Sexta-feira, 01.08.14

Uma das curiosas personagens amigas  do benemérito Guilherme, além do benfiquista Vieira, era o Bibi (agora parece que está zangado)  

 

 

Segue um artigo da Visao onde retratam o Bibi

 

 

VISAO – É sempre a facturar, ‘Bibi’                   

Autor: J. Plácido Júnior Data: Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008 Pág.: 114+116 Temática: Sociedade – Justiça

O ministério de Alberto Costa quer instalar um tribunal num edifício de €2,3 milhões de Vítor Santos, o Bibí do Benfica – que deve mais de €1 milhão ao Fisco

 

De Mercedes, sai de casa todos os dias pelas 7 da manhã, ao encontro das suas obras e negócios. Lisboeta de gema, Vítor Santos, 64 anos, é um self-made-man com a 4.ª classe, que construiu uma das maiores fortunas do País. Movimenta-se através de uma miríade de empresas que deixa o Fisco às aranhas. Ainda assim, o seu nome surge na última lista negra do Ministério das Finanças, divulgada no passado dia 7, no patamar mais grave – o das dívidas fiscais superiores a 1 milhão de euros. Se não fosse tão sério, seria hilariante o que se segue. O Ministério da Justiça prepara-se para arrendar a Vítor Santos, por uma década, um edifício de 2,3 milhões de euros que o construtor civil tem há quatro anos encalhado em Alfragide, na Amadora. As obras de adaptação, sem qualquer placa exterior a indicar o que ali se faz, decorrem a todo o vapor para instalar no prédio, já no princípio de 2009, a Comarca da Grande Lisboa Noroeste, um novo tribunal que acolherá uma centena de pessoas, entre magistrados e funcionários judiciais. Na manhã de 21 de Outubro último, o presidente da Câmara da Amadora, o socialista Joaquim Raposo, agora reeleito líder da Federação da Área Urbana de Lisboa do PS, confirmou à VISÃO, por telefone, que o tribunal em causa ficaria naquele edifício, em Alfragide. E o prédio é de Vítor Santos? – perguntámos. «Parece que sim», respondeu o autarca, com uma curta gargalhada. A VISÃO seguiu a história e apurou que, na tarde daquele mesmo dia, Joaquim Raposo acompanhou, numa visita ao prédio, uma delegação do Tribunal da Amadora, chefiada pelo juiz Luís Carvalho. Durante cerca de uma hora e meia, Vítor Santos – apenas mais tarde o magistrado veio a saber de quem se tratava, com a planta do edifício nas mãos e enquadrado pelos seus dois filhos, José e Artur, que só ocasionalmente falaram, deu todas as explicações solicitadas. O presidente da Câmara, esse, interveio bastante, em favor do anfitrião e guia da visita. «Foi o que conseguimos arranjar – e aqui, na Amadora, não vejo melhor», ouviram o juiz Luís Carvalho e acompanhantes de Joaquim Raposo. «É um edifício bom e grande, adequado para a instalação do tribunal», reforçou o autarca. Mas há um problema – e não é pequeno. Em Março do ano passado, a empresa Technoedif mostrou interesse em comprar o mesmo edifício. Inspeccionado por um administrador da firma, Gomes da Cruz, engenheiro de formação, o prédio seria chumbado. Na sequência da verificação técnica, Gomes da Cruz encontrou deficiências nas paredes estruturais internas do edifício e concluiu que os «custos de consolidação térmica» do prédio «seriam desastrosos para a rentabilidade económica da empresa». A Technoedif desistiu da aquisição, informou a Câmara da Amadora do sucedido e pediu a indicação de outro edifício. A autarquia não respondeu e a firma acabou por se instalar em Oeiras. Resumindo, para encurtar razões: o interior do prédio de Alfragide é tórrido no Verão e gélido no Inverno. Na noite da última segunda-feira, 10, Joaquim Raposo assegurou à VISÃO que nunca ouviu falar em tal empresa nem nas deficiências mencionadas. E logo somou outro imbróglio ao caso: o autarca afirmou que João Castro, presidente do Instituto de Gestão Financeira e Infra-Estruturas da Justiça, lhe disse que havia três candidatos ao concurso para instalação do novo tribunal. Horas antes, o mesmo João Castro garantira-nos, por escrito, que «foi apresentada apenas uma proposta» – a da Euroalfragide – Sociedade de Construções, Lda., a empresa a que Vítor Santos está ligado.

