Domingo, 19.11.17

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Os políticos que mandaram na Câmara de Abrantes e algum historiador local fizeram a sua formação filosófica (agora em festival) lendo esta obra-prima do Bispo de Portalegre.

A obra é sólida, o pensamento é robusto, a pena vigorosa, mas o teórico das missões nunca foi missionário, deixou-se ficar como hierarca, com o apoio e confiança do fascismo, a pastorear Portalegre e Castelo-Branco.

Construiu seminários e daí saíram os políticos que nos desgraçaram.

.

Era melhor ter  políticos que se tivessem formado a ler Voltaire e Eça que palermices.

E que tivessem lido mais e rezado menos.

 

Em vez de falar a sério, o melhor passar à lusitana chalaça

 

ramalhal.png

Ramalho Ortigão, ''As Farpas'' 

 

ma



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Terça-feira, 23.05.17

 

agostinho de moura.jpeg

Já sabemos que Agostinho de Moura, Bispo de Portalegre era um reaccionário, partidário do Estado Novo . Já sabíamos que deu cabo do trabalho de modernização pastoral e de defesa dos pobres, que D.António Ferreira Gomes, seu antecessor, iniciara.

Um fascista não tem de ser um conservador em matéria artística. Aliás boa parte dos artistas e arquitectos mais vanguardistas foram contratados pela SPN e pelo Estado Novo, seguindo-se a política de António Ferro, que queria dar ao regime uma fachada moderna.

Aliás.....Ferro era um homem de Orpheu...

A questão é complicada e não deve ser abordada aqui, por necessitar demasiado espaço.

Nos anos 50, o arquitecto António Freitas Leal fez um projecto para uma nova Igreja para as Mouriscas, para substituir a antiga, de S.Sebastião, que pelos vistos estava velha (bolas, podiam tê-la restaurado), e por causa das tensões bairristas entre os vários lugares da terra.(1)

O ante-projecto foi feito em 1952 e modificado em 1953 para incluir salão paroquial, biblioteca etc....(2)

O projecto era vanguardista  e Freitas Leal tinha assinado o projecto duma nova Igreja em Moscavide, que deixou marca, pela sua arquitectura moderna.

moscavide freitas leal.jpg

Foto : Rede de Investigação em Azulejo

 

As forças vivas das Mouriscas, capitaneadas pelo P.João Mendes Pires, e pelo próprio Bispo visitaram a Igreja dos arredores  de Lisboa e acharam aquilo demasiado moderno prás Mouriscas (3):

igreja mouriscas.png

extracto da brilhantíssima tese de doutoramento em Arquitectura do Doutor João Pedro Gaspar Alves da Cunha 

alves da cunha.png

 donde se extraíram as informações citadas.

 

O Doutor Arq. Alves da Cunha pormenoriza a questão na obra citada.  

 

O Autor destaca ainda o papel do arq. Formosinho Sanches (com António Freitas Leal, Nuno Teotónio Pereira etc) no  Movimento de Renovação da Arte Religiosa, que veio mudar a arquitectura das Igrejas de Portugal, em particular em Lisboa.

O programa teve o apoio do Cardeal Cerejeira. E com Cerejeira trabalhava e era influente um sacerdote das Mouriscas.

 

Parece-me  que há uma Igreja de Formosinho Sanches no concelho. Falta confirmar...

 

mn

 

(1), (2) e (3).- Tese do Arq. Alves da Cunha

 



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Quinta-feira, 30.04.15

Para quem estiver interessado vai alguma bibliografia sobre o membro do Conselho de Administração da Jota Pimenta e militante  do PCP, que era em simultâneo informador da Pide-DGS.

 

lázaro.png

d. agostinho.jpg

D.Agostinho entra em Abrantes, na sua excursão triunfal para tomar posse da Sé de  Portalegre (documentário da SIC) 

 

Os dois primeiros livros encontram-se com facilidade em qualquer biblioteca. No primeiro há informação também sobre a ligação de administradores da MDF com a polícia política e o comentário desta, que dado o paternalismo vigente na MDF não havia grandes problemas com subversivos, prova de que estava mal informada.

Interessante a notícia dada na revista para intelectuais ''Vértice'', publicada em Coimbra, mais ou menos conotada com o PCP, como a ''Seara Nova'', do casamento dum membro da família Pimenta.

Será que o Lázaro meteu uma cunha ou a Jota Pimenta era grande anunciante na ''Vértice''?

vértice.jpg

 

Também o era na revista ''Continuidade'', órgão oficial da DGS.

