Quarta-feira, 10.06.20

Que sabíamos nós sobre a História das freguesias de Abrantes?

Quase nada.

Nesta tese, a drªNádia Raquel Mendes Lopes, dá-nos um retrato da freguesia da Bemposta no século XVIII.

A drª Nádia é professora na Escola Superior de Educação de Santarém.

A tese leva o nome ''Natalidade e mortalidade na Freguesia da Bemposta em finais do Antigo Regime (1752-1800)'', foi defendida em 2017 na Universidade de Coimbra.

Deu-me um gozo monumental ler a tese e aprendi muito.

Com base num estudo sistemático e comparado dos assentos de nascimento da paróquia local, responde a investigadora:

Donde é que vinham os homens que foram casar à Bemposta, no dezoito?

Quantos escravos havia?

Houve neste período 4 nascimentos de filhos de mães escravas, sendo o último, em 5 de julho de 1774, como a Lei de 1773 tornara livres os ventres, já nasceu livre. (1)

Tendo em conta a população da freguesia, a escravatura era residual.

Quantos nascimentos houve em Água Travessa nestá época?

Bastantes mais que na sede da freguesia?

Nasceram 174 pessoas nesta terra e só 63 na sede da freguesia.(2)

Ou seja a Água Travessa era muito mais povoada e dinâmica que a Bemposta. 

Quais eram os Casais ocupados?

A tese mostra qual era  ocupação dos vários casais  da zona, que ainda são sede de explorações agrícolas importantes, como o Casal das Tojeiras ou Cadouços.

Naturalmente tenho de agradecer à drª Nádia este importantíssimo serviço à nossa história local.

Um dos trabalhos mais importantes de história abrantina nos últimos 20 anos!!!!.Merecia uma edição em papel.

Chapeau.

MA

(1) pag 39 da tese

(2) pag 29 da tese

 

 

 



publicado por porabrantes às 11:54 | link do post | comentar

Segunda-feira, 13.01.20

Em 2018 foi defendida esta tese de mestrado, ''IDENTIDADE EM CONTRASTE , DO PATRIMÓNIO HISTÓRICO À REQUALIFICAÇÃO DO ESPAÇO PÚBLICO, CONVERSÃO DO CASTELO DE ABRANTES EM POUSADA'', na Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa, pela Arquitecta Patrícia Maria Fernanda de Matos.

A ideia de reconverter o Castelo em Pousada já foi equacionada nos anos 60, pela CMA e DGMN, aquando das grandes obras de intervenção que levaram à demolição das instalações do velho quartel de Artilharia.

desobstruçao porta muralha 68

 

A tese tem algumas boas ideias e enferma de lugares comuns como o elogio das desastrosas políticas municipais da cacique e sucessores, caracterizadas pelo despesismo e pela destruição do património.

Assim elogia-se o ''bunker ''como grande obra de arquitectura e até se diz que foi premiado, coisa que não sucedeu.

Mas faz-se uma abordagem histórica do Castelo muito  fraquinha e com evidentes erros, produto da consulta da bibliografia municipal recente, que é medíocre. e está eivada de delfisnescos disparates.

Dizem-se coisas absurdas, que parecem de história-ficção:

historia ficçao

O título concedido a D.Rodrigo não é dado por D.Afonso VI, que já estava morto quando o seu sobrinho-neto, D.João V cria o marquesado.   A obra do dito Palácio dos Marqueses, é pois já do reinado do ''Magnânimo''.

O terramoto que arruinou a Torre de Menagem é de 1531, e não posterior a D.Pedro II.  

A parte sobre a Idade Média é sumária e vê-se que não se consultou a obra básica ''Abrantes Medieval'' da Professora Doutora Hermínia Vilar.

Sustentar que a artéria medieval abrantina por excelência  era a R. Correia de Lacerda, unindo a alcáçova a S.Vicente, é de novo fazer ficção histórica.

A autora citada considera a Rua Grande como a grande artéria da urbe, nos tempos feudais.

Finalmente dizer que o Castelo nunca sofreu nenhuma intervenção desde a Idade Média, é entre outras coisas esquecer a grande campanha de obras dos anos 60/70 da DGMN ou que a Fortaleza foi um equipamento militar importante até quase 1960, com múltiplas intervenções da engenharia militar desde o século XVII.

mn

foto da  DGMN -desentulhando a Porta da Traição     

   

 

 

 

 

 



publicado por porabrantes às 14:03 | link do post | comentar

Domingo, 16.12.18

livro zé

O Prof. José Albuquerque Carreiras, a Prof Doutora Giulia Rossi Vairo e o Prof. Doutor Kristjam Toomaspoeg apresentam amanhã mais uma obra fundamental para o estudo da Idade Média Europeia

em vez de estudar lugarejos perdidos nas brenhas como Água de Casas ou entrevistar senhoras da Chainça que têm o descaramento de contar que tiveram maridos copofónicos (grande qualidade!!!!!) sem que o dito se possa defender dado estar a animar tascas celestes...

mn



publicado por porabrantes às 20:03 | link do post | comentar

Domingo, 19.08.18

A Senhora Doutora Maria do Carmos Raminhas Mendes envia-nos este comentário:

 

carmo raminho

 

ver aqui

 

Nós é que temos de agradecer estas simpáticas palavras e voltar a recomendar a leitura do seu trabalho sobre História da nossa região.

