''Uma noite no meu quarto, descalçando as botas, consultei o Grilo: - Jacinto anda tão murcho, tão corcunda... Que será, Grilo? O venerando preto declarou com uma certeza imensa: - Sua Excelência sofre de fartura. Era fartura! O meu Príncipe sentia abafadamente a fartura de Paris: - e na Cidade, na simbólica Cidade, fora de cuja vida culta e forte (como ele outrora gritava, iluminado) o homem do século XIX nunca poderia saborear plenamente a «delícia de viver», ele não encontrava agora forma de vida, espiritual ou social, que o interessasse, lhe valesse o esforço de uma corrida curta numa tipoia fácil. Pobre Jacinto!''
( Eça, a Cidade e as Serras)
O douto Grilo, leitor diário de Le Figaro, era o escudeiro do Jacinto!
Se o lia, terá lido, o J' Accuse de Zola!
Um preto venerando.....que seria dreyfusard
ma
Com a mania francesa e burguesa de reduzir todas as regiões e todas as raças ao mesmo tipo de civilização, o mundo ia tornar-se numa monotonia abominável. Dentro em breve um touriste faria enormes sacrifícios, despesas sem fim, para ir a Tumbuctu - para quê? Para encontrar lá pretos de chapéu alto, a ler o Jornal dos Debates.”
―
Agora já não há comarca, embora ainda haja cloaca.
Algum dia, alguém fará uma lista de magistrados que passaram pelo Tribunal desta terra.
Começamos pelo Excelentíssimo e Meritíssimo Conselheiro Acácio.
ACÁCIO PEDRO RIBEIRO ÁLVARES DE MELO
Foi naturalmente colega de Eça na Faculdade, embora andasse para aí no 2º ano, quando José Maria entrou na Porta Férrea.
Eça inventou um Conselheiro Acácio que não era parecido com este.....porque, apesar dos dois terem um bigode '' grisalho, farto, caído aos cantos da boca'' a careca não coincide, a do herói do Primo Basílio era....'' vasta e polida.''
O Acácio que passou pela comarca abrantina medrou naturalmente também à conta da política. Era um liberal.
Em 1874, oficiava do Sabugal, onde era Delegado do Procurador Régio, '' remetendo o auto de investigação incluso, relativo à tentativa de levantamento de uma guerrilha carlo-miguelista no concelho do Sabugal''. (Arquivo Histórico Militar)
O Conselheiro Acácio do Eça era solteiro e vivia amancebado com uma criada que o enganava.
O Conselheiro Acácio Álvares de Melo teve uma filha (pelo menos) a quem deu um nome digno da Cleópetra, foi a Maria Egipcíaca Ribeiro de Melo, que fez um grande casamento, com o filho do 2º Conde de Farrobo.
Bem talvez esteja a exagerar, quando se casou a D. Maria Egipcíaca , já estaria falida a família Farrobo, que tinha sido a mais rica de Portugal? Quem quiser investigar, investigue...
Em 1874, o Duque de Abrantes e Linhares, um espanhol, comprava a Quinta das Laranjeiras, que agora é o Jardim Zoológico, e que algum amigo do Costa ameaçou privatizar, em consequência da falência. Eça & Ramalho gozaram nas Farpas com a forma como o espanhol modernizou a Quinta do Farrobo.
Que fez o juiz Acácio em Abrantes?
Foi juiz em 1885 e é nesse ano que se dá o um grande comício do Partido Progressista e onde os republicanos como Ramiro Guedes
aparecem com grande visibilidade a protestar politicamente no cenário cá da terra. Deixo o comício para outro dia. No dito uma das estrelas foi o Visconde do Tramagal Dr. João Themudo Mendonça......
Agora quero arranjar paciência para meter aqui os vários magistrados que chegaram a Presidentes da Relação de Lisboa, como o Conselheiro Acácio, e que passaram por cá.....
mn
créditos:
foto do Dr.Acácio e biografia: Página da Relação de Lisboa
Eça de Queiroz: O Primo Basílio
Eça de Queiroz & Ramalho Ortigão: As Farpas
Arquivo Histórico Militar
A Margarida Trincão, directora da Barca, faz uns editoriais de que eu gosto muito.
Antigamente havia uns velhotes que diziam que compravam os jornais só para ler os editoriais.
Depois a coisa mudou.
Apareceram directores que escreviam mal e tinham um escriba para lhes fazer o editorial.
Davam umas dicas e o homem escrevia.
Não lhe vou a chamar ''negro'', que é a palavra técnica para definir o escritor ou escriba que faz coisas dessas para outros assinarem, porque o do Diário de Lisboa antes do 25 de Abril era ribatejano e branco .Chamava-se José Saramago.
A Margarida faz os editoriais sozinha, num estilo inconfundível e são os melhores da região.
Transcrevo um com a devida vénia e faço uns comentários, depois de dizer que estou solidário com a ''Barca'' face à evidente e injusta discriminação de que foi alvo no caso tão badalado dos contratos de publicidade camarária.
A razão pode estar na Margarida escrever editoriais como este:
22-9-2011
O prazo para os pategos verem o balão está a vencer!
Neste caso os pategos não têm de ver o balão mas o Barão!!!!
Agora, temo uma coisa.
Na Relíquia do Eça, o heróico Teodorico vai à Palestina comprar uma autêntica raridade da época de Cristo, certificada pela Igreja , adquire a ''autêntica'' coroa de espinhos do Senhor, consegue o certificado da Autoridade Eclesiástica, mas na confusão dos seus amores com a fogosa Mary e na pressa da partida, troca a encomenda prá Titi pelo presente de despedida da Mary.
Quando desembrulha o pacote em Lisboa, numa assembleia presidida pela Titi, com teólogos, beatos, eminências e reverências, o que lá está são as calcinhas da Mary, com um romântico bilhete onde reza ''para o meu portuguesinho valente da M.M.''
Expulso da herança, Teodorico vai lutar pela vida e quando a Titi morre a Igreja recebe, como no caso de Maria Amélia Baeta, a fortuna. A Titi deixa um legado ao sobrinho libertino que consiste num telescópio para ver a herança a milhas.
Deve reconhecer-se que o Cónego Graça tinha menos sentido de humor que a velha beata e não deu nenhum telescópio aos familiares de Solano de Abreu e de Maria Amélia. Certamente estavam muito caros.
telescópio pouco católico-igual ao de Galileu Galilei.
No caso do Senhor Barão, acho que nos vai acontecer, aos abrantinos como ao Teodorico.
Ou pior....
Porque ninguém nos oferecerá um telescópio, tendo nós de o adquirir por conta própria, para ver o Alves........
lá longe em qualquer paraíso com off-shores.....
Miguel Abrantes, simpatizante queiroziano
nota: cédula pessoal
Nome:Teodorico Raposo
Avô: Rufino da Conceição, padre
Avó: Filomena Raposo, a “Repolhuda”
Pai: Rufino da Assunção Raposo
Mãe: Rosa
Nascimento: Sexta-Feira da Paixão, à tarde.
AVERBAMENTO
Tia: Maria do Patrocínio, devota.
in http://leiturapartilhada.blogspot.com/2007_05_01_archive.html

