Quinta-feira, 06.05.21

O tipo que era Juiz de Fora, ou seja Presidente da Câmara , Gaspar Pereira da Silva e Navarro, natural da vila abrantina,  provavelmente mentiu no processo. Sustentava que o requerente, outro Gaspar, Pessoa,  era nobre e tinha ascendência relacionada com os Pessoa e Amorim de Coimbra. (1) 

Outra testemunha, cá da zona, Joaquim Alexandre de Sousa Fragoso, ''fidalgo de S.Majestade, vigário colado de São Julião de Punhete,'' também disse que o judeu Gaspar tinha nobres costados (o que era rotundamente falso) e grossos cabedais (o que era verdade). (2)

Pretendia enobrecer o rico descendente duma família de cristãos-novos do Fundão (aparentado com os Bívares cá do burgo) e fazer esquecer um passado ainda até há pouco vergonhoso, passava pouco tempo que Pombal abolira as distinções entre gente de nação e pessoas com ''sangue limpo''.

Isto é o que consta nos autos de Justificação de nobreza do Gaspar Pessoa, que foi o homem que se encarregou da manutenção das pontes de Punhete e Abrantes, durante as invasões francesas e ao mesmo tempo tinha rendosos negócios com a tropa.

Também consta uma árvore genealógica provavelmente falsificada.

O divulgador Manuel Castelo Branco deixou-se enganar pela falsificação setecentista, ao estudar  esta ascendência, num estudo de 2008, que a autora que seguimos, Gislaine Gonçalves Dias Pinto (''Perseguição, Nobilitação e Mácula de Sangue Cristão Novo, A trajectória da família Pessoa Tavares, (1706-1816)'') desmonta documentalmente.

O Gaspar seria enobrecido. Comendador de Cristo. Etc. Nada mau para um descendente de mercadores do Fundão, que ainda há pouco judaizavam.

O filho do Gaspar,  também Gaspar,  Pessoa Tavares de Amorim da Vargem, foi barão e Visconde da Vargem, Amorim sem o ser, Comendador de Nossa Senhora de Vila Viçosa e de Cristo, Coronel, Morgado e  Vereador da Câmara de Lisboa.  .....

A tese da doutora Gislaine é um magnífico contributo académico para o estudo da ascensão social da alta-burguesia no período pombalino.

Finalmente desta família  Pessoa.......descende Fernando António Nogueira Pessoa, ''Príncipe da Nossa Baviera'' ( Eduardo Lourenço dixit).... que nunca teve entre os antepassados, nobres medievais, pelo lado Pessoa...., por mais que um Presidente da Câmara, natural  de Abrantes, tenha ajudado a falsificar uma genealogia....

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(1)  e (2) in Gislaine Gonçalves Dias Pinto , Perseguição, Nobilitação e Mácula de Sangue Cristão Novo, A trajectória da família Pessoa Tavares, (1706-1816 ),tese de doutoramento na U. de Minas Gerais, 2016

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Quinta-feira, 01.04.21
Descoberto em Constância presumível
altar da igreja de São Julião
 

A descoberta recente de possíveis elementos de um altar da antiga paroquial de São Julião de Punhete (actual Constância) levou a Mesa Administrativa da Misericórdia a projectar um núcleo museológico e expositivo. Está um curso uma candidatura à Tagus, tendo o Montepio provido uma carta de conforto para esse efeito, segundo o Provedor, António Paulo Teixeira.

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Ao que apurei junto daquele responsável, os técnicos superiores envolvidos na restauração da Igreja da Misericórdia (empresa de Conservação e Restauro de Torres Vedras) terão equacionado a hipótese dos elementos em causa descobertos (ver fotos) serem estranhos aos altares, retábulo e características da igreja da Irmandade, em cujo seio se fez a fascinante descoberta. Anote-se que este património encontrava-se num sótão da sacristia desde há muito tempo. A imagem do senhor dos Aflitos será  também anterior à construção da Igreja da Santa Casa, sendo atribuída aos século XV ou XIV o que poderá provar a sua origem distinta.

Os restos do altar enigmático terão sido guardados pela Irmandade, crê-se, desde pelo menos 1822, data da transladação da antiga paroquial de São Julião (situada na actual Praça Alexandre Herculano) para a Igreja de Nossa Senhora dos Mártires (1).

A instalação de um núcleo museológico e expositivo na sacristia da igreja da Irmandade da Misericórdia de Constância irá contemplar  artefactos e peças várias do espólio da igreja da Irmandade e ainda da antiga paroquial ( origem a comprovar-se, é certo,  segundo a hipótese em estudo).

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A antiga paroquial de São Julião  terá sido arruinada pelos invasores franceses, na primeira e terceira invasões (2).  O saudoso Cónego José Maria Rodrigues d’Oliveira dizia que a Pia baptismal da actual Matriz tinha sido transladada da igreja de São Julião e contava com pelo menos oito séculos.  A  expressão «antiga igreja» constante do despacho régio (1) vem corroborar esta conjectura.