 

ma 

 



publicado por porabrantes às 13:42 | link do post | comentar

Quinta-feira, 05.07.18

9788446029380

Ediciones AKAL,

 

CRISTIANA: GUIA BASICA PARA ESTUDIANTES (En papel)

JUAN CARMONA MUELA

, 2008

 

Custa 10 euros e sustenta que São Miguel apareceu ao Bispo de Abrantes e por causa disso se construiu o santuário do Monte S.Michel

 

obispo abrantes

 Como é sabido nunca houve nenhum Bispo de Abrantes e portanto São Miguel absteve-se da aparição.

 

É uma das maiores calinadas que lemos sobre história da cidade

 

O autor assina mais 6 obras sobre iconografia religiosa.

 

ma



publicado por porabrantes às 19:59 | link do post | comentar

Segunda-feira, 19.03.18

Temos por mau costume ler as teses de doutoramento e às vezes de Mestrado sobre a Abrantes e a região e de as comentar.

teses anastácio

Fomos ler esta

 

O Doutor Oosterbeek fazia parte do júri e publicou esta bonita mensagem sobre ela

Otros destinatarios: docent...@ipt.pt, docent...@ipt.pt, docent...@ipt.pt, docentes_ctesp_web...@ipt.pt, docentestes...@ipt.pt, Funcio...@ipt.pt, funciona...@ipt.pt, quaternary-pr...@googlegroups.com

 
 ''Tenho o especialmente grato prazer de informar que decorreu em 20 de Janeiro de 2016, na UTAD, a discussão pública da tese de Doutoramento de Rita Ferreira Anastácio, intitulada SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA para a GESTÃO DO PATRIMÓNIO: CASO ESTUDO DO MÉDIO TEJO. O júri, presidido pelo professor Jorge Ventura Cardoso e integrando os professores João Pedro Cunha Ribeiro (arguente), Maria Teresa Baptista (arguente), Luiz Oosterbeek (vogal), Pierluigi Rosina (orientador) e Rui Pedro Julião (orientador), aprovou a dissertação por unanimidade, com a avaliação final de 18 valores.
Trata-se de um importante contributo para a futura gestão da região do Médio Tejo, que nos obriga a todos a olhar não apenas para as "potencialidades" mas, em grande medida, para a distância que separa a realidade das bases de dados disponíveis. E é uma tese que apresenta um contributo muito inovador para a gestão territorial da cultura. ''


Luiz Oosterbeek
Pro-President of the Polytechnic Institute of Tomar, for International Relations and Co-operation

Secretary-General of the International Council of Philosphy and Human Sciences (CIPSH)
Secretary-General of the International Union of Prehistoric and Protohistoric Sciences (UISPP)

Estrada da Serra, Campus da Quinta do Contador, P-2300-313 Tomar ''
 
Comecei a ler e não acredito:

suevos

A ilustre doutorada cita, na bibliografia, Manuel Silvio Alves Conde

conde 3.png

E o Doutor Conde, que é o mestre da história medieval do Médio Tejo, diz,nessa obra, que um documento remoto, o Paroquial Suevo, refere Selium que é Tomar. Também acontece que a obra dada por não publicada, foi ...publicada

selium

 

Também acontece que a Senhora Doutora é professora no IPT...em Tomar..

Podia ser isto um lapso, mas a interpretação que é feita da Idade Média é surpreendente:

escravos.png

p.122

Com que então não havia escravos na Idade Média!

Nem sequer em Abrantes!

 

Outro dia, no Médio Tejo, o sr. José Gaio evocou o foral afonsino (na edição do Eduardo Campos):

(...)Nos territórios conquistados, os mouros era considerados escravos. Por cada mouro que era vendido no mercado pagava-se um soldo, e por cada um que trabalhasse para alguém, o patrão tinha de pagar a “décima”.(...)

Depois a doutoranda diz que a Igreja se retirou para o campo!

A Igreja na Europa instalou-se desde os tempos dos Romanos nas cidades, nos campos (pagus) estavam os campónios, que tardaram em ser evangelizados (por isso o termo pagãos).

Os grandes Bispos que auxiliaram Afonso Henriques, como o de Braga e Porto, viviam nessas cidades e eram senhores delas!

