Domingo, 05.01.20

luz punhete

povo da vila no último quartel do século XIX
 
Punhete: de um TE DEUM na Matriz

à citação da «República» em.... 1820

No dia 16 de Janeiro de 1868, segundo as actas, ao receber-se em Constância (então Punhete), passo a citar, «a notícia da revogação da ominosa lei", todos os habitantes desta vila, "sem distinção de classes ou de política", diz o escrivão, "levantaram um grito de alegria, que manifestava pura e sinceramente o estado de uma alma. Nesse dia, o povo percorreu as ruas da vila, dando calorosas vivas a Sua Majestade, El Rei D. Luís Primeiro, e à Ilustre Casa de Bragança». Motivo?
Trata-se aqui da restituição do arquivo municipal o qual, em execução da lei de administração civil, fora removido para a então vila de Abrantes.
O Concelho de Constância tinha sido suprimido pela primeira vez (a segunda supressão viria a acontecer em 1895) e anexado ao de Abrantes, pelo decreto de divisão territorial.

«Na manhã daquele dia o povo da vila e da freguesias rurais enchia a praça pública, que se achava cercada de bandeiras. Eram dez horas, achando-se
o presidente e vereadores na sala das sessões da câmara (…) todos na suas respectivas repartições, quando deram entrada nesta vila, acompanhados por uma banda filarmónica marcial, e seguidos por um grande número de homens do povo, os arquivos do município.
À sua chegada subiram ao ar inúmeros foguetes, e o povo rompeu em calorosas vivas e aclamações de entusiasmo pela independência deste concelho.»




Recebidos que foram os arquivos, ficou também exarado que «todas as autoridades eclesiásticas, administrativas e judiciais, os empregados públicos e o povo, dirigiram-se logo à igreja matriz
desta freguesia, onde se cantou um solene Te Deum em acção de graças pela reintegração do Concelho de Constância.»

Na acta, em plena descrição eufórica, fala-se dum «estado de uma alma», a do povo de Constância. Porém, cerca de trinta anos mais tarde aquando da segunda supressão do concelho, face à apatia da população, seria graças à intervenção poética de um funcionário das finanças que o povo acordaria para a necessidade de restaurar o concelho e, diga-se em abono da verdade, foi o Conde de Arnoso que terá metido uma cunha ao Rei Dom Carlos. O pedido escrito da população entregue ao monarca foi a formalidade. Estes factos ouvi-os ao cronista Joaquim dos Mártires Neto Coimbra de saudosa memória o qual os registou na sua monografia da vila.
 
Citação da «República»

Na acta  o escrivão interino, como que em post-scriuptim (?) pôs ainda a população a dar «vivas à carta constitucional». Em artigo anterior já publicado por este jornal, de minha autoria, dei conta de uma série de factos que entendo, abonam em favor da tese de que a população de Constância foi partidária do Rei Dom Miguel  aquando das lutas liberais. A posição da então câmara de Punhete em 1836 (pedido para adquirir o título de «Notável» em razão de alegados factos ocorridos em Tomar em 1833)  - anote-se que estamos a falar de uma vereação prendada por uma rainha imposta em parte pela força das armas estrangeiras - só se poderia entender ao arrepio da factualidade descrita em registos militares aos quais se acrescenta  a própria memória de Dom Manuel Martinini o «Hespanhol» publicada pela edilidade tomarense p qual, embora residindo na vila de Punhete,  arregimentou milícias fora dela para aclamar a filha do regente que nunca foi aclamado efectivamente rei de Portugal. A Crónica Constitucional do Porto, insuspeita na matéria, coloca a milícia que suspeitamos ser braço armado dos jacobinos, mormente, nos arredores de Punhete; e nós sabemos por outras fontes já reveladas que foi no... Seival,actual concelho de Barquinha que tudo se terá organizado à pressa... com pessoas aliciadas de várias partes.
Sabemos que há actas de Punhete do tempo da chamada «revolução liberal» com citaçóes a Dom João VI e à «carta constitucional», textos completamente riscados. A nossa pesquisa isso constatou. Constatámos, outrossim que num auto de eleição de dois vereadores de 2 de Janeiro de 1820 , por um despacho de um ministro que fica no cartório (cujo nome não se cita ali) «foi mandado «deitar-se pregão por toda a vila, para que todas as pessoas que têm servido na República viessem às Casas da Câmara para votarem em dois vereadores(...)». Pela contagem de votos que ficou exarada estiverem presentes 34 pessoas na votação. Sobre a referência à «República» em 1820, Caetano Beirão na sua História do Estado diz-nos que há provas da projecção de uma constituição duma República Ibérica e adianta que delegados da maçonaria do pais vizinho vieram a Portugal antes de estalar no Porto a dita revolução liberal. Mas há outros autores que dissertam sobre a ideia do iberismo e da república nesta época concreta.  Adiante...
 