 

conty.jpg

(retirado do Porta da oja)

 

Sobre o Lázaro: entrevista da Irene Flunser Pimentel ao Público: '' As pessoas ofereciam-se?
O Ministério do Interior recebia esse tipo de cartas, depois a PIDE é que dizia: esse homem não interessa nada, nem sequer tem relações com a oposição, ou é um analfabeto ou é um padre. Havia muitos padres, por exemplo, a oferecerem-se. É dessa cultura que eu acho que não se fez ainda o luto em Portugal.

Descobri determinados elementos depois da tese, que coloquei no livro, e confrontei-me com a dúvida de os colocar no livro, mas do ponto de vista da história eu tinha de divulgar. O Verdial toda a gente sabe, o Nuno Álvares Pereira toda a gente sabe, mas por exemplo, nas prisões de 61, do Octávio Pato, Pires Jorge, praticamente fica decepada a direcção do PCP em Portugal e foi através de um informador que se chamava Lázaro Carmo Viegas, que era do aparelho logístico do PCP. Era ele que transportava no seu automóvel os funcionários para as reuniões.''

 

Do Blogue Mancha Negra com a devida vénia

 

mn

 



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Sexta-feira, 03.10.14

 

Eis o fofo D.Agostinho de Moura, o hierarca que proibia bailes e que destruiu a obra de D.António Ferreira Gomes, que volta a atacar.

 

 

Descobriram um filme onde o pateta entra nesta diocese e o bom povo saúda-o, os serventuários do regime aplaudem e o beatério entra em delírio.

 

Em forma continua o Sr. Sequeira, dono da bomba que transporta o  Bispo.

 

É imperdível.

 

Poupo-vos ao que disse , D.António, Príncipe da Igreja, sobre o Agostinho.

 

Aliás está publicado nalgum livro, publicado pela Fundação Spes, fundada por D.António.

 

Foi um bocado mais forte que o que disse o meu falecido amigo, Rev.Luciano Paciente, director e fundador do La Salle.

 

 

Devemos agradecer ao jornalista  Joaquim Franco   que recuperou estas imagens, que são a vergonha  duma Igreja vendida e sem-vergonha. Com esta reportagem ganhou o prémio Orlando Gonçalves.

Parabéns e obrigado.

 

MN



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Domingo, 12.05.13

 

No dia 20 de Julho de 1974 o semanário ‘’Correio de Abrantes’’, propriedade da família Silva Martins, publicou na primeira página, no lugar nobre, que costuma ser o do Editorial, este texto anónimo, que visava, a escassos dois meses da data da Revolução, justificar o injustificável, ou seja encenar a defesa dum grupo de anónimos que em nome duma bandalheira que dava pelo nome de ‘’catolicismo progressista’’ (à abrantina) tinha montado a tentativa de saneamento ( percursora da prática anarco-gonçalvista)  da Paróquia de S.João de Abrantes, do Rev.Padre Luís Ribeiro Catarino.

O grupo que se reunira alegadamente em instalações diocesanas e  em condições quase  clandestinas ( à boa maneira das sociedades secretas tipo Opus Dei e Maçonaria) emitira uma convocatória de que só os iniciados conheciam, não convocara a Autoridade Eclesiástica para se fazer ouvir (ou seja actuava à margem dela) e pretendia sanear um homem e sobretudo um Sacerdote que se distinguira pelo seu Amor aos Pobres, grande cultura  e defesa do Património, mas sobretudo por uma Vida exemplar como Sacerdote e Homem de Bem.

Entre estes ‘’progressistas’’  apareceu algum ligado à formação de um partido de centro-direita, o PPD, outros a partidos de esquerda e actividades próprias do folclore do PREC ou seja o assalto à Assembleia de Abrantes .

A actividade realizada à socapa caía no mais absoluto ridículo porque pretendiam em nome da do Concílio Vaticano II ‘libertar das garras da opressão e da tirania em todos os seus aspectos’’ a beataria, classe social a que pertenciam pela sua frequência mais que assídua, ontem como hoje, das cloacas e das sacristias, lutar contra o fascismo quando este já tinha sido derrubado e em vez de pretenderem caçar pides, latifundiários, legionários ou similares ou organizar um comando de beatas para capturar o sr. Inspector Rosa Casaco no estrangeiro, libertavam Abrantes, expulsando Luís Ribeiro Catarino.

E faziam o manifesto, dirigindo-o a um Bispo D. Agostinho de Moura comprometido com a Ditadura até aos poucos cabelos que lhe restavam e a um homem que nunca fora capaz de solidarizar com o seu antecessor D.António Ferreira Gomes, enquanto este comera o pão amargo do exílio.

