Quarta-feira, 03.04.19

mud abrantes

Está aqui publicada a Comissão Distrital do MUD de Santarém. O representante abrantino era o médico de Alvega, João Marques de Matos.

O Dr. Matos fará parte em 1958 da Comissão da candidatura de Arlindo Vicente

Pouco a pouco faz-se a história da Oposição Democrática.

Se alguém tem alguma achega biográfica sobre este médico, agradece-se.

mn

 



publicado por porabrantes às 12:50 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sexta-feira, 13.04.18

1948 Ribatejo tramagal.png

e prisões em Alferrarede

1948  prisões alferrarede.png

O ''Ribatejo'' era um jornal clandestino ligado ao MUD, este nº é de 1948

 

Não vimos nada disto na ''historiografia'' oficial cá do burgo......

 

Deve ser propaganda bolchevique.....

 

mn

 

Ps- Era ....o Ribatejo era escrito quase todo por Soeiro Pereira Gomes e teve colaboração de Álvaro Cunhal . Ver aqui



publicado por porabrantes às 21:13 | link do post | comentar

Domingo, 02.10.16

Já se falou aqui muito da Drª Maria Fernanda Corte-Real Silva, como dirigente local da Oposição, resistente, única mulher dirigente do MUD-Juvenil (com Octávio Pato, Mário Soares, etc), presa política, mas faltava um pormenor a passagem à clandestinidade.

Leiam este livro

cecília honório book.jpg

da Historiadora e ex-deputada do Bloco, Cecília Honório. Há uma parte que está disponível aqui

fernanda cr.png

fernanda corte-real e silva.jpg

(imagem retirada do Silêncios e Memórias-Ficha da Pide- publicado num dos livros sobre Presos Políticos da  Comissão do  Livro Negro sobre o regime fascista.)

extracto do livro citado...



publicado por porabrantes às 16:31 | link do post | comentar

Sábado, 30.07.16
 
 
 
 
   
 
Antifascistas da Resistência  (facebook)
9 de julio a las 17:22 ·

ORLANDO PEREIRA (1924 - 2016)

Cidadão da Resistência contra a Ditadura durante décadas, muito respeitado em Abrantes, é considerado o líder da Oposição Democrática nesse concelho, nas décadas de 50, 60 e na primeira metade da década de 70 do Século XX. Em 1975, foi candidato a deputado, pelo MDP/CDE.

1. Nasceu a 24 de Março de 1924, em Alenquer (Merceana), onde o seu pai desempenhava o cargo de secretário da Câmara. Licenciou-se em Direito na Faculdade de Direito de Lisboa. Na Faculdade conhecera a mulher com quem iria casar em 1950, Maria Fernanda Corte Real Graça e Silva, uma activa militante da Oposição, julgada em Tribunal Plenário (1).
Pertenceu à direcção do MUD Juvenil e esteve preso no Aljube, em 1949, juntamente com outros antifascistas, entre os quais Mário Soares. Mantinha, então, ligação ao Partido Comunista.
Foi para Abrantes em 1951, pela mão de Armando Martins do Vale, advogado de renome, para dar continuidade, como advogado, ao escritório do advogado João de Matos, quando este foi para juiz.
Mais tarde, em 1955, depois de ter feito estágio para “ Registos e Notariado”, em Mação, e concorrido para o notariado, foi-lhe vedado o acesso à função pública e impedido de ocupar o lugar de notário do Cartório de Albufeira, a que tinha direito ao ficar colocado em 1º lugar: tinha sido alvo do famigerado Decreto-Lei nº 25317, de 13 de Maio de 1935, que bania da Função Pública quem não desse garantias de fidelidade ao regime ditatorial do Estado Novo. Assim, não chegou sequer a tomar posse do cargo e foi advogado em Abrantes, durante um quarto de século, entre os primeiros anos da década de 50 do século XX e o princípio do ano de 1977 (2).
Orlando Pereira participou activamente em todas as campanhas eleitorais e, em 1961, foi candidato da Oposição, no distrito de Santarém. Em 1973, integrou a Comissão Nacional do 3º Congresso da Oposição Democrática, realizado em Aveiro.
Como advogado, defendeu vários presos políticos julgados nos Tribunais Plenários.
Desempenhou diversos cargos na Ordem dos Advogados: delegado às assembleias-gerais, entre 1963 e 1971, e delegado na Comarca de Abrantes, entre 1968 e 1971.

