Sábado, 14.07.18

luiz fernandez cordoba

O General Córdoba era Embaixador de Espanha em Portugal e estava encarregado de controlar as actividades sediciosas de Carlos de Borbón, candidato absolutista à sucessão de Fernando VII.

Veio parar por circunstâncias que andam nos livros de história, o Infante  à Vila de Abrantes.

Era Setembro de 1833. Tentou Fernandez de Cordoba convencer D.Carlos a reconhecer a sobrinha, Isabel II, mas este proclama-se Rei e vai começar a 1º Guerra Carlista.

O jornal inglês Spectator conta assim a história

spectator

 mn



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Sexta-feira, 29.06.18

se viu aqui quem foi Vaz Preto, o político albicastrense que mais insultou o clero da vila de Abrantes e de toda a Diocese, esperava tudo de Vaz Preto, excepto vê-lo na Estação de Abrantes com umas melancias para oferecer a D.Carlos......

 

melancias

 in Balas de Papel de Gauldino Gomes e Carlos Sertório, revista satírica, publicada em Lisboa, 1891

 

mn

 

 

  



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Domingo, 06.08.17

sardoal 1907 b.png

sardoal 1907 c.png

no Archeólogo Português (1907)

O texto deve ser de José Leite de Vasconcelos

 

mn

 



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Domingo, 16.04.17

allm.pngDer Bischof von Leon befindet sich auch unter ihnen; er hat seine Wohnung im Rocio de Abrantes oder Saldo Tejo genommen, wo sich gegen 300 Spanier, Offiziere mit ihren Bedienten, befinden; die Soldaten stehen zu St. Miguel und ...

Infante_don_Carlos,_by_Vicente_Lopez.JPG

Infante D.Carlos de Vicente López Portaña

 

O jornal de Munique noticia o encontro do pretendente carlista com o Bispo de León, no Rocio de Abrantes em 1834

 

Que se arranje um voluntário para ler as letras góticas.

mn



publicado por porabrantes às 22:57 | link do post | comentar

Quarta-feira, 16.11.16

casamento princípe.png

Em 11 de Maio de 1888, o Diário Ilustrado publicava um anúncio informando da organização de comboios especiais, vindos de vários pontos do país, para levar o bom povo e as classes graúdas ao casamento do herdeiro da Coroa, D.Carlos com a Princesa de França, D.Amélia de Orleans. Também a partir de Abrantes.

A manchete do jornal era constituída por 3 facínoras galegos que tinham assassinado o empreiteiro das obras ferroviárias em Torres Vedras

galegos.png

Os galegos acorreram em massa a trabalhar nas obras ferroviárias em Portugal, em Abrantes também, e com eles alguns marginais, como o José Vallinhos, ''o Corunhês'', que o  Diário Ilustrado, descreve como um facínora

corunhês.png

Naturalmente os galegos estavam com boina, para ser mais típico.

mn  



publicado por porabrantes às 15:26 | link do post | comentar

Quarta-feira, 05.10.16

''Senhor! O povo deste Concelho surpreendido pela inesperada visita de Vossa Majestade, ufana-se deste acto memorável que não se acha registado em documento algum deste Concelho.

Por ter sido inesperada esta visita, não pode Vossa Majestade ser recebida mais condignamente, mas por esta expressiva e franca manifestação se mostra que o recebemos do fundo do coração com franca sinceridade.

Deus conserve Vossa Majestade por muitos anos para bem da Pátria e Povo Português, que se orgulha de empresas arriscadíssimas ''

 

Padre Silva Martins, Presidente da CM do Sardoal, saudando a visita de D.Carlos ao Sardoal.

pd_carlos1.jpg

 Discurso do futuro Cónego, então militante do Partido Progressista, transcrito do Sardoal com Memória. Convém ler os posts todos, para perceber em que ambiente decorreu a visita.

O autor do blogue é o Sr.Luís Manuel Gonçalves

ma

  

 



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Terça-feira, 02.02.16

Sua Excelência Reverendíssima, o Senhor Cardeal Patriarca, disse a missa, promovida pela Real Associação de Lisboa, pelo eterno descanso de SM Fidelíssima El-Rei Dom Carlos I e do Príncipe da Beira SAR D.Luís Filipe, assassinados pela escumalha.

