Segunda-feira, 02.12.13

O nosso amigo sotnas  disse sobre Pires Veloso: Eanes não fez nada no Domingo, 1 de Dezembro de 2013 às 22:30:

 

     

Tive o grato prazer de ter privado na vida militar (estava na central de transmissões do QG da RMN) com este senhor e com os outros 2 antecessores no cargo Brigadeiro Passos de Esmeriz, Brigadeiro Eurico Corvacho, o primeiro duro e disciplinador um Comandante na verdadeira acepção da palavra que depois provou na GNR, o segundo um esquerdista nato mais baldas com um complexo de ser de baixa estatura, mas um homem de convicções, mas influenciável, Pires Veloso Tb um comandante a sério sem ser duro mas determinado não era fácil ser comandante numa altura daquelas em que qualquer soldado dos SUV's vs Copcon mandava mais que um oficial...

 

 

Caros amigos:

 

Por razões de agenda estamos com alguns comentários atrasados. Temos estado a dar apoio ao António Castel-Branco que está muito preocupado com a situação na Ucrânia onde tem familiares e dá aulas. Esperamos que os democratas desse país esmaguem nas ruas um governo vendido ao Coronel Putin. 

Um dia destes vamos publicar uma foto do António a civilizar os eslavos. Regressando ao amigo Sotnas agradecemos este comentário que é um precioso testemunho sobre esse grande militar chamado Pires Veloso.

 

 

Um abraço

Miguel Abrantes



publicado por porabrantes às 21:46 | link do post | comentar

Sábado, 30.11.13

Correio da Manhã

 

 

Ramalho Eanes não fez nada”

Pires Veloso, comandante da Região Militar do Norte, de 1975 e 1976, vai publicar as memórias dos meses de brasa que se seguiram ao 25 de Abril.

  • 20 de Novembro 2008, 00h30
  • Nº de votos (0)
  • Comentários (5)

Por:Manuel Catarino

 

 

''Correio da Manhã – O livro é um ajuste de contas?

Pires Veloso – Não é. Acontece que, como dizia Galileu, a verdade é filha do tempo. Já passou o tempo suficiente para eu publicar as minhas memórias e fazer revelações.

– Como é que chegou ao comando da Região Militar do Norte?

– Regressei de São Tomé, fui o último governador, e fiquei em Lisboa a terminar o relatório. Era coronel. No dia 12 de Setembro, fui chamado ao chefe do Estado--Maior do Exército, Carlos Fabião, que me disse: ‘Tem aqui uma guia de marcha, é graduado em brigadeiro e vai comandar a Região Militar do Norte’.

– Não estranhou o convite? A avaliar pela situação política, devia ter sido escolhido um militar de esquerda.

– Perguntei ao Fabião: porquê eu? Ele respondeu-me que o comandante da altura, o Corvacho, estava a ser muito contestado pela maioria dos oficiais das unidades do Norte, que pediram que fosse eu a substituí-lo. Avisou-me que outros oficiais não queriam deixar sair o Corvacho, estavam muito revoltados e que eu teria muita dificuldade em entrar no quartel-general.

– Aceitou o convite à primeira?

– Nem pestanejei. E disse-lhe: Ó meu general, já que não posso passar pela porta de armas, arranje-me um helicóptero e eu entro por cima.

– Aterrou na parada?

– Embarquei num helicóptero, em Lisboa, e sobrevoei o quartel--general. Mas estava tudo calmo. Não valia a pena descer na parada. O helicóptero aterrou no aeroporto, mandei vir um carro e fui para o quartel-general. Entrei nas calmas.

– Qual foi a sua primeira acção?

– Mandei reunir uma coisa que havia nessa altura, que era a Assembleia Democrática de Unidade. Apresentei-me: ‘Meus senhores, sou fulano, não me interessa a política, estou aqui para disciplinar as unidades doNorte’.Nos três dias seguintes, visitei todas as unidades: fui cheirar, tomar o pulso aos quartéis. Eu até julgava que as coisas estavam mais ou menos. Enganei-me.

– Foi mal recebido?

– Ninguém me enxovalhou. Nem eu consentia. Mas aquilo nem parecia tropa. Encontrei as unidades numa rebaldaria. Oficiais e sargentos nem divisas usavam: eram todos iguais. Os quartéis estavam de patas ao ar. Um mês depois, as principais unidades estavam disciplinadas.

– Gosta de ser recordado como o vice-rei do Norte?

– Foi o povo que me pôs esse cognome. Tenho muito orgulho nisso. Eu corria toda a região e procurava sempre resolver os problemas a bem do povo.