Um outro dado muito relevante vem juntar-se a este puzzle alegadamente quinhentista, do altar descoberto. Segundo o testamento dum antigo Provedor da Misericórdia, Dom Francisco de Sande (2) (3), o seu corpo deveria ser sepultado precisamente «em sepultura de meus Avós, que era em a Capela maior da Paroquial Igreja de S. Julião, de Vila de Punhete,  ao longo do primeiro degrau; e aos lados estão muitos Irmão e Primos e Tios meus».

Sabemos que a avó dos amigos de Camões (Heitor da Silveira e João Lopes Leitão), do célebre «Banquete das Trovas» terá morrido em 1544 e foi sepultada na Igreja de S, Julião de Punhete (4)

Será que estes restos do altar não serão da Capela maior da velhinha paroquial?

Manuela de Azevedo, saudosa fundadora da Associação da  Casa-Memória de Camões em Constância escreveu um dia a «Mágica visão» em que via o poeta a rezar ali na velhinha paroquial de São Julão, paredes meias com a Casa dos arcos e, o palácio da torre onde teria sido prisioneiro.

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Será este altar contemporâneo  de Camões? Têm a palavra os técnicos e especialistas. À Santa Casa, os agradecimentos pelas informações e fotos.

José Luz (Constância)

 

PS – não uso o dito AOLP

                                        

(1)           «Manda El Rei,  pela Secretária  de Estado dos Negócios  de Justiça, que o Reverendo Bispo de Castelo Branco, em conformidade da sua informação, sobre o requerimento do Juiz Presidente e Oficiais da Câmara da Vila de Punhete, faça expedir os despachos necessários, para que a Paróquia da dita Vila,  seja transladada, para o Templo dedicado a Nossa Senhora dos Mártires, em razão de estar arruinada a própria, e antiga igreja de S. Julião da dita Vila, combinando-se as horas para que diariamente, os Capelães daquela igreja celebrem as Missas solenes e privadas, e o Pároco da de S. Julião todos os Ofícios Divinos, e administre os Sacramentos: sem perturbação daqueles a que são obrigados os ditos Capelães:  fazendo-se Termo, com as devidas declarações, assinado pelo Pároco, Câmara, Mesários da Confraria, e mais Pessoas a quem competir. Palácio de Queluz, em 25 de Fevereiro de 1822. = José da Silva Carvalho.» - Diário do Governo, edições 77-151, página 670.

 

(2)           «Logo na primeira invasão que se verificou nesta Vila no dia 24 de Novembro de 1807 data a ruína dos templos desta Vila (…) Nestes calamitosos dias sofreu o povo desta vila incalculáveis incómodos; foram as casas abertas à tropa, o que se apregoou com pena de morte; os templos franqueados, desacatados e delapidados, ficando este povo tímido, convulso e arruinado, o que totalmente aconteceu na última invasão de… Novembro de 1810 (…)Terra alguma do Ribatejo se pode comparar com esta ruína (…) Que a famosa igreja, obra dos mais remotos séculos,  que a paroquial de S. Julião, «que era um monte de oiro», como dela disse o seu Comendador Forbes, que a nossa antiga Mãe, onde descansam os restos dos nossos tão dignos Antepassados, está reduzida à maior indigência, sendo antes decorada com belíssimos quadros e painéis de Grão Vasco, e de outros insignes autores, e o tecto da capela-mor, da mais  preciosa arquitectura, e os cinco altares que tinha, enobrecidos com tronos todos doirados,  e particularmente com imagens, as mais expressivas e devotas». - Descripção da Vila de Punhete, Verísismo José  de Oliveira, 1830, Transcripção, Prefácio e Notas Complementares de José Eugénio de Campos Godinho, 1947.

 

(3)Testamento de D. Francisco de Sande, de 1 de Janeiro de 1620.

(4)Garcilaso, Principe de poetas, una biografia, Maria Del Carmen Vaquero Serrano, Centro de Estudios Europa-Hispânica, 2013.

 



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Quarta-feira, 24.03.21

450º aniversário da elevação de Punhete a Vila

 e da autonomia administrativa do Concelho

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extracto da publicação inédita da carta régia de 30 de Maio de 1571, publicação da Academia das Ciências de Lisboa.

No próximo dia 30 de Maio de 2021 a Vila de Constância comemorará o 450º aniversário da sua elevação a Vila e da confirmação de iure (de direito) do seu Concelho, o qual  já existia  «de facto» à data da carta de sentença do Rei D. Sebastião, «com  toda a jurisdição». Segundo a petição levada ao rei, o lugar de Punhete (designação anterior de Constância) «não tinha outra diminuição», cita-se,  «somente irem os juízes antes que comecem a servir seus ofícios tomar juramento à Câmara de Abrantes», bem como as apelações terem de ir também ali primeiro, antes de irem à Relação do Rei. Na petição reproduzida na sentença, cita-se «grande inconveniente»  por causa  daquela diminuição da jurisdição e por causa dos presos detidos, das apelações, dos gastos, entre outros argumentos.

