Domingo, 14.07.19

(...)Depois de Viseu rumamos para Abrantes, já na província do Ribatejo. No caminho entre essas duas cidades atravessamos a importante região vinícola do Dão, passamos de largo por Santa Comba, tornamos a encontrar o Mondego, que me trouxe ao pensamento a estória da infeliz Inês, de mistura com as faces de Miguel Torga e daqueles estudantes que nos pajearam em Coimbra. E no meu pensamento o escritor me perguntou: "Hem, Veríssimo! Você já viu uma parte substancial deste nosso Portugal. Vale ou não a pena lutar para livrar esta terra e este povo da corja fascista?" Vale, meu grande Torga, e como!

 Quando rapaz tive um amigo, velho marceneiro asmático e maragato, a quem eu costumava perguntar: "E que tal, seu Pinto, como vão as coisas?" Ele respondia invariavelmente: "Tudo como dantes no quartel de Abrantes". Pois estamos agora entrando na cidade de Abrantes, que se aninha pitorescamente numa das muitas curvas que aqui faz o Tejo. Tomamos posse de nossos quartos no hotel e saímos a caminhar pelas ruas desta mui graciosa comunidade ribatejana, onde notamos grande quantidade de casas com sacadas enfeitadas de vasos de barro com gerânios floridos.

À noite recebemos no hotel visitas de jornalistas e escritores, com os quais ficamos conversando até tarde.

No dia seguinte embarcamos pela manhã rumo de Santarém, nossa próxima escala. O Ribatejo — vejo no mapa — tem cidades com nomes que me soam bonito ou estranho como Vila Nova da Barquinha, Chamusca, Alcanena, Cartaxo, Alpiarça, Almeirim, Coruche...(...)

Erico Veríssimo

Solo de Clarineta

hotel hall.jpg

 Erico Veríssimo, Solo de Clarineta 

erico veríssimo.jpg

solo_clarineta_thumb[3].gif

 

(...)À hora da sobremesa Mafalda e Jorge de Sena descobrem uma afinidade: ambos gostam de doces. Penso logo nos ovos moles d'Aveiro, da particular predileção do nédio Dámaso Salcede, personagem de Eça de Queirós... Jorge de Sena pergunta se já provamos os "rebuçados d'ovos" de Portalegre. Não. E os "papos-de-freira"? E os "toucinhos-do-céu"? Quando passarmos por Abrantes haveremos de saborear sua famosa "palha" e seus "queijos-do-céu".(...)

 

mn



publicado por porabrantes às 18:59 | link do post | comentar

Quarta-feira, 21.03.18

Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fátua ignorância;
terra de escravos, cu prò ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol caiada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém

(SENA, 1982, p. 89-90).

 

Jorge de Sena foi um dos técnicos que trabalhou na remodelação do mercado que a agrafa oligarquia quer demolir

 

Quem descobriu isso....foi o Armindo Silveira....

 

 

Morra o bispo e morra o papa,
maila sua clerezia.
Ai rosas de leite e sangue,
que só a terra bebia!
Morram frades, morram freiras,
maila sua virgaria.
Ai rosas de leite e sangue,
que só a terra bebia!
Morra o rei e morra o conde,
maila toda fidalguia.
Ai rosas de leite e sangue,
que só a terra bebia!
Morram meirinho e carrasco,
maila má judicaria.
Ai rosas de leite e sangue,
que só a terra bebia!
Morra quem compra e quem vende,
maila toda a usuraria.
[…]
Morram pais e morram filhos,
maila toda a filharia.
[…]
Morram marido e mulher,
maila casamentaria.
[…]
Morra amigo, morra amante,
mailo amor que se perdia.
[…]
Morra tudo, minha gente,
vivam povo e rebeldia.
Ai rosas de leite e sangue,
que só a terra bebia!

(SENA, 1977, p. 75-76).

 

 

poemas extraídos de

91. Portugal na poesia satírica de Jorge de Sena

Carlos Nogueira e Geice Peres Nunes*

 



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Quinta-feira, 26.03.15

Uma vez perguntei a um erudito local, conhece o Herculano Girino Salgueiro que em 1935 publicou em Abrantes a importante obra '' Glotologia Geográfica de Portugal''?

O homem que pretendia conhecer toda a livralhada local, ficou desvairado e andou a percorrer todas as enciclopédias e manuais bibliográficos e depois escreveu para 5 alfarrabistas a encomendar a obra.

Mas existe?

Eu não vi, mas que Jorge de Sena cita o Girino Salgueiro, lá isso cita. E já agora cito eu o Sena: (...) '' Foi assim que várias tentativas foram levadas a cabo[9] para criar-se o Canto Undécimo que faltava à plena integridade de um prodigioso país que atingiu finalmente aquele superior centro de imóvel estabilidade na vertigem dos mundos e no desabar dos impérios, em que o movimento se identifica com a inércia, e a vida pública e privada adquire, entre gravatas (note-se a semelhança deste vocábulo com Grabato), brilhantinas e inaugurações de fontenários, a rigidez perene da morte que a imortalidade isenta daquela putrefacção a que os cadáveres, por falta de consciência nacional e cívica, soem entregar-se[10].''(...)

 

(...)9 - Vejam-se Sebastião da Costa Dias, O Cabo Espichel no Sentimento Religioso dos Séculos XVII a XX, 4 vols., Coimbra, 1965, e Comte. Júlio Fontes de Alarcão, Cabos e Cabos, Notas sobre o papel histórico do Cabo da Roca, Lisboa, 1969. É também importante consultar Herculano Girino Salgueiro, Glotologia Geográfica de Portugal, Abrantes, 1935, em especial o capítulo sobre “Cabos e os seus homógrafos”.(....)

 

O Girino foi o maior erudito abrantino, mas não passou duma invenção carnavalesca do Sena, para gozar com eruditos, como toda a bibliografia citada, num prefácio para as As Quybyrycas, de António de Quadros .

 

ma

devida vénia a Ler Jorge de Sena

 

 

 



publicado por porabrantes às 22:36 | link do post | comentar

Quinta-feira, 24.03.11

 

 

 

 

 

Se um dia os nossos filhos nos perguntaram porque nos batemos por São Domingos e por Abrantes contra a escória, a escumalha, a ralé, o sistema, os interesses, o Graça e os partidos do sistema, Jorge de Sena já respondeu por nós.

 

Pela voz do grande artista de Santarém, Mário Viegas,: aqui vão as nossas razões:

 

 

 

 

Miguel Abrantes

 

 



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