Pouco tempo depois de ter feito uma declaração de voto favorável ao pseudocasamento entre pessoas do mesmo sexo a deputada Assunção Cristas foi convidada, pelos nossos Bispos, a dar o seu testemunho de política católica diante dos fiéis e das televisões, no terreiro do paço, em Lisboa, como preparação para a Missa celebrada por sua Santidade o Papa Bento XVI, aquando da sua última visita apostólica a Portugal.
No sítio da Inter-rede do secretariado nacional da pastoral da cultura<http://www.snpcultura.org/obs_14_ser_catolica_na_politica.html>, da responsabilidade do Bispo do Porto, Senhor D. Manuel Clemente, e do seu braço direito P. Tolentino Mendonça, deparamos, seis meses depois da visita do Papa, com um texto, no qual Assunção Cristas testemunha o que é ser “católica na política” (sic).
Hoje na revista “única” do semanário “expresso”, página 44, a agora ministra do novo governo, afirmando-se católica praticante e empenhada, que vai à Missa e Comunga, e pertencente a uma equipa de casais de Nossa Senhora, cujo assistente espiritual é o P. Tolentino Mendonça, teima obstinadamente no pseudocasamento entre pessoas do mesmo sexo, em nome de uma “felicidade”, entendida, digo eu, de forma hedonista e utilitarista, dos contraentes e da “fidelidade” à sua, dela, “consciência”, concebendo-a, interpretação minha, como uma entidade solipsista e não como um “órgão espiritual” que escuta e obedece à voz de Deus.
Que o casamento criado e instituído por Deus consista unicamente numa união exclusiva, fiel e fecunda entre um varão entre e uma mulher, até que a morte os separe é uma Verdade de Fé, Revelada por Deus e testemunhada quer na Sagrada Escritura quer na Tradição na Igreja é inegável para qualquer católico. Que a admissão do falsamente chamado casamento entre pessoas do mesmo sexo implique necessariamente a denegação daquela Verdade revelada é tão evidente que não carece de demonstração.
A Palavra de Deus testemunhada na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja considera os actos homossexuais como abominações aos olhos de Deus e adverte repetidamente que aqueles que os praticarem, consciente e livremente, e não se arrependerem nem se converterem “não herdarão o Reino de Deus” – que dessas práticas possa derivar alguma felicidade é um absurdo, que só pode ser afirmado por quem desconhece aquilo em que ela consiste. Uma Verdade, assim atestada e repetidamente ensinada pelo Magistério Ordinário e Universal da Igreja, não pode deixar de ser imutável, infalível e pertencente ao património da Fé. Pelo que, parece-me, podemos concluir tranquilamente que quem advoga ou promove obstinadamente o casamento entre pessoas do mesmo sexo incorre em heresia.
Grande desventura!, grande desgraça!, grande horror!, que não haja por parte dos Pastores um mínimo de caridade, de compaixão, de misericórdia para com uma ovelha transformada em loba, e em vez de a corrigirem antes lhe dão sacrilegamente a Sagrada Comunhão e a apresentam como modelo aos demais fiéis!
Oh infelizes sodomitas (é assim que a Bíblia chama a quem pratica actos sexuais com pessoas do mesmo sexo)!, que sois adulados e iludidos por quem vos devia dizer a Verdade, eminente forma de caridade, e auxiliar-vos a recuperar aquela mesma dignidade que o filho pródigo, de que nos fala o Evangelho, recuperou, depois de a ter perdido.
Nota: Foi-me enviado este artigo do peticionário Frei Nuno Serras Pereira, das melhores famílias do Sardoal e de Abrantes, eminente teólogo e um dos melhores canonistas lusos (o Cardeal Patriarca dixit) que publico com o máximo prazer. Recordo que durante muito tempo Frei Nuno foi assíduo colaborador da Nova Aliança, orgão oficial católico abrantino, e curiosamente deixaram de publicar artigos seus. Será que também têm a mesma opinião que a Ministra Cristas?
O artigo exprime a opinião do ilustre sacerdote, e é um contributo para a discussão teológica em torno da Fé da Dona Assunção.
Marcello de Noronha, católico
Nota: o título é responsabiidade da direcção deste blogue.