– Qual é a sua versão sobre o 25 de Novembro de 1975?

– O Partido Comunista queria tomar o poder. Na noite de 24 para 25 de Novembro, militantes da UEC e da JCP estavam em casa à espera que lhes distribuíssem armas para saírem para a rua. Quem me confirmou isto foi a Zita Seabra. Mas à última da hora, o Cunhal, que dias antes tinha falado com o Costa Gomes, mandou desmobilizar toda a gente. O Costa Gomes fez-lhe ver que ele perdia. Eu já tinha aqui no Norte pelo menos dois mil homens disciplinados. O Jaime Neves avançou com os ‘comandos’ e neutralizou as unidades de Lisboa que apoiavam o Partido Comunista.

– Sabia que ia ser desencadeado um golpe em 25 de Novembro?

– Não sabia o dia. Só sabia que ia haver qualquer coisa. A minha preocupação desde a primeira hora foi preparar a Região Militar para qualquer eventualidade. É por isso que eu digo que em finais de Novembro tinha dois mil homens em armas.

– Qual é a grande revelação que faz no livro?

– Denuncio, por exemplo, uma mentira que tem sido alimentada há 33 anos. Corre que o então tenente-coronel Ramalho Eanes comandou toda a acção militar de 25 de Novembro. Eanes não fez nada. Se fosse um homem de carácter já se teria demarcado publicamente desta mentira. Quem comandou o 25 de Novembro foi o Presidente da República, general Costa Gomes. Jaime Neves cumpriu ordens do Presidente – de mais ninguém. Ramalho Eanes é um bluff. Ainda por cima aparece como um herói nos livros escolares, o que não posso aceitar.

– Cortou relações com Ramalho Eanes na altura do 25 de Novembro? Ele foi depois seu chefe e Presidente da República.

– Não. Sempre o apoiei. Eanes na altura era adjunto do Vasco Lourenço no comando da Região Militar de Lisboa. Quando se chegou ao dia 27, o Eanes, um desconhecido, é feito chefe do Estado-Maior do Exército. Eu sei que ao Vasco Lourenço lhe custou ter sido ultrapassado pelo Eanes. Um dia, perguntei ao Vasco Lourenço: Ó pá, então ele era teu adjunto e ultrapassou-te? E o Vasco Lourenço disse-me que aquilo lhe tinha custado muito, mas que não quis fazer barulho. O Vasco Lourenço é um homem de grande categoria: é inteligente e corajoso.

"GOVERNO NO NORTE"

CM – Qual foi o contributo da Região Militar do Norte no 25 de Novembro?

Pires Veloso – Eu tinha aqui dois mil homens prontos para o que fosse preciso. Se a acção militar falhasse em Lisboa, seria a guerra civil. Os partidos democráticos (PS, PPDe CDS) viriam para o Norte e aqui formariam Governo.

– As tropas fiéis ao Partido Comunista tentaram atacar alguma unidade do Norte?

– Eu tinha no meu gabinete do quartel-general um posto de rádio em ligação permanente com a Base de Cortagaça. A dada altura, ainda no dia 25 de Novembro, sabe-se no quartel-general que os fuzileiros se preparavam, a partir de Vale do Zebro, para avançar sobre Cortegaça. Eu dei ordem para carregarem os aviões com bombas. Os fuzileiros seriam bombardeados do ar. Eles souberam da minha reacção e desistiram do ataque a Cortegaça.

– O Partido Comunista devia ter sido ilegalizado?

– Ilegalizado não. Mas devia ter sido contido.

– Como é que se contém um partido legal em democracia?

– Há muitas maneiras de actuar. Não seria à marretada. Mas há um limite de ordem que é preciso impor. Quando eu fui comandante da Região Militar do Norte, por exemplo, a tropa tinha de ir resolver problemas porque a polícia tinha medo. E perguntavam-me como deviam actuar. Dizia-lhes para começarem a bem. Só depois, em último recurso, passavam à acção: se não forem respeitados, batam com muita força.

"DOU NOTA MÁXIMA A MÁRIO SOARES"

CM – Classifique Mário Soares com uma nota entre 0 e 20.

Dou-lhe um 19. Não se dá 20 a ninguém. Dezanove é como se fosse a nota máxima.

– Spínola?

– Dou-lhe um 11, porque a certa altura fugiu.

– Costa Gomes?

– Homem muito inteligente, que fazia o seu jogo. Um 12.

– Sá Carneiro?

– Merece um 17.

– Álvaro Cunhal?

– Dou-lhe um 5.

– Otelo?

– Um inconstante. Dou-lhe 8.