Presente ao acto, o nosso amigo e Chefe da Casa Real Portuguesa, D.Duarte de Bragança, a quem o Cardeal prestou menagem.

Presente o  Presidente da Tubucci, Dr.Paulo Falcão Tavares

 

paulo estrela.jpg

na foto pode ver-se ainda um rapaz medalhado pela D.Céu, o Presidente das Escolas-João de Deus, descendente do ilustre vate.

Também vimos o editorialista da ''Nova Aliança'', Rev. Padre Gonçalo Portocarrerro de Almeida, de nobre família titular.

portocarrero.jpg

que aqui está a falar com SAR o Príncipe da Beira

D.João Távora, irmão do Zé Abrantes, o Marquês de Abrantes e Chefe da família Almeida, Presidente da Real Associação, responsável da organização de este acto de afirmação nacional, pode estar de parabéns.

 

mn

 

fotos Real Associação de Lisboa, cedidas por um amigo


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publicado por porabrantes às 22:23 | link do post | comentar

Segunda-feira, 02.02.15

(....)'' Estariam possessos os assassinos que atentaram cobardemente contra El-Rei D. Carlos e o Príncipe Real? Só Deus o sabe, mas um tão criminoso acto não exclui uma diabólica intervenção, que a cumplicidade dos regicidas fez possível. Esta aziaga hipótese obriga-nos a rezar pelas almas das vítimas inocentes, mas sem esquecer as que o juízo humano considera culpadas. Mesmo nestes casos desesperados, assiste-nos a esperança de que, na derradeira hora, aqueles desgraçados homens tenham acolhido a graça do arrependimento e do perdão, que Deus a todos liberalmente concede na iminência do trânsito para a vida eterna, tal como ocorreu com o bom ladrão (cfr. Lc 23, 39-43). A tanto nos obriga, com efeito, o mandamento novo da nossa santa religião (cfr. Jo 13, 34-35), que ensina a todos perdoar, sem esquecer os inimigos defuntos, cujas almas podem também, eventualmente, lucrar com os nossos sufrágios.
A esta evocação de Sua Majestade, el-Rei D. Carlos, e do Príncipe Real, Dom Luís Filipe, cumpre associar a memória de el-Rei D. Manuel II, bem como a de Sua Majestade a Rainha D. Amélia e os demais membros da Família Real já falecidos. Assim sendo, depois de celebrada esta solene Eucaristia dominical, seguir-se-á uma singela romagem ao panteão da Casa de Bragança, anexo a esta Igreja de São Vicente de Fora.

3. Cumprimentos vários. Cumprimento, em primeiro lugar, Suas Altezas Reais os Senhores Duques de Bragança e restantes membros da Família Real aqui presentes, na sua qualidade de representantes de el-Rei D. Carlos I e do Príncipe Real, bem como de todos os augustos soberanos de Portugal. Na certeza das minhas orações e fidelidade à tradição que tão dignamente representam, faço votos de que sejam sempre fiéis continuadores da arreigada devoção cristã que, desde os primórdios da história nacional, é apanágio da Casa Real portuguesa.
Nestes tempos de tão intensas mutações sociais, mais necessário é que a Família Real, sobretudo pela exemplaridade da sua vivência cristã, seja um modelo, não apenas para os que se revêem no ideal monárquico, mas para todos os portugueses, quaisquer que sejam as suas tendências políticas ou opções religiosas. A condição de representantes dos Reis de Portugal, que só em Vossas Altezas Reais se realiza, ultrapassa os particularismos ideológicos ou político-partidários, porque se confunde com a identidade da Pátria que, graças a Deus e à Família Real, hoje somos.
Saúdo também, com especial gratidão, o Senhor Presidente da Causa Real, o Senhor Presidente da Real Associação de Lisboa, que muito amavelmente me convidou para presidir a esta celebração, o Senhor Presidente do Instituto da Nobreza Portuguesa, o Senhor Presidente da Associação da Nobreza Histórica de Portugal, o Senhor Presidente da Juventude Monárquica, os dignitários das Ordens dinásticas de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e de Santa Isabel, e ainda os meus muito estimados confrades na Ordem de Cavalaria do Santo Sepulcro de Jerusalém e na Soberana Ordem Militar de São João de Jerusalém, também dita de Malta.
Uma palavra ainda de agradecimento ao Senhor Padre Tiago Ribeiro Pinto, que muito me honra ao concelebrar esta Eucaristia dominical, ao Senhor Reitor de São Vicente de Fora, pela sua fidalga hospitalidade, aos acólitos, leitores, cantores e a todos quantos participam mais activamente nesta Santa Missa.'' (..)

