A Resistência era um Jornal republicano de Coimbra. A data do exemplar é 20 de Abril de 1899. Ficamos a saber que o Exército nessa data estava mais ou menos como agora. Dizia o oficial abrantino que só tinha pólvora para fazer funcionar 40.000 espingardas durante 3 minutos.
Avellar Machado, que era da Oposição, foi acusado de divulgar segredos de Estado e de favorecer o ''in'' ou seja o inimigo, pelo Governo.
O Governo não conseguiu dizer quem era o inimigo.
Devia ser ''segredo de estado'', tal como a minuta da Rpp é segredo municipal.
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O sr. Presidente : - Vou dar a palavra ao sr. Avelar Machado, que a pediu para explicações, antes de se encerrar a sessão.
O sr. Avellar Machado :-Grande foi o meu espanto e admiração, quando, no uso liberrimo de um direito e no cumprimento estricto de um dever, eu fiz uma pergunta ao sr. ministro dos estrangeiros ácerca de um assumpto importantissimo, que póde de una momento para o outro prejudicar gravemente o paiz, e s. exa. responder-me com modos bruscos e arrogantes, que eu não posso, não devo, nem estou disposto a admittir a s. exa.
Constou-me que às redacções dos jornaes d'esta capital chegou a noticia de que houve na Zambezia um grave conflicto entre forcas portuguezas, e alguns subditos inglezes ou forças inglezas e indigenas.
Perguntei ao sr. ministro dos estrangeiros se tinha chegado ao conhecimento de s. exa. ou do governo, official ou extra-officialmente, alguma noticia a este respeito, e s. exa. respondeu-me, que officialmente não tinha nenhuma noticia do facto; e perguntando ainda a s. exa., se extra-officialmente alguma cousa constara, s. exa. respondeu-me: "que não era obrigado a responder, ainda que extra-officialmente alguma cousa lhe constasse". S. exa. disse que não era obrigado a responder-me, e disse-o com um modo tão altaneiro, a que eu não estou habituado, nem podia esperar de s. exa.
O meu direito e o meu dever, como deputado, é levantar aqui todas as questões que possam interessar ao paiz, chamando para ellas a attenção do governo; a obrigação do governo é responder da maneira mais cordata, mais pensada, mais correcta e satisfactoria às perguntas do deputado.
Eu fiz a s. exa. uma pergunta com a minha habitual delicadeza, e apenas levado pelo interesse de que as notícias propaladas e que tanto estavam sobresaltando a opinião publica, fossem attenuadas ou explicadas pelas declarações do governo.
Nada d'isto aconteceu, e s. exa., não só nada disse que podesse esclarecer a questão, mas ainda aggravou o caso com as suas pseudo-diplomaticas reservas. Se não queria dizer nada ao parlamento, apresentasse s. exa. franca e claramente a questão de confiança, que eu seria o primeiro a respeitar as reservas de s. exa. Mas o que não posso acceitar são os modos altaneiros, quasi aggressivos, com que s. exa. me respondeu, e que, como declarei já, não estou disposto a admittir.
Termino, declarando que levantei este protesto para que não se diga, que eu deixei passar sem reparo a maneira brusca, com que s. exa. respondeu a um deputado da nação, maneiras que eu não devia esperar de s. exa., porque nunca tive para com s. exa. senão attenções, delicadezas, palavras de louvor e de amisade.
O sr. Ministro dos Negocios Estrangeiros (Costa Lobo): - Sr. presidente, eu esperava muita cousa, quando acceitei a honra de ser ministro; mas nunca esperei que alguem se mostrasse offendido com os meus modos.
Eu tenho uma larga experiencia do parlamento e sei que alguém se póde julgar offendido por palavras; mas por modos, não comprehendo.
Eu disse alguma palavra offensiva para o illustre deputado? Não! Fallei com uma certa intimativa, porque eu sou naturalmente sanguineo, é o meu temperamento; mas se a intimativa com que fallei se póde considerar offensiva, parece-me que vou pedir a minha demissão.
