Sexta-feira, 24.07.15

 

As tatuagens são uma moda que chegou também cá e há uma reputada casa em Alferrarede que as faz. Estou à espera que a Tagus, do celeste sexto candidato PS à autarquia, lhe arranje um subsídio comunitário para que toda a sociedade civil saia à rua tatuada.

Damos um exemplo das tatuagens feitas pela casa abrantina.

mae e pai.jpg

Tatuagens Abrantes

 

As modas levam sempre a que espíritos conservadores comecem a bradar contra a corrupção de costumes. As condenações costumam oscilar entre a defesa da moral beata e o conservadorismo mais seboso.

 

Estava eu à espera duma homilia da Nova Aliança contra as tatuagens, onde se diria que Escriva nunca se tatuou, quando o ataque veio do ordeiro Ribatejo, onde escreve o cronista pio do Mensageiro de Bragança.

 

O atacante foi o Abrunheiro, o escriba neo-realista que o dr. Eurico sovou, porque ele queria proibir que houvesse Advogados chamados Consciência.

 

Os tatuados responderam e o Duarte teve de fazer um Editorial a defender o Abrunheiro (que não dá abrunhos) onde mete os pés pelas mãos dizendo que é a favor dos touros.

 

Pegando o assunto pelos cornos, que têm a ver os touros com as tatuagens?  

 

tatus.jpg

Esta prosa, a imitar provincianamente Lobo Antunes, faz desatar as iras dos tatuados e defensores da Liberdade.

 

Aqui está a página onde o Duarte, o Abrunheiro e o Ribatejo foram sovados pela justa ira do povo.

 

A Cláudia desmontou o Abrunheiro, como já o tinha feito o Dr.Eurico:

 

Direito de Resposta | Rosário Breve – Tatus, tatuas, borrões & falcatruas

Ora, aplicando a Directiva n.º 2/2008, de 12 de Novembro, da Lei de Imprensa, aqui vai a minha resposta ao senhor Daniel Abrunheiro.

 

(A negrito lê-se as palavras do senhor Daniel, e em texto regular a minha resposta)

“Eram, antigamente eram, exclusivas de presidiários, de marinheiros e de soldados coloniais. Refiro-me às tatuagens. Como parece ser (e é) tão próprio como fatal das coisas estúpidas, pegaram moda. O pessoal faz tatuar-se muito, hoje em dia. Não ocorre às pessoas que o resultado seja o de passarem a equivaler a espécimenes ambulantes de carcaças vivas carimbadas à maneira do gado de matadouro.“

Ora o senhor acha as tatuagens uma moda estúpida. Também acho os “biquinis de gola alta” estúpidos e não é por isso que ofendo os estilistas de moda. Tatuar(-se) é um acto de estupidez? Isso é a sua opinião (que tem direito a ela). Não lhe ocorre a si que, na esmagadora maioria dos casos, as pessoas não se tatuam muito hoje em dia para passarem a equivaler a gado carimbado, e sim para expressar a sua individualidade.

“Por dentro, mudo e quedo, designo-as por tatus & tatuas. Merecem o apodo. Tatus & tatuas gostam particularmente do Verão. O calor (ou “a calma”, como lhe chamava o grande Sá de Miranda de “O sol é grande, caem co'a calma as aves(…)”) despe-os e traveste-as, permitindo-lhes a exibição dos borrões frouxos que lhes mancham o couro.”

 Portanto o senhor acha que as pessoas tatuadas merecem a comparação ridícula a um animal com determinadas característica... Pois bem, deveria saber que, o animal tatu não despe a sua carapaça. E também as pessoas tatuadas mantêm a sua pele vestida (e não o couro). Faz parte delas, e também os borrões que o senhor considera frouxos. Ao contrário do que pensa, ter ou não tatuagens não está relacionado com a preferência da estação do ano; aliás, as pessoas com tatuagens devem ter cuidado redobrado com a exposição solar.

