Quarta-feira, 01.05.19

O Martinho Gaspar dispara '' (...) A Metalúrgica Duarte Ferreira (MDF), de Tramagal,  é uma realidade especialmente curiosa, porquanto se afasta daquilo que os historiadores defendem a propósito do desenvolvimento industrial português na transição do século XIX para o século XX: fábricas criadas por famílias abastadas ou por estrangeiros. O pioneirismo de Eduardo Duarte Ferreira fez deste um fenómeno único (...)''

no Médio Tejo

Dentro das suas proporções a MDF é um fenómeno industrial importante, mas o capitão de indústria Eduardo Duarte Ferreira está longe de ser um fenómeno único.

narciso

Narciso Ferreira revolucionou o Vale do Ave

Como dizia Filomena Mónica '' "Começara vendendo os panos que ele próprio fabricava pelas feiras dos arredores de Riba de Ave onde tinha nascido." Com o dinheiro que foi poupando montou uma pequena fábrica manual de tecidos. Deu-se bem e quando morreu ostentava o título do maior industrial português do ramo têxtil. '' (citado no DN)

 

O filho também Narciso era o mais rico de Portugal nos anos 60. O irmão dele, Raul era proprietário da Quinta das Amendoeiras em Abrantes, comprada aos herdeiros de Senhora D. Clemência Dupin.

O Narciso II era na prática o dono do BPA.

Se procurar mais empresários  que vieram de famílias pobres, self-made-men à lusitana, lembro-me de outro logo, ainda no dezanove, um que vendia lotarias e que está na origem do BES. 

Finalmente diz o Gaspar que a MDF teve problemas com a Ditadura nos anos 30, ora os problemas foram com a crise económica de 1929.

A Ditadura acarinhou e protegeu a MDF  e algum Duarte Ferreira foi membro activo da UN.

mn

foto da Fundação Narciso Ferreira

vídeo do Tiago Carvalho tudo com a devida vénia

 

 



publicado por porabrantes às 14:50 | link do post | comentar

Sábado, 30.04.16

Cada véspera de 1º de Maio, o Gaspar e o poder autárquico procedem ao rito canónico de canonizarem Eduardo Duarte Ferreira, já tornado Comendador pela Ditadura.

Toda a gente sabe que o homem foi um grande industrial, saiu duma família remediada (o suficiente para mandar estudar o filho mais velho que foi boticário no Rocio d'Abrantes, em Farmácia que ainda leva o seu nome), foi um patrão paternalista e que na política alinhou com o grupo estado-novista de Manuel Fernandes ou seja foi adversário de Henrique Augusto Silva Martins.

Por isso quando explicam que a luta entre o clã do Martins e o clã dos Moura Neves foi uma guerra entre ''industriais'' e ''agrários'', estão a fazer o ridículo, porque com Manuel Fernandes estavam os patrões da MDF e das Fundições do Rossio, os Soares Mendes.

Também me explicam que os herdeiros do Comendador continuaram unidos a saga industrial, quando houve ainda em vida dele uma monumental guerra de partilhas, que andou pelos tribunais.

Terei pachorra para a abordar, hoje?

Com documentos na mão?

Não sei.

Quais foram as relações do Comendador com  a PVDE?

Boas ou más? Caso a estudar

 

Mas o que abordo já é isto:

'' A Metalúrgica Duarte Ferreira (MDF), de Tramagal, é uma realidade especialmente curiosa, porquanto se afasta daquilo que os historiadores defendem a propósito do desenvolvimento industrial português na transição do século XIX para o século XX: fábricas criadas por famílias abastadas ou por estrangeiros.''

Diz o Senhor Dr.Martinho Gaspar. sábio e eloquente.

Ora, um homem com relações familiares com Abrantes, fez muito mais inovação que o Duarte Ferreira, empregou muito mais gente, marcou todo o Norte, e ganhou muito mais dinheiro e naturalmente foi muito poderoso.

Narciso Ferreira.jpg

Foto : CM de Vila Nova de Famalicão

 

O Narciso Ferreira saiu duma família pobre de rurais minhotos e chegou a ser um dos grandes capitães da indústria lusa. O filho, o Delfim, 1º Conde de Riba d'Ave foi dono do BPA e seguiu a saga. Ambos ( o Narciso e o Duarte Ferreira) montaram um sistema de paternalismo operário à moda do catolicismo social pregado pela Igreja do tempo.

O Narciso teve uma infelicidade, a que foi poupado Eduardo Duarte Ferreira, era órfão e começou a trabalhar cedo para sustentar a mãe e os irmãos.

Portanto cuidado com essa coisa de dizer que o Eduardo Duarte Ferreira foi caso excepcional. O Presidente da CM de Vila Nova de Famalicão poupa-nos a dizer que o caso do Narciso foi excepcional. Houve mais casos no Minho e noutras bandas, de industriais saídos de famílias rurais que  modernizaram Portugal.

narcisoferreira.jpg

 

Embora nenhum tenha tido um filho tão rico, como Delfim Ferreira, Conde de Riba d'Ave. O outro filho dele o Raul Ferreira, que tinha uns jardineiros de Casais de Revelhos, morreu na Casa de Saúde de Abrantes. Falei com a viúva do jardineiro, a Soledade, ainda prima da Menina Pintasilgo.

Lembra-se do Patrão Raul?

Lembro-me muito bem.