Se o illustre deputado citasse uma uma unica palavra que tivesse sido offensiva, eu retirava-a immediatamente, porque nunca recebi de s. exa. senão attenções, e as nossas relações têem sempre sido amigaveis; mas o meu modo !... Em que está o meu modo?
Quererá o illustre deputado dizer que eu fiz algum gesto anti-parlamentar ? (Riso.) Não tenho idéa de o ter feito !
Parece-me que o illustre deputado devia até agradecer a minha intimativa, porque ella demonstrava que eu tinha tomado seriamente as suas palavras e por isso lhe tinha respondido com calor.
Eu contestei o direito do illustre deputado em interrogar-me? Não lhe respondi?
As palavras do illustre deputado têem certamente mais valor do que as minhas; mas, officialmente, as minhas têem um valor que não têem as do illustre deputado; e por isso eu, que não desejo faltar á verdade, não profiro palavras senão perfeitamente ponderaveis, e officialmente, porque é a unica informação a que posso dar credito, o governo não tem conhecimento dos tumultos da Zambezia.
Mas o illustre deputado quer que eu extra-officialmente lhe diga alguma cousa! Não sou obrigado a dizel-o; não devo dizel-o. Eu tambem tenho conhecimento d'esse boato; mas não posso dal-o como informação official. Isso era uma inconveniencia perigosa. (Apoiados.)
Eu não tinha rasão para ser offensivo para com o illustre deputado; s. exa. não me offendeu, fez-me uma pergunta no uso pleno do seu direito, a que eu tambem respondi no cumprimento do meu dever.
Que rasão tinha eu para offender o illustre deputado? Só se estivesse doido?! (Riso).
Peço ao illustre deputado, que não julgue offensivo o modo como fallo; já estou muito velho para apresentar outro modo. S. exa. póde pedir-me a responsabilidade das minhas palavras, mas não proferi uma unica palavra, que por sombras fosse offensiva do illustre deputado e por consequecia da dignidade da camara; isso não proferi, e espero em Deus, que não hei de proferir.
Vozes:-Muito bem.
(S. exa. não reviu.)
O sr. Avellar Machado:-Agradeço ao illustre ministro as explicações, que me acaba de dar e que estão em harmonia com a opinião que eu formo de s. exa. e com a amisade que ha muito lhe dedico.
Desde o momento, em que s. exa. confessa que é o seu modo habitual, fallar com tanta intimativa, levantando a voz e gesticulando largamente á menor pergunta ou á menor observação, que se lhe faça, por ser esse o seu feitio, eu de aqui por diante não me melindrarei com os seus gestos, logo que não excedam uma certa medida, ou com a sua voz altisonante, e attenderei sómente às suas palavras
grafia da época não revista pelo Parlamento
MN
Graças a um amigo comprei isto on-line por 5 euros
Cara eng. Manuela Ruivo,
Começa mal V.Exa, pondo em causa a minha palavra, e depois pedindo um favor.
Tendo em conta que a petição inicial está prejudicada pela falta de educação com que foi feita, a resposta só pode ser negativa.
Mas tendo em conta o papel importantíssimo do político e cacique regenerador José Pimenta do Avelar Machado, no apoio à Associação de Socorros Mútuos Soares Mendes, que foi fundada , em 29 de Setembro de 1856, sob o nome de Sociedade Filantrópica Abrantina e que esse papel só pode ser comparado ao de Solano de Abreu e de Egídio Salgueiro, daremos o devido destaque a esses bons-serviços do fidalgo do Rossio de Abrantes, a uma instituição muito importante da Cidade.
E como os sócios do Montepio não têm culpa da sua falta de habilidade para fazer petições, oferecemos-lhe vista panorâmica para algumas peças que deviam estar (mas nunca estarão) num Arquivo Histórico de Abrantes, porque um Arquivo Histórico não deve estar num parque de sucatas camarário.
