NOTICIA DA DOENÇA DE QUE FALLECEU
SUA MAGESTADE EL-REI 
O SENHOR D. PEDR0 V
E DAS QUE NA MESMA OCCASIÃO ATACARAM
SUAS ALTEZAS OS SENHORES INFANTES
D. FERNANDO, D. AUGUSTO E D. JOAO
 NO ANNO DE 1861 *

 

nota: a tifóide foi endémica na Bemposta quase até aos anos 60. Em grande parte eram as águas usadas na cultura do arroz,  o paraíso dos mosquitos.... 
 .



publicado por porabrantes às 15:04 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Domingo, 15.03.20

Neste artigo, vários académicos espanhóis traçam os mapas das zonas protegidas pelos nossos reis (desde D.Manuel I) para protecção dos sobreirais, com vista a garantir o abastecimento de madeira para os estaleiros que construíam as naus do Império.

A zona protegida vai até Abrantes.

''Los aprovechamientos forestales de los bosques portugueses

desde una perspectiva cartográfica durante la Unión Ibérica (c.

1580-1640)''

Koldo Trápaga Monchet

Universidad Rey Juan Carlos

María José García Rodríguez

Instituto de Historia, CCHS-CSIC

 ma



publicado por porabrantes às 15:05 | link do post | comentar

Sábado, 14.03.20

A 10 de Março, a CMA emitia este comunicado:

Na sequência das orientações da Direção-geral da Saúde e do Plano Nacional de Preparação e Resposta à Doença pelo novo Coronavírus (Covid-19), tendo como objetivo reduzir riscos de exposição e contágio, a Câmara Municipal de Abrantes tomou a decisão de suspender todos os eventos municipais agendados até ao próximo domingo, dia 15 de março.
Informamos ainda que esta suspensão está sujeita a avaliação permanente.
Reiteramos que o cancelamento ou adiamento de eventos de massas não deve ser encarado com alarmismo, mas sim com a prudência e a responsabilidade que a todos se exige neste momento.

No entanto:

a 12 de Março, reuniam-se sem medidas de protecção na Escola D.Miguel de Almeida os mediadadores ciganos.

Ou seja a suspensão não era para todas as actividades

 

 

ações de mediação e sensibilização, numa lógica de proximidade com a comunidade educativa, para a construção de uma escola mais inclusiva.

La imagen puede contener: una o varias personas, multitud e interior


publicado por porabrantes às 08:30 | link do post | comentar

Sexta-feira, 13.03.20

Neste blogue da Royal Navy conta-se o estabelecimento duma esquadrilha que levava abastecimentos e transportava doentes entre o Rossio de Abrantes e Lisboa.

''Near Lisbon, a flotilla of flat boats was established on the River Tagus by Admiral Berkeley to transfer supplies upriver to the British army contingent at Abrantes, a journey that took only ten hours, instead of the three days it would have taken by land. Abrantes was a strategic position – whoever held Abrantes controlled access to Lisbon, therefore it was crucial that the British hold on Abrantes was maintained.''

in The British Royal Navy and the Peninsular Campaign



publicado por porabrantes às 18:11 | link do post | comentar

''(...) O hospital estava situado na margem alentejana ou sul do Tejo, num terreno plano, povoado de oliveiras, às vezes inundado pelo rio. Nas suas vizinhanças estava o depósito do comissariado, onde vastas quantidades de vacas eram abatidas diariamente, e onde devido à grande quantidade de carros, mulas e bois, o solo estava cheio de alimentos e lixo, misturado com restos de biscoito, estrume, debaixo dum sol ardente que queimava tudo.

Na margem norte, na colina onde se levantava a cidade de Abrantes, formavam-se ventos, que assobiavam sobre o hospital. A falta de ar fresco era mais notória de manhã, quando os habitantes do Rocio, assim se chamava a pequena aldeia se viam envolvidos num denso nevoeiro, que se observava a partir da cidade alta, cobrindo languidamente a planície.

Os doentes estavam na sua maior parte alojados em tendas de campanha,provisoriamente, já que as instalações se destinavam a concentrá-los, antes de serem evacuados por via fluvial para Lisboa e Santarém. Os doentes foram atacados por sezões e disenteria, que já traziam ou contraiam no campo. (...)''

Jonh Hennen, Inspector dos Hospitais Militares

O autor um especialista em varíola, siflís e gangrena, autor de algum manual célebre, descreve depois as diligências para higienizar o acampamento e as medidas tomadas para salvar os soldados de Wellington.

O hospital terá sido montado em 1810.

ma

 

PRINCIPLE S MILITARY SURGERY; COMPRISING, OBSERVATIONS ON THE ARRANGEMENT, POLICE, AND PRACTICE OF HOSPITALS, AND ON THE HISTORY, TREATMENT, AND ANOMALIES VARIOLA AND SYPHILIS. ILLUSTRATED WITH CASKS AND DISSECTIONS.BY JOHN HENENN, M.D. F.R.S.E.