– Jaime Neves?

– Dou-lhe um 18.

PERFIL

O Major-General, Pires Veloso, 82 anos, nasceu em Folgosinho, Gouveia. É filho de um casal de professores do ensino primário.Tem um irmão e duas irmãs. Escolheu a vida militar para começar a ganhar mais cedo e assim aliviar o orçamento familiar. A acção no comando da Região Militar do Norte deu-lhe fama de duro militarão. Quem o conhece desse tempo diz que é uma imagem falsa: Pires Veloso dizia que a grande qualidade de um militar é ser humano e generoso. Garante que não guarda rancor a ninguém: "Se ataco Eanes, é para repor a verdade". Empurrado por amigos, escreveu as memórias: ‘Vice--rei do Norte; memórias e revelações’.

CRONOLOGIA

1949

É mobilizado para a sua primeira comissão militar – em Macau. Tinha então o posto de tenente. Regressou à Metrópole em 1951.

1961

Começa a cumprir a primeira comissão em África – Angola. É capitão, oficial de operações do Batalhão de Infantaria 325.

1964

Mobilizado para Moçambique, como comandante de uma companhia do Batalhão 598. Presta serviço em Niassa e Lourenço Marques.

1968

Cumpre uma segunda comissão em Moçambique, entre 1968 e 1970. É major. Fica colocado no quartel-general, em Nampula.

1972

É mobilizado para a terceira comissão em Moçambique, que termina em 1974. Comanda o Agrupamento 6001, em Cabo Delgado.

1975

Foi o último governador de S. Tomé. Regressa a Lisboa. Nomeado comandante da Região Militar do Norte – até 17 de Nov. de 77.

1980

Candidatou-se à Presidência da República. Fê-lo, sobretudo, contra Ramalho Eanes. Pires Veloso teve escassos 0,78 por cento.

SOBREVIVENTE

Em 8 de Junho de 1976, Pires Veloso escapou a um desastre de helicóptero. Quatro dos seis ocupantes morreram carbonizados. Pires Veloso, gravemente ferido, passou três meses no hospital.''

 

Com a devida vénia do Correio da Manhã

 

NR-Sublinhados nossos. Face ao coro da direita absurda desferindo insultos a Mário Soares é de perguntar: onde é que estavam em 1975? No Brasil ou em Badajoz?

 

Que tenha de ser um homem da direita radical a dar 19 a Soares, um homem da Direita que resistiu em 1975 e que não fugiu como Spínola ou não andou metido em cowboyadas pindéricas no 11 de Março de 1975 já de si diz quase tudo.

 

Comparem o que diz Veloso sobre Eanes com o que afirmou Vasco Lourenço nas suas memórias sobre Eanes.  Liguem as coisas. Os consensos são próprios da sociedade civil, a verdade anda sempre mais próxima da dissidência.

 



publicado por porabrantes às 16:15 | link do post | comentar

ASSINE A PETIÇÃO

posts recentes

O senhor General Pires Ve...

Pires Veloso: Eanes não ...

arquivos

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

tags

25 de abril

abrantaqua

abrantes

alferrarede

alvega

alves jana

ambiente

angola

antónio castel-branco

antónio colaço

antónio costa

aquapólis

armando fernandes

armindo silveira

arqueologia

assembleia municipal

bemposta

bibliografia abrantina

bloco de esquerda

bombeiros

brasil

candeias silva

carlos marques

carrilhada

carrilho da graça

cavaco

cdu

chefa

chmt

cidadão abt

ciganos

cimt

cma

cónego graça

constância

convento de s.domingos

cria

diocese de portalegre

duarte castel-branco

eucaliptos

eurico consciência

fátima

fogos

gnr

grupo lena

hospital de abrantes

hotel turismo de abrantes

humberto lopes

igreja

insegurança

ipt

isilda jana

jorge dias

jorge lacão

josé sócrates

jota pico

júlio bento

justiça

mação

maria do céu albuquerque

mário semedo

mário soares

mdf

miaa

miia

mirante

mouriscas

nelson carvalho

nova aliança

património

paulo falcão tavares

pcp

pego

pegop

pina da costa

portugal

ps

psd

psp

rocio de abrantes

rossio ao sul do tejo

rpp solar

rui serrano

santa casa

santana-maia leonardo

santarém

sardoal

saúde

segurança

smas

sócrates

solano de abreu

souto

teatro s.pedro

tejo

tomar

touros

tramagal

tribunais

tubucci

todas as tags

favoritos

Passeio a pé pelo Adro de...

links
Novembro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30


mais sobre mim
blogs SAPO
subscrever feeds