
A hipótese foi traçada em 2005 por António Rei
ler aqui
(---) A subida do Tejo (Wâdî Tâjuh) desde Lisboa prolongava-se a Abrantes e, pelo menos até Santarém, era possibilitada a embarcações de grande calado (CONDE, 1999: 47). (...)
(...)
Esta mobilidade de produtos e pessoas por via fluvio-marítima coloca-nos perante outra evidente constatação: a da existência de um abastecimento regular de embarcações, adaptadas aos vários tipos de navegação e função,que não deveria fazer-se longe das duas baías. No Sado, é sabida a importância do estaleiro
naval de Alcácer do Sal, a partir do séc. X, bem provido de matéria-prima nas proximidades.Não excluindo os fornecimentos de Alcácer a Lisboa, a cidade do Tejo também deveria alimentar uma componente de construção naval, pelo menos no que se refere a barcas de pequeno e médio calado para transporte mercantil
e de passageiros entre as duas margens e rio acima até Santarém e Abrantes. (...)
'(...)' Os topónimos em itálico e que apresentam asterisco (*), são os que ainda não estão claramente identificados. Para aquele que se situará ainda em território português, Qunaytra Mahmûd apontam- se como mais prováveis localizações: Abrantes, Gavião ou Belver.'' (...)
III – Itinerário fluvial
(Nuzhat al-Mushtâq – NM)
Santarém fazia parte também da via fluvial que unia Lisboa, no extremo ocidente, com Toledo, no coração da Península. O itinerário tinha as seguintes escalas:
«[...]Lisboa, Santarém, Qunaytra Mahmûd*,
Alcântara (da Espada), Makhâda*, Talavera
e Toledo[...]» (NM, ed. Roma / Nápoles, (...)
O artigo é muito interessante, apesar de ser de 2005, ainda não o vimos citado pelos sábios municipalizados.
mn
Devida vénia ao Dr.António Rei para as expressões entre aspas, que são do trabalho citado, que foi publicado na Revista ''Arqueologia Medieval'', nº 6, edição da CM de Mértola
Carlos Batata & Filomena Gaspar,
A citação refere-se a uma prospecção em Pampilhosa da Serra.
Hoje a propaganda municipal enche os media com as ''extraordinárias descobertas'' feitas no Castelo de Abrantes pela equipa do MIAA, que para mim cientificamente deixa bastante a desejar.
Escapelizando a coisa verifica-se que descobriram que havia frescos em Santa Maria do Castelo (não foram eles, foi a equipa de restauro do ''Painel da História''), coisa que já se sabia desde Diogo Oleiro, nos anos 50.
Aqui está a carta referindo isso, aqui já publicada
Temos portanto que os frescos, já estavam descobertos desde pelo menos 1960. Há ainda a torre de taipa, islâmica alegadamente,
As escavações de 2014 deram este bonito resultado, onde vemos a Isilda e o Gaspar mirando estupefactos o buraco. (foto CMA)
Diz na notícia a Filomena '' Este é o local mais interior do país com uma torre deste género, feita com barro, material muito perecível, e existem muito poucas em Portugal''
Ora a Filomena não se lembra da geografia das torres mouras em Portugal, apesar do avô dela lhe ter mostrado uma pegada de Nossa Senhora na Pampilhosa.
Os mouros conquistaram quase toda a Península desde 711 e há vestígios arqueólogicos deles em todos os locais e bem no interior da Península e até em França para as bandas de Perpignan.
Saragoça, Pamplona ou mesmo Zamora eram importantes cidades islâmicas e estão muito mais ao Norte que Abrantes.
E só por exemplicar uma torre de taipa moura, cita-se a da Ucanha
Foto de João Sousa, com a devida vénia, retirada da Wikopédia, que está a poucos quilómetros de Lamego
Afonso Henriques fez doação, em 1163, à viúva de Egas Moniz da terra da Ucanha e o Prof. João Silva e Sousa, da UNL explica aqui que a torre da Ucanha foi construída pelo menos pelos árabes : '' Note-se a ponte de Ucanha, com sua torre, construída sobre fundações mouras (Ilustração 11).
O facto duma construção ser em taipa não demonstra de per si que seja ''moura'', o Autor citado diz: ''No entanto, a taipa não tem origens islâmicas, nem a sua utilização na Península Ibérica se fez apenas no período muçulmano; a utilização da taipa já se evidencia ao tempo da ocupação romana, mas a civilização islâmica em Portugal incrementou e foi influente na utilização da taipa e do adobe, de que os Berberes foram transmissores''.
Helena Catarino assinala outras escavações em fortificações de origem islâmica muito ''mais para o interior do país'', veja-se o castelo de Juromenha.
E a Abrantes islâmica dependia, antes da reconquista, tudo o indica, do reino taifa de Badajoz, que está muito mais para o interior da Península.
Só para finalizar, o Vereador Luís Dias diz que haveria um templo dedicado a Mercúrio.
Provavelmente havia um templo mas porque é seria dedicado a Mercúrio???
Qual a evidência arqueológica que o demonstra?
Extracto dum estudo de José da Encarnação & Candeias Silva, publicado no Ficheiro Epigráfico que pode ser lido aqui
A ara encontrava-se em Santa Maria do Castelo, como bem dizem os autores e já não se encontra lá e os técnicos municipais não sabem bem onde está.
Finalmente a cacique diz à Lusa, que o encontrado serve para reforçar a ideia da autarquia de construir o projecto MIAA '' num investimento global na ordem dos 14 milhões de euros e é uma intervenção que não se pode fazer toda de uma só vez" e ainda afirma que o MIAA será '' implementado em diversos locais da cidade.''
Em 18 de Outubro de 2014 disse ao DN que eram só 5 milhões.Também disse que ia celebrar um comodato com a Fundação Estrada. O dito não foi celebrado, nem será celebrado tão depressa.
E sem colecção para meter no MIAA, triplica o orçamento no escasso prazo de 9 meses!!!!
mn
ainda hoje: como não haverá provavelmente mini-hídrica no açude!!!!
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