Segunda-feira, 12.08.19

Exigência de democracia em Macau contra a ditadura dos burocratas comunistas


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publicado por porabrantes às 21:45 | link do post | comentar

Terça-feira, 09.04.19

A Porta do Entendimento.

(...) ''A arte é assim mesmo: há muita gente que não aprecia. Particularmente os chineses. Dizem que parece um falo erecto. Que faz lembrar três pivetes espetados-sinal da morte. Na zoada verrinosa da sociedade macaense, há mesmo quem lhe chame ''porta do desentendimento''. Repito: a ideia é nobre. A concretização, desastrosa. A culpa não é certamente do escultor Charters de Almeida . Ao preço que cobrou, as Construções Técnicas , a empresa portuguesa que a montou devia ser crucificada. Algumas das enormes placas de pedra pretas caíram. No Laboratório de Engenharia Civil, duvida-se que haja solução. É uma mancha  negra na cidade. Uma herança vergonhosa''

charters  2

 

José Pedro Castanheira, ''Macau os Últimos Cem Dias do Império'', Pub.D.Quixote/Liv do Oriente, Macau, Lisboa, 2000

 

PS- Apesar do que diz o Autor, a culpa é também do nobre Conde da Bahia, porque tinha a obrigação de  de respeitar a cultura chinesa e não induzir em pensamentos macabros e, além do mais, de zelar pela execução do mamarracho.....

mn 



publicado por porabrantes às 09:07 | link do post | comentar

Quarta-feira, 21.02.18

Joaquim Marques Esparteiro era Governador de Macau, tendo como chefe de gabinete outro nome ligado às Mouriscas, o capitão de cavalaria Abílio de Oliveira Ferro

coronel abilio ferro.jpg

Liga dos Combatentes

 

Em 26 de Julho de 1952 as suas forças abriram fogo sobre o Exército Popular de Libertação, obrigando os chineses a recuar. 

Isto no meio duma crise internacional entre Portugal, USA e China.

Deve ter sido uma das últimas vezes que no Oriente, os canhões da marinha lusa refizeram a Epopeia de Quinhentos..... 

Neste estudo do ICS -Instituto de Ciências Sociais, analisa-se muito bem os incidentes e as negociações diplomáticas entre Lisboa, Pequim, Macau, etc e o excelente trabalho do marinheiro das Mouriscas 

homenagem esparteiro.jpg

 

mn

 

Ler aqui

 

 

OS INCIDENTES DAS PORTAS DO CERCO DE 1952:

o conflito entre os compromissos internacionais

e os condicionalismos locais1

por

Moisés Silva Fernandes

費茂實

 



publicado por porabrantes às 19:14 | link do post | comentar

Quarta-feira, 03.05.17

Manuel-Teixeira.jpg

Revista Macau

 

Monsenhor Manuel Teixeira foi o grande historiador de Macau, nem lhe escapou a genealogia dos descendentes das pessoas que nasceram em Macau

acb macau.png

tamagnini.png

 

 

 

 

 

Título próprio Toponímia de Macau
Primeira menção de responsabilidade Padre Manuel Teixeira
Lugar da publicação, distribuição, etc. Macau
Nome do editor, distribuidor, etc. Edição Centro de Informação e Turismo de Macau
Data da publicação, distribuição, etc. 1979-1981
Indicação específica do tipo de material e extensão do item 2 v.
Outras indicações físicas il.
Dimensões 26 cm
Bloco de notas
Notas gerais Os volumes foram editados no ano de 1979 e 1981
Nota de conteúdo 1º v.: ruas com nomes genéricos
Nota de conteúdo 2º v.: ruas com nomes de pessoas

 

ficha bibliográfica Memórias África e Oriente.

 

 

Lá teremos de comprar o book

 

 

mn

 



publicado por porabrantes às 20:22 | link do post | comentar

Sexta-feira, 27.01.17

O colega  Macau Antigo destaca o blogue ''Coisas de Abrantes'' e o seu autor Sr.Vieira acerca dum post sobre o militar abrantino  Alfredo Alves da Silva. Uma justa distinção

 

ma



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Quinta-feira, 05.01.17

Há quase dois anos, em 4 de Janeiro de 2015, morria o Professor Duarte de Ataíde Castel-Branco. Para lembrar a sua memória de resistente anti-fascista, do aristocrata,  de académico e de grande arquitecto publicamos a manchete da Tribuna de Macau, que não se esqueceu de noticiar a morte dum filho ilustre da Cidade do Santo Nome de Deus

duarte china.png

leia aqui a notícia do jornal chinês

 

Há quem se tenha esquecido do seu magistério. Nós não.

mn



publicado por porabrantes às 13:54 | link do post | comentar

Sexta-feira, 09.12.16

José Segurado Pimenta do Avellar Machado era um oficial de cavalaria abrantino, inimigo declarado do fascismo.

josé segurado avellar machado.png

Diário de Governo, 31 de Agosto de  1911 

 

Como tal sofreu as represálias da canalha salazarista, sendo alvo dum processo político.