O nosso amigo abrantino honorário ( não me mandem comentários a dizer que é do Sardoal) Frei Nuno Allen Serras Pereira, escreveu esta carta ao Rev.Clérigo do Entroncamento e fenómeno canoro, Presbítero Borga, onde propôs a sua elevação ao Trono de São Pedro.
Carta Aberta ao Padre Borga
Nuno Serras Pereira
22. 11. 2005
Caríssimo José Luís,
Quando em meados de Novembro do ano passado li as tuas declarações ao jornal O Crime procurei saber quer junto do jornalista quer junto de ti se correspondiam ao que, de facto, tinhas afirmado. Como ambos o confirmaram, adverti-te, por mensagem particular, que não correspondiam à verdade (tu sabia-lo) e que eu tinha testemunhas (não podias ignorá-lo) que podiam desmentir-te. Esta foi uma das razões porque, aquando do julgamento, no dia 11 do corrente, fiquei atónito com as falsas declarações que prestaste. Não quis, porém, desmascarar-te publicamente, ainda para mais em ocasião tão solene. Atribuí essa atitude a um estado de temor e ansiedade passageiros, reflexionando que acabarias por cair em ti, continuando a ter-te presente nas minhas orações diárias.
Embora entre este verme que eu sou e Jesus Cristo haja uma distância muito mais que infinita, e apesar de S. Pedro durante a sua vida terrena não chegar aos teus calcanhares em termos de audiências, a verdade é que me lembrei dele e considerei que também tu poderias vir a ser seu sucessor, no Papado.
Hoje, no entanto, chamaram-me a atenção para a última página do DN e, confesso, que pela primeira vez fiquei seriamente preocupado. Uma vez absolvido, o que te levaria a persistir na mentira? Que poderei eu fazer para que voltes de novo ao Senhor que te olha com o mesmo amor e misericórdia com que olhou Pedro? Missivas particulares, já verifiquei, não resultam; a oração, pelos vistos, não basta; as condolências que te apresentei, depois de lida a sentença, foram inúteis…
Meditando então pausadamente os evangelhos descobri que estava cego, pois não vira o que tão claramente era manifesto – faltava o cocoricar do galo! Mas, uma vez que a minha voz não alcança o Entroncamento onde paroquias, resolvi-me a escrever esta carta aberta convidando todos os que a lerem, de Norte a Sul do País, a galicantarem em uníssono comigo cocorocó! Cocorocó!
Espero sinceramente que te seja de proveito, para que um dia cheio de reverência te possa oscular o anel de sucessor de Pedro.
Recebe um abraço amigo
Nuno Serras Pereira, ofm
O nosso amigo Frei Nuno
será escutada pela Santa Madre Igreja a proposta (ou a profecia de Frei Nuno???)
Veremos um Papa português, o primeiro desde Pedro Hispano, sentado aqui???
Trono de São Pedro
É uma hipótese a seguir com atenção dada a carreira meteórica do Padre Borga.
Se Frei Nuno tem razão, o P.Borga a quem passamos a tratar por Monsenhor devido a ser um sério candidato ao Pontificado, que nome escolherá como Sumo Pontífice???
Borga I ????
(é um bocado chato porque recorda os Bórgias...)
José Luís I ????
( seria o primeiro Papa sem pseudónimo porque São Pedro antes de entrar para a carreira apostolar chamava-se Simão)
Por isso pode regressar ao nome latino
Ferroviarius I (em homenagem ao Entroncamento. Em 897 houve um Papa chamado Romanus que só durou 3 meses)
Formusius II ( O Papa Formoso I reinou de 891-896 e o Monsenhor Borga é muito bonito)
ou escolher um nome popular lusitano:
Cornélio II (para homenagear o programa do Raul Solnado a ''visita da cornélia'' que foi a delícia da infância de Marcello de Noronha. Monsenhor Borga também é uma estrela da TV)
Arquivo Secreto do Vaticano.( Gentileza de Monsenhor Corleone, o siciliano mais silencioso da Cúria e nosso amigo)
Anacleto II (para homenagear o seu colega na música sacra abrantina)
Evaristo II (para homenagear o cinema português onde sai aquela célebre tirada'' Ò Evaristo, tens cá disto?'')
..... Entretanto Monsenhor Borga enquanto não parte para Roma, para começar a dar concertos na Praça de São Pedro, vai-se treinando.
