Quarta-feira, 13.07.16

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D.Lisboa 7-12-1974

 

O eng. Mário Cardoso dos Santos seria depois da Administraçao da empresa por parte do Estado

Resolução 19/77

Por resolução de 19 de Dezembro de 1974, publicada no Diário do Governo, de 20 do mesmo mês e ano, deliberou o Governo intervir na Metalúrgica Duarte Ferreira, S. A.

R. L., de modo a assegurar a continuidade do funcionamento daquela unidade fabril e, consequentemente, o trabalho de cerca de 2500 pessoas e, pelo mesmo acto, ao abrigo do n.º 1 do artigo 3.º do Decreto-Lei 660/74, suspendeu a administração da Metalúrgica Duarte Ferreira e nomeou em sua substituição uma comissão administrativa.

Por resolução de 7 de Janeiro de 1976, publicada no Diário do Governo, de 16 do mesmo mês, definiu o Governo as linhas de orientação para o saneamento financeiro da empresa.

As alterações da conjuntura desde então verificadas evidenciaram, porém, a necessidade de soluções que, proporcionando a resolução do problema da empresa, contribuíssem também para a restauração do clima de confiança entre os agentes económicos (fornecedores, clientes e instituições financeiras) não só no âmbito desta empresa, mas também pelas repercussões delas decorrentes, no próprio âmbito nacional.

No desempenho do mandato conferido pelo Governo à comissão administrativa da Metalúrgica Duarte Ferreira, que determinava a apresentação de um relatório equacionando os principais problemas da empresa e propondo as soluções achadas por mais convenientes, foram apresentados pela comissão administrativa diversos trabalhos que apontam para a reconversão da empresa, nos quais participaram activamente os trabalhadores, decididamente empenhados e confiantes no êxito das suas propostas, que incluem estudos económico-financeiros e um planeamento dos fundos necessários, e que envolvem o lançamento de projectos de fabrico nacional de tractores, de máquinas agrícolas e de camiões.

As análises feitas confirmam que a empresa não poderá subsistir sem reconversão; a cessação das actividades da empresa não interessa a ninguém; a reconversão proposta, pelo contrário, é interessante sob muitos aspectos (assegura postos de trabalho, dinamiza a actividade económica regional e nacional, contribui para o equilíbrio da balança de divisas), mas assenta em pressupostos que suscitam algumas dúvidas.

Tem-se como certo que a reconversão se não fará senão com uma actuação coordenada do Estado, da empresa, da banca e um grande empenhamento dos trabalhadores da Metalúrgica Duarte Ferreira.

Em face do exposto, o Conselho de Ministros, reunido em 20 de Dezembro de 1976, resolveu:

Nomear uma comissão tripartida, composta por:

Engenheiro Mário Cardoso dos Santos, em representação do Ministério do Plano e Coordenação Económica;

Licenciado Francisco Sousa Leite, em representação do Ministério das Finanças; e Licenciado José Melro Félix, em representação do Ministério da Indústria e Tecnologia;

que terá como atribuições a análise dos trabalhos já elaborados e recomendação, com base nos mesmos, do esquema de saneamento económico-financeiro e outras medidas que devam acompanhar a cessação da intervenção do Estado;

Incumbir a comissão administrativa da Metalúrgica Duarte Ferreira de negociar com os trabalhadores os termos de um contrato-programa relativo aos diversos aspectos da actividade da empresa para os próximos quatro anos;

Incumbir a comissão administrativa da Metalúrgica Duarte Ferreira de negociar com o consórcio bancário um contrato-promessa de mútuos sucessivos, condicionado ao cumprimento do contrato-programa, em que se definam as garantias a dar por todos os intervenientes e, designadamente, pelo Estado;

Definir a data de 30 de Janeiro de 1977 como limite para a execução das acções referidas;

Aprovar o aumento do plafond dos avales a conceder pelo Estado de mais de 100000 contos, valor que se considera suficiente para assegurar o funcionamento da empresa até à data acima referida.

Presidência do Conselho de Ministros, 20 de Dezembro de 1976. - O Primeiro-Ministro, Mário Soares.''

 

in tretas org

 

A intervenção na empresa por parte do gonçalvismo em 1974 visou objectivamente a colectivização e a gestão do Estado falhou estrepitosamente.

Deviam construir um busto ao Vasco Gonçalves ao lado do Comendador e outro ao Campante

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 mn

 

 



publicado por porabrantes às 13:57 | link do post | comentar

Sexta-feira, 16.09.11

Véspera da Páscoa de 1975. Sábado de Paixão para o Cónego Albano Vaz Pinto. Sábado de Paixão para o Povo de Castelo de Vide. Sábado de desonra para o Exército Português. Sábado de Vergonha para as Forças Armadas de Portugal.