Também diz que a Arquitectura Gótica '' não é fruto de influências externas'' (p. 122)

Passa depois a elogiar a Herity (onde manda um dos membros do Júri) e disserta sobre as políticas culturais e patrimoniais da CIMT e fala duma abordagem a partir da engenharia geográfica da valorização do património cultural.

Acerca das infrastruturas culturais abrantinas elencas-o desta forma

elenco

(pag 318 -anexo)

Acontece que a Biblioteca do Rossio de Abrantes está fechada, o Cinema fechou em meados dos anos 70, o MIAA ainda não passou do papel, a Galeria Municipal de Abrantes fechou há muito como o Cineteatro de Alferrarede. O Núcleo Museológico das Mouriscas parece que está arrecadado pela ADIMO, porque a Escola do Lopes está a cair   e o Ecomuseu do Castelo de Bode já não existe!!!

 

É obra!

 

Mas teve 18 valores!

 

Não era melhor a Senhora Doutora ter ido aos locais ou ter consultado a História de Portugal do Prof.Mattoso, vol IV, a ''Monarquia Feudal'' (que não cita) para ter uma visão geral da Idade Média em Portugal????

 

Não devia o orientador ter chamado a atenção para estes lapsos?  

 

 Quanto ao Doutor Luiz Oosterbeek que estava no Júri que disse a estas coisas???

 

ma

PS-Acho que vou deixar de comentar teses por uns tempos.... 

 



publicado por porabrantes às 10:12 | link do post | comentar

Quinta-feira, 02.11.17

Foi actualizado o colega Coisas de Abrantes

 

Para quem gosta de história local recomenda-se uma visita

 

mn



publicado por porabrantes às 15:18 | link do post | comentar

Segunda-feira, 19.06.17

ec candeias silva.png

Eis o Doutor Candeias Silva, garboso, segurando a obra . ''Foral concedido a Abrantes por D.Manuel I em 10 de Abril de 1518, edição diplomática de Eduardo Manuel Tavares Campos,''

eduardo campos 2.jpg

Tendo em conta que passou muito tempo a ocultar a obra do Eduardo....

cs campos.jpg

nome que não podia figurar por exemplo nesta bibliografia inserida no opúsculo ''Abrantes na Expansão Ultramarina'' .........teremos de comentar que segurar a obra do Eduardo será para ele um pesado fardo....

 

ma



publicado por porabrantes às 10:45 | link do post | comentar

Sexta-feira, 07.04.17

 

mw-768.jpg

Este número da Visão História é muito interessante e traz vários artigos do médico rossiense Manuel Valente Alves, docente de História da Medicina na Universidade de Lisboa

Assim:

''

PARA GRANDES MALES, GRANDES DESCOBERTAS

Aprender a ser médico

Da Escola Médica de Salerno até às modernas faculdades vai um longo percurso nem sempre linear. Por Manuel Valente Alves''

Conhecer o corpo por dentro

Os desenhos anatómicos de Leonardo da Vinci ou as descrições de Vesálio abriram o caminho ao raio X e às mais modernas técnicas de observação. Por Manuel Valente Alves

O direito à saúde

O Serviço Nacional de Saúde, criado em 1979, 
colocou Portugal entre os países mais desenvolvidos, mas a posterior globalização criou problemas 
para os quais é preciso encontrar respostas. Por Manuel Valente Alves

Egas Moniz, a escola portuguesa de angiografia

Médico, investigador, colecionador de arte, 
político e diplomata, o laureado com o Nobel da Medicina em 1949 foi um dos grande vultos portugueses do século XX. Por Manuel Valente Alves

 

Abel Salazar, a transversalidade das experiências

Autêntica ‘figura da Renascença’ no século XX português, foi mal compreendido no seu tempo
por indissociar a Ciência e as Humanidades. Por Manuel Valente Alves''

mn

devida vénia à Visão História para as expressões entre aspas 

 

 

 

 



publicado por porabrantes às 11:16 | link do post | comentar

Sexta-feira, 24.03.17

Publica-se parte dumas de muitas fichas de Mestre Diogo Oleiro

 

Diogo oleiro.jpeg

dedicadas a preparar uma obra sobre História Militar de Abrantes, que nunca viu e luz, entre outras coisas devido à morte repentina do Autor,se bem nos lembramos por volta dum Dia de Natal

história militar abrantes.jpg

Este trabalho beneditino encontra-se na posse dum coleccionador abrantino que nos cedeu a imagem e a quem se agradece.

Devia escrever mais sobre isto, mas se as fichas se salvaram, foi porque houve gente preocupada em defender a memória de Abrantes e de Diogo Oleiro.

Sem ele não haveria quase História de Abrantes e História Militar de Abrantes.

ma .

Seria bom que a tropa se tivesse interessado por isto, mas andava a desfilar ao lado do caciquismo

 

foto:in Abrantes Cidade Florida



publicado por porabrantes às 16:57 | link do post | comentar

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