Acha que se deve dar com Chefes de Estado e aquele candidato que no seu entender tem mais possibilidades de ir para Belém é Sir Nobre,
...........de forma que esteve na Nabância apoiando o Cavalieri Nobre na demagogia eleitoral
a merda é que as sondagens tramam o Cavalieri Nobre e o único Cavalieri que Monsenhor Borga poderá encontrar como Chefe de Estado é o Presidente Viagra ou seja o Cavalieri Silvío Berlusconi.....
Edite Fernandes, directamente de Vinhais, minha terra natal......
Só soubémos agora da morte duma activa e empenhada Senhora abrantina, a nossa amiga Mná.
Militante católica desde sempre, bairrista abrantina e sardoalense ( dividia a sua vida entre as casas que possuía em Abrantes e Sardoal), mulher de cultura, às vezes com posições polémicas deu, a sua Alma ao Senhor.
Na imprensa católica local que tanto lhe ficou a dever, não vimos uma linha dedicada à sua memória. E dizem-nos que a dita Igreja sai beneficiada por uma herança sua.
Deve ser desatenção minha, decerto.
E também estou certo que o Boletim Municipal do Sardoal lhe dará o relevo devido.
Apresentamos as homenagens deste blogue à Sua memória, à sua família enlutada e em especial ao seu irmão Dr. João Nuno Serras Pereira, o último grande parlamentar abrantino e aos seus sobrinhos, em especial aos peticionários Frei Nuno Allen Serras Pereira e Arq. Gil Allen Serras Pereira.
E como última homenagem nada melhor que dar a palavra a Frei Nuno:
Marcello de Noronha
Maria Manuel Serras Pereira foi dada à luz em Abrantes no dia 11 de Fevereiro de 1917. O dia do seu nascimento é o de Nossa Senhora de Lurdes e o ano, do mesmo, o das aparições de Fátima e da revolução comunista na Rússia. Todos saberemos que a Virgem Maria, revelando-Se como a Imaculada Conceição, apareceu a Bernardette em Lurdes fazendo desse santuário um lugar de acolhimento e cura de enfermos. Maria Manuel foi toda a vida doente parecendo ter-lhe sido concedida a Graça de participar nos sofrimentos de Cristo em favor da salvação do mundo. Foi sempre muito devota de Nossa Senhora e uma acérrima inimiga do comunismo. Deus chamou-a para Si no dia da Natividade de Maria Santíssima, 8 de Setembro do corrente ano, no hospital de Abrantes, dando a impressão que a Virgem a veio buscar. Nasceu para o Céu no dia em a Mãe de Deus nasceu para este mundo.
Filha de David e de Maria Guilhermina Serras Pereira, viu-se órfã de pai pelos vinte anos de idade. Tinha como irmãos mais novos a Maria de Jesus (Májú) e o João Nuno. A irmã partiu muitos anos antes dela, o irmão é vivo e conta 90 anos.
Desde cedo amou a vida com intensidade, vendo nela um dom precioso de Deus, e foi dotada de um espírito de aventura, talvez raro para uma mulher naquele tempo. Gostava muito de equitação, cavalgando por montes e vales, e aos 18 anos já a vimos feliz voando naqueles aviões como os da primeira guerra mundial (1925).
Na sua mocidade dedica-se ao apostolado e evangelização tendo liderado a juventude católica feminina em Abrantes. Quando vai a férias em Coimbra a casa do tio João Serras e Silva, Lente da Universidade, trabalha com as noelistas e as criaditas dos pobres, ajudando no cuidado dos mesmos e dos enfermos.
Durante a segunda guerra mundial funda a “Malta Brava” organizando acampamentos, na quinta de família na Venda Nova, perto do Sardoal, acompanhada de uma amiga e do seu irmão João Nuno. A malta brava era composta de rapazes, mais novos, que ela procurava educar na Fé cristã. Como alguns eram dotados de forte agressividade uns para com os outros ensinou-os a dirigi-la para o demónio, de modo que em vez de se escavacarem entre si, exerciam um autodomínio, uma contenção, que significava um espancamento do diabo. Cada vez que não faziam o que ele queria mas sim a vontade de Deus isso correspondia a uma tareia no mafarrico. Como era dotada de uma autoridade natural, sem ponta de autoritarismo, nunca precisou, para pôr a malta na ordem, de bater em algum. Lembro-me de há alguns anos caminhando com ela nas ruas de Abrantes, quando a sua memória já se delia e tinha dificuldade em reconhecer algumas pessoas, de alguns homens se aproximarem cumprimentando-a e dizendo “Eu sou fulano, da malta brava”. Descobri depois, acompanhando como sacerdote peregrinações de jovens a Fátima, que numa terra entre Alcanena e Minde, Moitas Vendas, existia um grupo denominado com o mesmo nome, seguramente organizado por um desses rapazes que tinha passado pelo original.