Jornal de Abrantes

 

A reacção  das pessoas de bem foi fulminante e logo nos Jornais se respondeu à letra perguntando quem eram os beatos anti-fascistas (de fresca data ou seja de 26 de Abril) e nas paredes  de Abrantes apareceram vibrantes protestos contra o saneamento.

Este artigo é a defesa das criaturas e , com a frontalidade que caracterizava e caracteriza estas ‘’progressistas’’ beatas  de sacristia, saiu anónimo.

Hoje se me ponho a contemplar a trajectória de quem o escreveu, pasmo!

E continua o homem, sepulcro de laranja  caiado, a papar-hóstias,  a fabricar testamentos, a tratar de escrituras à maneira, de vez em quando a dizer que é jurista,  e  com a sólida e inquebrantável convicção daqueles fariseus que assessoravam Pôncio Pilatos, o romano, a ser um pilar da Fé e da República!!!!!

E agora da Direita !!!!

Queria o homem que João Pico fosse cacique laranja . E naturalmente também quererá que o Cónego Graça continue a ‘’salvar’’ almas, depois da reforma....

 

 

S.F.   

 

 

 

 



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Terça-feira, 20.11.12

 

 

 

 

Em 31 de Dezembro de 1955, Sua Excelência Reverendíssima, D.Agostinho de Moura, Bispo de Portalegre, emitia esta carta confidencial dirigida a cada Pároco da Diocese.....

 

 

 

Na sequência da norma emitida pelo Bispo em 3 de de Agosto de 1954 '' no sentido de se trabalhar pela inteira supressão  de quaisqueres danças ou bailes e de qualquer divertimento nocturno'', (Suponho que o Senhor D. Agostinho não consideraria a fornicação nocturna dentro dum casal católico como ''divertimento'' mas sim como dever moral e portanto não estaria abrangida por este ''grandioso'' plano...) ordenava-se aos Senhores Priores que até ao final de Novembro apresentassem um rol exaustivo de todos os bailes públicos e particulares que se celebravam dentro  das fronteiras das suas Paróquias para a Diocese construir uma base de datos, a fim de depois elaborar uma estratégia para terminar com o flagelo....

 

 

Ainda existirá em Portalegre, no Arquivo da Cúria, a base de dados sobre bailes mandada elaborar por D. Agostinho?

 

Será pública?

 

Estará ainda classificada como material ''confidencial''?

 

Gostaria eu de a consultar para verificar qual foi relação elaborada pelo Pároco de São Vicente de Abrantes, Rev.Cónego Freitas....

 

  

 

 

E depois comparar a lista dos ''subversivos'' organizadores de bailes em casas particulares com a dos generosos ''doadores'' de fundos para a construção do Seminário e do Colégio de Santo António...

 

Aposto que encontrava algumas ''boas'' famílias nas duas listas....

 

Um dia dizia-me o dr. Pequito Rebelo, também ele generoso mecenas do ''seminário'':  O homem quer proibir os bailes, está um bocadinho excitado!

Acho que tenho de lhe ir lá explicar que se não fossem os bailes ainda estava a aturar a minha irmã e ela não se tinha casado com o Hipólito Raposo....

 

Essa história de proibir os bailes só servirá para fabricar solteironas....

 

Marcello de Noronha

 

Nota: D.Agostinho ainda depois do Concílio continuou a campanha. Em meados dos anos 60 proibiu o primeiro baile de finalistas do La Salle. Com a piedosa ajuda do Cónego Freitas.

 



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Sexta-feira, 16.09.11

Véspera da Páscoa de 1975. Sábado de Paixão para o Cónego Albano Vaz Pinto. Sábado de Paixão para o Povo de Castelo de Vide. Sábado de desonra para o Exército Português. Sábado de Vergonha para as Forças Armadas de Portugal.

O Cónego Albano Vaz Pinto sabe que tem uma saúde atribulada, uma doença pulmonar que lhe corrói as entranhas, sérias dificuldades em conseguir  respirar e começa a pensar que a sua hora se aproxima. Está preocupado com o rumo do país onde campeia o golpismo gonçalvista e onde o PCP e a ala do MFA, comandada por um demagogo demente e imbecil, um incapaz, um tal Camarada Vasco quer à viva força impedir a realização de eleições livres marcadas para daí a uns dias, a 25 de Abril.

 foto Terras do Alentejo

O Alto Alentejo revela-se um osso difícil de roer para o PCP, uma região heterogénea do ponto de vista social, onde a estrutura da propriedade barra  o avanço das récuas de mercenários recrutados nas alfurjas da Margem Sul ou no bando de delinquentes que transformara Avis numa coutada russa.