Até então o lugar de Punhete pertencia ao Termo de Abrantes. A carta régia de 30 de Maio de 1571 está registada nas folhas 97 a 99, do Livro de Registo nº 3 da Câmara Municipal de Abrantes (1). A separação do lugar de Punhete, com Termo separado do de Abrantes, e a sua elevação a Vila, deve-se  em parte,  sintetiza Morato, «por ser já então uma povoação de quinhentos vizinhos e prometer um progressivo aumento, em razão  da muita gente que de todas as partes ali afluía em romaria a Nossa Senhora dos Mártires, aliviando-a ao mesmo tempo do pagamento dos 400 réis anuais que, como ónus de sujeição, era obrigada a satisfazer à Câmara de Abrantes». (1)

O padre Carvalho da Costa, à semelhança de outras fontes antigas, dá-nos conta de que «El Rei D. Sebastião a fez Vila por quarenta homens honrados (sendo alguns deles de sua Casa) que com seus cavalos, e criados o acompanharam, quando foi a África, como consta de uma provisão do mesmo rei, que se conserva no cartório da câmara desta vila, que antigamente tinha seiscentos vizinhos».(2) Ao que se sabe por vários autores o invasor francês terá destruído os arquivos oficiais então existentes.

Segundo ainda Morato (1) em 1578 D. Sebastião escreveu ao alcaide-mor de Abrantes, D. João de Almeida. Com o propósito de levantar gente «para a  jornada de África». Na monografia que vimos seguindo adianta-se que o alcaide alistou bastante gente na Vila de Abrantes e suas imediações mas, prossegue Morato,  «ignoram-se os seus nomes, porque os historiadores desse tempo só nos transmitiam os dos grandes e nobres».(1)

Na nossa vila de Constância, então Punhete, se demorou o rei pela última vez por alguns tempos (por aqui se refugiou inicialmente da peste como relatam os cronistas), «fazendo convites à principal nobreza das vilas circunvizinhas para o acompanharem na jornada de África». É o que nos revela também, no caso, o autor da monografia de Constância do início do século XIX: «e desta vila o acompanharam quarenta cavaleiros de espora doirada que foram entregues a D.  Cristovam de Távora». (3)

Pêro de Alcáçova Carneiro, futuro Conde da Idanha, personagem muito influente no reinado de D. João III e durante a menoridade de D. Sebastião,  tinha terras em Punhete (6). Acredito que foi ele (Secretário do reino) que trouxe a Punhete a Regente Dona Catarina à Senhora dos Mártires onde também vinha em novena. Parece que caiu em desgraça em 1569 e se recolheu numa comenda da Ordem de Cristo em Idanha-a-Velha. Ora, em 1575, estava em Punhete (6). Nesse ano faleceu o padre Luiz Gonçalves da Câmara, confessor do rei, da família do Palácio da Torre de Punhete. 1576  é o ano da primeira reabilitação política de Pêro Carneiro, senhor de terras em Punhete.  Por decreto de 7 de Maio de 1576 entrou no governo, de parceria com Manuel Quaresma Barreto e D. Francisco de Portugal.  Segundo o  Dicionário Histórico Portugal, foi encarregado duma missão junto de Filipe II, tendo demostrado dupla habilidade como diplomata nas negociações com o ministro espanhol duque de Alba, conseguindo vantagens negociais para D. Sebastião. Sabe-se que depois, em Alcácer-Quibir, pereceram os seus dois filhos, Luís e Cristóvão. Logo a seguir à perda da batalha (Pêro Carneiro era Vedor da Fazenda e um dos cinco governadores que substituia o rei na sua ausência), foi preso pelo infante D. Henrique. Veio a ser reabilitado quando Filipe tomou conta disto, sendo nomeado Conde das Idanhas. É crível que este senhor de terras em Punhete tenha tido um papel no recrutamento dos cavaleiros da jornada de África. Já vimos que em 1577 o rei estava em Punhete nessa empresa que lhe veio depois a ser fatal. Será que Luís e Cristóvão moravam  também  em Punhete? É bem possível. É preciso investigar estas relações.

Retornando ao tema… Justiça seja feita, deve-se à Academia das Ciências de Lisboa a inédita publicação da carta de sentença Sebástica  favorável a Punhete, (4).