Em 7 de Abril de 1821 a câmara de Punhete dirigia.-se ao «Soberano Congresso» nomeadamente da dita sessão  extraordinária resultante da revolução dando «felicidades ao soberano augusto congresso nacional» (ler diário).Havia na época em Portugal o governo militar de Beresford pois a corte estava no Brasil. Aconteceu que no ofício atrás mencionado da câmara de Punhete há uma crítica implícita a esse governo inglês quando se alude ao «monstro da anarquia», adita-se, «por não ter asilo neste harmonioso país».
 
Regressemos atrás....  à data de Janeiro de 1820 da tal eleição de vereadores de Punhete em que se refere em acta a palavra «República» parece que os revolucionários por aqui em terras lusas adoptaram uma constituição provisória espanhola originária do Triénio Constitucional de Espanha. Fracassado o liberalismo nos nossos vizinhos pessoas como Manuel Martinini fugiram de Espanha e vieram para cá prosseguir a sua senda jacobina. Este assentou em Punhete e casou com uma mulher da família Falcão. 
 
Muito está por esclarecer mas, para mim, há uma conclusão óbvia: uma ala radical dos revolucionários, jacobina, acaso partidaria do «Sinédrio» teria adeptos em Punhete ainda que não fossem  todos dali necessariamente originários. Um deles, de Santarém,  teve cargos importantes no Reino e herança de um Conde...
Essa ala jogava nos dois tabuleiros consoante os ventos. É vê-los a participar voluntariamente na chamada «Guarda Nacional» a qual mais tarde não inspiraria grande confiança a Dona Maria II como se vê pela Gazeta de Madrid, excepto alguns casos como o de... Punhete. Algumas elites lutavam pela sua sobrevivência política o que é dizer-se... pela sua sobrevivência económica propriamente dita.
A mim não me interessa tanto a «razão » mas os factos que vão emergindo... Todos os jogos partidários só provam que o ser humano é fraco de convicções e forte em afirmações e que a maçonaria internacional conseguiu o seu objectivo ao afastar com coacção militar o Rei Dom Miguel. Para esta rede não interessava a questão jurídica da sucessão (Dom João VI, que morreu envenenado segundo pesquisa recente científica, não cita o nome do herdeiro no seu testamento), interessava-lhes sim, destruir a Igreja católica. É o Poder. E isto conclui-se, sem tomar partido de causas. Não é necessário chegar a tanto neste escrito.
 
José Luz (Constância)

Nota 1 - In Acta dos acontecimentos dos dias 16 e 21 de Janeiro de 1868, do arquivo da cmc.

Nota 2 – Actualizei a escrita.




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Sábado, 07.12.19

Justiça de Sua Majestade Imperial, o Duque de Bragança e de D.Maria II

 

joão gomes calado

in Crónica Constitucional de Lisboa, 17 de Abril de 1834

in Relação dos indivíduos sentenciados nas audiências no Juízo Correccional do 2º Distrito de 5 a 12 do corrente

Os  Voluntários Realistas de Abrantes eram animado pelo Padre Bairrão do Tramagal, que fora Procurador às Cortes que tinham aclamado o Usurpador, D.Miguel

Outro dos insignes vultos dos Realistas era o futuro malhado Raimundo Soares Mendes

raimundo soares mendes

 

 

 



publicado por porabrantes às 12:58 | link do post | comentar

punhete 1822

Era 28 de Outubro de 1822

dg 1822

1822

uns dias depois 

primeira-constituicao-portuguesa

Esta gente era liberal ou absolutista?

Cá para mim tenho dúvidas

Também tenho dúvidas se D.João VI era liberal ou absolutista...

O monarca foi como Costa Gomes, uma espécie de rolha....

Flutuou durante a procela para ver para que lado caíam as modas......

E como D.João assim fez a maior parte da população do país, que não queria nada com liberais exaltados nem com apostólicos furiosos...

E em Punhete deve ter sido do género....