Nova Iorque, 1830 (edição ianque)



publicado por porabrantes às 16:48 | link do post | comentar

Sexta-feira, 06.03.20

Já se falara no livro, não contudo na ligação abrantina. Foram delatores inquisitoriais abrantinos que denunciaram os antepassados judeus do político francês Pierre Mendès-France

mendes france.png

Os bufos viviam na Praça da Palha ou seja na Barão da Batalha.

ma

genealogia da família Mendes-França

luís mendes da frança

 


publicado por porabrantes às 18:21 | link do post | comentar

Terça-feira, 26 de Abril de 2016

O Mirante noticiou que a Etar era do Jorge Dias, a Presidente esclareceu a coisa na última reunião:

etar Dias.png

e disse mais, borbulhante de ciência jurídica...

etar dias 2.png

Diz a Senhora (andamos moderados, deve ser efeito do discurso do Marcelo que apelou a consensos impossíveis) que a posição da CMA se encontra salvaguardada..!

 

Como perguntamos nós? Se o terreno é do Dias e  se alguém chegar junto dele e lhe disser: tome lá 70.000 €, dê 25.000 à Abrantaqua e mais uns trocos para pagar uma eventual indemnização?

 

Fica dono do terreno da Etar e proíbe os da Abrantaqua de lá entrar. Ou cobra-lhes uma portagem de mil euros ao dia. Num ano faz 365.000 €...

 

Ou só vende o terreno à CMA por 500.000....

 

Como se vê a situação da CMA está perfeitamente assegurada. Tão assegurada que o Sr.Dias proibiu a Céu e o Ministro de entrar lá no dia da inauguração e foi preciso chamar a PSP.

 

Outra coisa, toda a gente pode construir em terreno alheio ou é só a Abrantaqua?

 

Nada mais havendo a tratar, por agora.

 

Bom dia

ma  

 

PS- vimos sugerir ao Bento da Abrantaqua, que faça um contrato-promessa de compra da manada de burros do Sr.Dias. Assim a posição da Céu fica perfeitamente assegurada. Os burros ficariam a cargo do Bento e já não se manifestariam na Raimundo Soares.

11630.jpg



publicado por porabrantes às 17:04 | link do post | comentar

Sábado, 29.02.20

 

Sábado, 23 de Junho de 2018

A VILAFRANCADA (1823)

Neste livro onde VPV recupera dois ensaios perdidos ....no fundo da gaveta, o Autor anota que a guarnição militar de Abrantes, estava com D.Miguel que se revoltara em Maio de 1823 .......em Vila Franca.

Recomenda-se vivamente a leitura do livro dum dos maiores e mais originais historiadores portugueses. E certamente aquele que melhor escreve.

A adesão da guarnição abrantina, comandada por Joaquim Moniz de Sousa Tavares, ao golpe absolutista e os acontecimentos subsequentes são largamente descritos pelo capitão Mourato na Monografia Histórica.

As publicações mais recentes (excepto a Cronologia do XIX, do Eduardo Campos) dão uma visão errada do que se passou.

mn

 

devida vénia ao autor

 



publicado por porabrantes às 12:06 | link do post | comentar

Na próxima reunião da CMA vai ser criado o Prémio Lurdes Pintassilgo destinado a homenagear a ex-confidente e protegida de Marcello Caetano, Lurdes Pintasilgo que depois se reciclou em caudilha política no PREC.

mlp

Rascunho da Carta da eng. Maria de Lourdes Ruivo da Silva Pintasilgo, aceitando o convite de Marcello Caetano para ser Procuradora à Câmara consultiva do regime fascista.

Prestou serviços a Portugal, a filha de Jaime Pintasilgo?

Certamente, foi a organizadora do encontro secreto entre Mário Soares e o Cardeal D.António Ribeiro, para mobilizar a Igreja para apelar aos católicos para estarem presentes na manif da Fonte Luminosa para deter a ditadura comunista.

Quanto ao resto, a sua intervenção foi caracterizada com pontaria por Lucas Pires: tentou ser um ''Vasco Gonçalves de saias''. Só que o Vasco era um anti-fascista e ela uma ex-fascista.

mn



publicado por porabrantes às 08:15 | link do post | comentar

Sexta-feira, 28.02.20

 

''(...)No logar da Azinhaga occorreram mais 4 casos, sendo um fatal.

Tomaram-se as possiveis providencias para embaraçar o progresso da epidemia e para o tratamento dos attacados; dividiu-se a villa em cinco circulos sanitarios, e foram designados facultativos para soccorrer os cholericos; estabeleceram-se enfermarias especiaes; as commissões de soccorros auxiliaram este serviço com muito zêlo e diligencia, e finalmente todas as auctoridades se desvelaram em tão angustiosa crise no desempenho dos seus deveres.

Occorreram, alem dos que ficam referidos, mais 2 casos na villa de Abrantes em 20 de outubro, ambos fataes, em pessoas vindas provavelmente de pontos inficionados no visinho districto de Portalegre, onde grassava a epidemia, e, como já foi notado neste relatorio, em constantes e frequentes relações commerciaes com o

Rocio de Abrantes por almocreves procedentes do Alto Alemtejo com cargas de cereaes. E ainda mais 6 casos na Gollegã, no dia 25 do mesmo mez de outubro, sendo 5 fataes, em individuos do campo que vieram tratar-se á villa.

Tendo finalmente desapparecido a cholera durante o inverno voltou depois, e não limitou os seus estragos ás 7 povoações constantes do mappa junto, mas acommetteu outra vez o districto mais extensamente e com maior gravidade, como se verá na 2° parte do relato (...)''

RELATORIO  da  EPIDEMIA DE COLERA-MORBUS

 

ANNOS DE 1855, E 1856

 



publicado por porabrantes às 21:51 | link do post | comentar

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