Na origem da carta régia está uma formalidade, claro. Mas de peso. O monarca refere uma petição dos juízes vereadores e procurador e povo do lugar de Punhete   em que  estes pedem  que o rei houvesse por bem «que o dito lugar se chamasse vila e que os juízes e oficiais não fossem tomar juramento à câmara da dita vila de Abrantes e que as apelações fossem directamente à minha Relação onde pertence(…)». (4)

Da carta régia consta que em Punhete havia dois juízes ordinários e três vereadores e um procurador do concelho e que estes oficiais,  «havia muitos anos que os havia e que tinham  todo o Regimento do Concelho e que assim havia um alcaide-pequeno que apresentava o alcaide-maior de Abrantes e a câmara conforme a ordenação e que havia dois tabeliães do publico e judicial, e escrivão da câmara e almotaçaria e juiz e escrivão dos órfãos contador inquiridor e dois procuradores do número juiz e escrivão das sisas e recebedor delas e que assim havia no dito lugar casa e audiência da câmara e casa da cadeia e pelourinho suas argolas e cepo e açougue(…)». (4)

 E antes de lhe dar despacho o rei mandou que o corregedor da comarca da vila de  Tomar fosse ao lugar de Punhete e se informasse do conteúdo na dita provisão. O parecer do corregedor satisfez a ordem e foi enviado o auto. Da sentença: «(…)e quero que daqui em diante para sempre se chame Vila de Punhete(…)».

Manoel da Veiga, biógrafo do «Sapateiro Santo», Simão Gomes, conta-nos  que o rei deferindo um pedido de Simão Gomes fez Punhete, Vila  (5). Parece que o lugar de Punhete era quase todo dos parentes de Simão Gomes. O rei teria sido muito bem recebido aqui quando se refugiou da peste e os locais, na altura certa, pediram a intervenção do «Sapateiro Santo»…

José Luz (Constância)

 PS - não uso o dito AOLP

(1)Memória Histórica da Notável Vila de Abrantes, Manuel António Morato, João Valentim da Fonseca Mota; organização e notas de Eduardo Manuel Tavares Campos, Edição de CMA,  1981, página 101.

(2)Corografia Portuguesa, tomo terceiro, padre António Carvalho da Costa, Lisboa MDCCXII, página 182.

(3)«Descrição da Villa de Punhete», por Veríssimo José de Oliveira, 1830, Transcrição, prefácio,  e notas complementares por José Eugénio de Campos Godinho, Torres Novas, 1947. Nota minha: a saudosa jornalista Manuela de Azevedo fundadora da Associação da Casa Memória de Camões em Constância,  disse-me um dia que tinha na sua posse este manuscrito original.

(4) «Cartas de vila, de mudança de nome e do título de Notável das povoações da Estremadura, Pedro de Azevedo, Coimbra, Imprensa da universidade, 1921, páginas 57 e ss.

(5) «Vida, virtudes e doutrina admirável de Simão Gomes»,  Manoel da Veiga, Lisboa, MDCCLIX.

(6) «Miscelânia Pereira de Foios», José Torrejon, 2017, Imprensa Nacional.

 

 



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Terça-feira, 01.12.20

 

Vestígios e laços de historicidade

 

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No aniversário dos 380 anos da Restauração de Portugal (1º de Dezembro) tomemos nota de alguns indícios de resistência popular ao domínio filipino, no caso, em Punhete. Uma vila a que também andam ligados talvez indirectamente,  nomes famosos da Restauração. Descubra aqui… lendo.

 

A história dificilmente se poderia repetir hoje em dia (?), tempos de uma União Europeia em que o conceito clássico de Estado já não é o que era e o espírito revolucionário, com excepção do período de 1975, em particular, parece adormecido…

Há precisamente 380 anos ocorria a chamada  «Restauração da Independência de Portugal» como país pretensamente soberano. Com efeito, nesse dia, o grupo denominado de «Os Quarenta Conjurados» chefiou o golpe de estado revolucionário. Miguel de Vasconcelos, o traidor, era atirado pela janela, no Paço da Ribeira.

A revolta dos portugueses alastrou-se então por todo o Reino culminando com a instauração da 4ª Dinastia Portuguesa da «Casa de Bragança» em que D. João IV é aclamado Rei. Na vila de Constância, então designada Punhete, existia um foco de resistência ao domínio filipino, como se infere do relato do historiador Oliveira Marques e se verá sumariamente a seguir.

Ligado à Restauração temos, por exemplo, D. Miguel de Almeida, Conde de Abrantes e Alcaide-Mor de Abrantes, de Punhete e da Amêndoa, no caso, um dos Quarenta Conjurados : «(…) com que valor se portou no acto de aclamação de El Rey Dom João Quarto (…)» (1)

Vale a pena recordar aqui o episódio famoso protagonizado por uma descendente de Dona Guiomar Freire (2), castelã de Punhete, no caso, Dona Filipa de Vilhena, a fazer fé na genealogia da antiga Conservadora do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Diz-nos o «Portal do Dicionário Histórico» que Dona Filipa «teve conhecimento de todos os preparativos da revolução de 1 de Dezembro de 1640», tendo aconselhado a seus filhos que «a ela aderissem e partilhassem os perigos de seus irmãos em fidalguia e em nacionalidade». Na madrugada de 1 de Dezembro, pode ler-se,  «cingiu ela própria as armas aos seus dois filhos, e mandou-os combater pela pátria, dizendo-lhes que não voltassem senão honrados com os louros da vitória». Adianta ainda esta fonte que  «não foi ela só que procedeu assim nessa madrugada célebre. O mesmo fez D. Mariana de Lencastre». Não se conhece (?) o motivo pelo qual ficou apenas no espírito popular o nome de D. Filipa de Vilhena.