O Exército desintegra-se, cada vez mais há unidades onde se perdeu a cadeia de comando, onde entre a anarquia e  a cobardia  medra o PCP, de quem ‘’objectivamente’’  dependem as hostes da tropa que em vez de manterem a Ordem, escoltam os marginais e a canalha que se dedica ao roubo, à ocupação de herdades e à intimidação manu militari do povo para que não possa escolher livremente.

Badajoz está cheia de refugiados políticos portugueses e o fracasso da absurda aventura golpista de Spínola veio dar um pretexto de mão-cheia à escumalha que quer escravizar  Portugal.

Albano Vaz Pinto é pároco de Castelo de Vide desde 1948, data em que chegou de Abrantes. Uma enorme obra social, uma longa vida de dedicação a esta terra que  teme que em breve tenha o seu epílogo. Quem  sabe se a sua atribulada saúde lhe permitirá gozar  de algum tempo de descanso na  sua Beira natal .

A Pátria ensandecida, o velho Império prestes a desabar, na própria Diocese se propaga a desordem, em Castelo de Vide são homens vis que manejam os cordelinhos da política. À Igreja falta a autoridade e a dureza de António Ferreira Gomes, que D. Domingos Frutuoso preparara com zelo e devoção para ser o grande Bispo que continuara a sua acção. À Igreja falta a palavra profética de D.António tão firme a falar a Salazar como a dizer depois do 25 de Abril ao lado de Spínola, com a torre dos Clérigos no horizonte, que não se devia permitir uma nova ditadura.

Os abusos multiplicavam-se, envolvendo fiéis e sacerdotes na Diocese e D.Agostinho de Moura, um beato e um fraco, sempre pronto a adular o poder seja ele qual fosse, era manifestamente incapaz de estar à altura da situação.

 Jornal de Abrantes

Tudo isto perturbava o sacerdote. Dias antes mandara retirar do Santuário da Penha, que restaurara na Serra, uma imagem preciosa da Virgem não fosse o Diabo tecê-las. Neste  Sábado que devia ter sido de Aleluia, mas que seria de Paixão, Albano Vaz Pinto marcara as cerimónias religiosas para as 8 da tarde. Já não é capaz de dizer a missa sozinho. Não aguenta tanto tempo em pé. Combina com os leigos que ele só intervirá nas partes litúrgicas em que era imprescindível a intervenção dum sacerdote. Assim se fez.

Terminada a cerimónia, o abrantino eng. Manuel Coelho, há muito colaborador e amigo do Cónego Albano e residente na vila, parte para casa. Acompanha-o a família. Tinham convidados e o dia seguinte, era Páscoa de Ressurreição. Havia muita coisa para tratar.

Pouco depois alguém lhe bate à porta.. É avisado que uma turba de MFAs, não digo soldados, porque os soldados de Portugal honram a sua farda e aquela chusma desonrava-a, comandada por um alferes miliciano (cujo nome me reservo o direito de não escrever aqui)  e alguns miseráveis à civil, tinham invadido a Igreja, num dia sagrado para um Povo de tradição cristã e prendido o velho sacerdote, naturalmente sem culpa formada e quem sabe se acenando com um mandato de captura em branco, assinado por algum  traidor com divisas da laia do ex-legionário Otelo Saraiva da Carvalho.

Pegaram num homem respeitado, roído por uma doença quase terminal, humilharam o povo de Castelo de Vide, fazendo chicana com o que há de mais sagrado:  a liberdade de consciência, a dignidade dum homem, a honra dum povo ultrajado na Fé por miseráveis que vilmente agiam a soldo do estrangeiro.

Não havia nenhuma acusação contra Albano Vaz Pinto, tudo aquilo era apenas  para intimidar  e condicionar o resultado dumas eleições decisivas para o futuro de Portugal  

Queriam dizer o poder é nosso e quem se opuser terá o mesmo destino de Vaz Pinto, ser sequestrado ao cair da noite e levado com destino incerto.

 abrupto 

A mensagem era: se votais contra nós, as cadeias e quem sabe o pelotão de fuzilamento são o que vos espera.

Manuel Coelho sai sozinho de casa, recolhe informações, mete-se no carro, atalha pela Serra, vai cortar o caminho à soldadesca, ao alferes de aviário, aos aprendizes de pides vermelhos.

Manuel Coelho vai sozinho, mas para parafrasear um poema de Rodrigo Emílio, saberia decerto que muitos estavam com ele. Todos aqueles que em Portugal estavam prontos daí a uns dias a humilhar nas urnas a hidra totalitária. Há momentos em que um homem está sozinho, o coração certamente cheio de raiva, mas a inteligência a dizer-lhe que a fúria nunca é boa conselheira, em momentos em que a cabeça tem de estar fria.

aventar 

 

 

A história que me contaram narra que os encontrou a meio da serra e cortou o passo àquela coluna e se enfrentou ao triste palhaço que fazia de alferes, ao controleiro de serviço e àquele afandangado exército. 