''' Faz violentas campanhas e difamatórias contra o estado novo. Inimigo declarado da situação'' (1936) (A.Histórico Militar)

Era filho do político e militar rossiense, General José Pimenta de Avellar Machado e de D.Maria Bárbara  Ferreira Segurado.

Que carreira teve?

Em 1925 estava em Macau, onde deve ter sido contemporâneo do futuro tenente-coronel João Villas-Boas Castel-Branco, que ali estava com a mulher, a nossa querida D.Maria Cristina Ataíde Castel-Branco. .

Foi nomeado promotor de Justiça junto do Tribunal Militar Territorial em 1925

avellar 5.png

 

(Arquivo de Macau)

 Era certamente um homem temperamental.

Em 1926 teve uma auto por ofensas corporais voluntárias . Era acusado de ter ido à cara a outro tenente.

 

Em 1924 tinha sido proposto, quando era tenente do Estado-Maior, para ser condecorado com a Ordem de Avis. Não lhe foi dada a condecoração. (Arquivo da Presidência da República)

 

Morreu Governador de S.João Baptista de Ajudá em 1941.

 

Teve três irmãs D.Georgina Avellar Machado Soares Mendes e D.Maria Leopoldina Avellar Machado e ainda D.Maria Bárbara Avellar Machado. A primeira foi a que viveu toda a vida na Cidade e que teve um importantíssimo papel em obras de assistência social católica, designadamente na Sopa dos Pobres e no Patronato Santa Isabel.    

 

Assim de repente, sem fontes primárias, é o apontamento que se pode traçar dum capitão reviralhista, cuja nomeação em 1938 para governar um pequeno enclave na Costa do Daomé, tem todo o sabor a castigo e a exílio.

 

Uma breve vista de olhos a Diogo Oleiro diz-nos no indispensável ''Abrantes Cidade Florida'', que o capitão Avellar Machado ''faleceu  prematuramente na fortaleza de S.João Baptista de Ajudá''' e que tinha três irmãs (pp. 108).

 

Vou ver a publicação actualizada do Doutor Candeias Silva, ''História Cronológica do Concelho de Abrantes (da pré-história a 1916)'' e diz o que se transcreve

 

pimenta avellar.jpg

Diz o autor que o General Avellar Machado teve 3 filhas e esqueceu-se do irascível capitão que detestava Salazar.

Sustentou Alves Jana que os ''textozinhos'' do Diogo Oleiro eram mitológicos e alistou-se com o Candeias para montar uma nova '''narrativa'' da história abrantina.

Ainda não li, mas se a narrativa é como a da ''História Cronológica do Concelho de Abrantes (da pré-história a 1916)'''......arriscamo-nos a que desapareçam mais capitães anti-fascistas.

Já sei que as minudências genealógicas são complicadas, mas se tivesse sido editada a obra vencedora do Prémio Eduardo Campos, do dr. António Graça Pereira ( que ganhou o prémio, apesar de Candeias Silva) já havia uma base de dados fiável de genealogia abrantina, e não havia necessidade da ''nova narrativa fazer a D.Maria Cristina de Ataíde, ser filha dum Visconde regenerador.

ma

bibliografia : General Avellar Machado, por Diogo Oleiro, no ''Abrantes Cidade Florida''

Governo do Benim (ex-Daomé)

 

ps-Se alguém tiver dados sobre o casamento e descendência do capitão Avellar Machado agradece-se.

  

 



publicado por porabrantes às 17:32 | link do post | comentar

Sábado, 06.06.15

numero_especial1.jpg

 

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esparteiro 3

esparteiro 2

esparteiro a

Todo o dossier referente à homenagem ao Almirante Esparteiro está à venda na net. Se o subsidiado que quer montar um Museu mourisquense quiser comprar faça favor, mesmo que para isso tenha de pedir (mais um) subsídio à edilidade.