Mas o rastilho mais importante da revolução parece remontar a 21 de Agosto de 1637, três anos antes, com a conhecida «Revolta do Manuelinho ou «Revolta do Manelinho»  em Évora, de cariz popular.

O anúncio de novos impostos (água e sisas) estará na origem  dos acontecimentos eborenses que começou nas ruas e levou a que incendiassem as moradias de nobres e de representantes locais da coroa espanhola.

É então instituída uma Junta Governativa popular, de auto-governo, a qual passa a emitir comunicados assinados pelo «Manuelinho» um «louco» bem conhecido que vagueava pela cidade…

Esta revolta tomou rapidamente grandes proporções, alastrando-se a outros pontos do Reino. Oliveira Marques (3) relata-nos: «(…) a famosa Revolta do Manuelinho, em Évora (Agosto de 1637) deu a faísca para cerca de 70 motins, a partir de Setembro daquele ano, em todo o Algarve e o Alentejo, e até a norte do rio Tejo, em Santarém, Golegã, Punhete, Abrantes, Sardoal, Mação, Envendos, Ferreira, Sobreira Formosa, Águas Belas e Beco, com extensões no tempo até Março de 1638. Mau-grado a repressão das autoridades, voltou a haver motins em 1639 e em 1640 (…)».

No ano seguinte (1639) Filipe II de Portugal via-se obrigado a mobilizar dois exércitos com cerca de 10 mil homens para subjugar as regiões revoltadas.

Segundo o «Avante», órgão oficial do PCP – Partido  Comunista Português, «Conhecida como as Alterações de Évora, a revolta do Manuelinho é apontada como precursora da conspiração que levou à independência em 1640».  Na súmula editada pelo PCP lê-se ainda: «a época é de crise geral, afectando todo o homem, em todas as suas actividades: económica, social, política, religiosa, científica, artística, e em todo o seu ser, no mais profundo da sua potência vital, da sua sensibilidade e da sua vontade». Actual e sintomática esta recente publicação comunista?

Há três anos atrás, numa encenação histórica em Santa Cruz, na ilha da Madeira, o povo, qual Torquemada dos dias correntes, atirou de novo o traidor pela varanda.  Não serão porventura reminiscências do antigo espírito inquisitorial  que mandava desenterrar os mortos para os julgar ou mandava queimar as suas efígies. Seria apenas uma diversão, restaurado o feriado nacional…

Dizem os entendidos que foi o levante da Catalunha que proporcionou a acção dos conjurados.  Da Catalunha terá sido importado  pelos Templários o nome da vila de Punhete, como já escrevi noutro artigo. Dizem que não há coincidências…Defronte da vila de Punhete, na margem norte do «Rio», no Outeiro da Conceição, no local do antigo castelo medieval, foi construída uma  fortaleza, restaurada para as guerras da Restauração e para a Campanha do Conde de Lipe (5).

As guerras sempre acompanharam a história da humanidade e até constam da Bíblia.

Uma outra informação muito curiosa: Diogo Soares, Senhora da vila de Punhete e Comendador da Ordem de Cristo é apontado como Secretário de Estado, em Madrid, de Filipe IV de Espanha e Portugal (6). Ora, Miguel da Cunha (6) afirma que Miguel de Vasconcelos,  o traidor, anote-se, era o sogro deste Diogo Soares, Senhor de Punhete. Nesta obra também consta, em nota de rodapé que «Diogo Soares casou, segundo os genealógicos, pelo menos três vezes, a última com Dona Antónia de Melo, filha herdeira do famoso ‘desfenestrado’, de quem houve geração (…)».

Na vila de Constância existia uma banda filarmónica 1º de Dezembro no 1º quartel do século XX, do Mestre Brito (onde tocava bombardino o meu bizavô paterno, Francisco da Luz, sapateiro na Praia do Ribatejo). A esta banda sucedeu outra, com a mesma designação, cujo maestro era o meu avô materno Carlos Amadeu Saraiva Silvares de Carvalho. No dia 1º de Dezembro a banda fazia a arruada pela vila com o hino da restauração e eram recebidos pelos populares  A música dava o mote: «Tragam passas e aguardante, cá pra gente, cá pra gente».

