Sexta-feira, 12.06.15
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    1. Nada mal, caro Pedro. No entanto, se é de reflexão fundamental que se trata, eu levaria um pouco mais longe as suas conclusões, e diria que a democracia é ateia, ainda que os cidadãos que a governam (passe o pleonasmo) possam não o ser — possam ter crenças religiosas enquanto particulares, sabendo embora que a "vontade de Deus" não é politicamente aceitável como fonte de direito ou fundamento das decisões da ecclesia.
      Abraço

      miguel serras pereira

 

 
  • Ateia? A democracia pode (ou até deve) ser laica ou agnóstica, mas ateia não é concerteza. Regimes integralmente ateus existiram e existem (ver Coreia do Norte) e estão longe de ser democráticos.

    Uma coisa é o Estado ser independente de Deus (que, aliás e convém lembrar, é algo faz parte - apesar de ter sido ignorado - dos conceitos teológicos do Cristianismo), outra coisa é o Estado ser ateu e REJEITAR Deus.

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  • Ateia, sim —porque se trata precisamente de REJEITAR Deus (a verdade revelada, a fé, o mandamento divino) e a sua intervenção na livre e responsável deliberação e definição da lei e das decisões governantes comuns. Ateia, sim — porque a cidadania democrática exclui Deus do seu âmbito, não reconhece a Deus a prerrogativa de governar a cidade.

    msp

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  •  
     
  • Rejeitar Deus? Quer dizer que deve proibir sinais exteriores (em locais públicos) religiosos? Que deve impedir qualquer manifestação pública de religiosidade? ISSO é uma sociedade ateia e é, por definição, contrária à livre expressão.

    A sociedade por ou deve ser laica, indiferente à existência (ou não) de Deus ou de conceitos de divino e relegar isso para o foro privado dos cidadãos. O que não impede que os mesmos expressem os seus valores ou as suas tomadas de decisão. Tomar uma decisão (individual) com base na religião é tão válido como outra qualquer. Daí que não venha mal ao mundo, por exemplo, na existência de partidos cristãos ou de inspiração cristão, ou muçulmanos ou hindus ou o que quer que seja.

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  • Carlos Duarte, experimente, por favor, ler com um pouco mais de atenção o que eu escrevi e não me atribua ideias disparatadas. A autonomia democrática é ateia porque, visando o autogoverno daqueles que se dão e sabem que o fazem as suas próprias leis, implica nessa medida a destituição política da religião (mas não, é claro, a proibição ou perseguição das práticas e crenças religiosas nos espaços do oikos ou da ágora — embora dentro dos limites, mas com as garantias, que a delimitação política desses domínios acarreta). OK?

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  • Caro Miguel, eu não diria que a democracia é ateia, a não ser que utilizemos esta palavra num sentido muito lato. Há democracias confessionais (Inglaterra), em que Deus é mencionado na Constituição (Alemanha) ou que juram a posse do chefe de Estado sobre a Bíblia (EUA). Parece-me mais rigoroso dizer que a democracia é laica, ou seja, exige a separação entre a Igreja e o Estado, seja qual for a forma e o grau dessa separação. De qualquer modo, mais importante do que o nome é a coisa. Sem desvalorizar o que disse, interessa-me mais perguntar pelo lugar que a religião tem hoje no Ocidente e de que modo o Islão se encaixa aí. Tema que há muito me interessa (até porque sou católico), mas que ganhou nova actualidade nos últimos anos. A presença de milhões de muçulmanos na Europa, com uma visão de Deus e de César diferente da cristã, volta a suscitar um problema que julgávamos resolvido. O radicalismo é apenas um dos seus aspectos, obviamente o mais inquietante, mas a questão é se o Islão pode conviver com a democracia sem, de algum modo, se secularizar (como aconteceu às sociedades cristãs do Ocidente, mal ou bem, depois de séculos de conflitos e compromissos). E se continuará a ser o Islão que hoje conhecemos, caso se secularize.

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  • Caro Pedro, suponho que a suboirdinação efectiva da deliberação política democrática a um texto normativo revelado e inquestionável não pode deixar de ser antidemocrática (até mesmo numa sociedade universal e homogeneamente crente de uma mesma fé). Mas, enfim, esta discussão pode ficar para outra altura. Acho que o Pedro me compreendeu, e acho que não estou longe de o ter eu, pelo meu lado, compreendido a si. E, na realidade, a questão que V. levanta sobre o islamismo não podia ser mais oportuna. Eu tenderia até a formulá-la em termos mais brutais. Porque, se é demonstrável que nem todos os muçulmanos piedosos são adeptos do Estado Islâmico ou da Al Qaida, já se afigura extremamente difícil afirmar que um muçulmano piedoso possa ser democrata — ou aceitar sequer a laicidade, na medida em que esta signifique que a lei da cidade é decisão e responsabilidade humana, não sendo a sua definição limitada por verdades de fé ou pertenças religiosas vinculativas. É, portanto, não só o extremismo dos terroristas que se trata de combater, como se fosse possível aceitar o anti-secularismo da concepção islâmica do governo da cidade. E o mesmo se diga, de resto, de todas as fés que continuam ou recomeçam a visar a ressacralização do poder político — pelo que acrescento que, também no seio do catolicismo e de outras confissões cristãs, têm surgido nas últimas décadas movimentos inquietantes.
    Muito haveria a dizer ainda, mas não quero alargar-me para lá do que é razoável numa caixa de comentários. Assim, permita-me que o remeta para o breve texto de Jacques Ellul intitulado Islam et judéo-christianisme (Paris, PUF, 2006), bem como, no que se refere à parte final desta min ha resposta, para um post meu, publicado sob o título "Carta a Frei Bento Domingues" (http://viasfacto.blogspot.pt/2010/04/carta-frei-bento-domingues.html).

    Um abraço para si

    miguel serras pereira

     

    com a devida vénia

    http://nadaodispoeaac.blogspot.com.es/



publicado por porabrantes às 17:21 | link do post | comentar

Terça-feira, 09.09.14

''Da insignificância das alternativas à alternativa da insignificância

O vazio hiante das declarações programáticas de António Costa — sendo que exactamente o mesmo se poderia dizer das de Seguro — parece, neste exercício crítico de Estela Serrano, incentivar, ou servir de pretexto, a uma curiosa hermenêutica que o apresenta como alternativa política última e profunda a qualquer orientação política definida. Só ficamos sem saber o que mais admirar se a inexaurível flexibilidade não tanto táctica como verdadeiramente estratégica do candidato que se propõe conduzir o PS não importa onde, tornando a sua direcção uma questão menor contanto que adoptada sob a sua presidência, se a radical desconstrução preventiva das próprias condições elementares do debate político e da tomada de posições alternativas que a comentadora e apoiante do candidato valoriza na insignificância das suas (dele) declarações e discurso, assim superando a insignificância das alternativas numa apologia da alternativa da insignificância. Parafraseando a exegese que Filipe Nunes Vicente propõe do texto de Estela Serrano, só podemos concluir que as alternativas são uma maçada: deviam ser proibidas. E, de caminho, ou consequentemente, o juízo político também.''
Nota ;
o dr. Miguel Serras Pereira tem toda a razão, mas espremendo o programa dos dois, só se encontram algumas gotas de sumo no Seguro e pelo menos lá não há face oculta
no excelente Vias de Facto com a devida vénia
 


publicado por porabrantes às 14:28 | link do post | comentar

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