Maria Manuel matrimoniou-se com Fernando Côrte-Real Alves Amaro, oficial de cavalaria, vindo a enviuvar aos 13 anos de casada, devido a uma acidente de automóvel, perto de Almeirim. Para grande desgosto dos dois não puderam ter filhos. Aconteceu, por isso, que nós os sobrinhos viemos a ser tratados como se fôramos tais.
Quando a tia Maria Manuel tentava ensinar a sua sobrinha mais velha, a Margarida (Begui), com pouco menos de dois anos, a pronunciar o seu nome esta não conseguia senão articular a palavra Mená, pelo que a partir daí a Maria Manuel, em família, passou a ser tratada por esse nome.
Foi a Mená que me preparou, juntamente com o filho mais velho do jardineiro, o Armando, para a primeira Comunhão. Lembro a Fé o carinho com que o fez e em especial o facto de me ter dito que quando comungasse a minha alma ficaria mais branca do que o Sacrário, o que me pareceu algo de verdadeiramente extraordinário e só possível por milagre. Naquele tempo o Sacrário era reconhecido como tal, isto é, como o lugar onde verdadeira e realmente está Deus humanado e, por isso, era imponente como o Santo dos Santos de um templo e rodeado de todas a reverências e adorações. Hoje, com o que para aí anda de pechisbeque, irreverências e indiferenças parece quase impossível que os católicos ainda acreditem na Presença real de Jesus na Eucaristia.
Esta “catequese” que então me proporcionou continuou com o exemplo da sua vida, pois ia diariamente ao hospital da Misericórdia ajudar as Irmãs enfermeiras, levando-me algumas vezes consigo, e não poucas vezes a acompanhei a visitar enfermos pobres a quem levava consolo e cabazes de alimento.
Uma das vezes em que me levou ao hospital obrigou-me a ver, com grande repugnância minha, o tratamento nas urgências de uma moça, mais ou menos da minha idade, com o corpo todo queimado devido ao descuido com uma lareira. Foi um verdadeiro acto de amor não me deixar ir embora nem virar a cara porque tanto eu como meus irmãos tínhamos o costume temerário de brincar com o fogo da lareira quando apanhávamos os adultos desprevenidos. Ora naquela região havia muitas crianças que morriam por causa dos descuidos com as lareiras. Ficou-me de lição.
A tia Mená, juntamente com a sua mãe e minha Avó, e durante algum tempo o tio Fernando, educou e formou, durante largos períodos, nove sobrinhos e uma catrefada de sobrinhos netos. Na nossa meninice, adolescência e parte da juventude ora por motivos de dificuldades de emprego do pai ora pelas férias de Natal, da Páscoa e as intermináveis(mais de três meses) de Verão passávamos o tempo em Abrantes.
A sua relação connosco embora fosse de grande afectividade nunca teve nada de lamechas, coisa aliás a que era completamente alérgica. Dotada de uma imaginação prodigiosa e de um “magnetismo” singular contava-nos narrações coloridas, cromáticas, embevecedoras, cheias de peripécias e graças que nos faziam mergulhar num mundo outro, fantástico. A mais das vezes eram histórias dos “nossos amigos” - um grupo de animais - de fazer inveja ao Walt Disney, ou do castelo dos anões que havia na Venda Nova, outras vezes “delírios” que nos faziam susto com os seus fantasmas, como o “Padre das batatas”, assim chamado pelos altos que tinha na cabeça, antigo vizinho, já falecido, mas cujos passos e rumores se ouviam ainda por noite dentro, ou o lobisomem que corria sete serras vagueando por Alcaravela, Vila de Rei e mais além.