d.carlos.jpg

 

excertos da homilia do Reverendo e nobre P.Visconde da Macieira na missa por alma de S.M.Fidelíssima el-Rei Dom Carlos I e de D.Luís Felipe, Duque de Bragança.

com a devida vénia e o nosso agradecimento a todos os que participaram neste acto de afirmação nacional. Viva Portugal!

 



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Domingo, 02.02.14

O Rev.Padre Portocarrerro de Almada, sobrinho do lendário poeta José Carlos Ary  dos  Santos, continua em forma. Está visto que não será preciso recorrer aos bons e leais serviços de Frei Nuno Serras Pereira como Capelão dos Braganças.

 

 

Transcreve-se de seguida a notabilíssima homilia pronunciada por ele na Missa por Alma de S.M.F. El-Rei D.Carlos I e de SAR D.Luís Filipe, Príncipe da Beira e Duque de Bragança

 

 

Certa ver um Cónego ignaro disse que só diria missa pelo Rei de Portugal em Abrantes se o tratasse como o irmão Carlos, aprenda o tipo como se diz uma homilia em memória de D.Carlos de Bragança

 

 

 

A BEM-AVENTURANÇA DO SERVIÇO
Missa de sufrágio de S. M. F. El-Rei D. Carlos e do Príncipe Real
(Lisboa, Convento de São Vicente de Fora, 1-2-2014)

1. Introdução. «Bem-aventurados sereis quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa» (Mt 5, 12a). Esta é a última bem-aventurança enunciada pelo Senhor no seu Sermão da Montanha, a Carta Magna do Cristianismo, e é porventura a maior bênção de quantas neste programático discurso se referem, porque promete o Céu aos que, por causa da fé, são perseguidos e amaldiçoados. 

Não será porventura exagerado transpor esta bem-aventurança para quantos, no serviço à Pátria, sofreram semelhante incompreensão, como foi o caso de Sua Majestade Fidelíssima, El-Rei D. Carlos I, e de Sua Alteza Real o Príncipe Dom Luís Filipe. Ambos padeceram a pior das provações, mas que é também, paradoxalmente, a prova do amor supremo porque, como o Mestre ensinou, «não há maior amor do que dar a própria vida pelos seus amigos» (Jo 15, 13). Aqueles que, efectivamente, num dia como o de hoje, do ano de 1908, tombaram no Terreiro do Paço, dando a vida por Portugal, merecem, por isso, esta piedosa evocação, muito embora nos anime a esperança de que já não precisem dos nossos sufrágios. 

O regicídio manchou a História de Portugal e lançou sobre a república uma sombra de sangue ainda não remida, mas a memória das duas vítimas régias é motivo de alento para quantos, como nós, irmanados pela fé cristã e o amor a Portugal, agora nos reunimos à volta do altar desta belíssima Igreja de São Vicente de Fora, junto ao Panteão Real. Sirva pois esta celebração eucarística para dar graças a Deus por todos os seus dons e pedir perdão pelos nossos pecados e também pelos daqueles que foram autores do assassinato do penúltimo Rei de Portugal e do Príncipe Real. 