Sobre este assunto ler o interessante artigo do amigo José Luz https://www.entroncamentoonline.pt/portal/vila-de-constancia-o-apoio-a-dom-miguel/

ma 


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Quarta-feira, 13.11.19

castelo de punheteGravura inglesa, 1817

mn

 


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Domingo, 14.04.19

Retrato

padre sj

(1)

O Padre Luís Gonçalves da Câmara, S.J. foi o confessor de D.Sebastião. O irmão dele, o Valido. Os Câmara estavam muito relacionados com Punhete onde a sua família teria dado asilo ao Épico. Alguns autores dizem que o jesuíta nasceu em Abrantes, outros dão-no por natural da Madeira, onde os Câmara  detinham desde a descoberta um poderoso senhorio feudal.

A historiografia discute há muito a pérfida influência dos Câmara sobre D.Sebastião e a sua pertinaz alergia às mulheres.

O reputado historiador americano, Harold B Johnson, lançou a polémica quando sugeriu que um menino chamado Sebastião foi vítimas de abusos sexuais dum pedófilo militante e jesuíta, chamado Luís Gonçalves da Câmara.

A criança, vítima do acosso dum degenerado, ficou marcada para toda a vida e assim mudou a história de Portugal. Ler o estudo aqui  (inglês).

Em português (resumo)

O livro:

estudos polémicos

 

mn

(1) Augusto Mendes Simões de Castro, Notas acerca da vida e estada de El-Rei D.Sebastião em Coimbra no ano de 1570, citado por José Martinez Torrejón, Los secretos a voces del rey Don Sebastián, in Memória y Civilización, 19, 2016, Universidad de Navarra

 



publicado por porabrantes às 12:20 | link do post | comentar

Sábado, 09.12.17

pd_juromenha2vJoão António de Lemos Pereira de Lacerda, 2.º visconde de Juromenha, foi um grande camoniano. Organizou 7 tomos das Obras Completas de Luís Vaz, precedidas de '' Um ensaio biográfico no qual se relatam alguns factos desconhecidos da sua vida''. O 1º tomo, donde se retira o extracto, saiu na Imprensa Nacional, em 1860. O 7º não chegou a ver o prelo.

Era ele quem mais sabia de Camões no século XIX e quem apurou dados biográficos essenciais do épico.

Para isso não escreveu de cór e foi aos locais.

Adepto da tese que relaciona Punhete com o lugar de exílio do autor dos Lusíadas,visitou Alvega e foi hóspede de D. João de Azevedo Coutinho. 

Deixa-se a saborosa nota da visita

jerumenha

A gravura é do Portugal Dicionário Histórico e no link pode-se ver a biografia deste eminente estudioso das nossas letras.

devida vénia a www.arqnet.pt/

  



publicado por porabrantes às 17:21 | link do post | comentar

Quarta-feira, 31.05.17

vanda.png

Trata-se dum estudo interessante sobre as âncoras encontradas no Rossio ao Sul do Tejo e a análise destes achamentos, integrando-os num contexto histórico-geográfico regional.

Pode ler o texto aqui

A autora publica estas fotos:

âncoras.png

E temos de fazer a pergunta isto é forma de preservar as âncoras, deixando-as expostas à atmosfera?

E a corrosão?

A Autora não cita nenhuma obra da bibliografia abrantina, coisa que demonstra o vazio dos ''eruditos'' locais na análise sobre o Tejo, mas cita naturamente o dr. António Nabais que escreveu muito sobre este assunto. (1)

Só uma crítica, a drª Vanda Luciano data o aparecimento de estaleiros navais na zona de Abrantes no século XVI.

Ora sabemos que já nos inícios do século XV se faziam galeotas em Constância e se fizeram algumas aí das que participaram na jornada de Ceuta.

galeotas.png

Relatório do espião Ruy Diaz de Vega, em 23 Abril de 1415, para o rei Fernando de Aragão.

O relatório foi publicado na Monumenta Henricina, vol I, donde se extrai um extracto.

mn 

(1) Espero ter tempo para falar disso hoje

naturalmente a Junta do Rossio nunca fez nenhum esforço para que este património estivesse na terra onde as acharam



publicado por porabrantes às 12:53 | link do post | comentar

Sexta-feira, 23.12.16

Livro-Negocios-Jesuiticos-o-Cotidiano-da-Administr

 O Prefácio ( de Mary del Prior) diz assim

despeito.png

 Um dos negócios era abrantino e punhetense

O Padre João Tavares, testamenteiro de D.Fernando Martins Mascarenhas de Lencastre, nomeava   nomeava Procurador o Padre Rafael Mendes para entre outras coisas:

 

d.fernando.png

Leiam o livro, que é excelente, para saberem como a Ordem do Papa ficou rica e como os jesuítas foram uns excelentes administradores dos seus capitais.