2. Foi candidato do MDP/CDE a deputado, nas primeiras eleições democráticas realizadas e 25 de Abril de 1975, para a Assembleia Constituinte.
Na sequência da revolução de Abril de 1974 veio a ser reintegrado na Função Pública, mediante a simples prova do seu afastamento por motivos políticos, que estava patente no “Diário do Governo” em que fora publicada a deliberação do Conselho de Ministros que o demitiu; e, em princípios de 1977, Orlando Pereira era nomeado notário do 13º Cartório Notarial de Lisboa, um importante cartório na Baixa lisboeta, onde terminaria a sua carreira profissional. Faleceu no dia 21 de Junho de 2016, em Lisboa, com a idade de 92 anos.

(1) Maria Fernanda Silva (Pereira) fez parte do MUNAF; em 1945, com 19 anos, aderiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas; no ano seguinte, integrou a primeira Comissão Central do MUD Juvenil (sendo a única mulher), com Mário Sacramento, António Abreu, Francisco Salgado Zenha, José Borrego, Júlio Pomar, Mário Soares, Nuno Fidelino Figueiredo, Octávio Pato, Óscar dos Reis e Rui Grácio. Conheceu Orlando Pereira, estudante do 2.º ano e dirigente estudantil ligado ao Partido Comunista, e data de então a sua adesão a este partido, fazendo-se a intervenção no âmbito daquela organização juvenil. Foi enquanto dirigente do MUD Juvenil que foi presa por duas vezes, o que fez com que não concluísse imediatamente o curso: a primeira, em Évora, juntamente com Júlio Pomar, a 27 de Abril de 1947, foi libertada quatro meses depois; tornou a ser detida, desta vez em Beja, em 24 de Abril de 1948, recolhendo mais uma vez ao Forte de Caxias. Saiu em liberdade condicional passados três meses, em 29 de Julho. Julgada inicialmente pelo Tribunal Plenário de Lisboa em 15 de Março de 1949, seria condenada a 40 dias de prisão correccional e suspensão de todos os direitos políticos por três anos, mas a sentença seria agravada para 100 dias de prisão correccional, por acórdão do Supremo Tribunal de Justiça de 19 de Julho de 1950.

(2) Testemunho do advogado abrantino José Amaral: “Foi com ele que fiz o meu estágio, entre Março de 1976 e 30 de Setembro de 1977. Após o Dr. Orlando Pereira ter pedido a suspensão da sua inscrição na Ordem dos Advogados, quando foi para Notário (...) continuei no escritório do Dr. Orlando, pelo qual fiquei responsável, a tempo inteiro, a partir do dia 12 de Agosto de 1976, que é a data que marca o início da minha vida activa. Ele só vinha ao fim-de-semana, e nem sempre. Aprendi muito com ele». (facebook)

Biografia da autoria de Helena Pato

http://silenciosememorias.blogspot.pt/…/1016-maria-fernanda…
http://amar-abrantes.blogs.sapo.pt/faleceu-orlando-pereira-…
Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo (1945-1973). Um Dicionário, de Luís Reis Torgal e Mário Matos e Lemos.

 
Foto de Antifascistas da Resistência.
Transcrevemos, com a devida vénia, o post de Helena Pato no site Anti-Fascistas da Resistência
sobre os militantes do PCP de Abrantes, Dr. Orlando Pereira e sua mulher  Drª D. Fernanda Corte Real Silva. Supomos que o PCP abrantino e a CDU agora já podem prestar a homenagem que devem aos dois falecidos camaradas. Falta anotar uma coisa ou relembrá-la, quem herdou inicialmente o escritório do Dr. João de Matos, foi o Advogado e  escritor ex-nacional -sindicalista e depois compagnon de route do PC, Dr. Vergílio Godinho, de Vila de Rei .
 
 

Vergílio gounho século ilustrado.jpg

 

e foi ele que dirigiu a campanha de 1958, de Delgado, por isso foi preso. O Dr.Orlando ajudou-o
nessa campanha, com outros. cidadãos, Duarte Castel-Branco, Costa e Simas, etc...
 
ma 
 
 
 


publicado por porabrantes às 23:43 | link do post | comentar

Terça-feira, 21.06.16

ramos de almeida.png

Pedro Ramos de Almeida, no Militante, 2006 com a devida vénia

 

O falecido Dr.Orlando Pereira era viúvo da Drª D.Maria Fernanda Corte-Real, a líder do PCP de Abrantes em 1974-75

 

ma



publicado por porabrantes às 20:39 | link do post | comentar

Segunda-feira, 10.08.15

f silva.png

O dr. João Esteves, dedica um 3º post à biografia da dirigente comunista e resistente Maria Fernanda Corte Real Graça e Silva e tem a bondade de se referir simpaticamente a este blogue.