Manuel Coelho nunca quis contar o  diálogo que manteve com o patife que comandava aquela escória. Tão seguro do que fazia e tão valente estava o alferes, tão quentes estavam as suas costas, aquecidas por um friso de mfas tão ajagunçados que o Coronel Ramiro de Ilhéus dispensaria os seus serviços, por falta de porte marcial, que o militar de Abril se rendeu.

A rendição do bravo foi acompanhada pelo unânime içar da bandeira branca por parte da milícia civil. Ah Valentes!!!!

Berrou o alferes : leve  o Padre. Disse  Manuel Coelho: Não levo. Metam-mo vocês no carro à minha frente. Não me arrisco a virar-vos a costas, porque não quero que me abatam a mim e ao Cónego pelas  costas..

Estou a imaginar a cara do alferes, com quem me voltei a cruzar outro dia, o brilhante revolucionário, Che Guevara da Parvónia, Fidel da piolheira, Otelo à alentejana, Agostinho Neto do chaparral, Rosa Casaco do goulag.

Santuário da Penha-Castelo de Vide - Panorâmio (foto)

 

 

 

Pálido de espanto, aparvalhado pela valentia de Manuel Coelho, humilhado na frente do bando de marginais que capitaneava pela ousadia do abrantino. Manuel Coelho arrancou com o carro e foi levar o velho Padre à sua casa em Póvoa de Rio de Moinhos. Aí dormiram. No dia seguinte quando voltou com ele a Castelo de Vide ao entrar na ruela em que estava a casa do sacerdote, encontrou a tropa acampada à porta do Sr.Cónego, todos aquecendo-se à volta duma fogueira.

 Lá estava o Alferes de alma pequena e descaramento grande. A rua era pequena e o carro de Manuel Coelho não tinha espaço para inverter a marcha. Sem hesitar acelerou o veículo sobre a tropa que em pânico debandou com tanto brio como o demonstrado por Mário Tomé a chicotear um preto num quartel moçambicano.

Manuel Coelho só parou quando pôs o padre em sítio seguro.

 

O Sr.Cónego Albano morreu no ano seguinte. Manuel Coelho, o abrantino destemido, o salvador do padre, o homem que sozinho humilhou um esquadrão de  ‘’’gentalha’’já entregou a sua alma a Deus.

 

O triste Alferes de cujo nome não me quero recordar, como diria o maneta de Lepanto, anda por aí. Estiveram na homenagem ao Sr.Cónego Albano alguns dos participantes na sua tentativa de linchamento. Foi contra eles, contra a canalha, ou para ser exacto contra a’’gentalha’’ que falou e bem o Sr.Presidente da Câmara de Castelo de Vide.

 Agrupamento  Escolas D.Miguel de Almeida

 

 

Está por enquanto entre nós, em Abrantes, a irmã  do Sr.Eng. Coelho, a nossa querida Dona Ermelinda Coelho, a quem este blogue manda um grande beijo. Digo por enquanto, porque aquela que foi o pilar da Igreja de Abrantes ao longo de 50 anos, aquela que é a memória viva do que foi a História (como todas, com as suas partes gloriosas e vergonhosas, com santos e pulhas e pecadores vulgares como eu) Católica de Abrantes vai viver para um lar de professores em Cascais, para estar perto da família.

 

 

Marcello de Noronha



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Segunda-feira, 29.08.11

 

 

Este gajo é um amador.

 

Um profissional era D.Agostinho de Moura....

 

 

''EM ABRANTES, um garoto engoliu por distracção, uma moeda de 5 escudos, de prata, que já tinha um diâmetro algo avantajado, para a sua peguena garganta.

Os pais aflitos, correram com a criança ao Hospital local e os médicos não eram capazes de lhe tirar a moeda que entretanto já chegara ao estomâgo.

No meio da confusão entrou na sala de observações outro clínico que a brincar comentou:

-se vocês não são capazes de tirar a moeda ao gaiato, não se preocupem, que eu mando chamar o Sr.D.Agostinho e ele fá-la saltar de certeza absoluta.''

 

in biografia de D.Agostinho de Moura, na revista JUBILEU de 21-6-1999, editada em Portalegre, autores dos textos P.Manuel André Pinheiro, Professor João Ribeirinho Leal e Dr.Mário Martins 

 

Posto por Marcello de Noronha, católico tridentino

 

 

 

 

 



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