 

José Luz (Constância)

 

 

  • (1) «História Genealógica da Casa Real Portuguesa», Régia Oficina Sylviana, e da Academia Real, MDCCXLIX

 

  • (2) Pereira da Costa, Maria Clara, «Da investigação histórica sobre a casa de Camões em Constância», Fundo de Fomento Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, 1977.

 

  • (3) (1)Marques, Oliveira, «História de Portugal, desde os tempos mais antigos, até à presidência do Sr General Eanes: Do Renascimento até às revoluções liberais», Palas Editores, 1984

 

  • (4) Jornal Avante, edição 2410, de 6 de Fevereiro de 2020.

 

  • (5) Almeida, João, «Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses», Tomo II, Instituto de Alta Cultura, Anos 40.

 

  • (6) «Por linhas direitas (2): A ascendência Correia da Silva de Carvalho (1), Por Miguel Gorjão-Henriques da Cunha, academia-edu, 2012.

 



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Domingo, 29.11.20

Em 1755, por Setembro, um homem de Santa Margarida, foi à festa do Espírito Santo, em Punhete. Chamava-se Lourenço Ferreira e dedicou-se a blasfemar, estaria chateado.

Entre outras coisas interessantes, tinha por hábito dizer que '' “nem frade nem nenhum dos que serviam o Espírito Santo eram mais que ele e nem capaz[es] de falar diante dele”, e que “o Espírito Santo” ali festejado “não era capaz de andar debaixo das solas de seus sapatos”. (1)

Resultado foi detido pelo Santo Ofício e teve tratos de polé, graças às denúncias das beatas contra o barqueiro livre-pensador.

O doutor IGOR TADEU CAMILO ROCHA, da Universidade de Belo Horizonte, nesta tese de doutoramento, '' ENTRE O ‘ÍMPETO SECULARIZADOR’ E A ‘SÃ TEOLOGIA’: TOLERÂNCIA RELIGIOSA,
SECULARIZAÇÃO E ILUSTRAÇÃO CATÓLICA NO MUNDO LUSO (SÉCULOS XVIII-XIX)'' (2019), estuda este assunto. O  académico brasileiro dá-nos uma grande obra relacionada parcialmente com a  História da Região e começo a pensar que há que ler a produção brasileira, como recomendaria o António Hespanha ou o Fernando Catroga, para descobrir coisas novas e estimulantes sobre o Médio Tejo.

Saravá doutor IGOR!!!!

ma 

(1) expressões retiradas literalmente da obra citada



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Terça-feira, 07.07.20

Foto por este rio acima com a devida vénia


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Segunda-feira, 25.05.20

D.João de Almeida lança uma pobre mulher sem motivo na prisão, provavelmente no Castelo. Não há processo, o preclaro Almeida abusa do poder. A vítima, Maria Anes, foge do cárcere e esconde-se e invoca a Justiça do Venturoso, que muitas vezes estava por Abrantes.

O Rei perdoa-lhe tudo, em troca de mera multa processual, desautorizando o Almeida, que como donatário tinha alguns poderes judiciais e policiais em Punhete.

D.Manuel já tinha razões de agravo (e fartas dos Almeidas), tem mais outra.

A notícia da fuga do Castelo, é dada por este documento da Chancelaria Régia, sumariado pela Torre do Tombo: e que se publica com a devida vénia.   

 

''Estando em sua casa Simão Leal e João Gonçalves, ambos aí moradores, e estando ela em casa de uma vizinha, não fazendo nem dizendo de ninguém nenhum mal, os dois se houvera de razões, e Simão Leal ferira João Gonçalves com uma faca na cabeça, e lhe dera uma riscadura numa das mãos, de que logo fora são e sem aleijão. E estando em aquele tempo em Punhete o conde Abrantes, este a mandara prender, dizendo que os homens se haviam ferido por culpa dela. E, vendo-se presa 8 meses na cadeia, sem dela haver querela nem estado, temendo-se de jazer em prisão prolongada, gastando seu como não devia, fugira, abrindo somente a porta, que estava fechada com uma aldraba; e assim abrira um elo dos ferros com que a prendiam, se pusera a salvo, e se amorara. E João Gonçalves, que fora ferido, lhe perdoara segundo um público instrumento de perdão, feito e assinado por Manuel Fernandes, tabelião em Santarém, aos 10 de Outubro de 1500. Enviando a suplicante pedir, el-rei lhe perdoou contanto que, pela fugida, pagasse 300 rs. para as despesas da Relação - que logo pagou a Francisco Dias, por um seu assinado e outro de Gomes Eanes, escrivão, por João do Porto -, e pelo caso principal, por que fora presa, pagasse 1.000 rs. para a Piedade . Diogo Lasso a fez.''



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Domingo, 03.05.20

Despedida do padre jesuíta João de Brito em Punhete do Bispo de Portalegre.

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O jesuíta parte para as partes da Índia onde será martirizado em   04 de Fevereiro de 1693.