Sendo uma entusiasta de S. Francisco de Assis com quem se identificava muito no seu amor à natureza e aos animais (pelo contrário, tinha uma dificuldade grande com a espiritualidade de S. João da Cruz) tinha com estes uma relação extraordinária. Parece que não havia bicho que ela não encantasse ou “hipnotizasse”. Os cães mais ferozes e bravos amansavam diante da sua voz maviosa e do seu olhar doce, para grande espanto dos seus donos que a precaviam com sérias admoestações. Domesticou, e teve em casa, raposas, ouriços-cacheiros, mochos, corujas, coelhos, gatos, cães e, para grande horror da minha avó, um rato – no jardim, e as aranhas do quintal a que dava festinhas sem que elas fugissem ou a picassem. Sempre que íamos a Abrantes era certo haver uma ninhada de gatinhos que nos deliciava e com que brincávamos. Uma vez que morreu a mãe de uma ninhada a tia Mená conseguiu que a bigodaças, uma coelha que se passeava pela casa em companhia de um cão fox-terrier e dos gatos, amamentasse a ninhada órfã, e assim esta sobreviveu.
Connosco tinha um enorme bom humor, até nos ralhetes ou castigos que nos dava. Às vezes, para nos pôr na ordem, dizia pausadamente, com voz grave uma frase de Aquilino Ribeiro: olhem que “eu bato com o malho no talho, deito a carvalhosa abaixo e como melros e melráchos.” Na sua voz nunca havia agressividade ou desdém embora raramente pudesse haver alguma irritação. Se nos portávamos mal à mesa mandava vir um alguidar da cozinha, virava-o ao contrário e punha-nos a comer no fundo do alguidar, como se fora uma grande humilhação, mas sempre temperada de muito bom humor. Tinha uma vergasta com que nos ameaçava mas que só usava quando ultrapassávamos todos os limites. Então dava-nos com ela na barriga das pernas de modo a que doesse um bocadinho mas não magoasse verdadeiramente. Que limites eram esses? Dou dois exemplos para que se perceba: uma vez deu connosco debaixo da cama do nosso pai, que estava para Lisboa, fazendo uma fogueira, a brincar aos índios…; outra: como tantas vezes acontecia avisaram que a água ia faltar por dois ou três dias. Como era costume enchiam-se jarros, alguidares, lavatórios e banheiras. Pois foi dar connosco esvaziando alegremente as águas armazenadas – eu tinha dois anos e já ajudava à festa.
No seu quarto tinha guardado, numa gaveta, a “trela russa” que era uma espécie de correia ou chicote entrelaçado reservada para os “grandes” castigos. Quando acontecia apanharmos, coisa raríssima, com ela era com a mesma debilidade com que nos dava com a vergasta, nem uma mínima marca ficava, nem ligeiro rubor, mas a solenidade do nome dava um peso maior ao acontecimento. Mas o pior dos castigos era a “sova fora do rabo”. Isso sim era terrível. Combinada com as empregadas domésticas ameaçava-nos com a sova fora do rabo e elas numa aflição gritada e gesticulada clamavam: “Ó minha senhora, isso não! Tudo menos isso! Dê-lhes antes com o cavalo-marinho!” Mas a tia Mená implacável punha-nos em cima da sua cama de rabo para o ar e com quantas forças tinha batia rijamente no colchão palmadas medonhas. E nós chorosos pela crueldade dos tormentos e dos tratos…
Quando nos armávamos em inteligentes com a idiotia presunçosa da adolescência logo nos desarmava dizendo “Ai que tenho um sobrinho estaburro (sic), animal de cabresto, habitante do pocilgo”.
Mas uma vez dado o raspanete ou o castigo não voltava ao assunto, nem repisava, nem humilhava,mas dava-nos rédea solta para andarmos à vontade.
E tantas vezes nos acompanhou na doença e a mim na quase morte quando estive em coma por vários dias.
A Mená foi o único jornalista português presente no Concílio Ecuménico Vaticano II – escrevia crónicas para o jornal A Voz e oDiário da Manhã. Aí conheceu e entrevistou muitos Bispos e Cardeais, entre os quais, Karol Wojtylia, futuro Papa João Paulo II, o Irmão Roger, fundador de Taizé, com quem depois se carteou, o então jovem teólogo Joseph Ratzinger, agora Papa Bento XVI, o Patriarca de Alexandria que lhe falou num português correctíssimo, para grande espanto dela, pois era um admirador e leitor assíduo do Eça de Queirós, etc. Ouvi-lhe muitas histórias muitas vezes sobre esses tempos que passou em Roma, o que viu, as conversas que teve, as personagens e prelados que conheceu, tantas coisas que soube interessantíssimas. (Há vários anos, creio que há oito, falei a uma jornalista de RR nesta minha tia. Pelos vistos não houve interesse em conhecê-la e ouvi-la sobre esses tempos, agora é tarde.). Ficou fascinada com Roma e com a Itália em geral: Assis, Sena, Florença, Veneza, etc.