Cumprimentos
MN
notas: a informação aqui transcrita deve-se a Diogo Oleiro e o livro acho que foi dele, homem honrado, maltratado por uma edição camarária que o acusou infundadamente dum crime infame para um Homem de Cultura, plágio. Quando saíu o libelo difamatório um Humberto Lopes era Vereador da Cultura e o Zé Bioucas, Presidente.
e José Pimenta do Avellar Machado foi um deles, que confundiu a representação popular com a gamela dos interesses privados
Processo de José Alves Pimenta d'Avelar, administrador delegado da Companhia de Moçambique, integrando documentos relativos a expediente relacionado com a sua situação de accionista.
1909.
Quanto às relações do Par do Reino com a plutocracia financeira recomenda-se a leitura das suas cartas a Henry Burnay
Acho que morreu algum tempo antes.
Quanto às suas relações cordiais com os chefões do partido republicano omito por agora algum pormenor. É que estou a investigar se o ex-Ministro da Monarquia, amigo pessoal do Avellar Machado, Bernardino Machado, também tinha acções e outros interesses na Companhia de Moçambique.
Já sei o que dirá o Zé Povinho
MA
O contencioso eleitoral é tão velho como a História. Se procurarem bem na Torre do Tombo ainda encontram algum da época afonsina. Neste apuramos:
a) O Baptista, apesar de se chamar Jesus, era um anti-clerical dos piores.
b) Que não havia iluminação no local de voto que habitualmente era a Igreja Paroquial.
c) . E que o Presidente da Mesa foi muito mal educado com o Regedor. Bem isto parece umas eleições no Souto, só que aí o Regedor costuma ser amigo do Padre....
d) Que o P. Cardoso foi eleito para a Junta de Paróquia, que assim se chamava então a Junta de Freguesia.
e) Fica-me a incógnita o P. Cardoso seria do mesmo partido que o Zé Luciano (nome de guerra do célebre político que assina o documento)?

Se assim fosse o Padre Cardoso seria do P.Progressista (portanto amigo político de)
Solano de Abreu e o anti-clerical Baptista seria talvez regenerador e amigo político do General
Avelar Machado.
Como se chamava o médico e proprietário nas Mouriscas e Alvega que era amigo de José Luciano???
MN
Avelar Machado está coberto duma frondosa constelação de medalhas que assinala o percurso militar e político do engenheiro nascido no Rocio de Abrantes.
As medalhas foram parar a uma vitrine do Museu Dom Lopo onde eu as vi, mostradas pelo Senhor Joaquim, que era o competente e sabedor guarda, herdeiro da escola de Diogo Oleiro.
As medalhas desapareceram do Museu e devem estar sabe-se lá onde.
Espero que na posse de algum tarado amante de coleccionismo militar.
Quem sabe se uma besta exibe alguma em recepções.
Mas não estão onde deviam estar, porque foram doadas ao povo de Abrantes.
Quanto mais coisas desapareceram do nosso património e das nossas Igrejas?
Voltarei ao tema.
Qualquer dia escrevo às autoridades locais e às religiosas que ao menos espero que tenham cópia das queixas à polícia.
O peito vazio de Avelar Machado é o corolário da miserável e ignara política do património da autarquia abrantina desde o 25 de Abtil.
E do laxismo das autoridades religiosas.
Ao contrário do que diria o comandante Fidel Castro:
Marcello de Noronha
créditos: imagem roubada ao blogue Coisas de Abrantes, que merece demorada visita!!!!

o façanhudo bigode de José Alves Pimenta do Avelar Machado, natural do Rossio do Sul ao Sul do Tejo
Arquivo da Loja Raul Rego
(há cem anos havia maçons de melhor qualidade que os maçons mozartianos de hoje)
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