Escreveu outro dia um rural carrilhista (os carrilhistas mesmo que vivam numa metrópole de 10 milhões de habitantes têm um espírito rural no mau sentido provinciano da palavra) que Diogo Oleiro, o grande defensor do património abrantino, seria hoje um defensor da barbaridade de destruir
e a sua cerca e do asqueroso e medíocre projecto de
Diogo Oleiro não era um provinciano, nem um cobarde, nem um carreirista, mas um homem culto, um cidadão calejado na luta política desde tempos anteriores a 1910 (foi na cidade um dos homens de confiança de Ramiro Guedes e como ele depois de 1910 alinhou-se com os republicanos conservadores)
http://memoriasdomeubairro.blogspot.com
Dr. Ramiro Guedes, chefe político do PRP abrantino e depois líder dos conservadores locais
e pronto a dizer o que pensava, embora tenha terminado a sua vida política alinhado com a facção salazarista de Manuel Fernandes.
Sabendo isto, passemos ao ano trágico (1953) para o património de Abrantes onde estas casas foram demolidas na Praça da Palha de Cima que hoje leva (mal) o nome de Ramiro Guedes.
Já estão a ver o resultado, o caixote da praxe da CGD no local onde estavam alguns dos melhores exemplos de arquitectura civil setecentista (?) ''popular'' de Abrantes.
Um crime sem nome, digno do licenciado Carrilho da desgraça abrantina.
Naturalmente os responsáveis foram os edis da época e a CGD que assassinou património por todo o país em benefício dos caixotes, da indústria da usura, da glória do Portugal salazarista e dessa coisa chamada Progresso, que é a palavra mágica que qualquer edil bacoco usa para justificar o crime.
Major Machado, Presidente da CMA em 1953
Crime em sentido patrimonial, não penal porque não houve delito urbanístico (como há na destruição de São Domingos) cuja autoria moral é da CMA presidida pelo major Manuel Machado e onde na vereação estava um pintor bastante melhor que a Tia Mary Lucy, o solicitador José Paulo Fernandes.
Não vou responsabilizar o Zé Paulo por coisa nenhuma, porque não me dei ao trabalho de ler a acta camarária que autorizou o crime. Quem sabe se votou contra?
Agora não vou sustentar que Diogo Oleiro, membro activo da facção de Manuel Fernandes, cujo procônsul na CMA era o Major Machado, aplaudiu o crime como gostariam os carrilhistas ou ficou cobardemente calado.
Eis a prova
Aí está o protesto dum homem livre contra o crime. Ai está a frontal condenação da barbaridade na primeira página do Jornal de Abrantes, dirigido pelo meu amigo Armando Moura Neves, órgão oficioso da facção da UN de Manuel Fernandes ( a UN abrantina tinha 2 facções, o órgão da outra era o ''Correio de Abrantes'' que defendia os interesses dos herdeiros políticos de Henrique Augusto da Silva Martins).
Ai está o exemplo do pluralismo e da liberdade que praticaram Manuel Fernandes e Armando Moura Neves, serem censurados no seu próprio Jornal por uma amigo seu que defendia Abrantes.
Não censuraram Diogo Oleiro, não o perseguiram, não o infamaram, acharam que ele tinha o Direito e a Liberdade de dizer o que pensava.
Comparar Armando Moura Neves, o Major Manuel Machado ou Manuel Fernandes com a ralé actual que censura, persegue, mente, viola a Lei, consagra a cunha e o clientelismo como sistema político, é comparar o incomparável.
E vale a pena perguntar, era a Imprensa de Abrantes, em 1953, mais livre e independente , mais valente e corajosa, menos oficiosa e cobarde , apesar do lápis azul, que a actual?
para vergonha dos jornalistas e politicastros maioritários que temos!
Já chega?
Falta o final do artigo.
E dizer que tenho vergonha da cobardia de 2 ou 3 borra-botas que andaram pela direcção da Adepra, e que agora pertencem à ralé carrilhista.
Miguel Abrantes, da Loja Raul Rego
(por certo, Diogo Oleiro também foi pedreiro-livre. Como o General Marques Godinho. )
Créditos: fotos da casas setecentistas e do caixote da CGD - arq. José D. Santa Rita Fernandes, in Abrantes Cidade, CMA, s/d (1966?),
foto de Major Machado: Abrantes Cidade Florida, VA, s/d
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