Segunda-feira, 25.07.11

Pressões, mentiras e televisão

NUNO SARAIVA


por NUNO SARAIVA23 Julho 201129 comentários

Começo por esclarecer que não conheço Bernardo Bairrão. Nunca falei sequer com ele. No entanto, o seu "despedimento" do Governo para onde nunca chegou a entrar continua, para mim, um mistério absoluto. Não me assusta o facto, que considero aliás normal, de que alguém seja objecto de escrutínio na sua vida profissional quando está prestes a assumir funções relevantes de carácter público, como era o caso.

Nos Estados Unidos, por exemplo, não há membro da Administração que não seja vasculhado pelo FBI antes de tomar posse. E, mesmo assim, os escândalos acontecem.

Em Portugal, porém, a lei proíbe terminantemente que os serviços de informações possam ser utilizados para fazer este tipo de recolha. Ainda bem que assim é, uma vez que estes processos devem ser, a bem da democracia e do Estado de Direito, transparentes e públicos. O primeiro-ministro e o ministro dos Assuntos Parlamentares já negaram, de forma veemente, qualquer tipo de pedido às secretas para que elaborassem um relatório sobre Bernardo Bairrão, o ex-futuro secretário de Estado. Os chefes dos "espiões" recusaram também, de modo categórico, qualquer tipo de investigação sobre a vida do ex-administrador da Media Capital. O presidente da Comissão de Fiscalização das Secretas, Marques Júnior, meteu o assunto na gaveta, dizendo-se tranquilo com as explicações dadas publicamente por quem teria mandado investigar e por quem teria investigado.

Mas perante os factos relatados com detalhe pelo Expresso, em duas semanas consecutivas, creio que há tudo menos razões para tranquilidade. Desde logo porque, por maior ou menor que fosse a ilegalidade cometida - que a ter existido seria grave -, nunca ouvi ninguém que tivesse violado a lei assumir que o fez. Mas mais preocupante é não sabermos de todo o que levou à retirada de Bernardo Bairrão da lista entregue a 27 de Junho de manhã por Pedro Passos Coelho ao Presidente da República. Aquilo que sabemos, e nunca foi negado, é que uma jornalista, Manuela Moura Guedes, terá movido céus e terra para "queimar" o seu inimigo Bairrão. Que os patrões de um grupo de media, Nuno Vasconcelos e José Eduardo Moniz, terão feito saber do seu intenso descontentamento com a escolha que havia sido feita e tornada pública. E que, perante tudo isto, o primeiro-ministro terá cedido em poucas horas.

Tudo somado, temos que um cidadão, Bernardo Bairrão, ficou com o seu nome enlameado pela intriga e pela suspeita de que terá no seu currículo negócios pouco claros. Que, por detrás de toda esta trama, estarão, eventualmente, os interesses que se jogam com a privatização da RTP. E o que sobra é apenas e só a palavra dos actores deste filme menor. Ou seja, de uma hora para a outra surgiram razões pessoais que nunca antes tinham sido impedimento, nem para a concretização do convite nem, muito menos, para a sua aceitação. Em democracia não pode valer tudo. Os cidadãos, todos eles, têm direito ao bom nome e a que este não esteja à mercê dos objectivos particulares deste ou daquele grupo de pressão. E, neste caso, considerando que alguém mente, não sabendo nós em que parte da nebulosa história, há mais do que matéria para uma comissão de inquérito parlamentar.

Por fim, sou do tempo em que eram os governos e os políticos que pressionavam a comunicação social. Sempre foi assim. O que este caso revela é que entrámos numa nova era: a da comunicação social a pressionar um primeiro-ministro. E o pior é que ele não foi capaz de resistir.
com a devida vénia retirámos este artigo do D. de Notícias e acrescentámos para melhor compreensão a 1ª página da última edição do Expresso
Miguel Abrantes 


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