No entanto mandava a lógica que o Arquivo Eduardo Campos ou o Arquivo da Marinha comprasse isto.

No site Macau Antigo há mais coisas sobre Esparteiro, incluindo a foto dele com a D.Laurinda, a mulher, que se reproduz com a devida vénia

govesparteiro.jpg

 E como o mundo é muito pequeno, logo ...a ....seguir ...........no excelente https://nenotavaiconta.wordpress.com  encontro a notícia que o Esparteiro mandou ''fixar residência ao jornalista  Leonel Milcíades dos Passos Borralho, (李安奴)''  porque não gostava das notícias que ele dava. O Borralho foi director da ''Gazeta Macaense'' até 1979 e foi substituído como Director pelo jornalista João Severino.......ex-aluno do Colégio La Salle de Abrantes.

Estás bom, ò João ????

Espero que não tenhas tido problemas com Governadores que mandavam deportar jornalistas prá Ilha da Taipa.... 

ma 

 



publicado por porabrantes às 15:19 | link do post | comentar

Terça-feira, 30.09.14

 

Foreign Police

 

 

Sopra um vento no Oriente

 

 

 

Liberdade para Hong-Kong!!!!

 

 

Liberdade para Macau!!!!!

 

 

a redacção 



publicado por porabrantes às 10:28 | link do post | comentar

Sábado, 17.05.14

 

 

 

Morreu recentemente o Senhor Coronel Mariano Tamagnini Barbosa, tio do nosso amigo Arquitecto, Doutor António Castel-Branco e visita habitual a Abrantes, é nosso dever apresentar este perfil dum português à antiga, moldado na escola de Fernão Mendes Pinto, com a devida vénia ao blogue Crónicas Macaenses

 

Mariano Tamagnini Barbosa: “o espião que nasceu em Santa Sancha”

Em homenagem ao ilustre macaense Mariano Tamagnini Barbosa, falecido em 27/03/2014 (vide postagem), com 94 anos, publico a história da sua vida (até 1996) e um episódio dele no papel de espião. As publicações a seguir têm como fonte, a Revista Macau de Dezembro de 1996 e o autor Eduardo Tomé:

Mariano Tamagnini (02)

Mariano Tamagnini Barbosa (foto da Revista Macau Dezembro de 1996)

O ESPIÃO QUE NASCEU EM SANTA SANCHA

Texto de autoria de Eduardo Tomé – Revista Macau edição de Dezembro de 1996

Nascido no Palácio da Praia Grande, a 27 de Maio de 1919, três meses depois seguiria com os pais para a metrópole. Os irmãos chamavam-lhe “o chinês”, pois era o único natural do território, tendo ele próprio muito orgulho em ser macaense. Com a segunda nomeação do pai como Governador de Macau, regressou em Dezembro de 1926, aqui frequentando a escola primária e o primeiro ano do Liceu, tendo como um dos seus amigos de então José dos Santos Ferreira, o “Adé”, grande cultor e poeta do patoá, a quem queria como um irmão e com quem se correspondia regularmente.

Em Fevereiro de 1931, Mariano Tamagnini voltou para Portugal, onde fez os estudos liceais na Escola Nacional, ao Largo da Anunciada, em Lisboa, pertencente a seu pai e ao general José Vicente de Freitas, que fora primeiro-ministro já na República.

Nutrindo uma profunda admiração pelo seu progenitor e encontrando-se este novamente em Macau, no seu terceiro mandato como Governador do território, correspondendo à vontade deste, aceitou preparar-se para vir a ser seu secretário, matriculando-se no Curso Superior Colonial, que concluiu com 15 valores, por ironia do destino, no mesmo ano em que seu pai faleceu.

Como aspirante e depois alferes, foi ajudante-de-campo do seu tio, o brigadeiro João Tamagnini Barbosa, comandante militar da ilha Terceira, nos Açores, onde conheceu o então major António Spfnola. Durante a guerra, em Outubro de 1943, aí assistiria ao desembarque autorizado das forças aliadas britânicas.

Regressado ao continente, contraiu matrimónio com Astri Lunde Wang, filha do ministro da Finlândia, de cuja união nasceria em Dezembro de 1952 o seu filho Miguel Ângelo, divorciando-se um ano mais tarde. Entretanto, acompanhou a missão militar portuguesa a Paris, à conferência dos Estados-Maiores Aliados, na NATO, matriculando-se na Faculdade de Direito de Coimbra, como aluno voluntário.