«Procurai o Senhor, […] procurai a justiça», lia-se no trecho do profeta Sofonias, há instantes proclamado. Muito embora a justiça humana não tenha sabido reparar o hediondo crime de que foram vítimas o Senhor Dom Vasco Gama Carlos e o Senhor Dom Ana Luis da Silva Filipe, a justiça divina decerto que já premiou os inocentes. Não nos compete, mais de um século depois, ajuizar a responsabilidade dos diversos intervenientes nesse acontecimento. Também não nos cumpre clamar por vingança, sentimento de todo alheio à caridade cristã. Pelo contrário, é nosso dever rezar por todos os fiéis defuntos, inocentes ou culpados, vítimas ou malfeitores, pobres ou ricos, nobres ou plebeus, porque todos, quaisquer que sejam as suas circunstâncias pessoais, devem ser, se ainda estão a caminho da sua definitiva morada na casa do Pai (cfr. Jo 14, 2), destinatários dos nossos sufrágios. 

É de justiça que se associe a esta homenagem a D. Carlos I e ao Príncipe D. Luís Filipe, a Rainha D. Amélia e El-Rei D. Manuel II, vítimas sobreviventes do criminoso acto, o qual, embora poupando as suas vidas, os privou, respectivamente, do seu augusto cônjuge e filho, e do seu dilecto pai e irmão.

2. Cumprimentos vários. Antes de prosseguir com o texto proposto para a liturgia da palavra desta celebração vespertina do IV Domingo do Tempo Comum, tenho o dever de saudar muito especialmente Suas Altezas Reais os Senhores Duques de Maria Gabriela Bragança, na sua condição de Chefes da Casa Real portuguesa e, portanto, representantes não apenas das pessoas reais pelas quais, em especial, se celebra esta Santa Missa, mas também de todos os seus antecessores no trono lusitano. 

O Senhor Dom Duarte e a Senhora Dona Isabel são hoje um excelente exemplo das ancestrais e nobilíssimas tradições cristãs da Coroa que, por esse motivo, mereceu chamar-se, sem jactância, fidelíssima. Suas Altezas Reais são um modelo não apenas para quantos se revêem no ideal monárquico, mas também para todos os patriotas que desejam, na chefia do Estado português, um exemplo de verdadeiro humanismo cristão. 

Em tempos em que as instituições políticas e a própria democracia sofrem um imenso desgaste, mais necessário é que, quem ocupa a cúspide da organização política da nação, seja, mais pelas obras do que pelas palavras, uma irrepreensível referência ética e um exemplo de independência em relação a todas as forças políticas e interesses económicos. Alguém que seja, tão-só, Portugal. Não pode lograr esta abrangência quem se identifica com uma tendência partidária, nem tão pouco quem, pelo particularismo da sua ideologia, não pode abarcar todo o espectro da realidade nacional. Só se identifica com Portugal quem, ao significar a sua história, está em condições de encarnar a sua tradição cosmopolita e multirracial, a sua fé intrépida e tolerante e a sua ânsia de novos impérios. Só quem tem essa legitimidade histórica pode ser símbolo da identidade pátria e, enquanto tal, elemento de coesão e unidade nacional.

Uma palavra ainda para referir a gratidão que devo ao Senhor Presidente da Real Associação de Lisboa, que teve a imensa gentileza de me convidar para presidir a esta celebração eucarística. Mesmo depois de eu lhe ter feito ver, sem falsa modéstia, a inconveniência da minha pessoa para tão honrosa missão, insistiu e reiterou o seu pedido, em termos que nunca esquecerei e que procurarei retribuir com a minha oração e amizade pessoal. 

Também se quiseram associar a esta vigília de oração a Causa Real, a Juventude Monárquica, o Instituto da Nobreza Portuguesa, a Associação da Nobreza Histórica de Portugal, as Ordens dinásticas de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e de Santa Isabel, e as pontifícias Ordens militares ierosolomitanas de Malta e do Santo Sepulcro. A todas estas veneráveis instituições apresento os meus cumprimentos, pedindo aos seus membros que me tenham presente nas suas orações.

Por último, saúdo os restantes fiéis que se dignaram participar nesta solene Eucaristia vespertina dominical, a todos pedindo também a esmola de uma lembrança nas suas preces.