O Cónego Albano Vaz Pinto sabe que tem uma saúde atribulada, uma doença pulmonar que lhe corrói as entranhas, sérias dificuldades em conseguir  respirar e começa a pensar que a sua hora se aproxima. Está preocupado com o rumo do país onde campeia o golpismo gonçalvista e onde o PCP e a ala do MFA, comandada por um demagogo demente e imbecil, um incapaz, um tal Camarada Vasco quer à viva força impedir a realização de eleições livres marcadas para daí a uns dias, a 25 de Abril.

 foto Terras do Alentejo

O Alto Alentejo revela-se um osso difícil de roer para o PCP, uma região heterogénea do ponto de vista social, onde a estrutura da propriedade barra  o avanço das récuas de mercenários recrutados nas alfurjas da Margem Sul ou no bando de delinquentes que transformara Avis numa coutada russa.

O Exército desintegra-se, cada vez mais há unidades onde se perdeu a cadeia de comando, onde entre a anarquia e  a cobardia  medra o PCP, de quem ‘’objectivamente’’  dependem as hostes da tropa que em vez de manterem a Ordem, escoltam os marginais e a canalha que se dedica ao roubo, à ocupação de herdades e à intimidação manu militari do povo para que não possa escolher livremente.

Badajoz está cheia de refugiados políticos portugueses e o fracasso da absurda aventura golpista de Spínola veio dar um pretexto de mão-cheia à escumalha que quer escravizar  Portugal.

Albano Vaz Pinto é pároco de Castelo de Vide desde 1948, data em que chegou de Abrantes. Uma enorme obra social, uma longa vida de dedicação a esta terra que  teme que em breve tenha o seu epílogo. Quem  sabe se a sua atribulada saúde lhe permitirá gozar  de algum tempo de descanso na  sua Beira natal .

A Pátria ensandecida, o velho Império prestes a desabar, na própria Diocese se propaga a desordem, em Castelo de Vide são homens vis que manejam os cordelinhos da política. À Igreja falta a autoridade e a dureza de António Ferreira Gomes, que D. Domingos Frutuoso preparara com zelo e devoção para ser o grande Bispo que continuara a sua acção. À Igreja falta a palavra profética de D.António tão firme a falar a Salazar como a dizer depois do 25 de Abril ao lado de Spínola, com a torre dos Clérigos no horizonte, que não se devia permitir uma nova ditadura.

Os abusos multiplicavam-se, envolvendo fiéis e sacerdotes na Diocese e D.Agostinho de Moura, um beato e um fraco, sempre pronto a adular o poder seja ele qual fosse, era manifestamente incapaz de estar à altura da situação.

 Jornal de Abrantes

Tudo isto perturbava o sacerdote. Dias antes mandara retirar do Santuário da Penha, que restaurara na Serra, uma imagem preciosa da Virgem não fosse o Diabo tecê-las. Neste  Sábado que devia ter sido de Aleluia, mas que seria de Paixão, Albano Vaz Pinto marcara as cerimónias religiosas para as 8 da tarde. Já não é capaz de dizer a missa sozinho. Não aguenta tanto tempo em pé. Combina com os leigos que ele só intervirá nas partes litúrgicas em que era imprescindível a intervenção dum sacerdote. Assim se fez.

Terminada a cerimónia, o abrantino eng. Manuel Coelho, há muito colaborador e amigo do Cónego Albano e residente na vila, parte para casa. Acompanha-o a família. Tinham convidados e o dia seguinte, era Páscoa de Ressurreição. Havia muita coisa para tratar.

Pouco depois alguém lhe bate à porta.. É avisado que uma turba de MFAs, não digo soldados, porque os soldados de Portugal honram a sua farda e aquela chusma desonrava-a, comandada por um alferes miliciano (cujo nome me reservo o direito de não escrever aqui)  e alguns miseráveis à civil, tinham invadido a Igreja, num dia sagrado para um Povo de tradição cristã e prendido o velho sacerdote, naturalmente sem culpa formada e quem sabe se acenando com um mandato de captura em branco, assinado por algum  traidor com divisas da laia do ex-legionário Otelo Saraiva da Carvalho.

Pegaram num homem respeitado, roído por uma doença quase terminal, humilharam o povo de Castelo de Vide, fazendo chicana com o que há de mais sagrado:  a liberdade de consciência, a dignidade dum homem, a honra dum povo ultrajado na Fé por miseráveis que vilmente agiam a soldo do estrangeiro.