“Não sei, sentem-se talvez símbolos de alguma coisa maior do que as viditas que têm & levam; apresentam-se talvez a si mesmos e a si próprias com algo de muito importante para dizer que ninguém quer nem precisa de saber; julgam-se talvez capazes de tudo, a começar por nada, aptos & prontas a mostrar, demonstrar, cabalizar, revolucionar, espantar. A mim, no entanto, parece-me tão-só gente que nunca mais se pode lavar na íntegra como deve ser.”

 Exactamente: não sabe. Não sabe se as viditas que diz que as pessoas tatuadas levam, são tão ou mais importantes que a sua (ou inclusivamente pertencer a médicos tatuados com formação académica para salvar a sua vida). Aquilo que se diz na pele, podemos dizê-lo por palavras, sem necessidade de o tatuar. Se o tatuamos, é porque o dizemos diariamente a nós; e não aos outros que não querem saber. Julgamo-nos capazes do que quisermos, lutando para isso. Tal como o senhor se julga apto a qualquer desafio que se imponha a si próprio. Lavar na íntegra? Todos os dias! A sujidade do corpo sai com água e sabão. A tatuagem é arte e não é suposto sair com o banho.

“Que os penitentes dos presídios se maculem de códigos e de pertenças gangue-gregárias – eu percebo: é apenas pueril, perigoso apenas, próprio de crianças ladronas e/ou assassinas.
Que os marinheiros na pele tragam do mar evidências de céu convexo – eu entendo: é apenas Poesia, própria de gente com uma mulher em cada porto e com um porto em cada filho.
Que os praças sentissem no Ultramar premências de deixar escrito no próprio corpo Amor-de-Mãe-Angola-1967 – eu compreendia: Mãe, há só uma, como com a Morte acontece.” 

Creio que a significado de estereótipo lhe seja familiar, pelo que não há muito a dizer sobre este parágrafo.

“Agora, estes tatus & estas tatuas que por aí me embaciam as dioptrias – não. Não gosto. Sujam-se por tudo e para nada. E não me diga ninguém que tomo a parte pelo todo: parte-me todo, tal dito.”
De referir que o senhor interpreta o acto de ser tatuado como ficar sujo. Mas... Não nos sujamos todos? Sujamo-nos a comer, a brincar, a viver. O senhor não se suja? Então lave-se, que os tatuados também tomam banho.

“Ainda há bocadito, no autocarro nocturno (último da carreira, metáfora rodada e a gasóleo do acabamento e da insensatez da viagem), vi uma tatua. Já tinha mais do que idade para não gastar o siso todo em dentes serôdios. Uma borboleta feia gangrenava-lhe a roxo o bíceps dextro. Em baixo, o artelho do mesmo lado acolhia uma tarântula cega. Na tábua do peito (mamariamente falando, a quarentona saía ao pai), floria-lhe um coração falador que exclamava “Raul” e“Love”. E eu sei que ela agora se amanceba com um que é Júlio, que o Raul a deixou pela Guida Florista, que na vida só há duas hipóteses: ou Raul Forever ou Love do tipo não-empurrem-que-há-lugar-p’a-todos. O desastre estético da pobrezita culminava nas asas do nariz, agrafadas ambas com piercings evocadores do arganel no focinho dos porcos, e nas unhas de mãos & pés, as quais dez, esmaltadas a verde, me fizeram pensar se ela não viria de jogar à porrada, fazendo-o sangrar, com algum extraterrestre daqueles do Scharwznegger.”

Ou seja, julga-se a senhora (que é livre da fazer o que bem entender com o seu corpo) porque tem unhas verdes e tatuagens. O senhor já pensou que “Raul” pode ser o nome do pai, irmão ou até do filho? Claro que não. Porque o senhor acha que a “quarentona" que sai ao pai (mamariamente falando) tem algo a dizer. Mas não. O senhor é que está a interpretar à sua maneira. E quem lhe disse, se Raul for o nome do companheiro da senhora, que ela foi trocada pela florista? Ai, ai... Lá estamos nós a ler o que não está escrito!