 

Devida vénia ao historiador brasileiro Paulo da Assunção,  para o excerto citado,  e, como as conversas são como as cerejas, vejam como este painel de Fernão Gomes,

fernão gomes.jpg

provavelmente outrora propriedade dos jesuítas,  foi vendido , por 40.000 euros, num leilão na Cabral de Moncada (donde se extraiu a foto, com a devida vénia), proveniente dum coleccionador de Constância.

 

Não tinha a autarquia de Constância 40.0000 € para impedir a saída da tábua da terra????

fernão 2.png

 

Não  brinquem connosco, o que não tinha a autarquia era técnicos para estarem atentos ao que se passava no mercado da arte e vontade política de defender o património da sua terra.

 

mn   

 

o livro

 

NEGÓCIOS JESUÍTICOS:
O Cotidiano da Administração dos Bens Divinos


de Paulo de Assunção

ISBN 10: 85-314-0799-0
ISBN 13: 978-85-314-0799-4
Formato: 20x27 cm
Nº de Páginas: 512 pp.
Peso: 1155 g




publicado por porabrantes às 23:32 | link do post | comentar

Sexta-feira, 18.12.15

visita imperador.png

Estamos em 1871 e os Imperadores do Brasil viajam pela Europa. Aportam a Lisboa, são recebidos com a pompa e circunstância habitual, embora D.Pedro seja avesso a grandes protocolos.

O Imperador tem 46 anos. Governa Portugal o seu sobrinho  el-Rei D.Luís, que  o recebe em Lisboa. É nesse ano que André Rebouças, um mulato, engenheiro, começa a privar com o monarca a propósito das vias férreas e acamarada com o Príncipe na causa abolicionista.

josé rebouças.jpg

O eng. Rebouças, um cientista, é filho dum português e duma escrava liberta.

 

Não vou descrever a chegada a Lisboa em Junho desse ano. Nem a pompa, nem a recusa do Imperador em ficar num Palácio. Alojou-se no Hotel Bragança, tão citado nos livros do Eça. O Imperador queria fazer um inter-rail pela Europa para fazer turismo e colher ideias para modernizar os trópicos. Também estava abatido pelo luto, a sua filha D.Leopoldina morrera de doença contagiosa em Viena.

Em Lisboa, a única pessoa, com interesses abrantinos, que aparece mencionada como distinguida por ele, à chegada, é o Marquês da Valada, de que tenho alguma carta.

d.pedro II.jpg

 

O Imperador apanhou o comboio em Santa Apolónia e vá de rumar à fronteira do Caia.

Naturalmente em cada estação as autoridades locais, as forças militares, o bom povo apresentam-se para desbarretar-se frente àquele senhor excêntrico que reinava nas Américas e que se fazia acompanhar por um escasso séquito de criados e intelectuais brasucas.

imperador 3.png

 

abrançalha.jpg

O Visconde de Abrançalha,  foto do Dr.Paulo Falcão Tavares, pub. no livro Cronologia de Abrantes no século XIX do Eduardo Campos  Por certo, nele só há uma breve referência à visita do monarca.

 

Na viagem até Badajoz, D.Pedro manifestou-se muito interessado pelos problemas da Linha do Leste e foi palestrando com os notáveis lusos e com os responsáveis da Companhia. 

A viagem pela Europa durou 8 meses, podem segui-la aqui. 

Em 1872, o comboio voltou a passar pela Estação de Abrantes e a cena descrita em 1871 deve ter voltado a repetir-se. Não tenho descrição. No Entroncamento, o comboio desviou-se para Coimbra. O Imperador queria conhecer o Norte do País e a Academia coimbrã. Inclui a célebre visita de D.Pedro a Camilo. Antes já se encontrara com Herculano, que lhe deu umas garrafinhas de azeite para ''mamãe''.

Quando está para regressar ao Rio, ainda em Lisboa, D.Pedro recebe uma visita abrantina. Uma velha senhora.

D.pedro mar.png

Manuel Martinini, um espanhol residente em Punhete, de profissão destilador de bagaço, organizara em 1833 o primeiro levantamento liberal na região. A mulher queria oferecer a espada do guerrilheiro, feito coronel depois da vitória liberal, ao filho do caudilho que libertara Portugal do reino da fradalhada e das forcas d'El Rei Miguel.

O Spectator de 20 de Agosto de 1833 retrata a actividade do Martini, vista de Londres,

martini.png

Sobre essa actividade há na net informação, de maneira que fica para outro dia.