Já agora a foto do sócio tramagalense do Raúl.

luís pimenta bairrão 1959.jpg

Onde? Nuns coutos de caça abrantinos. A foto é de 1959.  

ma

fotos CM de V.N, de Famalicão, Património Industrial do Vale do Ave; Grémio da Lavoura de Abrantes (Lavrador Bairrão)



publicado por porabrantes às 13:20 | link do post | comentar

Quarta-feira, 11.11.15

helena bandos  fina da armada.jpg

A Drª Helena Bandos, ex-deputada municipal, resolveu cantar loas a este livro.

Fomos comprá-lo.

Há meia dúzia de páginas abrantinas sobre D.Clemência Dupin, grande industrial e política fascista e ainda sobre o seu marido, o Coronel Alfredo Balduíno de Seabra.

clemência.png

 A autora, a distinta ovnilóloga, Fina da Armada, sustenta que a D.Clemência era muito revolucionária porque não usava chapéu.

 

clemência 2.jpg

Mas a D.Clemência foi à C.Corporativa enchapelada, pela época qualquer Senhora saía à rua sempre com o chapéuzinho.

O livro tem coisas interessantes, a  Fina teve para a investigação histórica a colaboração da Srª Drª  Maria Santiago, formada em Germânicas, da Anadia.

Disserta a Fina sobre uma propriedade rural, a Quinta das Amendoeiras, no Rocio, que foi da D.Clemência e onde morreu o Coronel Alfredo Balduíno de Seabra, em 1938.

clemência 3.jpg

 

 A descrição que faz a D.Fina é absurda. Não se pode dizer que uma propriedade é muito grande porque tem muitos artigos matriciais. Pode-se dizer que uma propriedade é extensa porque tem muitos hectares, e a dita quinta teria ao tempo da Clemência uns 50 ou 60 hectares.

Para a parte sul do Concelho não é uma grande propriedade, nem sequer média. Na Bemposta ou em S.Miguel são vulgares Herdades de centenas de hectares e há alguma a ultrapassar o milhar de hectares.

Mesmo no Norte do Concelho, já zona de propriedade mais repartida, as terras do Conde de Alferrarede ultrapassam as centenas de hectares e a família Pais do Amaral vendeu e deu muito (por exemplo 5 hectares ao CRIA) ao longo do último século.

Descreve depois a Dona Fina a dita Quinta, como tendo um edifício senhorial, capela, etc e atribui essas construções à D.Clemência.

Acontece que, como está publicado, desde os anos 50, por Diogo Oleiro, tudo o que se encontra de notável naquela Quinta, é obra dum importante empresário nortenho, o Comendador Alfredo Ferreira,

Comendador_Alfredo_Ferreira_medium.jpg

 um grande industrial têxtil, que se apaixonou por Abrantes, mais exactamente pela caça às lebres em corricão´, com galgos e cavalos.

mundo canino 1972.png

 

Alfredo Ferreira associou-se a outros caçadores abrantinos (e não  só) e manteve um importante couto de caça na Bemposta. Um dos sócios dele, nesta actividade era o lavrador Luís Bairrão do Tramagal.

bairaao album 13.jpg

 Alfredo Ferreira, era um barão do têxtil de Riba d'Ave, filho do homem que modernizou aquela região em finais do dezanove, revolucionando a paisagem industrial, o Narciso Ferreira.

Foi ele o pai da indústria têxtil e da electrificação no Norte de Portugal.

Não saber quem foi o Narciso Ferreira, é não saber nada de história económica portuguesa, especialmente grave quando  se é do Norte.

Qualquer pessoa de lá, sabe que o Narciso foi tão importante (ou mais), que o Cupertino de Miranda ou o Amorim.

Por curiosidade, direi que o Alfredo Ferreira escolheu como seu capelão particular um dos melhores copos da região, o meu amigo Padre Oliveira. 

Outras personalidades conhecidas desta família foram Raul Ferreira (irmão mais novo do Comendador Alfredo), 1º Conde de Riba d'Ave (título papal) e outro dos seus  irmãos, Delfim Ferreira, que quando morreu em 1960, era só o homem mais rico de Portugal  e quase o dono do BPA-Banco Português do Atlântico.

Alfredo Ferreira vinha de Sevilha para Abrantes, em 1958, quando teve um problema cardíaco. Foi internado na Casa de Saúde e transferido para o Porto, foi morrer à sua Riba d'Ave..

Portanto à Dona Clemência o que lhe cabe, ao Comendador Ferreira o que construiu.

qta amendoeiras.jpg

 Abrantes, o Nosso Concelho, coordenação de Diogo Oleiro

 

Finalmente como é dia de São Martinho, publicamos foto da cacique, em traje regional, visitando a dita Quinta, para um magusto.

14 de novembro 2009 céu quinta.jpg

Estava mais nova, era 2009.

ma

 

créditos:

Livro de Fina D'Armada

Helena Bandos: Rádio Oficiosa 

Comendador Ferreira: página de genealogia

Cacique: Escuteiros do Rocio

Informação sobre o Sr. Ferreira: Maria Soledad Ruivo da Silva

Luiz Bairrão : foto divulgada no facebook/grupo Tramagal 

 Abrantes, o Nosso Concelho, coordenação de Diogo Oleiro

 D.Clemência: Torre do Tombo/o Século

Caça: Mundo Canino, 1972

 



publicado por porabrantes às 19:07 | link do post | comentar

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