O post tem mais algumas preciosas achegas biográficas sobre a jurista abrantina, em parte com base no livro ''Mulheres Portuguesas contra a Ditadura, de Cecília Honório,   e revela  por exemplo que um bufo abrantino (que espero que não tenha sido aquele que eu penso) enviou para a sede distrital da PIDE/DGS, em 1972, 2 fotos da mulher do Dr.Orlando Pereira, acompanhadas de referências ao filho, o meu amigo, Orlando.

Aqueles que na revista Zahara sustentaram a inactividade política da Drª Fernanda, nas décadas de 60 e 70, têm aqui o desmentido. A Pide seguia com atenção o que fazia... e o que fazia o Orlando...que também seria preso político depois do 25 de Abril. Essa é outra história.

Ainda não li nem o referido livro da Cecília Honório, nem o outro da Vanda Gorjão onde há uma entrevista de Fernanda Silva, onde fala sobretudo do MUD.

Não será demais recomendar que a Biblioteca António Botto compre esses livros, nem que o PCP faça justiça a Orlando Pereira e a Fernanda Silva. 

Por mais que esteja nos antípodas ideológicos daquilo em que acreditaram, é naturalmente claro que enquanto Maria de Lourdes Pintasilgo medrava nos corredores do marcelismo, entre entrevista com diplomata ianque e beija-mão ao Cardeal António Ribeiro, a resistência, uma longa resistência à ditadura apostólica e beata, foi realizada por mulheres da fibra da mãe do Orlando.

Já chega de hagiografia beata e também já chega que a história do PCP tenha de ser feita (e muito bem) por historiadores como Pacheco Pereira.

Que problemas têm com o passado os comunistas de Abrantes?

ma 

 

veja aqui o vídeo sobre o livro de Cecília Honório      onde fala de Fernanda silva 



publicado por porabrantes às 19:00 | link do post | comentar

Quinta-feira, 09.07.15

Com a devida vénia do Blogue -Silêncios e Memórias

 

maria fernanda corte real graça e silva.jpg

 

 

''Filha de Emília de Mascarenhas Corte Real Graça e Silva, com raízes numa família abastada, monárquica e conservadora do Algarve, e do republicano Henrique Augusto da Silva, advogado e conservador do registo civil de Beja, nasceu em Setúbal a 1 de Outubro de 1925. 

 
Frequentou o Colégio do Sagrado Coração de Jesus entre a 1ª classe e o 3º ano, quando passou para um liceu estatal, e cursou Direito na Universidade de Lisboa. 
 
Começou cedo a sua militância política, a que não terá sido alheia o republicanismo e antisalazarismo do pai, bem como a perseguição a este movida pelas autoridades do Estado Novo por ter assinado as listas do Movimento de Unidade Democrática e o convívio com oposicionistas comunistas. 
 
Na Faculdade, fez parte do MUNAF, a convite de um colega de Direito; em 1945, com 19 anos, associou-se ao numeroso grupo de estudantes que aderiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas; no ano seguinte, integrou a Comissão Central do MUD Juvenil com, entre outros, António Abreu, Francisco Salgado Zenha, Júlio Pomar, Mário Sacramento, Mário Soares, Octávio Pato e Rui Grácio; e conheceu o futuro marido, Orlando Pereira, estudante do 2.º ano e dirigente estudantil ligado ao Partido Comunista. 
 
Data de então a sua adesão a este, fazendo-se a intervenção no âmbito daquela organização juvenil, onde foi a única mulher a ter lugar na primeira direcção composta por dez homens. 
 
Foi enquanto dirigente do MUD Juvenil que foi presa por duas vezes, o que fez com que não concluísse imediatamente o curso: a primeira, em Évora, juntamente com Júlio Pomar, a 27 de Abril de 1947, foi libertada quatro meses depois; tornou a ser detida, desta vez em Beja, em 24 de Abril de 1948, recolhendo mais uma vez ao Forte de Caxias. 
 