Não havia nenhuma acusação contra Albano Vaz Pinto, tudo aquilo era apenas  para intimidar  e condicionar o resultado dumas eleições decisivas para o futuro de Portugal  

Queriam dizer o poder é nosso e quem se opuser terá o mesmo destino de Vaz Pinto, ser sequestrado ao cair da noite e levado com destino incerto.

 abrupto 

A mensagem era: se votais contra nós, as cadeias e quem sabe o pelotão de fuzilamento são o que vos espera.

Manuel Coelho sai sozinho de casa, recolhe informações, mete-se no carro, atalha pela Serra, vai cortar o caminho à soldadesca, ao alferes de aviário, aos aprendizes de pides vermelhos.

Manuel Coelho vai sozinho, mas para parafrasear um poema de Rodrigo Emílio, saberia decerto que muitos estavam com ele. Todos aqueles que em Portugal estavam prontos daí a uns dias a humilhar nas urnas a hidra totalitária. Há momentos em que um homem está sozinho, o coração certamente cheio de raiva, mas a inteligência a dizer-lhe que a fúria nunca é boa conselheira, em momentos em que a cabeça tem de estar fria.

aventar 

 

 

A história que me contaram narra que os encontrou a meio da serra e cortou o passo àquela coluna e se enfrentou ao triste palhaço que fazia de alferes, ao controleiro de serviço e àquele afandangado exército. 

Manuel Coelho nunca quis contar o  diálogo que manteve com o patife que comandava aquela escória. Tão seguro do que fazia e tão valente estava o alferes, tão quentes estavam as suas costas, aquecidas por um friso de mfas tão ajagunçados que o Coronel Ramiro de Ilhéus dispensaria os seus serviços, por falta de porte marcial, que o militar de Abril se rendeu.

A rendição do bravo foi acompanhada pelo unânime içar da bandeira branca por parte da milícia civil. Ah Valentes!!!!

Berrou o alferes : leve  o Padre. Disse  Manuel Coelho: Não levo. Metam-mo vocês no carro à minha frente. Não me arrisco a virar-vos a costas, porque não quero que me abatam a mim e ao Cónego pelas  costas..

Estou a imaginar a cara do alferes, com quem me voltei a cruzar outro dia, o brilhante revolucionário, Che Guevara da Parvónia, Fidel da piolheira, Otelo à alentejana, Agostinho Neto do chaparral, Rosa Casaco do goulag.

Santuário da Penha-Castelo de Vide - Panorâmio (foto)

 

 

 

Pálido de espanto, aparvalhado pela valentia de Manuel Coelho, humilhado na frente do bando de marginais que capitaneava pela ousadia do abrantino. Manuel Coelho arrancou com o carro e foi levar o velho Padre à sua casa em Póvoa de Rio de Moinhos. Aí dormiram. No dia seguinte quando voltou com ele a Castelo de Vide ao entrar na ruela em que estava a casa do sacerdote, encontrou a tropa acampada à porta do Sr.Cónego, todos aquecendo-se à volta duma fogueira.

 Lá estava o Alferes de alma pequena e descaramento grande. A rua era pequena e o carro de Manuel Coelho não tinha espaço para inverter a marcha. Sem hesitar acelerou o veículo sobre a tropa que em pânico debandou com tanto brio como o demonstrado por Mário Tomé a chicotear um preto num quartel moçambicano.

Manuel Coelho só parou quando pôs o padre em sítio seguro.

 

O Sr.Cónego Albano morreu no ano seguinte. Manuel Coelho, o abrantino destemido, o salvador do padre, o homem que sozinho humilhou um esquadrão de  ‘’’gentalha’’já entregou a sua alma a Deus.

 

O triste Alferes de cujo nome não me quero recordar, como diria o maneta de Lepanto, anda por aí. Estiveram na homenagem ao Sr.Cónego Albano alguns dos participantes na sua tentativa de linchamento. Foi contra eles, contra a canalha, ou para ser exacto contra a’’gentalha’’ que falou e bem o Sr.Presidente da Câmara de Castelo de Vide.

 Agrupamento  Escolas D.Miguel de Almeida

 

 

Está por enquanto entre nós, em Abrantes, a irmã  do Sr.Eng. Coelho, a nossa querida Dona Ermelinda Coelho, a quem este blogue manda um grande beijo. Digo por enquanto, porque aquela que foi o pilar da Igreja de Abrantes ao longo de 50 anos, aquela que é a memória viva do que foi a História (como todas, com as suas partes gloriosas e vergonhosas, com santos e pulhas e pecadores vulgares como eu) Católica de Abrantes vai viver para um lar de professores em Cascais, para estar perto da família.

 

 

Marcello de Noronha



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