Depois como aventureira que era viajou por França e pela Suíça de onde nos trazia uns chocolates magníficos – naquele tempo não havia nem por sombras a variedade de chocolates que agora se encontram em qualquer hipermercado, tanto quanto me lembro havia duas ou três das quais só uma era comestível.
Mais tarde, devido aos desmandos pós Conciliares, feitos em nome do Concílio Vaticano II mas cujo intuito real era o de destruir a Igreja, ignorar a Tradição e subverter as verdades de Fé insere-se, para além da Acção Católica, a que já pertencia, em grupos e movimentos de resistência e fidelidade a Santo Padre, à Igreja, a Fé verdadeira.
Impelida por um desejo missionário resolveu-se a ir a Moçambique onde passou largos meses ajudando as freiras nos seus trabalhos. Em outra altura foi também a Angola. Como o dinheiro lhe escasseava não o tinha para pagar essas viagens como um passageiro normal. Mas uma vez que era viúva de militar concediam-lhe que apanhasse boleia nos aviões militares a hélice. Apanhou alguns sustos com grandes poços de ar e tempestades, mas como sempre foi muito corajosa não se deixou atemorizar.
Mais tarde virá a ser crítica de programas da então Emissora Nacional. Embora ganhasse um magro ordenado servia-lhe de ocupação e entretenimento.
Depois que Deus chamou a si a sua mãe e minha Avó resolveu-se a ir morar no Sardoal. A casa era mais pequena, mais aconchegada, e em virtude da população ser menor sentia-se mais em família, tanto mais que ali tinha muitas raízes.
Para prover ao seu sustendo, começou a meter-se em negócios de venda e urbanização de terrenos que por aqueles sítios tinha herdado. Ao princípio a família temeu, uma vez que, exceptuando um dos meus irmãos, parecia que havia como que uma sina genética, de ambos os lados, para o desastre em matéria de negociações. Depois, a sua idade era tão avançada que esperava-se o pior. Para surpresa geral teve bom sucesso assegurando a autonomia, que sempre muito estimou.
As suas enfermidades que a acompanharam toda a vida foram-se agravando e as suas forças debilitando. Apesar disso teimou sempre em continuar a viver sozinha. Que não lhe falassem em ir viver com a família para Lisboa e em lares muito menos. No entanto, pelo Natal vinha de boa vontade e com muita alegria passar essa festa em casa do irmão ou da sobrinha Marta.
Como ela outrora correu levando-nos ao hospital, normalmente por cabeças partidas, nestes últimos anos de vida também nós a levámos inúmeras vezes ao hospital e consultas, pois sempre que cá vinha apanhava alguma pneumonia ou outra maleita.
No último ano de vida, para além da sua Anabela que a servia como fosse sua filha, com enorme dedicação, muito lhe valeu o seu primo António João e sua mulher Pilar, que foram incansáveis e de uma generosidade sem limites. Também vários sobrinhos e sobrinhos netos a acompanharam com muito amor nos últimos tempos.
Depois de uma queda no Sardoal a sua decadência física foi-se agravando velozmente. Ainda foi ao jantar dos 90 anos do seu irmão meu pai a 16 de Julho. Os últimos tempos, passou-os quase sempre no hospital de Abrantes, onde foi muito bem tratada.
Confessei-a, e o seu Pároco, o Padre Carlos, deu-lha a Santa Unção. Mais tarde rezei com ela, dei-lhe de novo a absolvição e a indulgência plenária. Nunca desistiu da vida apesar de tanta maleita mas aceitou com grande paz quando Nossa Senhora a veio buscar. Sempre soube e nos ensinou que a vida, esse esplêndido dom de Deus, vale a pena ser vivida, mesmo com sofrimento e tribulações, mas que ela é sinal e caminho para aquela Vida eterna, que Deus quer para todos, onde encontraremos a felicidade absoluta e reencontraremos os nossos que nos precederam. “À medida que o exterior se vai degradando o interior se vai renovando”, poderia ela repetir com S. Paulo.
