Sexta-feira, 17.04.15

 

(...)...Aliás, eu não resisto a contar uma anedota que se passou nessa altura, porque foi um Governo na altura de coligação, era o Mota Pinto o Presidente do PSD, e depois foi o Rui Machete e depois foi o Cavaco Silva. Eu conto esta anedota porque é verdadeira e porque a vivi: no dia da assinatura, que foi a 12 de Junho de 85, no jantar oficial em Belém, nos Jerónimos, a certa altura o chefe do protocolo vai ter com o Mário Soares, que era Primeiro-Ministro, e diz assim: Oh Sr. Primeiro-Ministro está ali um marrequinho a meter a prata do serviço de Estado no bolso.

O marrequinho era o Giulio Andreoti, Primeiro-Ministro da Itália, que era cleptomaníaco e o Soares volta-se para o chefe do protocolo, (eu devo dizer que dei uma grande gargalhada), e diz assim: “deixe estar, o que ele acabou de assinar pagou a prata toda do País” (RISOS). E é verdade, mas nós temos que ter a noção do seguinte, meus amigos, nós soubemos responder, mas temos vivido uma situação artificial, temos recebido por ano mais de 3 mil milhões de euros líquidos de Bruxelas e outro tanto dos nossos emigrantes, ou seja são 6 mil milhões de euros, 1.200 milhões de contos em dinheiro antigo, são 4 milhões de contos por dia de dinheiro gratuito, de dinheiro que chega aqui a Castelo de Vide e com isto a família se é dos emigrantes, repara a casa, compra um carro, põe a senhora de idade no lar, faz uma operação, manda o miúdo estudar e a Câmara Municipal faz o esgoto, faz a estrada, faz a obra. (...)

 

 

 

 

 (...)É que se o tipo não investiu e meteu aquecedores eléctricos, vocês já pensaram o seguinte: eu estou a importar carvão para Sines, ou a importar gás natural lá para cima para a Tapada do Outeiro… Estou a importar carvão, vem o barco, descarrego o barco, ponho o carvão, portanto, estou a gastar energia, energia mecânica, transportes, depois atiro o carvão para dentro da fornalha da central térmica da EDP, fogo, transformo aquilo em energia térmica. Depois aquilo faz o quê? Ferver a água. Passa a água a vapor. Portanto mais uma transformação. Depois o vapor fica com pressão faz andar uma turbina, portanto outra vez, energia mecânica. A energia mecânica é transformada em corrente contínua. A corrente contínua é transformada para a alterna, de alta tensão para ser transportada. Só nas linhas eléctricas perde-se 12,8% da electricidade gerada em Portugal. Nos outros países perde-se 8%. A Central do Carregado a trabalhar 24 horas por dia, não dá para as perdas. E depois o que é que vocês fazem em vossa casa?

Ligam o radiador para se aquecerem a 21 graus. É um crime. Paguei 4 toneladas de carvão, para 4 quilos de carvão, 4 metros cúbicos de gás e utilizei a energia útil de 1. Ou seja, 27%. Os outros 3, é como dizia o Pinheiro de Azevedo, “é só fumaça”, porque é só fumaça. Paguei 4, 4 toneladas de carvão a 85 dólares a tonelada, quando nas contas para a formação da tarifa, está contada a 39, esperem pelo aumento, 4 metros cúbicos de gás natural, e depois andei a passear com ele, a queimá-lo, a transformá-lo, para depois me aquecer a 20 graus. Isto faz sentido? Só um país rico.

Aliás o mesmo se passa com a água. Eu uma vez vim de Bruxelas, pedi uma audiência ao Prof. Cavaco Silva, dávamo-nos muito bem e ele achava-me piada, eu voltei-me para ele, entrei na sala dele, cumprimentei-o e disse: “Senhor Professor, o senhor é Primeiro-Ministro num país muito rico!”. “O que é que você quer dizer com isso, oh Pimenta?”, “O que é que eu quero dizer com isso. Então você já viu, senhor Professor, vai buscar água a Castelo de Bode, que está a mais de 100 Km de Lisboa, transporta-a à conta de energia, trata-a quimicamente, trata-a bacteriologicamente, tem uma estação de tratamento na Asseiceira, outro em Lisboa, tem uma frota de gente de bata branca, obedece aquela água a 70 parâmetros de qualidade, bacteriológicos, físicos, químicos, etc., etc. e depois lava ruas, apaga fogos, lava carros, lava barcos, rega jardins com essa água?! Só um país muito rico é que pode fazer isto com água que custa 100 escudos por metro cúbico. Um país pobre não pode”. Mas é o que está a acontecer?

Nós estamos a fazer isto tudo com água que obedece aos critérios de qualidade da União Europeia. Na maior parte dos concelhos a perda de água nos canos, é superior a 1/3 e nalguns casos a 40%. Água a 100$00 o metro cúbico. Para além de regar, de apagar fogos, de lavar carros, lavar barcos, lavar isto tudo, também serve para regar o subsolo. Só um país rico. Estamos outra vez na mesma. Custos de investimento versus custos de funcionamento.(...)

 

Carlos Pimenta -ler o texto todo aqui

 

com a devida vénia

 

as perdas de água de Abrantes andam pelos 30%



publicado por porabrantes às 19:22 | link do post | comentar

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