Só para terminar, faltava o Imperador saudar a maior glória abrantina dessa época

taborda assinado.jpg

Foi vê-lo ao Teatro da Trindade   

 

trindade 22.png

 

  mn

as páginas reproduzidas são da obra citada, edição da Universidade de Coimbra

 

foto de D.Pedro e de Rebouças: página do Imperador no facebook

 

nota: D.Pedro deixou um profuso diário das suas Viagens. No Museu Imperial pode estar o diário referente a estas viagens.

 

Terá sido este o comboio?



publicado por porabrantes às 02:31 | link do post | comentar

Quinta-feira, 17.12.15

visita imperador.png

Estamos em 1871 e os Imperadores do Brasil viajam pela Europa. Aportam a Lisboa, são recebidos com a pompa e circunstância habitual, embora D.Pedro seja avesso a grandes protocolos.

O Imperador tem 46 anos. Governa Portugal o seu sobrinho  el-Rei D.Luís, que  o recebe em Lisboa. É nesse ano que André Rebouças, um mulato, engenheiro, começa a privar com o monarca a propósito das vias férreas e acamarada com o Príncipe na causa abolicionista.

josé rebouças.jpg

O eng. Rebouças, um cientista, é filho dum português e duma escrava liberta.

 

Não vou descrever a chegada a Lisboa em Junho desse ano. Nem a pompa, nem a recusa do Imperador em ficar num Palácio. Alojou-se no Hotel Bragança, tão citado nos livros do Eça. O Imperador queria fazer um inter-rail pela Europa para fazer turismo e colher ideias para modernizar os trópicos. Também estava abatido pelo luto, a sua filha D.Leopoldina morrera de doença contagiosa em Viena.

Em Lisboa, a única pessoa, com interesses abrantinos, que aparece mencionada como distinguida por ele, à chegada, é o Marquês da Valada, de que tenho alguma carta.

d.pedro II.jpg

 

O Imperador apanhou o comboio em Santa Apolónia e vá de rumar à fronteira do Caia.

Naturalmente em cada estação as autoridades locais, as forças militares, o bom povo apresentam-se para desbarretar-se frente àquele senhor excêntrico que reinava nas Américas e que se fazia acompanhar por um escasso séquito de criados e intelectuais brasucas.

imperador 3.png

 

abrançalha.jpg

O Visconde de Abrançalha,  foto do Dr.Paulo Falcão Tavares, pub. no livro Cronologia de Abrantes no século XIX do Eduardo Campos  Por certo, nele só há uma breve nenhuma referência à visita do monarca.

 

Na viagem até Badajoz, D.Pedro manifestou-se muito interessado pelos problemas da Linha do Leste e foi palestrando com os notáveis lusos e com os responsáveis da Companhia. 

A viagem pela Europa durou 8 meses, podem segui-la aqui. 

Em 1872, o comboio voltou a passar pela Estação de Abrantes e a cena descrita em 1871 deve ter voltado a repetir-se. Não tenho descrição. No Entroncamento, o comboio desviou-se para Coimbra. O Imperador queria conhecer o Norte do País e a Academia coimbrã. Inclui a célebre visita de D.Pedro a Camilo. Antes já se encontrara com Herculano, que lhe deu umas garrafinhas de azeite para ''mamãe''.

Quando está para regressar ao Rio, ainda em Lisboa, D.Pedro recebe uma visita abrantina. Uma velha senhora.

D.pedro mar.png

Manuel Martinini, um espanhol residente em Punhete, de profissão destilador de bagaço, organizara em 1833 o primeiro levantamento liberal na região. A mulher queria oferecer a espada do guerrilheiro, feito coronel depois da vitória liberal, ao filho do caudilho que libertara Portugal do reino da fradalhada e das forcas d'El Rei Miguel.

O Spectator de 20 de Agosto de 1833 retrata a actividade do Martini, vista de Londres,

martini.png

Sobre essa actividade há na net informação, de maneira que fica para outro dia.

Só para terminar, faltava o Imperador saudar a maior glória abrantina dessa época

taborda assinado.jpg

Foi vê-lo ao Teatro da Trindade   

 

trindade 22.png

 

  mn

as páginas reproduzidas são da obra citada, edição da Universidade de Coimbra

 

foto de D.Pedro e de Rebouças: página do Imperador no facebook

 

nota: D.Pedro deixou um profuso diário das suas Viagens. No Museu Imperial pode estar o diário referente a estas viagens.

 

Terá sido este o comboio?



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