Teve os seus pecados, defeitos e limitações. Mas arrependia-se, confessava-se e andava para a frente não desistindo nunca. Agora, como dizia numa carta que nos deixou para ser lida após a sua partida, está junto a Deus com a “trela russa” olhando por nós e se for preciso pedirá ao Senhor que a deixe usar para nos corrigir. É sem dúvida alguma a tia a que todos estamos mais ligados, a que mais estimamos e a que deixa mais saudades. Foi a melhor tia do mundo.
Nuno Serras Pereira
in http://jesus-logos.blogspot.com/2010/09/m-manuel-serras-pereira-perspectiva-de.html
O resultado das eleições demonstra à saciedade que o povo português escolheu lugubremente a morte. De facto, os partidos necrófilos conseguiram a maioria dos assentos no parlamento. A eutanásia, o suicídio assistido, o “casamento” entre gays e o abuso de menores através da “educação” sexual obrigatória, para dar alguns exemplos, tornar-se-ão realidades “legais” em Portugal. Uma nação que assim vota maioritariamente é constituída por um povo profundamente perverso e de coração duro.
A Hierarquia que tem a estrita obrigação de Evangelizar este povo, pelo contrário, lisonjeia-o e adula-o. Os Pastores que têm como missão, entre outras, confrontar as gentes com os seus pecados e despertá-las para a conversão passam-lhe a mão pelo pêlo calando cobardemente os seus vícios e fazendo pregações que a todos encantam e que não incomodam ninguém. Bem se tem queixado o Papa de que muitos Bispos se procuram a si e aos seus interesses em vez de velarem pelo bem integral daqueles que lhes foram confiados.
A adulação que ao longo da história e da Tradição da Igreja sempre foi vista como um pecado grave é agora tida como máxima virtude e mesmo critério de discernimento na escolha de Pastores. Quanto maior a lisonja dos poderosos e do espírito do tempo, da mentalidade reinante, maior a honra e a fama dos Pastores que as procuram acima de tudo. Contente, mesmo muito contente, deve estar a Rádio Renascença com as ajudas contínuas, sistemáticas e preciosas que tem contribuído para dissolver a verdadeira identidade humana e cristã desta nação.
Querem que eu aceite a vontade “soberana do povo” expressa nesta votação?
Não a aceito e repudio-a com veemência semelhante à rejeição pela vontade “soberana do povo” que condenou Cristo à morte.
Querem que eu cumprimente a José Sócrates pela vitória eleitoral?
Não o faço, antes o reconheço como representante daquela tirania sanguinária que já chacinou 40 mil crianças nascituras e que se prepara para aumentar o número de vítimas inocentes.
Este povo precisa de conversão e os Pastores têm que dizê-lo, sem medo e com clareza, em Fátima, nas Dioceses, nas Paróquias, nos meios de comunicação social, oportuna e inoportunamente. À honra de Cristo. Ámen.
_________
Artigo divulgado em 27.09.2009.
Frei Nuno Serras Pereira, sacerdote franciscano e escritor, é uma das lideranças mais expressivas do movimento em defesa da vida, em Portugal, como pensador e militante pró-vida.
fonte:sacralidade
Posto por Monsenhor Lebrun aqui
Postado por Miguel Abrantes
A lava vulcânica islandesa produziu um enorme pandemónio na Europa.
O Prof. Cavaco ficou retido em Praga, onde o Presdente checo lhe mandou uma indirectas sobre o deficit luso.
A Senhora de Cavaco Silva replicou dizendo que Santo António era lisboeta e não padano.
O prestígio nacional ficou assim bem içado em Praga.
Em compensação Frau Merkel estava retida em Lisboa.
Sugerimos que o Prof. Cavaco vá para Berlim (está mais próximo de Praga e começa por B. como Boliqueime) e a
Chanceler teutónica fique a governar Portugal.
Apostamos que em 6 meses resolvia a crise do país.
Heil Merkel! como diria o major Alvega.
Marcello de Ataíde
(1) Santo António perto da Avenida da Igreja, Santo preferido de Frei Nuno Serras Pereira.
História
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Fontes de História Militar e Diplomática
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Fontes de História politica portuguesa
história Religiosa de Portugal
histórias de Portugal em Marrocos
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Ilhas
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