“Coitadita. Eu não deveria ser assim tão malévolo para com ela e para com os asininos seus homólogos que se deslavam as dermes com anjos, estrelas, búzios, cornetas, morcegos, zodíacos e similares insígnias do género ó-p’ra-mim-a-meter-nojo-e-ainda-por-cima-paguei-um-balúrdio-pa’-isto.”

 Deslavam as dermes? Ah, pois é! Novamente o conceito de sujidade... E de que as pessoas tatuadas são burras... O senhor é jornalista? Que giro... É-o porque estudou letras na Universidade de Coimbra, ou porque escreve para O Ribatejo?... Eu também sou licenciada em Comunicação Multimédia, tenho 4 tatuagens e dois piercings e trabalho num escritório de contabilidade e mediação bancária. Sou asinina?? Hum... Que acha o senhor, capaz de opiniões tão sustentadas?

“Sou um reles bota-de-elástico, eu sei. Sou. Sei. Sim. Mas é que. Mas é que a tal tatua me trocou as voltas ao projectado duplo mote da crónica. Amolou-me o ferrão. Embotou-me a verruma. Eu vinha para gozar um bocado à pala do enigmático zootecnocrata que passou a integrar a administração do Hospital (para humanos, em princípio) de Santarém (que já lá tinha poucos, aliás). Era para gozar com isso – e com a Carta Educativa que a Assembleia Municipal de Santarém ratificou à absoluta revelia das autarquias menores que lhe são relativas e em completo desprezo pelas necessidades reais, na vida real, das populações com suas crianças sem eira e suas escolas sem beira. Ora, atraindo-me as hastes (por assim dizer e não desfazendo das vossas) e as lentes, a tatua fez-me falcatrua. Mas não faz mal, afinal. Porque, enfim, sempre simbolizam, as manchas dela, alguma coisa: a nomeação das boy-boletas e a aranha do menosprezo e da repugnância pela Educação que é afim de todas as pesporrências e de todas as prepotências, a começar pelas mais analfabetas, como é o caso da nossa bronca Edilidade.”

Ena! A primeira coisa decente que o senhor diz! É sim um reles bota-de-elástico (de relembrar que foi o senhor que disse, não fui eu). E, finalmente, utilizou o seu espaço na comunicação social para referir um problema real da sociedade! E não, não me refiro às escolhas pessoais de tatuar o que quer que seja na pele... Quer parecer-me que o senhor fez da tatua das unhas verdes o bode-expiatório para a sua falta de imaginação para abordar assuntos tão mediáticos como o desprezo pelas necessidades reais, na vida real, das populações com suas crianças sem eira e suas escolas sem beira ou o facto de um zootecnocrata se ter juntado à administração do Hospital de Santarém.

“Mas, ó meu bom Sá de Miranda, calma! Tais aves também caem, ao contrário das tatuagens com que se mancham, a ponto de nunca mais, como deve ser, se possa delas dizer coisa limpa e lavada.” 

Coisa limpa e lavada é a minha dignidade. Aquela que o senhor colocou em causa quando escreveu este texto (em modo “Je suis Charlie”), ofendendo, criticando, e dizendo o que bem lhe apeteceu sobre uma opção de vida. Algo que não lhe diz respeito. O senhor fuma? Bebe? Joga? Teve sexo antes do casamento? Come carne? Como pessoa tatuada (ou suja, como diria o senhor) não quero saber! Cada um é livre se ser/fazer/dizer/escrever o que quer. Escrever isto foi uma escolha sua. Pensar isto é uma escolha sua. E não o julgo por isso; muito menos na contra-capa de um jornal regional. Mas eu entendo... A culpa não é sua! Afinal, a censura foi abulida... E assim também me parece que tenham sido os valores da sociedade. Respeito, senhor! Respeito pelas escolhas dos outros, e talvez o senhor venha a ser um bom jornalista.

 

Bem haja!

 

Cláudia S. Veiga

 

Depois desta, ainda não se confirmou que todos os sócios do jornal O Ribatejo se vão tatuar, mas pouco falta.

 

SN 

 


publicado por porabrantes às 13:42 | link do post | comentar

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