ENTRE OS PINGOS DA CHUVA Abra-se um parêntesis para umas pinceladas sobre Vítor Santos. Nascido e criado numa zona de má fama, a Meia-Laranja, situada junto do Casal Ventoso, o hipermercado lis boeta da droga, já desmantelado, ganhou o diminutivo de Bibi, que nunca mais o largou. A Meia-Laranja ficou estigmatizada por histórias como a da família Velez que, de burla em burla, acabou classificada pela polícia entre os mais sofisticados grupos europeus de falsários, com detenções e condenações no início da década de 1990. Bibi teve também os seus problemas com as autoridades e foi constituído arguido em processos que o associavam a alegadas burlas, mas nada se comprovou. Foi nos anos de 1980 que o empresário Vítor Santos começou a suceder ao Bibi da Meia-Laranja. Primeiro, com uma empresa de construção civil, a Vimarques, Lda., a que se seguiria uma relação próxima e privilegiada com José Manuel Ferreira Neto, à época presidente do Conselho de Gestão do Crédito Predial Português, então ainda na órbita estatal. É dessa altura uma investida lucrativa de Vítor Santos no Algarve, onde comprou, a bom preço, firmas de construção civil tecnicamente falidas. Depois, regressou para edificar grandes urbanizações como a da Quinta Grande, na Amadora, e a do Infantado, em Loures. E os seus interesses estender-se-iam, ao longo do tempo, pelo imobiliário, turismo, restauração e banca. Até que, no Verão de 2001, Vítor Santos deu uma entrevista delirante à revista masculina Maxim (hoje Maxmen), talvez inebriado pela fama de ter sido um generoso financiador da campanha de Manuel Vilarinho à presidência do Benfica, quando Vale e Azevedo caiu, e de estar ligado ao então chamado «grupo do cimento», que pugnava pela construção de um novo Estádio da Luz. [O negócio saiu-lhe pela culatra: o então presidente da SAD benfiquista, Luís Filipe Vieira, e o «vice» da direcção para as obras, Mário Dias, sócio de Vítor Santos em diversas empresas, cortariam relações com Bibi e afastá-lo-iam do projecto.] À Maxim, Vítor Santos diria, por exemplo, que ganhava o salário mínimo e que, por isso, não apresentava declarações de IRS. Mas, na referida entrevista, assumia ter 10 milhões de acções da Sonae e «muita coisa, muita coisa mesmo». O País ficou de cabelos em pé e o à época ministro das Finanças, Guilherme d’Oliveira Martins, actual presidente do Tribunal de Contas, ordenou que fosse feita uma mega-inspecção fiscal a tal contribuinte. Resultados? Desconhecem-se.

FUGIR COM O RABO À SERINGA De volta ao edifício de Alfragide e à intenção governamental de arrendamento. «O Ministério da Justiça devia preocupar-se mais com a sua imagem e ética públicas», comenta, num sarcasmo contido, o fiscalista Saldanha Sanches. A VISÃO procurou colocar essa questão ao ministro Alberto Costa, mas o seu assessor de Imprensa, Ricardo Pires, remeteu-nos para o presidente do instituto de Gestão Financeira e Infra-Estruturas da Justiça. João Castro afirmou que os técnicos do instituto não encontraram «quaisquer deficiências de construção» no prédio em causa. As lacunas térmicas do edifício, no entanto, contendem com a certificação ambiental, que será obrigatória a partir de Janeiro próximo. Ou seja, a renda de amigo que Vítor Santos oferece (ver caixa) deverá crescer bastante, tendo em conta as necessárias (e caras) obras de remodelação a efectuar. No plano ético-político, também nada se extrai do socialista Joaquim Raposo. «O assunto é da responsabilidade total do Ministério da Justiça», demarca-se o autarca da Amadora. Falta explicar que, por óbvia conveniência, Vítor Santos é só o primeiro gerente da Euroalfragide, que tem como únicos sócios os seus dois filhos, José e Artur, com quotas iguais – 68 509,89 euros. Aliás, correm rumores, desde Fevereiro passado, de que Vítor Santos tem gradualmente deixado de ser detentor de quaisquer bens. Nada foi possível confirmar com o próprio, que não respondeu às tentativas da VISÃO para o contactar. Última questão: o contrato de arrendamento, ainda não assinado, será sujeito a um parecer vinculativo do Ministério das Finanças. Conseguirá Bibi transpor esse derradeiro crivo?

Renda

‘Preço de amigo’

O presidente do Instituto de Gestão Financeira e Infra-Estruturas da Justiça, João Castro, faz elogios implícitos à firma proprietária do edifício de Alfragide, de que Vítor Santos é primeiro gerente. «A empresa seleccionada apresentou uma proposta de arrendamento por €13/metro quadrado (excluindo obras de adaptação), valor que viria a ser reduzido, após avaliação da Direcção-Geral do Tesouro e negociação com o proponente, para €8,87/metro quadrado (já incluindo as obras de adaptação)», escreveu num e-mail que enviou à VISÃO. A renda mensal a pagar pelo erário público será, pois, e por agora, de 23 008,78 euros. É multiplicar €8,87 por 2 594 metros quadrados, a área total do edifício.

com a devida vénia da Visão, da página do SM Ministério Público
a redacção


publicado por porabrantes às 13:53 | link do post | comentar

ASSINE A PETIÇÃO

posts recentes

Vítor Santos, o Bibí do B...

arquivos

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

tags

25 de abril

abrantaqua

abrantes

alferrarede

alvega

alves jana

ambiente

angola

antónio castel-branco

antónio colaço

antónio costa

aquapólis

armando fernandes

armindo silveira

arqueologia

assembleia municipal

bemposta

bibliografia abrantina

bloco de esquerda

bombeiros

brasil

candeias silva

carlos marques

carrilhada

carrilho da graça

cavaco

cdu

chefa

chmt

cidadão abt

ciganos

cimt

cma

cónego graça

constância

convento de s.domingos

cria

diocese de portalegre

duarte castel-branco

eucaliptos

eurico consciência

fátima

fogos

gnr

grupo lena

hospital de abrantes

hotel turismo de abrantes

humberto lopes

igreja

insegurança

ipt

isilda jana

jorge dias

jorge lacão

josé sócrates

jota pico

júlio bento

justiça

mação

maria do céu albuquerque

mário semedo

mário soares

mdf

miaa

miia

mirante

mouriscas

nelson carvalho

nova aliança

património

paulo falcão tavares

pcp

pego

pegop

pina da costa

portugal

ps

psd

psp

rocio de abrantes

rossio ao sul do tejo

rpp solar

rui serrano

santa casa

santana-maia leonardo

santarém

sardoal

saúde

segurança

smas

sócrates

solano de abreu

souto

teatro s.pedro

tejo

tomar

touros

tramagal

tribunais

tubucci

todas as tags

favoritos

Passeio a pé pelo Adro de...

links
Dezembro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9

16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


mais sobre mim
blogs SAPO
subscrever feeds