posto por a.abrantes
Está Calor! O dito aquece demais as cabecinhas!!!!

O resultado é variado.
Eça de Queiroz diria : Está um calor de ananases!!!!
E o pobre como não podia andar de chinelos, de t-shirt e óculos de sol porque era um dandy, esturricava-se!!!!!

Com esta farpela só podia acalorar-se....
Dizia ao Ramalho: Vamos para Sintra!!! Aí ao menos está mais fresco!!!!
Lá tomavam a diligência e montavam umas farras com umas espanholas num hotel local!!!!
Supõe-se que os dois para demonstrarem os efeitos do calor sobre os ''portuguesinhos valentes'' ficavam pelo menos em ceroulas e as ''lolas'' conservavam por uma questão moral as castanholas.
A D.Emília Resende, que está na foto, mulher do Eça (não dizemos esposa porque o romancista era um Senhor embora só bacharel e não licenciado como o Carrilho da Graça) tinha sido mandada previamente para o Minho a tomar o fresco e a participar nas romarias, que as fidalgas deviam dar exemplo de papa-missas.
Esperamos que o bufo das hortaliças não denuncie o nosso amigo Zé Maria e a ramalhal figura pelos métodos ''sui generis'' de combater a caloraça.....
Ainda tentei ler a ''Ode às Hortaliças'' mas aquilo estava escrito em mirandês e a minha cultura é alfacinha, contou-nos uma vez o Pacheco.
O Luís (Pacheco) foi um senhor que veio a Abrantes às Jornadas Culturais em 69 e não hesitou em cravar umas massas (para variar) ao dr. Eurico, ao Mário Rui e a quem mais se cruzou na sua frente.
Ignoramos se o dr. Sequeira Estrela foi poupado à colecta.
Mas o Pacheco é um dos mais importantes escritores portugueses do século XX.....(1)
Para terminar o disparate estival, o Zé Maria e o Ramalho ainda arranjaram tempo para compôr a duo o ''Mistério da Estrada de Sintra'', uma espécie de folhetim policial que saía no Diário de Notícias.....
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Além do fresco e da praia recomendamos ao leitor que siga os métodos do Eça para combater a caloraça (sem ter de envergar um paletó) mas
o complemente lendo os Mistérios de Sintra.

Marcello de Ataíde,
Ou no caso de preferir ver isto:

(1) O capelão da Obra já me vai chatear por recomendar o Eça, imaginem se aconselho o Pacheco!!!!!
Deixo isso para o Miguel Abrantes, maçon e herege.
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