O Vice-Presidente da AG da Santa Casa do Sardoal, Américo Corda Falcão, colega do Anacleto, foi uma das vítimas dum atentado bombista, certamente organizado por ateus, em 1971.
'' Um engenho explosivo
Explodiu, ontem, ao fim da manhã, na Câmara Municipal da Moita uma bomba de pequeno calibre cujos estilhaços feriram no rosto, na cabeça e nas mãos o Presidente do Município sr. Vítor Brito de Sousa, e o administrador do Bairro Social da Baixa da Banheira, sr. Américo da Corda Falcão, os quais, juntamente com o vice-presidente da Câmara, sr. Fernando Alves de Almeida, se encontravam no local quando o engenho eclodiu.
Enviada pelo correio e procedente do Barreiro, foi ontem cerca das 11.15, recebida, na Câmara Municipal da Moita uma pequena encomenda rectangular dirigida ao sr. Vítor Brito de Sousa.
Como parecia ser um assunto particular, o chefe da Secretaria do Município não abriu o envólucro, que foi colocado em cima da secretária do presidente. Este ao regressar à Câmara, reparou que o pequeno embrulho lhe era remetido do Barreiro por um «engenheiro» qualquer que não conhecia. Encontravam já então no gabinete do sr. Vítor de Sousa, o vice presidente da Câmara e o administrador do Bairro Social da Baixa da Banheira, o qual, ao reparar na estranheza do presidente por desconhecer a identidade do remetente da encomenda, adiantou, em tom de graça:
«Se calhar é alguma bomba».
Desde logo com todas as precauções, o sr. Vítor de Sousa começou a
desembrulhar a encomenda, abrindo-a pela parte lateral e tendo o cuidado de não utilizar a tesoura no corte do fio de corda que circundava o embrulho.
Apareceu primeiro uma caixa de cartão, encarnada e logo a seguir um objecto estranho, de plástico azul. Vendo isto, o presidente, que estava de pé, por qualquer pressentimento que não se explica, atirou o embrulho para cima da secretária, dando-se, depois, imediatamente, a explosão.
Tratava-se de uma bomba que é usual ser utilizada para experiências no Exército, rodeada porém por cerca de trezentos gramas de pregos miúdos que, ao dar-se a explosão, se espalharam em várias direcções, indo alguns deles atingir o presidente do Município na garganta e no rosto, e o administrador do Bairro da Baixa da Banheira, no nariz, debaixo dos olhos, na testa e ainda nas mãos.
Por sua vez, o vice-presidente, recentemente regressado do Ultramar, quando ouviu a explosão, atirou-se instintivamente para o chão, saindo ileso.
Segundo os peritos da P.S.P. que compareceram logo a seguir no local, trata-se de uma bomba de pequena potência, feita com pólvora branca, que não pertencia ao Exército português. Estiveram, ainda, na Câmara, agentes da Direcção Geral de Segurança que imediatamente começaram as suas investigações.
Os prejuízos materiais são de pouca monta, apresentando-se porém o gabinete da presidência da Câmara com uma quantidade de pregos disseminados pelas paredes e tecto e os cortinados retalhados pela fúria e porção de tachas com que foram atingidos O estado do presidente e do administrador do Bairro da Baixa da Banheira não
inspira quaisquer cuidados, embora algo diferente pudesse ter acontecido se o embrulho não tivesse sido repelido a tempo (ilegível) ” (Diário de Notícias, nº 37804, 6-06-1971).
in Hugo Militão Antunes, O Crime em Portugal no Estado Novo, 2011, tese no ISCTE
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