''Naõ se contentando com etas despedidas seu grande amigo o Bispo Dom Joaõ Mascarenhas, teve pensamentos de ir a Lisboa fazer as ultimas; mas ouve razoês muyto forçosas, que deram corte a este seu grande afecto; ello mesmo asentou por cartas com o Padre Joaõ de Brito de ir athe Punhete, que he huma villa situada naquelle lugar, aonde o rio Zezere entra no Tejo, ditante de Lisboa desanove legoas, & qye ali viria tambem o Padre Joaõ de Britto. Partiram o Bifpo, de Portalegre, & o Padre, de Lisboa, & entraram na mesma hora em Punhete, como se cada hum fofe regulando as jornadas pelo outro. Alli fizeram as ultimas despedidas, em que o Bispo chorou muytas lagrimas, & as nam podia conter: querendo ele a companhar ao Padre, athe o meter no barco: porque as lagrimas lhe cahiam dos olhos sem cessar, lhe disseram, os que lhe assitiam, que nam dizia bem com a decencia de o chorar com tanto excefo naquella publicidade. O Padre lhe agradecia o afecto, & com huma benevola confiança estranhava tambem as lagrimas; entre as quais despedindo o barco, começou a auzencia dos corpos, durando fempre a prezença dos afectos.''

Imagem da virtude em o noviciado da Companhia de Jesus no Real Collegio de Jesus de Coimbra .../ pello P. Antonio Franco da Companhia de Jesus ; segundo tomo., 1717

Libros de segunda mano: Brotéria, Revista contemporânea de Cultura, 1947. Número dedicado a S. João de Brito, 1947. Ilustrad - Foto 4 - 189209503



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Quarta-feira, 15.04.20

 

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(Arquivo de Simancas com a devida vénia)

 

D.Dinis, Rei de Portugal manda a Domingos Quintela que não continue a cobrar impostos ao Mosteiro de Santa Maria da Oia por estar isento de impostos nas suas propriedades portuguesas. 29-5-1282
 

Datum in Punhete, XXIXª die madii, rege mandante, Alfonsus Martini notauit, Era Mª CCCª XXª"

D.Dinis estava em Punhete, termo de Abrantes. 

A historiografia local não anota a estada do Lavrador.

ma 

O Eduardo Campos, numa  nota à monografia de Mourato, afirma peremptóriamente que o marido de Santa Isabel nunca esteve em Abrantes, os documentos mostram que em 1282 estava em Punhete 



publicado por porabrantes às 13:28 | link do post | comentar

Terça-feira, 24.03.20

Publica-se um artigo do Zé Luz, o melhor e mais informado cronista de Constância , sobre as epidemias que devastaram a vila ribeirinha.

 

 

 

 

A nossa vila, à semelhança de tantas outras terras desta pátria lusitana, ostenta nos seus anais um pequeno historial relacionado com pestes e febres que foram geograficamente avassaladoras.

Temos por exemplo notícia do refúgio em Punhete (antiga designação de Constância) de El Rei Dom Sebastião por causa da peste negra, o qual habitou o antigo palácio da torre. Este velho castelo onde uma não interrupta tradição coloca o desterro de Camões, era propriedade da família dos Validos do rei (infelizmente, estas ruínas não motivam ainda o interesse cultural local dos doutos poderes instituídos). O monarca terá ali permanecido algum tempo em isolamento local, como nos dão conta Veríssimo Serrão, Maria Clara Pereira da Costa, Veríssimo José D´ Oliveira e outros autores considerados. Por ocasião dessa estadia foi instituída pelo monarca a Real Confraria de Nossa Senhora dos Mártires (ou dos Milagres…) da imediata protecção régia. Quantos agradecimentos não terá feito o monarca à Senhora dos milagres em Punhete, onde se livrou da «peste grande»?…

Enfermaria do antigo hospital de São João da Irmandade da Misericórdia de Constância, possivelmente do tempo da «pneumónica» (?)

Uma outra personagem histórica ,o «Sapateiro Santo», também aqui se deslocou por ocasião da peste, tendo sido admitido pela população mas em degredo forçado por dez dias . Durante três dias este «Santo», de Tomar, escreveu em Punhete uma «Lamentação» como Jeremias, «muito sentida» e, «muito espiritual», de três folhas de papel, sobre a cidade de Lisboa e as misérias que assolavam o miserável povo. Parece que o homem que terá intercedido junto do Rei Dom Sebastião para fazer do lugar de Punhete, vila, dizia que «o céu está fechado», visão que só terá sido alterada com a vinda do Natal. Isto a fazer fé no seu biógrafo.

Sobre os sintomas da peste maldita é conhecido um dito, atribuído à mãe de D. Luís Coutinho de Almourol: «que ardia mais a pele, e se tinha menor esperança de cessar».

A vida de Simão Gomes, o «Sapateiro Santo» pode ser consultada na obra do seu biógrafo, de 1625. Simão Gomes, revela-nos o jesuíta Manuel da Veiga, tinha aqui parentes e amigos.