Saiu em liberdade condicional passados três meses, em 29 de Julho. 
 
Julgada inicialmente pelo Tribunal Plenário de Lisboa em 15 de Março de 1949, seria condenada a 40 dias de prisão correccional e suspensão de todos os direitos políticos por três anos. No entanto, a sentença seria agravada para 100 dias de prisão correccional, por acórdão do Supremo Tribunal de Justiça de 19 de Julho de 1950. 
 
Casou neste ano e a partir de 1951 a militância foi-se desvanecendo em resultado de passar a residir com a família em Abrantes, para onde o marido fora tomar conta de um escritório de um advogado amigo.

Participou ativamente na campanha eleitoral da oposição democrática de 1969, tendo discursado no comício realizado pela CDE em Santarém a 4 de Outubro de 1969.

Na sequência da revolução de Abril de 1974 e da nomeação daquele como notário, partiu para Lisboa. Só então concluiu o curso, tantas vezes adiado ora por questões políticas, ora pelo nascimento dos filhos. 
 
Na capital, retomou as ligações partidárias, leccionou no Liceu Passos Manuel a disciplina de Introdução à Política e exerceu, por escasso tempo, a advocacia num escritório particular. 
 
O quarto volume de Presos Políticos no Regime Fascista insere cópia da sua “Biografia Prisional”, incluindo as três habituais fotografias enquanto presa política; e Vanda Gorjão entrevistou-a para o seu trabalho Mulheres em tempos sombrios. Oposição feminina ao Estado Novo, citando-a com frequência. Trata-se, aliás, de uma obra imprescindível para compreender o percurso pessoal, político e profissional de Maria Fernanda Silva, bem como das mulheres oposicionistas da mesma geração. 
 
[João Esteves]''
 
 
Alinhavo umas notas que acrescentarei, pormenorizadas, quando houver tempo. Não é claro o seu afastamento da política entre 1951 e 1975. Fernanda Silva foi de facto a líder do MDP-CDE abrantino entre pelo menos 1973 e as primeiras eleições para a Assembleia Constituinte em 25-4-1975.
E conduziu o MDP local (e também o PCP) numa linha ortodoxamente dura. Maria Fernanda Silva estava longe de qualquer desvario euro-comunista
Nessas eleições o seu marido, o saudoso Dr.Orlando Pereira, candidato pelo MDP no Distrito de Santarém não foi eleito e houve uma estrondosa vitória do PS, encabeçado por Maria Barroso.
E saiu eleito  Manuel Dias, por Abrantes, porque à ultima hora o candidato abrantino previsto, um conhecido Advogado, desistiu.
Cabe ao ilustre causídico contar essa história um dia destes.
ma
 


publicado por porabrantes às 20:59 | link do post | comentar

Sexta-feira, 11.11.11

Acaba e bem a CM do Sardoal de homenagear o farmacêutico local, Sr.Dr. Passarinho falecido recentemente com mais de 90 anos pelos bons serviços ao concelho.

 

Quem conheceu o homem de bem e o cidadão divertido que foi o benemérito Dr.Passarinho sabe que a homenagem é merecida.

 

Alem da sua profissão, foi Provedor da Santa Casa, Presidente da Câmara e depois do 25 de Abril militante do CDS.

 

Já não me lembro se chegou a candidatar-se ou a ter algum cargo político depois do 25 de Abril.

 

Para saberem essas coisas remeto o leitor para os sítios especializados como o magnífico blogue ''Sardoal com Memória'' ou para o interessante boletim municipal da CM Sardoal, onde podem pesquisar.

 

Apesar do dr.Passarinho estar ligado pela família materna a ilustres militares, algum dos quais desempenhava funções governamentais no último governo de Marcello Caetano e  ter sido presidente deste a primavera caetanista até ao 25 de Abril, tinha sido salvo erro membro nos anos 40 do MUD-Movimento de Unidade Democrática, estrutura frentista da Oposição anti-fascista, a que pertenceram também no caso abrantino: dr. Correia Semedo,  arq. Duarte Castel-Branco (que também terminou no CDS), Afonso Campante (que terminou em Caxias, depois do 25 de Novembro e era próximo do PCP),  médico dr. João de Matos (, dr. Costa e Simas (fundador do PPD de Abrantes), dr. José Vasco e mulher (próximos do MDP), dr. Vergílio Godinho, advogado e escritor, dr. Orlando Pereira e a mulher drª.Fernanda Pereira (próximos do PCP. O dr. Orlando foi derrotado em 25 de Abril de 1974 quando era candidato do MDP pelo PS do dr.Eurico Consciência, que fez eleger deputado Manuel Dias),   Roberto Palma, Moisés Feijão (que acho que foram conhecidos comerciantes da praça abrantina) e surpresa das surpresas o causídico dr. Aníbal Ribeiro Martinho, a quem já conheci como o mais tonitruante anti-abrilista da praça (Raimundo Soares, porque vivia lá ao lado) abrantina e também filiado no CDS.