3. O convite à humildade cristã. «Procurai o Senhor vós todos, os humildes da terra, que obedeceis aos seus mandamentos. Procurai a justiça, procurai a humildade […]. Só deixarei ficar no meio de ti um povo pobre e humilde» – advertia o profeta Sofonias, no trecho bíblico que foi agora recordado. Em termos análogos, leram-se depois as palavras de São Paulo aos cristãos de Corinto: «Vede quem sois vós, os que Deus chamou: não há muitos sábios, naturalmente falando, nem muitos influentes, nem muitos bem-nascidos», ou nobres, para depois concluir que Deus «escolheu o que é vil e desprezível, o que nada vale aos lhos do mundo, para reduzir a nada aquilo que vale, a fim de que nenhuma criatura se possa gloriar diante de Deus».

Um tão forte e insistente chamamento à humildade poderia eventualmente comprometer a razão de ser desta homenagem a duas pessoas reais, aqui já referidas pelos tratamentos que são próprios da sua augusta condição. Com a mesma deferência, foram também citados os que hoje tão dignamente representam a dinastia de Portugal. Mas – poder-se-ia questionar – tais honras e tratamentos cerimoniosos não serão incompatíveis com a humildade, a que tanto o profeta Sofonias como o apóstolo Paulo, a todos os cristãos exigem?! Fazem sentido, na casa de Deus, essas proeminências, quando o Senhor prefere aqueles que nada são, em vez dos sábios, dos poderosos e dos nobres?! Não haverá, neste modo formal de tratar aqueles que agora pretendemos sufragar e os seus representantes, uma cedência à mundanidade, em desprezo da autenticidade evangélica, tão patente na vida de Nosso Senhor Jesus Cristo?!

É verdade que o chamamento à humildade é para todos na Igreja e que a condição cristã é avessa a qualquer subversão da igual dignidade de todos os filhos de Deus. Com efeito, qualquer que seja a inteligência, sabedoria, poder ou estatuto social do fiel, mais importante é, sem dúvida, a graça da filiação divina, que ultrapassa qualquer outra filiação social ou ideológica: em Cristo, todos os que receberam a graça do Santo Baptismo, são irmãos, porque filhos de Deus. 

Contudo, pecaria por ingenuidade quem pensasse que esta igualdade na comum dignidade cristã implica um artificial nivelamento social, porque até a própria Igreja, querida e fundada por Cristo como sacramento universal de salvação, é, essencialmente, hierárquica. De modo semelhante, também a sociedade civil reconhece as primazias que são devidas ao poder, ao mérito da ciência e da linhagem, sem que um tal reconhecimento fáctico desvirtue a essencial fraternidade de todos os cristãos na fé e na comunhão eclesial. 

É verdade que de nada serve o poder, a sabedoria humana, a influência terrena ou a origem ilustre, se estas realidades terrenas não forem vivificadas pela graça de Deus. Mas também é certo que aqueles que foram escolhidos por Deus para serem seus discípulos, não tiveram por isso que abandonar a sua identidade própria, mas integrá-la na realidade da sua condição cristã. Simão, que deixou este nome para se chamar Pedro, continuou no entanto a ser apelidado filho de João e, como tal, é geralmente referido, porque essa nota genealógica é parte da sua identidade; de modo semelhante, também os filhos de Zebedeu são com frequência nomeados em função dessa sua comum filiação, que é igualmente característica da sua personalidade.

Sobre este particular, como em todos os outros que respeitam à fé, não poderia ser mais expressivo o exemplo do nosso Mestre e Senhor. Se é verdade que, segundo São Mateus, se dá a Si mesmo como exemplo de modéstia, não o é menos que nunca nega a sua especial dignidade. De facto, afirma a sua mansidão e humildade de coração, que a todos propõe como condição necessária para a perfeição da caridade. Mais ainda, já na iminência da sua paixão e morte, lava os pés aos seus discípulos, incluídos também os do traidor. Mas, depois de retomadas as suas vestes, esclarece que aquele seu gesto de modo algum implica renúncia à sua dignidade ímpar, nem aos predicamentos sociais que, em consequência, Lhe eram e são devidos: «Chamais-me Mestre e Senhor, e dizeis bem porque o sou» (Jo 13, 13). 