Em meados de 1953, já na patente de capitão, Mariano Tamagnini é colocado na repartição do gabinete do ministro da Defesa, coronel Santos Costa, onde chefia o Centro de Criptografia Nacional e NATO, transitando posteriormente para a Força Aérea, com idênticas funções no gabinete do chefe de estado-maior daquela arma.

Mariano Tamagnini (05)

Falando italiano, espanhol e alemão e dominando na perfeição inglês e francês, são-lhe confiadas diversas missões de acompanhamento junto de altas entidades estrangeiras de visita a Portugal, como no Verão de 1966, aquando da estada da princesa Margarida, de Inglaterra, ou, em 1960, do general Thomas D. White, chefe de estado-maior da Força Aérea norte-americana, o homem que no auge da “guerra fria” criou o célebre “telefone vermelho”. Nesse mesmo ano é nomeado para, juntamente com 26 oficiais superiores de diversos países, frequentar na base aérea de Sheppard, no Texas, o “Staff Intelligence Course”, digamos que um curso de espionagem, obtendo a terceira classificação. Talvez que alguns dos  corihecímentos adquiridos se revelassem mais tarde úteis, quando incumbido de desempenhar uma missão muito confidencial, que tinha Macau como objectivo.

Já como tenente-coronel é colocado no comando da 1ª Região Aérea, em Monsanto, e posteriormente como adjunto do comando da Zona Aérea dos Açores.  Entretanto, realizara um vasto programa de dinamização desportiva dentro da Força Aérea, tendo ele próprio vencido diversos troféus de ténis e feito parte de equipas de futebol re voibol vencedoras de campeonatos militares.

Em representação da FAP fez uma visita às diversas bases aéreas brasileiras, tendo efectuado por diversas vezes curtas missões em Cabo Verde e na Guiné.

Devido a sequelas de um antigo acidente aéreo. Mariano Tamagnini tem de ser internado na neurocirurgia do hospital militar de Val-de-Grâce, em Paris, onde permanece cinco anos em tratamento. Regressado a Portugal, é autorizado a exercer funções de administrador da Companhia Européia de Seguros e na direcção administrativa da Imprensa Nacional – Casa da Moeda.

No dia 4 de Março de 1974 parte para Macau, no maior dos secretismos, transportando duas malas pesando mais de 50 quilos, contendo notas de 500 patacas, totalizando então um valor facial de cerca de 900 mil contos. Após várias peripécias, a missão é cumprida e o dinheiro depositado nos cofres do BNU.

A seguir ao 25 de Abril vê-se obrigado a recusar um convite de António de Spínola para criar um gabinete de Macau, por não lhe parecerem reunidas as mínimas condições. Pouco tempo depois declina igualmente um convite para ser o primeiro embaixador de Portugal na Argélia. Como não se sentia identificado com os desmandos do chamado “processo revolucionário em curso”, aceita o convite do seu amigo Tahar Mekouar, embaixador de Marrocos, para fixar residência em Casablanca e dirigir a sociedade Moror, Ltd., virada para a colaboração luso-marroquina, tendo contribuído para a implantação naquele país de grandes empresas portuguesas, como a Companhia Portuguesa de Pescas, a Hidroeléctrica Portuguesa (de Cabora-Bassa), ou a Sorefame, então em sérias dificuldades e actualmente prosperando no mercado marroquino.

Em Casablanca, criaria posteriormente com um arquitecto marroquino uma empresa especializada na construção de piscinas e impermeabilizações, a Aquatec, ocupando a sua presidência, mantendo-se esta sociedade em plena actividade. Por razões familiares regressa a Portugal em 1989.

Registada em 1962, a Casa de Macau (CM) teve no coronel Tamagnini um dos seus fundadores e um dos seus presidentes, tendo igualmente participado em 1973 na primeira “romagem” ao território, levada a efeito pela CM. Pertence também à Associação da Força Aérea Portuguesa, de cuja direcção fez parte até há pouco tempo, tendo em Outubro de 1991 organizado uma outra “romagem” a Macau, ao todo 85 participantes, entre oficiais, sargentos e familiares, o que lhe deu particular satisfação, pois foi a primeira vez que tantos membros da Força Aérea estiveram no território, dado que ao longo da sua história apenas o Exército e a Marinha aí prestaram comissões de serviço. Muito recentemente esteve de novo na sua terra natal, aqui participando no II Encontro das Comunidades Macaenses.