 

Prova da costela anti -fascista do dr. Passarinho é a saborosa crónica que se publica, retirada do Mirante, com a devida vénia:

 

II Congresso da Casa do Ribatejo, realizado no sábado, foi pródigo em gaffes e ideias peregrinas 
fotoSalazar aclamado no Sardoal 

Oliveira Salazar foi aclamado e houve quem quisesse pôr os militares a apanhar azeitona. Situações vividas na sessão do Congresso do Ribatejo realizada no Sardoal.
O tema era sério – o desenvolvimento económico do interior ribatejano – mas os participantes do III congresso promovido pela Casa do Ribatejo no sábado, no Sardoal, saíram da sala às gargalhadas.
Depois das intervenções mais sérias, a chacota começou quando, durante o debate, um ex-presidente da câmara, ilustre farmacêutico da vila, avançou com a ideia peregrina de se requisitar os militares para a apanha da azeitona.
Um sugestão que levantou um coro de risadas entre a assistência mas que Álvaro Passarinho mantém de pé. “Todos os anos a azeitona fica no chão porque não há gente para trabalhar na sua apanha, preferem estar em casa a receber o subsídio de desemprego”, acusa o farmacêutico, adiantando que ninguém parece ver que isso traz um “enorme prejuízo para a Nação”.
“No meu tempo de presidente da câmara (1968/74) pedi ao Governo para mandar aqui para o Sardoal militares para auxiliarem nos incêndios. Responderam-me que não, que tinham de defender os quartéis”, refere o farmacêutico a O MIRANTE, com a autoridade concedida pelos seus 85 anos.
Hoje, diz, se as câmaras se empenhassem, “podiam expor esta ideia lá em baixo, junto dos membros do Governo”, acreditando que qualquer militar não enjeitava a ideia de ganhar o salário de um trabalhador rural em cima do ordenado estatal. “Um homem à jorna já ganha dez contos (cinquenta euros)”.
Apesar da garra com que a defendeu, a ideia não foi lá muito bem acolhida entre a assistência. “No século XXI isso é perfeitamente descabido”, considerou ao nosso jornal o presidente da Casa do Ribatejo, Mora de Campos.
O mesmo que levantou a maior gargalhada do dia ao terminar a sua intervenção com uma saudação salazarista – “Viva o Ribatejo, viva o Sardoal, viva Salazar”. 
“Foi um lapso”, disse a O MIRANTE Mora de Campos, adiantando que a “coisa” deu-se no calor do momento. “Quando estamos empolgados fazemos coisas destas. Foi motivo de risota, mas não mais que isso”, considera o presidente da Casa do Ribatejo.
Que diz não ter qualquer ideologia salazarista. “Por amor de Deus, eu até fui candidato à Câmara do Sardoal pelo Partido Socialista”, informa.
Quem não achou muita piada aos vivas a Oliveira Salazar foi Álvaro Passarinho. “Nunca fui salazarista, combati-o, e fui vigiado pela Pide, tenho documentos a comprová-lo”, diz, não acreditando que Mora de Campos quisesse mesmo dizer aquilo. “Saiu-lhe...”.


o Mirante 6-7-2005

 

 

Marcello de Noronha

 

Créditos: Para a lista dos filiados do MUD servi-me parcialmente do publicado pelo Eduardo Campos na Cronologia de Abrantes no Século XX. E ainda Mário Semedo, artigo no Ribatejo sobre a Oposição em Abrantes na época de Delgado, já aqui reproduzido. 

 

Um dia destes espero conseguir a lista completa, graças à memória do ar. Duarte Castel-Branco e a papelada dispersa que tenho de organizar. E se escrevesse ao dr. Mário Soares para me ajudar????

 

     



publicado por porabrantes às 16:01 | link do post | comentar

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