Domingo, 31.07.16

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 O ''caralhês'' alaranjado do filantropo e argentário de São Miguel do Rio Torto em destaque no semanário de referência, num artigo de Henrique Monteiro.

 

Calma, o empregado dos chineses ainda não disse que a medalha centenária, que a Céu lhe deu, era uma ''pentelhice'', foda-se.

 

Mas o Senhor Doutor ainda o pode dizer...., estamos à espera

 

ma

 

Imagem : expresso com a devida vénia

 

  



publicado por porabrantes às 11:53 | link do post | comentar

Sábado, 18.02.12

Crónica do Sr. Taveira, ou breve passeio pelo vernáculo português

Por Rosa Ramos, publicado em 18 Fev 2012 - 03:10 

 

 

 

A polícia já perdeu a conta às vezes que teve de ir a casa do Sr. Taveira pedir-lhe que baixe o volume da música – que se ouve até na esquadra – e os agentes já sabem que só vale a pena bater à porta no intervalo das canções. “Só assim é que ele ouve a campainha ”, dizem

 

 

 

 

 

 

 

''Mas não se pense que o hábito ruidoso é um devaneio adolescente ou ingénuo: Taveira tem 46 anos e um registo criminal de 17 páginas. Mesmo assim, insiste em fazer a vida negra aos vizinhos com a aparelhagem aos berros dia sim dia não. A última vez que a PSP lhe tocou à campainha, Taveira inventou uma estratégia nova para não baixar a música: recebeu os agentes, saltou para o hall do prédio, fechou a porta de casa e gritou: “Estão a ver? Não posso mesmo baixar a música! Não tenho chave para voltar a entrar...”

A conversa azedou logo ali e Taveira acabou algemado e na esquadra. Duas semanas depois o tribunal julga-o por cinco crimes de injúria agravada e três de ameaça agravada. Taveira não pôs os pés na sessão, mas também não foi preciso: compareceram perante a juíza cinco agentes da PSP para contar o que aconteceu depois de o arguido ter ficado sem chaves de casa.

O agente Daniel é o primeiro a responder às perguntas do procurador do Ministério Público: “E pronto, doutor... nesse momento, no hall, é que começaram as injúrias. Chamou-nos palhaços, cobardes. Tivemos de o levar para a esquadra algemado.”

“Mas que injúrias é que ele proferiu no hall? Tente lembrar-se de mais pormenores”, pede o procurador.

“Palhaços, cabrões, cobardes, que ninguém o levava para a esquadra…”

“Consta aqui que ele terá dito que vos fodia a todos. É verdade?”

“Sim.”

“Então e porque é que não estava a contar essa parte agora?”

“Porque não me lembrei.”

“Ele disse mais alguma?”

“Que éramos uns cabrões, cobardes, que nenhum cabrão o levava para a esquadra...”

“Eu bem sei que este processo é um passeio pelo vernáculo português, mas precisamos de ser exactos, senhor agente. É verdade que ele terá dito: ‘Vai para o caralho, ninguém me leva para a esquadra?”

“Sim, disse.”

Este foi só o primeiro de quatro encontros imediatos de Taveira com o mesmo grupo de agentes. Por causa do incidente no hall, o homem acabou por ter de se apresentar no tribunal logo no dia a seguir para responder por injúrias. Outro agente, Hugo, recorda os momentos que partilhou com o arguido na sala de espera do tribunal: “Desatou aos berros, chamou-nos filhos da puta, disse que ia beber o nosso sangue e que só estragamos a vida a quem trabalha.”

“E também vos chamou palhaços e disse ‘Seus ladrões, vou foder-vos’?”, pergunta o procurador.

“Sim.”

“E também vos disse: ‘Estás a olhar para onde? Pensas que és bonito?’”

“Sim.”

“Sentiu-se ofendido?”

“Com certeza.”

“Mas já devia saber que na sua profissão está sujeito a estas coisas, ou não?”, devolve o procurador. O agente da PSP nem responde.

Taveira acabou por não ser julgado nesse dia em que gritou com os polícias no tribunal. Foi mandado para casa, tal era o estado de exaltação. Mas nessa mesma tarde começava o terceiro encontro imediato com os agentes. Chegado a casa, Taveira decidiu pôr-se a caminho da esquadra para apresentar queixa contra os próprios polícias. O agente Toni, que o recebeu, relata o encontro ao tribunal: “Eu disse-lhe que não podia apresentar queixa contra nós ali e recomendei-lhe que se dirigisse a outra esquadra ou então que voltasse num turno em que nós não estivéssemos lá, por exemplo a partir das onze da noite.”

“E depois?”, pergunta o procurador.

“Disse-me que se eu não me matasse me matava ele e chamou-me filho da puta e palhaço e mandou-nos a todos para o caralho.”

“Essas palavras ofenderam-no?”

“Sim.”

“Levou as ameaças a sério?”

“Sim.”

“Teve medo?”

“Sim.”

“Também o ouviu dizer que ia beber o vosso sangue?”

“Sim, várias vezes.”

“Sentiu-se incomodado?”

“Senti.”

“Mas não acha que já devia saber que não deve ligar a essas coisas?”

“É difícil não ligar.”

E como não há três encontros sem quatro, às onze da noite desse mesmo dia Taveira regressou à esquadra para apresentar queixa. Estava de serviço o chefe Sebastião: “O Sr. Taveira foi à esquadra apresentar queixa e vinha num estado total de embriaguez, pelo que lhe recomendei que voltasse no dia seguinte.”

“E é verdade que ele disse: ‘Vou-me embora, não quero ter nada a ver com estes palhaços, ainda meto aqui uma bomba’?”, questiona o procurador do Ministério Público.

“Sim.”

“Levou essas palavras a sério?”

“Evidentemente que não. Há 32 anos que sou polícia e levo com ameaças.”

“Não teve medo, portanto?”

“Não. Ele é uma pessoa normal, até é funcionário do Estado.”

“É caso para dizer que só nos sentimos ofendidos por quem nós deixamos, não é, senhor agente?”, acrescenta o procurador.

“Exacto.”

“Olhe, senhor chefe. Gostei muito do seu depoimento”, remata o magistrado.

Graças ao chefe Sebastião, Taveira é condenado apenas por quatro crimes de injúria agravada e dois de ameaça agravada. Mesmo assim, e para desgosto do procurador do Ministério Público, a juíza condenou o homem a cinco anos de prisão com pena suspensa. Além disso, Taveira terá ainda de pagar 100 euros a cada agente ofendido – menos ao chefe Sebastião, claro está. E pelo menos durante cinco anos a vizinhança poderá voltar a dormir descansada.''

 

 

retirado com a devida vénia do I e um grande elogio para a jornalista Rosa Ramos que é uma excelente profissional

 

Comentário: aplicando a jurisprudência abrantina não se trataria de vários e profusos ''excessos de virilidade'' (verbal) ?

 

Deixemos isso ao Advogado do Sr.Taveira

 

 

 MA



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