Mesmo diante do governador romano, Jesus de Nazaré não se inibe de afirmar a sua condição régia, apesar de saber que, como de facto aconteceu, a mesma poderia ser usada contra Ele naquele iníquo processo. Com efeito, Pôncio Pilatos, na sua qualidade de procurador do imperador romano, poderia entender que uma tal afirmação punha em causa o poder da potência ocupante e, assim sendo, mereceria exemplar punição. Por providente ironia do destino, até no alto da cruz constou, em várias línguas, o título real de Nosso Senhor, porque aí se escreveu: Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus. 

4. A utopia igualitária e a hierarquia da Igreja e do Estado. Não há talvez utopia mais perigosa e injusta do que a de uma total e absoluta igualdade social. Foi em nome desse ideal que se firmaram as piores tiranias que, diga-se de passagem, nunca lograram esse irrealizável propósito e deram, até, lugar a realidades sociais profundamente injustas e desiguais. Como alguém disse, com fina e certeira ironia, nessas sociedades, pretensamente igualitárias, todos eram formalmente iguais, mas havia alguns cidadãos mais iguais do que os outros… 

A Igreja é, por vontade expressa do seu divino Fundador, hierárquica, na igualdade em dignidade, mas não funcional, de todos os fiéis. A sociedade civil está também estratificada e, não obstante a igualdade dos cidadãos ante a lei, não pode ignorar, qualquer que seja o regime, a natural distinção entre os seus indivíduos. 

O que distingue a monarquia humanista cristã não é tanto o seu carácter estamental, comum a qualquer estrutura societária, mas a sua razão de serviço, porque é uma estrutura social inspirada naquele que, sendo Senhor de Senhores e Rei de Reis, disse de Si mesmo que não tinha vindo a este mundo para ser servido, mas para servir e dar a sua vida pela salvação do mundo.

Esta razão de serviço preside a toda a existência dos monarcas, sobretudo se são cristãos, porque a magistratura que exercem se confunde com a sua própria vida. Pelo contrário, nos sistemas em que a prestação do chefe de Estado é ocasional e, portanto, cessa quando concluído o respectivo mandato, regressando então o respectivo titular à privacidade do cidadão comum. Os soberanos, pelo contrário, exercem um verdadeiro sacerdócio do serviço público, que lhes exige uma dedicação plena e exclusiva que, por vezes, acarreta, como no caso de El-Rei D. Carlos e do Príncipe Real, o sacrifício da própria vida.

5. O respeito pelos mais velhos e pelos doentes. Não é do âmbito desta reflexão aprofundar todos as virtualidades da instituição monárquica, mas talvez não seja descabido sublinhar, à imagem e semelhança das celebrações desta efeméride em anos anteriores, alguns aspectos mais marcantes do carácter humanista e cristão que é timbre da realeza portuguesa. 

Em tempos em que a vida humana é tão desrespeitada, quer embrionária, ainda no ventre materno, quer também no ocaso da sua etapa terrena, vem a propósito recordar que a história da monarquia oferece alguns exemplos de grande respeito pela dignidade da existência humana. 
Na sociedade pragmática e hedonista contemporânea, a vida humana é muitas vezes calibrada em função do prazer que proporciona, do bem-estar que consente, da saúde física ou psíquica de que se goza ou, até, da capacidade produtiva ou da rentabilidade económica do sujeito. Dir-se-ia que a vida humana não vale por si mesma, mas apenas enquanto proporciona uma existência agradável e útil, sendo portanto desprezível quando embrionária, deficitária no seu exercício ou ineficiente, nomeadamente por velhice, ou doença que turve o entendimento e debilite a vontade.

A história da monarquia portuguesa é gloriosa mas, por ser humana, conhece também ocasiões de alguma tensão. Não será de estranhar, portanto, que nos anais da Casa Real, aliás como na própria história bíblica, se assista por vezes a lutas fratricidas, mais por excepção do que por regra. 