A escolha de Punhete para lazareto por parte do monarca que acabou por pereceu no norte de África ter-se-á devido a vários motivos sendo um deles, cremos, a pureza dos ares locais.

Existem algumas topografias médicas sobre Punhete editadas por volta de 1820 pela Universidade de Coimbra. Nesse período ocorreu a epidemia da cólera. Por um registo inglês mais ou menos contemporâneo temos notícia que as casas da vila (ao tempo do liberalismo portanto) não ofereceriam condições algumas de salubridade.  As invasões francesas lá terão a sua culpa..Estes dados soltos nada revelam por si só. Apenas os inventario para mais tarde os explorar.

No primeiro quartel do século XX e a expensas do médico Dr Francisco da Costa Falcão foi construído o Lazareto o qual não terá sido utilizado, ao que nos consta., por desnecessidade. Aqui se instalou provisoriamente a primeiro quartel da GNR e funciona actualmente uma agência funerária. O edifício é propriedade da Irmandade da Misericórdia, associação pública de fiéis.

Nos anos 40 ou 50 (?) se a memória dos registos não me falha a Comissão Concelhia do A.N.T. e o Dr Carlos de Azevedo (?) procuraram construir um dispensário anti-tuberculose na zona de Preanes. Recordo-me que existem na Santa Casa as actas da Comissão Municipal de Assistência as quais poderão trazer luz sobre este tema (?).

Na reprodução anexa (fotocópia de uma foto da SCMC que colori através do telemóvel) pode ver-se a enfermaria do antigo Hospital de São João, de Constância. Possivelmente ou certamente, acolheu moribundos da pneumónica. Só através de uma nova consulta documental ao riquíssimo acervo da SCMC – actas e registos da época – o poderemos confirmar. Já li transversalmente todos os documentos da época mas é muita informação e há que seleccionar…

O meu saudoso pai, Acácio Alves Luz, antigo Sargento Chefe da EPE, nasceu neste hospital há 89 anos (23 de Agosto de 1931). Tenho a cédula a atestar esse facto.

Há cerca de cem anos atrás a gripe espanhola (que os locais designavam de má memória por «pneumónica») não deixou de, inevitavelmente, afectar o nosso concelho. Dados estatísticos revelam um decréscimo de 20% na população da freguesia de Constância a fazer fé na wikipedia , estatística essa a que não teria sido alheia também a 1ª Grande Guerra (?).

Programa dos festejos para angariação de fundos para um dispensário anti-tuberculose.

Há, porém, um episódio local curioso em torno da «pneumónica» sobre o qual dei recentemente curta nota no grupo «Amigos de Constância», no caso, através da rede social facebook. Até há umas décadas atrás (anos 70 e 80) falava-se de um xarope natural que diversos locais usaram para se curar dessa «peste». É caso. A minha avó paterna, Flora da Luz, «safou-se da pneumónica» com esse xarope que os antigos aqui usaram. Essa história contou-a à minha mãe a qual ma passou. Nas tertúlias que passei amiúde com várias anciãos e anciãs cá do burgo falávamos disto e só porque estamos em maré de pandemia me ocorreu à memória tal registo. Na sequência dessa publicação que «postei» no grupo que administro na net tenho vindo a ver confirmada a sua existência e aplicação locais (trocamos comentários no grupo e mensagens através do messenger). Nos contactos entretanto estabelecidos por causa da dita receita/mezinha pude verificar que o xarope não só ainda é do conhecimento dos nossos conterrâneos, como já afirmei, como até teria sido recomendado o seu uso pelo Dr José Eugénio de Campos Godinho, enteado de outro médico, o Dr Ludgero . Este último, tendo sido mobilizado para a Grande Guerra, acabou por ficar no nosso território. Valeu-lhe então uma «rebelião» local porquanto a população da vila rebelada, tocando o sino a rebate. mobilizou-se em força e os protestos ecoaram em Lisboa. Não tendo à mão mais apontamentos de momento, contudo, trazer algumas achegas. Sabemos que a mulher do Dr Ludgero tinha sido viúva do republicano e antigo administrador do concelho e que a sua nora era neta de um Governador Civil.

Retornando ao «milagroso» deixem-me dizer-vos que desde pequeno que sabia das propriedades desta mezinha do xarope, o qual tem ingredientes que terão sido usados no Brasil ao tempo da dita «peste». Por uma pesquisa leve que intentei parece-me que há neste xarope raízes africanas mas deixo esse apuramento para outra altura mais propícia…

José Luz

(Constância)

Post Scriptum – Existe um caso confirmado de Covid-19 que já terá tido alta hospitalar em Coimbra (segundo alguma imprensa) no caso, um idoso de 80 anos com domicílio fiscal em Montalvo (Concelho de Constância). Deus queira e nos guarde sempre nesta «hora» de urgência nacional.



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