Cultor de poesia, ao que não será estranha sua mãe, a poetisa Maria Anna Acciaioli Tamagnini, Mariano Tamagnini é um homem de uma grande jovialidade e um excelente porte físico, daquelas pessoas para quem a idade não conta, tendo sido convidado, e tendo já aceite, vir a ser um dos curadores da Fundação da Casa de Macau.

Mariano com 9 anos enverga a farda "mouro" (marata) no Carnaval de 1928 nos jardins do Palácio de Santa Sancha (fonte: Revista Macau Dez. 1996)

Mariano com 9 anos enverga a farda “mouro” (marata) no Carnaval de 1928 nos jardins do Palácio de Santa Sancha (fonte: Revista Macau Dez. 1996)

UMA MISSÃO QUASE IMPOSSÍVEL

Trecho do artigo de mesmo nome extraído da Revista Macau edição de Dezembro de 1996

autor: Eduardo Tomé

Mariano Tamagnini Barbosa nasceu no palacete de Santa Sancha, em 1919, cumpria seu pai o primeiro de dois mandatos de Governador de Macau. Seis décadas depois, já coronel da força aérea, seria incumbido de uma delicada missão à remota província do Oriente. No estertor da ditadura…

Mariano Tamagnini Barbosa. Foto da Revista Macau Dezembro de 1996

Mariano Tamagnini Barbosa. Foto da Revista Macau Dezembro de 1996

Sou eu que lhe emito o passaporte, tenho o direito de saber para onde vai e o que vai fazer.

— Lamento senhor Director mas trata-se de uma missão ultra-secreta, contacte com o presidente do Conselho de Ministros e pergunte-lhe directamente.

— O responsável pela segurança interna sou eu, o senhor coronel tem de me informar qual o seu destino.

Barbieri Cardoso, número dois da PIDE/DGS, por motivo de doença do responsável desta temível polícia política, o major Silva Pais, ocupava interinamente o cargo de director. No seu gabinete, num segundo andar da Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, tinha na sua frente o coronel da Força Aérea, Mariano Alberto Acciaioli Tamagnini Barbosa, que aí fora buscar um passaporte diplomático, de ministro plenipotenciário, válido para todos os países com os quais Portugal mantinha relações diplomáticas.

Perante a insistência de Barbieri, e não podendo revelar quaisquer pormenores acerca da secreta missão de que fora incumbido e que muito bem conhecia, resolveu responder:

— Senhor director, nem eu próprio sei qual é a minha missão, apenas no momento do embarque me será entregue uma carta de “prego “,com as necessárias instruções e o meu destino final, a ser aberta já depois de o avião descolar.

O estratagema resultou em cheio. No entanto, o que Mariano Tamagnini ouviria a seguir deixou-o atônito:

Já que o senhor coronel me parece boa pessoa e pertence à Força Aérea onde o meu irmão é médico, deixe-me dar-lhe um conselho: vá para onde for, não volte tão cedo a Portugal, fique por lá, se regressar encontrará o seu país irreconhecível, dominado pelos comunistas.

E prosseguindo num tom de voz cada vez mais exaltado:

O responsável por essa desgraça é esse f. da p. do Marcelo Caetano, que não permite que metamos na linha esses seus colegas capitãezinhos, que andam para aí a conspirar e a fazer reuniões para derrubarem o regime. Nós estamos a par de tudo, sabemos o que dizem, o que planeiam e onde se reúnem, mas esse canalha do Marcelo é que nos dá ordem para não actuarmos. “É preciso ter paciência e compreensão para com essa juventude”, diz-nos. Nós estamos manietados, não podemos fazer nada, com o doutor Salazar era diferente, ordenava-nos logo “dêem uns abanõezitos nesses garotos e ponham-nos na ordem “.

Note-se que este episódio se passou em 2 de Março de 1974, a menos de dois meses do 25 de Abril, o que atesta bem que a PIDE/DGS estava por dentro do “movimento dos capitães” e Marcelo Caetano devidamente informado.

Alguns dias depois, já em Macau, no Palácio de Santa Sancha, Mariano Tamagnini contaria este episódio ao Governador Nobre de Carvalho, que ficaria estarrecido e visivelmente preocupado.

Mariano Tamagnini (01)

 



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