Foi numa situação desta natureza que El-Rei D. Afonso III destronou o seu irmão, D. Sancho II, como foi também numa circunstância análoga que, muito mais tarde, D. Pedro II interditou e prendeu seu irmão, D. Afonso VI, a quem veio a suceder no trono. Não interessa a esta reflexão o mérito ou demérito dessas deposições, no primeiro caso justificada por bula papal e, no segundo, confirmada em Cortes, mas sim assinalar que, em ambos os casos, os monarcas destronados não foram privados da sua dignidade real, que os que os venceram pela força só assumiram depois da sua morte. O respeito pelas augustas pessoas dos seus antecessores no trono permaneceu até à hora da morte destes, mesmo tendo-lhes sido previamente retirado todo o poder.

É também exemplar o caso da Rainha D. Maria I que, no final da sua vida, ficou incapaz de assegurar efectivamente a governação do reino unido de Portugal e Brasil, sem esquecer os restantes domínios ultramarinos da Coroa. Na comprovada impossibilidade de assegurar o exercício da realeza e dado o carácter incurável dessa penosa limitação, assumiu a regência do reino o seu filho varão primogénito, que viria a ser seu sucessor. No entanto, a sua augusta mãe, mesmo privada de todas as funções reais, manteve-se Rainha de Portugal até à sua morte, em 1816. Só por seu óbito o até então Príncipe Regente passou a ser El-Rei D. João VI, de quem é representante o actual Chefe da Casa Real portuguesa, que descende por via paterna e materna desse ilustre monarca.

Certamente, não é imperativo que quem é constituído na mais alta responsabilidade do Estado, ou da Igreja, permaneça em funções até ao seu último alento. Papas e Reis entenderam por vezes, muito legitimamente, a conveniência da sua renúncia ou abdicação, por razões de ordem pessoal que são compreensíveis numa lógica de disponibilidade e de serviço ao bem comum. Não só os que o fizeram de motu próprio conservaram, por regra, a correspondente dignidade, que lhes foi sempre reconhecida, mas tal também aconteceu com os que foram destituídos contra a sua vontade, mantendo contudo até à sua morte o tratamento régio a que tinham direito. Este respeito pela pessoa e pela sua dignidade, quaisquer que sejam as suas competências funcionais, é expressivo desse humanismo cristão que agora, mais do que nunca, importa exaltar.

6. Conclusão. Regressemos ao Sermão da Montanha, para de novo escutar o Mestre, que nos diz: «Bem-aventurados sereis quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa» (Mt 5, 12a)». Não será talvez descabido supor que o vate do império, que foi nosso e que se desfez, teve presente este ensinamento, quando assim escreveu na sua Mensagem: «Foi com desgraça e com vileza / que Deus ao Christo definiu: / Assim o oppoz à Natureza / E Filho o ungiu».

Sob o estandarte de São Nuno de Santa Maria, renovemos o propósito de servir a Pátria no fiel cumprimento das bem-aventuranças, verdadeiro código de honra dos cavaleiros e damas cristãos. Que o Santo Condestável, cujo sangue corre também nas veias do Chefe da nossa Casa Real, nos obtenha a graça de servir Portugal com o testemunho da nossa vida cristã, e nos confirme na opção evangélica pelos mais pobres e necessitados dos nossos irmãos. Que Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, nossa Rainha e Padroeira, proteja a Família Real, abençoe todas as famílias de Portugal e apresse a tão desejada hora do triunfo do seu Imaculado Coração!

P. Gonçalo Portocarrero de Almada 

 

 

é óbvia a violentíssima crítica do P.Portocarrerro a Cavaco Silva e às suas dilectas amizades chez BPN  

 

 

sublinhados de MN



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Quinta-feira, 23.06.11

Salvem da demolição o Real Convento S. Domingos de Abrantes Neste dia há 103 anos, S.M.F. o Rei Dom Carlos I, visitou o Real Convento de S. Domingos, conforme consta no Calendário da Associação Defesa Património de Abrantes: TUBUCCI. Porque se esquece a Câmara destas datas?

 

 

Fotos del muro 1.757 impresiones · 1,59 % de comentarios

 

Nota: O Rei visitou São Domingos então Quartel a 21 de Junho.

 

posto por suzy de noronha



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