Domingo, 07.10.18

 

 

Tem sido aqui abordada de alguma forma a estupidez da política anti-clerical da República que fechou as Igrejas e proibiu o culto público a partir de 6-10-1910.

Era um assunto que havia de tratar com ponderação e sem sectarismos, embora cito Salgado Zenha ''foi o erro que levou à destruição da República''.

Vamos só publicar um texto dum site muito interessante, ''Caras de Portalegre'' sobre o calvário de D.António Moutinho, Bispo de Portalegre depois da implantação do regime republicano.

d.antónio moutinho

 

''D. ANTÓNIO MOUTINHO
23ª Bispo de Portalegre

Era bispo de Cabo Verde quando, em 4 de Março de 1909, foi proposto para suceder a D. Gaudêncio. Entrou em Portalegre em Abril de 1910. Iniciou, com todo o zelo pastoral a sua vigência, ajudando o clero e fiéis a manterem-se firmes perante as dificuldades que o novo regime, implantado em 5 de Outubro desse ano, criou à Igreja.
O Estado começou por afrontar a Igreja, com a criação laica das Associações Culturais, imiscuindo-se assi...m na vida dos cristãos. Tendo condenado, aliás, como os outros bispos do país, essas Associações, foi espoliado do Paço e desterrado, por dois anos, do distrito de Portalegre. Retirou-se para Proença-a-Nova, distrito de Castelo Branco, mas diocese de Portalegre, e daí orienta a Diocese por todos os meios ao seu alcance. Os seus esforços foram compensados, pois, só um reduzido número de sacerdotes aceitou as aviltantes pensões com que o regime republicano os queria subornar. Estabeleceu as Conferências Eclesiásticas por arciprestados com a designação de «Círculos de Estudos Sacerdotais», aparecendo nessas reuniões, onde lhe era possível. Uma das suas últimas iniciativas, antes da proclamação da República, foi proporcionar exercícios espirituais ao Clero diocesano. Não tendo possibilidade de os realizar em Portalegre, na nova situação, em 1914, desloca-se a Salamanca, com muitos dos seus sacerdotes, a alguns dos quais pagou as despesas, proporcionando-lhes aí um turno de exercícios, no Seminário dessa cidade. Terminado o exílio, em 14 de Fevereiro de 1914 regressou a Portalegre e como lhe tinham usurpado o Paço, foi acolhido numa modesta casa nos arredores da cidade, vivendo com muitas privações. Isto era de tal modo sentido que os sacerdotes com possibilidade de o fazer, se cotizaram com a oferta de uma missa por mês para minimizar as dificuldades económicas do seu bispo. Entretanto, como se fosse abastado, não deixava sem ajuda aqueles que lhe batiam à porta. Como qualquer sacerdote da aldeia, vinha a pé, e muitas vezes debaixo de chuva, à cidade para participar nos actos litúrgicos, para dar catequese e orientar uma escola para crianças pobres que fundara. Estando em Visita Pastoral pelas freguesias do Ribatejo, em Maio de 1915, adoeceu. Voltou a Portalegre e instalou-se na modesta casa em que o tinham acolhido. Tendo-se agravado o mal e faltando-lhe todos os meios de tratamento, outra porta se lhe abriu e, desta vez, dentro da cidade, mas os novos cuidados não impediram que se agravassem os seus males e, no dia 18 de Maio de 1915 expirou serenamente edificando a todos os que o puderam acompanhar.''

 

devida vénia ao site Caras de Portalegre

 

baltazar almeida teixaira 1911 ilustraçao

O Dr.Baltasar Teixeira, deputado de Portalegre e colaborador do Jornal de Abrantes definiu assim o Bispo:

 

Sr. Presidente: que vemos nós que fazem os bispos? Vemos que êsses grandes senhores que continuam vivendo na abundância, tem levado os padres, os miseráveis que prestaram alguns serviços ao país, a renunciarem às suas pensões, mas que com duas morais, uma para uso próprio e outra para o alheio, vão no entanto conti

nuando nos seus paços, como se êstes não fossem pertença do Estado e não devesse repugnar-lhes também à consciência a fruição dêsse bem terreno.

É que não se trata duma questão de consciência, bem o sabemos também, mas sim de hostilizar a República com sacrifício... dos outros.

Entre êsses bispos, um dos mais reaccionários é o de Portalegre, que forçou muitos padres a não aceitarem as pensões, mas vai no entanto ocupando abusivamente o paço episcopal de Portalegre, apesar de já ter sido intimado a abandoná-lo, pela competente autoridade administrativa.

Vê se pois, claramente, que no proceder de S. Exa. há uma refalsada intenção de prejudicar a República. Não é por uma questão de crença que assim procede; è simplesmente para ver se nos criam dificuldades e deitam abaixo a gloriosa obra de 5 de Outubro.

Desejava, também, ver presente o Sr. Ministro da Justiça, para chamar a atenção de S. Exa. para o que se lê na Nação e no Dia, de há poucos dias, sôbre o procedimento dos bispos, que ameaçara de suspensão de ordens e excomunhão os padres que aceitarem as pensões.

Isto e grave porque êsses homens, uma vez excomungados, se para a maioria da gente continua a merecer a mesma consideração e respeito, nunca mais. no entanto, serão chamados pelos verdadeiros católicos â prática de qualquer ofício ou cerimónia religiosa, com grande prejuízo dos seus interesses materiais.

 

(...)

São Bento, 21-12-1911

 

D.António Moutinho chegou a ser preso em Viseu por se apresentar no funeral do Bispo local com hábitos talares.

Excomungou o padre Neves das Mouriscas, por este aceitar as pensões da República

 

E várias vezes se reuniu em Abrantes com o Padre Raposo e com o Dr.Guilherme Henrique Moura Neves para organizar a resistência católica à repressão.

 

Quanto ao meu amigo Dr.Baltasar (eterno deputado de Portalegre). morreu em 1974 com 102 anos, cego e fiel à República. Viu Abril e o fim da ditadura que odiara.

 

  ma

ortografia de 1911 no discurso do dr:Baltasar

 

 

  



publicado por porabrantes às 19:10 | link do post | comentar

Domingo, 05.02.17

1911.png

Maria Lucília Brito de Moura, A Guerra Religiosa na 1º República, 2ª ed aumentada,

Univerdade Católica, Lisboa 2010

 

bispo portalegre.jpg

 

D.António Moutinho ia em fato talar e de comboio. Chegou ao Entroncamento e uma mulher gritou, diz a Autora ,  ''Olha um jesuíta'' e preparam-se para o justiçar.

Como se atrevia o dignatário católico a desafiar a consciência revolucionária do bom povo?

Que teria sucedido ao senhor na Estação de Abrantes?

Estaria lá, o Martins Júnior?

O livro fala também de Abrantes.

Será desnecessário dizer que este conceito canalhesco da liberdade religiosa deixava um bocadinho a desejar, mas foi a pauta do comportamento do regime  quase até ao consulado de Sidónio Pais.

mn

raptámos o recorte da Ilustração ao blogue Memórias Virtuais

  

 

 



publicado por porabrantes às 17:57 | link do post | comentar

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